05/09/2018

Deixando a vida fluir.

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Fiquei alguns minutos olhando para essa folha em branco sem saber o que escrever, ou por onde começar. Troquei as músicas da minha playlist várias vezes, até voltar a ouvir a primeiro música.

Isso me fez pensar em quantas vezes acreditamos que o melhor para nós está longe e distante, quando da verdade tudo o que precisamos para ser feliz está do nosso lado. Há um passo de distância.

Gostamos de buscar o inalcançável, o incrível porque parece que o que temos nunca é o suficiente ou bom o bastante. Nos enganamos com a crença que o amanhã será melhor, porque encaramos o hoje como mais um dia qualquer. Só que esse hoje é o amanhã que tanto desejamos ontem.

O que nos passa quase sempre despercebidos é a surpresa surge quando não esperamos. E por sempre esperar algo especial, não notamos as pequenas surpresas que cada dia nos reserva. Não notamos o quanto tudo a nossa volta e nós mesmo somos breves, únicos e belos. O problema é que pensamos e esperamos demais de tudo e de todos e nos esquecemos de viver.

Quando parei de procurar as palavras certas os meus sentimentos fluíram. Simples como a vida flui. 

texto escrito por: Ariane Reis.  ©  Todos os Direitos Reservados.

02/09/2018

Setembro Amarelo: A importância de falar e de saber ouvir.

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Ninguém escolhe ter depressão. E quando a única solução que a pessoa encontra para deixar de sentir tudo é tirar a própria vida, não é porque ela foi fraca e não conseguiu lidar com os problemas, mas sim por que a dor que ela sentia era forte demais para suportar. E muitas vezes nós não percebemos que a pessoa ao nosso lado está precisando de ajuda.

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Às vezes essa pessoa está sofrendo tanto que tem medo de falar o que sente e ninguém compreender a sua dor. Ela tem medo que seus familiares e amigos a julguem e se afastem, ou que ela acabe se tornando um fardo na vida daqueles que ama. E na correria que a gente vive é difícil perceber as pequenas mudanças de comportamento, o quanto a pessoa aos poucos vai se afastando e se isolando. Ou às vezes a pessoa até procurou a nossa ajuda, porém estávamos ocupados demais para escutar, para prestar atenção nas mensagens de socorro que recebíamos.

Nos últimos anos a discussão sobre a depressão deixou os consultórios e muitas pessoas começaram a falar abertamente sobre seus problemas. Essa troca é importante, afinal é maravilhosa a sensação que não estamos sozinhos. A sensação que alguém se importa.

E pensando nesse tema e principalmente o quanto muitas vezes ao ler um livro, uma frase ou até mesmo um twitter, encontro uma resposta e  me sinto confortada, eu separei cinco livros que abordam a importância de falar sobre a depressão e de saber ouvir com carinho e amor quem está passando por uma situação difícil.

Setembro Amarelo: 05 livros que você precisa ler.




Fale! da autora Laurie Halse Anderson é um livro denso e bastante profundo em especial para quem já sofreu ou sofre algum tipo de bullying. A forma delicada e tão realista com que a autora escreveu a história faz com que ela seja sufocante e ao mesmo tempo inesquecível. Fale! Não é apenas mais uma história, e sim a história que fará com que você repense a forma com trata e julga as pessoas.

Desde a festa no último verão, Melinda sente-se devastada.  Ela mudou muito e aparentemente ninguém percebeu ou ao menos tentou entender o motivo dessa mudança. Para seus colegas de colégio, ela é apenas a menina que chamou a polícia e acabou com a festa. Para seus pais e professores, ela é apenas mais uma adolescente complicada tentando chamar atenção.  Atormentada e completamente sozinha, ela passará por um ano difícil e aprenderá que por mais que doa, muitas vezes precisamos passar por cima de nossos medos e de nossa vergonha e simplesmente, - falar.




Em As Vantagens de ser Invisível o autor Stephen Chbosky explora temas como; homossexualidade, aborto, drogas e sexo de uma forma leve e até mesmo comovente.  Durante a leitura, a única coisa que eu conseguia sentir enquanto tentava entender o mundo a qual Charlie pertencia, ou tentava pertencer, era à apatia e melancolia dele em relação a tudo aquilo. Era como se cada carta que Charlie escrevia fosse um pedido de ajuda endereçado a mim. Charlie é aquele tipo de pessoa que tem um medo enorme de viver a vida, por conta de um circunstância sombria que foi imposta a ele. O toque sutil de realidade presente em todo o livro tornam As Vantagens de Ser Invisível um livro leve, tocante e atemporal.




