31/05/2018

A Tenda Vermelha por Anita Diamant.

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.


ISBN: 9788576864448
Editora: Verus
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 294
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Uma história extraordinária sobre a condição ancestral da mulher. Um livro emocionante que traz poderosas lições de amor, perdão e sororidade. O livro que deu origem à série da Netflix Seu nome é Dinah. Na Bíblia, sua vida é mencionada em um breve episódio no livro do Gênesis, nos capítulos sobre seu pai, Jacó. Narrado na voz de Dinah, este romance revela as tradições e as turbulências de ser mulher na antiguidade. A tenda vermelha era o lugar em que as mulheres se reuniam durante seus ciclos de nascimento e menstruação ou quando estavam doentes. Imaginando as conversas e os mistérios mantidos dentro dessa tenda exclusivamente feminina, Anita Diamant nos oferece um olhar privilegiado sobre a vida diária das quatro esposas de Jacó, mães de seus doze filhos homens, e sobre o convívio com sua única filha, Dinah. Com o resgate desse olhar feminino, conhecemos as fascinantes mulheres que sangraram, trocaram palavras, experiências e rituais na tenda vermelha. Em uma voz íntima e poética, Dinah sussurra histórias sobre suas quatro “mães”, Raquel, Lia, Zilpah e Bilah, que a inspiraram com seus traços femininos únicos. Conforme histórias permeadas de sensualidade, intuição e fortes emoções vão sendo narradas, descortina-se um mundo de caravanas, escravos, artesãos, príncipes, milagres e segredos femininos, até o momento em que Dinah mergulha em sua própria saga de paixão, traições e sofrimento.

Toda história tem dois lados e quando falamos de fatos narrados da Bíblia, ouso dizer, que aquilo que nos é passado é somente a ponta do iceberg. Por esse motivo assim que soube do relançamento de A Tenda Vermelha da autora Anita Diamant, fiquei curiosíssima para me aventurar pelas páginas da obra. Afinal, quem não gostaria de saber mais sobre personagens que mesmo depois de tantos séculos ainda são lembrados por povos de todo mundo.  Com uma narrativa rica e detalhada, Anita Diamant nos leva por uma viagem no tempo, cheia de misticismo, mistérios e feminilidade.

Seu nome é Dinah, filha de Lia e Jacó e única mulher entre os doze filhos homens que o patriarca teve. Na Bíblia, ela é rapidamente mencionada no livro de Gênesis em um episódio triste que muitos conhecem apenas como o, - “estupro de Dinah”. Porém, como podemos imaginar a vida dessa jovem mulher não de resumiu somente a esse acontecimento isolado.

Com muita delicadeza e riqueza de detalhes Dinah nos guia pela história de sua família, nos proporcionando um novo olhar sobre fatos conhecidos e nos fazendo questionar o por que tanto foi esquecido. A protagonista começa a sua narrativa nos contando a história de Lia sua mãe de sangue e das irmãs dela: Zilpah, Raquel e Bilah.

Todas mulheres fortes que foram criadas para se manter as sombra dos homens e que tiveram suas vidas entrelaçadas não somente pelos laços familiares, mas pelo casamento como o mesmo homem, Jacó. Para Dinah todas elas eram suas mães e a inspiram cada uma a seu modo a ser uma grande mulher também.

Acredito que a história de Jacó, filho de Isaac e neto do patriarca bíblico Abrahão seja conhecida até mesmo para àqueles que não seguem nenhuma religião específica. E é exatamente por isso que há meu ver A Tenda Vermelha é um livro tão único e belo, pois ao trazer a possível visão feminina da história, Anita Diamant tornou esses personagens lendários reais.

O que me chamou a atenção em A Tenda Vermelha foi justamente o fato da narrativa ser feminina. Pois, pouco se sabe dessas mulheres que foram tão importantes dentro de suas comunidades e que infelizmente acabaram tendo suas vozes silenciadas pelos homens nos livros bíblicos.

