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outubro 22, 2012

Adormecida por Anna Sheehan

Adormecida por Anna Sheehan.

ISBN: 9788563066480
Editora: Lua de Papel
Ano: 2012
• Número de páginas: 272
Classificação: 3/5 estrelas
Onde Comprar: FNAC, Livraria Cultura, Livraria da Travessa, Submarino.


Sinopse:
Rose Fitzroy esteve dormindo profundamente por décadas. Imersa num sono induzido, esquecida em um porão por mais de 60 anos, a jovem foi tratada como desaparecida enquanto os anos sombrios pairavam sobre o mundo. Despertada como por encanto e descobrindo-se herdeira de uma corporação multimilionária, Rose vai entendendo pouco a pouco, tudo o que aconteceu em sua ausência. Ela descobre que seus pais estão mortos. O rapaz por quem era apaixonada não é mais que uma mera lembrança. A Terra se tornou um lugar estranho e perigoso, especialmente para ela, que terá de assumir seu lugar à frente dos negócios. Desejando adaptar-se à nova realidade, Rose só consegue confiar numa única pessoa estranhamente familiar. Rose até gostaria de deixar o passado para trás, no entanto, ao pressentir o perigo, percebe que precisa enfrentá-lo - ou não haverá futuro.


Gosto de livros que me surpreendam e acredito que isso é algo que quem acompanha o blog há mais tempo já percebeu. Claro que é um risco que sempre corro, esperar que uma história me surpreenda, mas felizmente no caso de Adormecida este risco até “valeu apena”, pois a história revelou-se ser completamente diferente do que eu esperava.

O que a princípio parece ser uma simples releitura do clássico A Bela Adormecida, é mais um conto de fadas às avessas com toques de distopia que leva o leitor durante narrativa, a sentir em diversos momentos sentimentos contraditórios.  Em um parágrafo você está com morrendo pena da pobre e ingênua Rose, no seguinte você é levado a sentir muita raiva dessa mesma ingenuidade. Esse conflito de sentimentos que em parte tornou o ritmo da leitura muito agradável, mas por outro lado dificultou a minha relação com a protagonista.

Rose Samantha Fitzroy tem uma história bem incomum, afinal ela levou trinta e oito anos para chegar aos dezesseis, e aparentemente foi esquecida por sessenta anos em seu sono de estase (uma espécie de droga), até um dia ser finalmente acorda por Bren Sabbah em um mundo totalmente diferente daquele que ela conhecia quando adormeceu o que cá entre nós, é meio óbvio.  É até compreensivo o fato de Rose se sentir desorientada, já que tudo que ela conhecia inclusive seus pais não existiam mais, para ajudar ela é a única herdeira da maior companhia intergaláctica na história da humanidade e dos extraterrestres também, e qualquer um pode ser seu inimigo. Porém em vez de Rose tentar se adaptar a sua nova vida, ela vive desejando o que perdeu e o pior ela nem se esforça muito para tornar tudo mais fácil para ela.

Acho que já deu para perceber que não foi à protagonista que me fez gostar do livro. Confesso que cai de amores, por um personagem que é meio extraterrestre meio experiência cientifica, o Otto.  Otto tem uma personalidade enigmática e tão cativante que é fácil se imaginar sendo amiga dele. Talvez por conta da sua condição “especial” ele possui uma sensibilidade e um dom de observação maior do que a maioria das pessoas, o que fez com que ele conhece-se Rose, melhor do que ela mesma.

Infelizmente como todo livro do gênero, Adormecida tem o seu triângulo amoroso. Sim nem na releitura da Bela Adormecida escapamos dele, porém o criado aqui é tão absurdo que chega a ser trágico. Rose passa quase toda a história divida entre o seu namorado de sessenta anos atrás Xavier e Bren o menino que a despertou.  Vou preferir nem entrar em detalhes sobre este ponto do livro, por que é notável que qualquer tentativa de romance que a protagonista venha a ter com qualquer pessoa será fortemente prejudicada por sua falta de personalidade e mente facilmente manipulável.Triste mas é verdade.

A autora Anna Sheehan foi feliz em partes ao tentar recriar um clássico. Digo "em partes" por que achei interessante o contexto futurista no melhor estilo ficção cientifica em que ela inseriu a história, porém faltou ação, romance e pelo menos para mim o grande “vilão” da história estava óbvio demais. Para quem se apega aos pequenos detalhes logo no começo do livro, a “grande revelação” do final não chega a ser tão grandiosa assim.

- Mas depois de dizer tudo isso sobre o livro Ane, por que você comentou no começo da resenha que o risco valeu apena?

Por que o grande diferencial da narrativa de Anna Sheehan é a franqueza dos personagens. Em Adormecida mesmo com toda carga emocional que a autora buscou dar a história os principais personagens não são melindrosos, ao contrário eles são muito objetivos. Aqui não tem aquele papo de que; “não vou falar para não te magoar”, “ou vou esconder o que sinto para não sofrer”, isso é algo que dificilmente eu vejo em livros do gênero e foi um dos fatores que me fez gostar bastante de Adormecida.

Porém o que me conquistou mesmo foi o final, principalmente o momento que Rose descobre toda a verdade. Por mais óbvio que algumas coisas estivessem, para mim foi impossível não me emocional com a personagem. A surpresa, misturada com a dor e decepção dela foram tão grandes, que algumas lágrimas se formaram em meus olhos. E justamente por me despertar esse tipo de sentimento é que o risco valeu apena.

Como eu disse no começo da resenha esse livro leva você a ter sentimentos contraditórios, por isso não me julguem por ser compreensiva e me revoltar com a Rose ao mesmo tempo. Meu único medo é que a autora invente de transformar o livro em uma trilogia. Sério eu amei como tudo terminou, a autora não precisa inventar uma continuação desnecessária para um final tão perfeito. Acredito que aqui um final no estilo: "E foram felizes para sempre" não combina. (pronto falei)

Mesmo com um enredo um pouco fraco e que deixa a desejar em muitos sentidos, Adormecida consegue surpreender e comover o leitor de uma forma despretensiosa, mas bem típica dos clássicos contos de fadas. 

Fica a dica!



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