A vida é um constante recomeço e para Laurel nunca recomeçar pareceu tão difícil. Sua irmã mais velha May partiu a seis meses de forma trágica, deixando ela sozinha para enfrentar não apenas os desafios do Ensino Médio, mas os que a vida sempre nos apresenta também.  Laurel não consegue entender por que a sua irmã fez isso com ela. O fato de sua mãe ter ido embora deixando ela com o pai e a tia Amy, faz com que seja ainda mais complicado lidar com a dor da perda.

A maneira como a autora desenvolveu o enredo fez com que a cada capitulo eu fosse desvendando os segredos da protagonista e com isso fui me sentindo mais próxima a ela. O final de Carta de Amor aos Mortos da autora Ava Dellairia, me deixou ao mesmo tempo orgulhosa e triste. Orgulhosa por que a sua maneira Laurel conseguiu sobreviver à dor, e triste por que ela não precisava ter passado por tantas coisas ruins.




Valerie Leftman sempre sofreu com o bullying no colégio em que estudava, e por um bom tempo ela suportou todas as piadas e brincadeiras sem graça calada.  Era um fardo pesado demais para alguém carregar sozinha, então era resolveu escrever em um caderno tudo e o nome de todos e a incomodavam como uma forma de desabafar o que sentia. Até que um dia, esse inocente caderno causa uma tragédia. Apesar de ser uma obra de ficção, já assistimos inúmeras histórias parecidas com a de A Lista Negra nos telejornais, e a maneira com a autora Jennifer Brown construiu a narrativa deixou tudo muito próximo e real.




Em Por Lugares Incríveis  a autora Jennifer Niven aborda sem medo temas atuais e complexos como a violência doméstica, bullying e a depressão. Tudo isso de uma forma muito delicada, o que deixa tudo ainda mais emocionante.

A história de Finch e Violet nos leva a refletir sobre pontos importantes de nossa própria vida. Sobre os nossos traumas e problemas, e principalmente que não somos os únicos com eles. Enquanto eu lia revi cada situação e escolha difícil pelo qual passei, e percebi que mesmo que algumas coisas não tenham acontecido como o esperado. Foram justamente essas andanças fora do trajeto planejado que me levaram a viver momentos incríveis.

Ninguém escolhe ter depressão. Por isso, não julgue quem está passando por esse momento difícil, e sim estenda a mão e faça com que essa pessoa se sinta especial e principalmente amada.

E lembre-se: Que você não está sozinho (a)! Fale o que sente e como se sente. Busque ajuda de amigos, familiares e terapia. Sério, terapia ajuda muito! Todo mundo devia ir a um terapeuta pelo menos uma vez por ano. E nunca se esqueça que: Você é especial, incrível e único (a)!

* Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro, desde 2014, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações.

ps: Essa blogueira aqui está sempre com o E-mail, Twitter, Facebook e Instagram abertos para quando você quiser/precisar conversar e receber abraços quentinhos. ()

29/08/2018

SoSeLit #08 – Autores Nacionais x Blogueiros Literários.

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Olá pessoas!

Alguém mais achou que esse mês passou voando? Sinceramente eu nunca vi um Agosto passar tão rápido. E apesar desse mês as atualizações do blog terem ficado um pouco “bagunçadas”, essa blogueira que vos escreve não poderia deixar de compartilhar com vocês esse tema por assim dizer “polêmico”, levantado pela Sociedade Secreta Literária. A relação de muitas rosas e espinhos entre autores nacionais e blogueiros literários.

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Eu, Ariane acredito que um dos grandes problemas da humanidade em geral é o ego. Infelizmente nós estamos vivendo em uma época quem que a grande maioria das pessoas estão egocêntricas e não conseguindo lidar direito com a opinião do outro.  E com isso surgem os textões nas redes sociais, as indiretas que são diretas e todo o blá,blá,blá que a gente já conhece. Mas quem está errado nessa história, o autor (a) que não soube aceitar uma crítica ou o blogueiro que não conseguiu fazer ela de forma “construtiva”?

Escrever resenhas é algo complicado, afinal você está tentando transmitir através do seu texto todos os sentimentos que o livro despertou durante a leitura. E às vezes realmente esses sentimentos não são positivos. Às vezes você pode acabar discordando da ideia do autor (a), ou da forma como ele desenvolveu a narrativa e os personagens, algo que é super normal e saudável até. Afinal, pensem como o mundo seria um porre se todo mundo gostasse das mesmas coisas?