Uma boa parte da narrativa se passa na tenda vermelha, um lugar sagrado e íntimo para as mulheres, onde elas se reuniam durante o período menstrual ou quando estavam doentes. A tenda era um lugar místico onde essas mulheres festejavam a renovação de seu ciclo e agradeciam a deusa as bênçãos que recebiam. Dinah cresceu na tenda, convivendo com parteiras e desde de muito cedo aprendendo os segredos e os milagres do corpo feminino.

O interessante aqui é que Anita Diamant detalha em pormenores a rotina diária dessas mulheres. Sem medo e vergonha de ser o que elas eram, porque justamente o fato de serem mulheres era o que fazia delas pessoas tão fortes. O que me fez questionar em muitos momentos que não é de hoje que as mulheres são tratadas como "sexo frágil" e colocadas em uma posição inferior aos homens.

Dinah é uma protagonista cativante e acompanhar sua jornada desde seu nascimento, passando pelos momentos leves e felizes da infância até chegar a vida adulta torna a leitura de A Tenda Vermelha especialmente marcante. Afinal quantas mulheres não se vêm hoje, na mesma posição de Dinah, sozinhas e assombradas por situações traumáticas de seu passado que muitas vezes foram causadas por pessoas a quem amavam.

A Tenda Vermelha é uma obra que exalta o poder feminino com toda a sua beleza e força. Através de personagens icônicas como Lia, Zilpah, Raquel e Bilah, a autora Anita Diamant nos mostra o quanto nós, - mulheres temos poder. Pois a ligação dessas mulheres não se dá apenas por que “dividem” o mesmo marido e sim, por que na intimidade da tenda vermelha elas criaram uma ligação única baseada no amor e dedicação uma para as outras. E isso sem dúvidas torna esse livro emocionante e poético.

"(...)Também é assim com as pessoas que são amadas. Basta algo insignificante como um som, um nome para trazer de volta os incontáveis sorrisos e lágrimas, suspiros e sonhos de uma vida humana."

Embora a princípio possa parecer mais uma obra de ficção, A Tenda Vermelha é uma narrativa bela que busca dar voz às mulheres que a História apagou. Singela, tocante e ao mesmo tempo de uma força incrível a narrativa de Anita Diamant é inspiradora.

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6 comentários:

  1. Desconhecia por completo esse livro, gostei muito da capa, não sei se a história em si eu iria achar interessante, mas fiquei curioso.

    MRS. MARGOT

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  2. Oi Ane,
    Eu amei essa capa, mas a premissa me desanimou um pouco...
    Mas ao ler sua opinião, eu fico mais animada... Gosto dessa coisa de voz feminina forte, além de ser uma história emocionante e poética... Fiquei curiosa, vai entrar para a lista de desejados.
    Beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com

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  3. Olá, Ane.
    Já corri adicionar ele lá no skoob para não esquecer. Se tem uma coisa que sinto falta quando leio as histórias bíblicas, é dessa visão mais detalhada dos personagens femininos. Recentemente comprei dois livros, um conta a história de Dalila e o outro a de Jezabel. São da mesma coleção da Rainha Ester. Poderia ter mais livros como esses hehe.

    Prefácio

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  4. Oi Ane, tudo bem?
    Não conhecia o livro, mas pela sua resenha a proposta criada pela autora, parece interessante e também cativante. Dica anotada!!

    *bye*
    Marla
    https://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  5. Ane, o livro tem uma proposta bem interessante e apesar de eu ainda não conhecê-lo depois da resenha vou querer dar uma espiada mais a fundo com certeza
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. Oi,Ane

    Eu ia solicitar esse livro, mas acabei optando por não fazê-lo por não querer um prazo para a leitura. Não era o momento certo e eu não queria ler na correria.
    Quando eu assisti José do Egito fiquei muito tocada com a história de Dinah, Lia também me conquistou, mas até lá eram os personagens masculinos que tinham destaque. Quero muito conhecer esse lado feminino que a autora abordou, com certeza vou comprar para ler com calma, absorvendo tudo o que ele tem para oferecer.

    Beijos
    -Tami
    https://www.meuepilogo.com

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