13/12/2018

No Ritmo do Amor por Brittainy C. Cherry.

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788501113399
Editora: Record
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 336
Classificação: Bom
Sinopse: A linda e encantadora Jasmine Greene nasceu para brilhar. Cantora nata, ela cresceu sabendo que tinha vindo ao mundo para ser famosa, pois sua mãe — uma artista frustrada que concentrava na filha todas as suas expectativas — não a deixava se esquecer disso um minuto sequer. A vida da jovem de 16 anos se resume a estúdios, aulas de dança e canto e a inúmeros testes para ser o grande nome da música pop. Ela não tem tempo nem de ir à escola, é educada em casa e sofre com a rotina atribulada. Para Jasmine, o pior de tudo é não poder cantar soul, sua paixão. Mas ela não reclama, porque, na verdade, seu maior sonho é fazer com que a mãe tenha orgulho dela. Elliott Adams é uma alma atormentada. Para ele, cada dia é uma batalha a ser vencida. O rapaz tímido, humilde e franzino sofre bullying na escola por causa de sua aparência e por ser gago. Mas ele é mais forte do que imagina e encontrou em seu saxofone uma válvula de escape. Tira todas as suas forças dos acordes de Duke Ellington, Charlie Parker e Ella Fitzgerald, seus maiores ídolos. Quando Jasmine finalmente consegue a permissão da mãe para frequentar a escola pela primeira vez na vida, sente que ganhou na loteria. Adora estar cercada de pessoas da sua idade, que vivem os mesmos dilemas e questionamentos... ela só odeia ver o garoto mais encantador que já conheceu na vida sofrer na mão dos valentões e fará tudo o que estiver ao seu alcance para mostrar a Elliott que ele não está sozinho. Aos poucos, esses dois jovens sofredores irão descobrir que têm muito mais em comum do que o amor pela música. Mas será que vão superar as reviravoltas que o destino preparou para eles?

Nada como um bom romance água com açúcar para deixar nosso coração mais quentinho. E se tem uma autora que sabe como escrever histórias que nos deixam com um sorriso bobo no rosto, essa é a Brittainy C. Cherry. No Ritmo do Amor, possui todos os ingredientes que um bom fã de romance adora encontrar nos livros do gênero. Porém, o excesso de clichês e a falta de personagens bem desenvolvidos, fazem com que o livro tenha uma narrativa carregada de exageros e superficial.

Jasmine Greene passou a vida toda sendo preparada para o estrelato. Mesmo com a rotina puxada de aula de canto, dança e testes ela nunca se queixou da vida que tinha, afinal o seu maior sonho era que sua mãe se orgulhe dela. Depois de anos sendo educada em casa, Jasmine finalmente recebe a permissão para frequentar as aulas em um colégio como uma adolescente comum. Logo ela se torna uma das garotas mais populares atraindo a atenção de todos, incluindo a do tímido Elliott Adams.

Elliott ao contrário de Jasmine não é nada popular. Franzino e taxado como o esquisito do colégio, o humilde garoto é vítima constante de bullying, não somente por conta de sua aparência mas por ser gago. Só que o que poucas pessoas sabem que Elliott é um exímio saxofonistas, que tira de cada nota a força que precisa para superar seus dias difíceis no colégio. Quando Jasmine e Elliott se conhecem uma conexão quase que instantânea surge entre eles. Mas como duas pessoas tão diferentes podem ter tanto em comum?

Entre notas e melodias de jazz e soul, Jasmine e Elliott vão compondo a própria canção ao mesmo tempo em que a amizade juvenil dá espaço para o amor. Só que a vida tinha outros planos para os dois e uma mudança abrupta seguida de uma tragédia vai transformar suas vidas e seu relacionamento para sempre.

Em meu ponto de vista a grande falha em No Ritmo do Amor é o excesso de clichês que a narrativa possui. Fiquei com a sensação que a Brittainy C. Cherry quis dar a história um peso dramático trabalhando diversos elementos como: bullying, narcisismo materno, abuso sexual e violência, só que ao invés de se aprofundar nesses temas ela trabalhou tudo de modo muito apressado e vago. O que deixou a narrativa destoante em muitos momentos.