O problema está em como esses comentários “negativos” vão soar na resenha. Pois, da mesma forma que você pode não ter gostado de ponto x e y, outra pessoa pode ler o livro e adorar justamente esses pontos. Adoro quando leio resenhas, que mesmo sendo perceptível que a leitura não foi tão envolvente como o esperado, o blogueiro consegue apontar as partes positivas da história. Ou seja, eu não gostei mas você pode gostar.  Além disso, eu como leitora acredito que há “momentos certos” para você ler um livro e que se você ficar forçando a ler algo que não está afim o resultado será um leitura não tão proveitosa.

Não tenho mais parceira com autores nacionais e esse ano decidi que não teria mais parcerias fixas com editoras, justamente por que comecei a perceber que estava lendo por “obrigação” e não pelo prazer de ler. E sinceramente, está sendo ótimo ler quando eu quero e se quero ler.

Por que eu estou falando tudo isso? Porque eu já tive problemas com autores nacionais. Problemas desde de me pedirem para mudar minha resenha, até e-mails nada educados sugerindo que eu não tinha “entendido direito” a história. Tanto que eu confesso que por um bom tempo eu sentia medo de resenhar livros nacionais aqui no blog e o autor (a) ficar chateado alguma crítica que eu pudesse fazer.

Entendo que o autor possa ficar com medo que por causa de uma resenha não tão positiva, alguns leitores vão desistir de conhecer a história. Mas, também acho que ao invés de bater boca com o blogueiro, ou ficar reclamando da crítica, ele (a) pode ver essa resenha não tão positiva como uma forma de melhorar sua escrita para o próximo livro.

E é aqui que volto a falar novamente de um dos grandes problemas de hoje, o ego. Ego por parte do autor que acha que escreveu o livro do século e ego do blogueiro que acha que só por que ele não gostou o mundo inteiro precisa não gostar também. Tipo, eu não gosto de Belo Desastre, mas há quem goste. Eu amo O Clã dos Magos, mas há quem nem terminou o primeiro livro da trilogia.

O blogueiro não é obrigado a gostar de um livro só porque recebeu ele de cortesia para resenha, porém esperasse que ele tenha o mínimo de bom senso e de educação para apontar os pontos negativos da resenha sem desmerecer o trabalho do autor.  Do mesmo modo que o autor tem sim, o direito de ficar chateado com uma avaliação não tão boa, mas isso não dá direito a ele de ofender o blogueiro.

É uma questão simples de diplomacia em que cada lado cede um pouco para manter nossa linda blogosfera harmonizada ().

Beijos e até o próximo post!

A Sociedade Secreta Literária é formada pelos blogs: Barba Literária , Diário de uma Leitora CompulsivaEu Insisto, La Oliphant, LivrosLab, Macchiato, Pétalas de Liberdade, Um metro e meio de Livros e o My Dear Library. A nossa intenção ao criar o grupo é falar de assuntos bons e “ruins”, e que normalmente as pessoas não falam abertamente na blogosfera. 

26/08/2018

A vida começa a mudar quando a gente muda.

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Sei que o título do post parece clichê, mas por incrível que parece venho descobrindo o quanto essa frase é verdadeira: A vida só começa a mudar quando a gente muda. E não estou falando das mudanças visíveis, daquelas que amigos, familiares e o mundo percebem. Mas sim daquelas sutis que acontecem internamente em nosso coração, em nossa alma.

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Desde 2015 a minha vida vem passando por altos e baixos. Sempre brinco que o famoso retorno de Saturno foi “cruel” comigo, porém é inegável o quanto os tombos que levei nos últimos anos me ajudaram a crescer e principalmente enxergar o que eu precisava mudar em minha vida e nas minhas formas de pensar e agir.

Às vezes a gente sabe que algo não está legal em nossa vida, porém por medo e até mesmo por comodidade não temos coragem de arriscar para mudar a situação. Ficamos no ciclo vicioso do “e se” e sem perceber acabamos por responsabilizar as outras pessoas por nosso sofrimento. Quando na verdade somos nós que precisamos dar o primeiro passo.

O problema não é se arrepender das escolhas que em algum momento da vida fizemos. O problema é não conseguir ver que essas escolhas não foram somente erros e sim uma oportunidade que Deus e o Universo nos deram de aprender, de evoluir como pessoas. Porque infelizmente, nós seres humanos só aprendemos através da dor. Se fosse para colocar em uma balança todas as decisões e escolhas que fiz em minha vida nos últimos anos, sei que o lado das escolhas “erradas” vai pesar um pouco mais.  Porém, sei que se eu não tivesse “falhado” no passado não estaria onde estou hoje. Afinal, foram essas falhas que me deram coragem para mudar.

Que me deram coragem para encarar meu vitiligo não somente como uma falha do meu sistema imunológico que afeta a minha aparência, mas sim como um indicativo que algo no meu emocional não vai bem.  Porque quanto mais bem e tranquila eu me sinto, manchas novas não surgem e as que tenho respondem melhor ao tratamento.

Coragem para admitir a mim mesma que eu precisava de ajuda para controlar a minha ansiedade e cortar os laços negativos com o passado. Não adiantava de nada eu ficar me arrependendo da faculdade que fiz e das oportunidades que perdi, mas continuar no meu sofá sem fazer nada para mudar o meu descontentamento com a vida e a minha desilusão com a profissão que escolhi. Com isso eu só estava me tornando uma pessoa chata, reclamona e que nem eu mesma gostava de ter por perto.

Só que mudar não é fácil, especialmente quando algumas coisas já estão tão arraigadas na gente. São coisas que de tanto ouvirmos dos outros passamos a acreditar e essas crenças com o passar do tempo acabam nos limitando e nos impedindo de ir atrás de nossos sonhos. E está sendo muito, mais muito difícil eliminar essas crenças de mim. Pois sempre fui o tipo de pessoa que necessitava da aprovação dos outros. Que fazia o que era melhor para outros, mesmo quando o melhor para os outros me deixava infeliz.

Tinha medo de expor minhas ideias, de demonstrar meus sentimentos e até mesmo cantar que sempre foi algo que amei, de tão preocupada que eu ficava com a opinião dos outros. E durante esses três anos de altos e baixos percebi o quanto esse medo de sufocava e como eu estava sendo responsável pela minha infelicidade. Foi então que prometi a mim mesma que ai me permitir a ser feliz.

A vida começa a mudar quando a gente muda. Quando a gente passa a deixar as coisas fluírem sem ter medo do que vai encontrar lá na frente, pois você acredita que vai ser o melhor. É fazer uma faxina geral em nosso interior eliminando tudo o que não agrega mais em nossa vida. É conseguir perdoar quem nos feriu e perdoar a nós mesmo. É dar o primeiro passo deixando o comodismo para lutar pelos nossos sonhos.

Mudar não é fácil e sei que esse será um processo longo, pois volta e meia aquela vozinha negativa surge, dizendo que sou uma boba e que devia desistir de estudar música e que as pessoas dão risada de mim pelas costas. Sei, que vai ter dias que vou querer me isolar ou que vou me sentir solitária mesmo quando estiver com meus amigos, porque essa mesma voz vai sussurrar que ninguém gosta de mim e que sou um peso na vida das pessoas. Sei que haverá dias que a ansiedade vai levar a melhor sobre mim e eu vou ficar com medo de sair na rua.

Mas, eu sei que sou forte para enfrentar esses dias sombrios e calar essa voz. Dei o primeiro passo para mudar cada setor em minha vida que me causava tristeza, frustração e infelicidade. Depois de anos me permitir a sonhar e acreditar em mim mesma. E só esse pequeno passo já deixou muita coisa mais leve, simples e bonita.

Nunca é tarde para recomeçar e mudar a direção de nossa vida. Não tenha medo de mudanças, por mais assustadoras que a princípio o novo possa parecer, as mudanças sempre vêm para o nosso bem. Para a nova evolução pessoal. 

A vida começa a mudar quando a gente muda. E só somos verdadeiramente felizes, quando permitimos que a felicidade faça parte de nossa vida.

22/08/2018

Ele por Elle Kennedy e Sarina Bowen.

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ISBN: 9788584391202
Editora: Paralela
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 256
Classificação: Muito Bom
Sinopse: James Canning nunca descobriu como perdeu seu melhor e mais próximo amigo.Quatro anos atrás, seu tatuado, destemido e impulsivo companheiro desde a infância simplesmente cortou contato. O maior arrependimento de Ryan Wesley é ter convencido seu amigo extremamente hétero a participar de uma aposta que testou os limites da amizade deles. Agora, prestes a se enfrentarem nos times de hóquei da faculdade, ele finalmente terá a oportunidade de se desculpar. Mas, só de olhar para o seu antigo crush, Wes percebe que ainda não conseguiu superar sua paixão adolescente. Jamie esperou bastante tempo pelas respostas sobre o que aconteceu com seu relacionamento com Wes, mas, ao se reencontrarem, surgem ainda mais dúvidas. Uma noite de sexo pode estragar uma amizade? Essa e outras questões sobre si mesmos vão ter que ser respondidas quando Wesley e Jamie se veem como treinadores no mesmo acampamento de hóquei.