Jasmine é uma personagem que infelizmente não diz para o que veio na história. Desde o princípio é visível ver como ela permite que a mãe manipule cada aspecto de sua vida. Em diversas situações a garota age como se fosse somente uma “bonequinha de luxo” deixando com que a mãe e outras pessoas assumirem as rédeas de sua vida. De verdade eu estava esperando a grande reviravolta da personagem na história, pois em muitos momentos era perceptível que a autora estava preparando uma “grande mudança”. Só que o problema é que quando isso aconteceu, novamente foi de forma apressada e vaga. E sendo bem sincera, eu ao menos não consegui enxergar nenhuma evolução na personagem.

Gostei do Elliot e lamento muito, o fraco desenvolvimento do personagem e a forma com que as histórias que giram em torno dele foram mal aproveitadas. A trajetória dele tem toda uma base comovente e um acontecimento trágico que muda a sua vida para sempre. Porém, o modo como a autora descaracterizou a personalidade do personagem após esse acontecimento vez com a história ficasse meio sem sentido. O que é realmente um pena.

Brittainy C. Cherry é uma das minhas autoras favoritas, mas confesso que senti que em No Ritmo do Amor, ela “perdeu a mão” na hora de colocar suas ideias no papel. A história ficou tão exagerada e carregada de dramas que os personagens chegam a ser irritantes. O que sempre amei nos protagonistas da autora é o quão fortes e determinados eles são, mesmo nos piores momentos. Mas aqui, suas inseguranças deles chegam ao cúmulo do absurdo que só faz com que algumas situações forçadas e “ridículas”.

O que mais gostei em No Ritmo do Amor foi dos personagens secundários. TJ e Ray são aqueles personagens que se fossem pessoas reais eu ia querer guardar em um potinho de tão precisos. Laura a mãe de Elliot também é uma personagem incrível e que apesar de ter ganhado mais destaque no final da história, conseguiu me comover e me encantar com o seu imenso amor e bondade.

Ao final da leitura de No Ritmo do Amor, fiquei “satisfeita” o que encontrei, mas não nego que uma parte de mim ficou bem desapontada. Espero ter mais sorte com os próximos livros da autora.

“Você é a música em um mundo mudo, e meu coração bate porque você está aqui.”

Apesar de pecar em vários aspectos e ter sérios problemas em seu desenvolvimento, não posso negar que a escrita de Brittainy C. Cherry conseguiu me envolver e emocionar em alguns momentos. No Ritmo do Amor pode até não ser o melhor livro da autora, mas sem sombra de dúvidas mesmo com seus exageros entrega o que promete, - o típico romance água com açúcar.

10/12/2018

A Nuvem por Neal Shusterman.

| Arquivado em: RESENHAS.





ISBN: 9788555340543
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 496
Classificação: Ótimo
Sinopse: Scythe – Livro 02.
No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade. Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar. Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?

Sempre que me perguntam qual foi o melhor livro que li em 2017, a minha resposta é: O Ceifador, primeiro livro da trilogia Scythe do autor Neal Shusterman. O Ceifador foi uma leitura marcante de várias formas, desde a sua narrativa inteligente e instigante com várias críticas a nossa sociedade. Por conta disso essa blogueira que vos escreve estava ao mesmo tempo ansiosa e receosa com A Nuvem, segundo livro da trilogia. Para minha felicidade embora não tenha me “impactado” tanto como a leitura do primeiro livro, A Nuvem se revelou uma leitura deliciosa e ao mesmo tempo cheia de boas surpresas.

Para quem não quiser correr o risco de spoilers pular quatro parágrafos.

Meses após o último Conclave da Ceifa os acontecimentos daquele dia ainda repercutem entre os Ceifadores. Citra Terranova não é mais uma aprendiz e sim a Honorável Ceifadora Anastássia, enquanto Rowan Damisch trabalha nas sombras com seu manto negro eliminando com a próprias mãos a corrupção que ele viu tão de perto correr os preceitos da Ceifa.