Embora Elle Kennedy seja uma das minhas autoras queridinhas quando o assunto são livros do gênero new adult, Ele foi a minha primeira experiência com livros LGBT com essa conotação mais adulta. Co-escrito com a autora Sarina Bowen, Ele possui uma narrativa fluida e personagens apaixonantes, o que torna a história ainda mais envolvente e gostosa de se acompanhar. Mas, (Ane e seus mas) não posso deixar de confessar que tenho sentimentos conflitantes a respeito da obra.

Ryan Wesley e James Canning costumavam ser amigos inseparáveis, até que um dia sem nenhum motivo aparente Wes cortar completamente o contato entre eles. O que James não pode imaginar é que Wes agiu movido pela culpa de ter “forçado” o seu amigo a participar de uma aposta que colocou a amizade deles em jogo. Agora depois de quatro longos anos de silêncio, os dois estão prestes a se reencontrar o que para Wes é a oportunidade perfeita para se desculpar pelo que fez no passado.

O problema é que Wes, continua apaixonado por Jamie e esse reencontro promete fortes emoções. Afinal, Jamie esperou anos para descobrir o que tinha motivado o melhor amigo a cortar as relações com ele. Porém, a conversa que era para esclarecer as dúvidas que Jamie tinha acaba deixando ele ainda mais confuso.

Quando Jamie se deixa levar pelo calor do momento e Wes não consegue mais esconder seus sentimentos pelo amigo. Poderá uma noite de sexo acabar com o que restou na amizade de Jamie e Wes. Conforme o verão passa os dois embarcam juntos em uma jornada de autodescobrimento que ao final pode os levar a descobrir verdades sobre si mesmos que eles jamais imaginaram.

Essa que vos escreve, estava sofrendo de uma terrível ressaca literária. Por isso ao escolher Ele como leitura eu realmente esperava encontrar um romance clichê, daqueles que você lê em uma tarde preguiçosa de domingo. E foi exatamente isso que encontrei, porém não posso deixar de comentar que em muitos momentos senti falta de “história” propriamente dita.

A narrativa de Elle Kennedy conseguiu em muitos momentos me emocionar durante a leitura da série Amores Improváveis, mas nessa parceria com a Sarina Bowen parece que as preliminares, por assim dizer foram “esquecidas “, reduzindo a narrativa em uma cena de sexo após outra. E isso me incomodou por que passou a sensação que as autora objetivaram demais o relacionamento homoafetivo, partindo da premissa que a base desse tipo de relacionamento é só “pegação”. E tipo não é, afinal nenhum relacionamento é feito apenas de sexo, mas de companheirismo e obviamente, - amor.

Que fique claro que eu gostei do livro, afinal eu amo um bom clichê. Além disso, Wes e Jamie são personagens maravilhosos, do tipo que você quer guardar em um potinho e cuidar pelo resto da vida. Só que sem sombra de dúvidas eu teria me apaixonado ainda mais por eles e automaticamente pela história, se durante a construção do enredo as autoras tivessem tido esse cuidado de realmente desenvolver um relacionamento em que fosse possível identificar aquele momento único em que o amor entre Wes e Jamie surgiu.

O fato de tudo acontecer rápido demais, (algo que me incomoda em qualquer livro) e as autoras deixarem a parte interessante do relacionamento protagonistas, aquela que nos deixa com o coração quentinho para os capítulos finais faz com que a narrativa soe pouco rasa também. Outro ponto é que se tratando de um romance homoafetivo, a abordagem dada ao preconceito sofrido pelos personagens aqui foi superficial e nem pode ser considerado um debate saudável, já que tudo se resume a um “piti” de um personagem pequeno e secundário.

Volto a dizer que sim, gostei muito do livro e me apeguei bastante ao Wes e ao Jamie e talvez justamente por isso os meus sentimentos em relação a Ele sejam tão conflitantes. Afinal, por mais que eu tenha encontrado um bom clichê aqui e me envolvido de um modo gostoso com a história, infelizmente não posso fechar os olhos para as falhas que a narrativa teve em sua construção. Elle Kennedy e Sarina Bowen acertaram em cheio ao criar uma história de sensual e erótica entre dois homens, mas esqueceram de colocar aquela pitadinha de açúcar para transformá-la no romance que pretendiam.

“Você é o rei das más ideias”, ele lembra. “Pelo menos essa termina com nós dois felizes.”

Para quem busca uma história clichê, mas como ingredientes diferentes das narrativas “tradicionais”, Ele se apresenta com uma opção de leitura fluida e cativante que nos conquista logo nas primeiras páginas. Pode estar longe de ser o “romance perfeito”, mas ainda assim é o tipo que nos deixa com um sorriso bobo no final.

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