Observando tudo e a todos está a Nimbo Cúmulo, a inteligência artificial que governa o planeta, garantindo que toda a população viva em paz e tendo o necessário para sua sobrevivência. Só que a Nimbo Cúmulo não está feliz com que anda vendo acontecer dentro da Ceifa, porém por conta das leis que ela mesma criou não pode interferir diretamente na organização. Mas se ela, agir por meio de outra pessoa?

Greyson Tolliver é um adolescente solitário que vê a Nimbo Cúmulo como a sua única família. Ao ser recrutado para uma missão especial de forma indireta pela Nimbo, o jovem tem a sua pacata rotina virada de ponta cabeça. Marcado como infrator e fiel aos seus laços com a inteligência que governa o planeta, Greyson mergulha cada vez mais fundo no mar de intrigas e conspirações da Ceifa e com isso, colocando a sua própria vida em risco. Mas os planos de quem a Nimbo Cúmulo está tentando frustrar?

Enquanto o jovem Greyson trabalha nas sombras fazendo o que pode para impedir o pior, o retorno de um velho inimigo fará com que Citra e Rowan unam forças para salvar não apenas a Ceifa mais toda humanidade. Porém, será que a jovem ceifadora e um criminoso foragido vão ser capazes de destruir os terríveis planos que estão em andamento? Tinham os fundadores da Ceifa criado um plano de emergência para quando tudo estivesse ruindo? Em meio a intrigas políticas e jogos de poder, o mundo pacífico que a humanidade conquistou pode estar prestes a entrar em declínio outra vez.
 
Confesso que uma parte de mim esperava mais de A Nuvem. Embora a leitura ao final tenha causado o impacto desejado pelo autor e me deixado bem curiosa para saber o rumo que a história irá tomar no terceiro e último livro, não nego que eu esperava “um pouco mais”. Afinal, apesar A Nuvem sendo um ótimo livro, sua narrativa infelizmente não conseguiu manter o mesmo fôlego de O Ceifador.

Aqui vários elementos que funcionaram brilhantemente no primeiro livro acabaram não funcionando tão bem. Em muitos momentos tive a sensação que a narrativa meio que se “arrastava” fazendo com que o desenvolvimento da história ficasse mais lento. Outro ponto é que senti no caso do Rowan o personagem prometeu muito, mas entregou muito pouco tendo até, ao mesmo em minha opinião uma participação um tanto quanto apática.

Por outro lado foi gratificante ver a evolução da Citra na história. Apesar de suas ações terem a transformando em alvo tanto de admiração como de maquinações políticas, a jovem Ceifadora desempenha seu papel com compaixão sendo fiel aos preceitos mais antigos da Ceifa. O mais interessante nessa evolução da Citra é perceber que mesmo assumindo com maestria o seu novo papel no mundo, a jovem não perdeu a sua essência questionadora e obstinada. Citra continua fazem o que acredita ser o certo, mesmo quando todas as circunstâncias estão contra ela.

Gostei muito da inserção do Greyson na narrativa, pois isso trouxe a narrativa uma perspectiva diferente e interessante. Se em O Ceifador só tínhamos uma visão no mundo controlado pela Nimbo Cúmulo do ponto vista dos ceifadores, em A Nuvem é possível conhecer essa nova realidade pelo ponto de vista de uma “pessoa comum”. Além disso, o Greyson é aquele tipo de personagem bastante enigmático não tanto por sua personalidade e sim por que não fica muito claro, o papel que ele tem ou terá na história.

Em A Nuvem, Neal Shusterman deu um foco mais político a narrativa e com isso tornando a participação da Nimbo Cúmulo bem mais expressiva. Se no primeiro livro ela desempenha um papel mais de narradora, aqui ela ganhou ares de protagonista. Admito que os meus sentimentos em relação a Nimbo são bem conflitantes, porque ao mesmo tempo que vejo muita compaixão e sabedoria nela, vejo algo obscuro e bem assustador.

“Um chefe de Estado arrogante permite todas as formas de ódio desde que alimentem a sua ambição. E a triste verdade é que as pessoas engolem isso. A sociedade se devora e apodrece. A permissividade é o cadáver inchado da liberdade.”

A Nuvem pode não ter me arrebatado tanto como O Ceifador, mas está longe de ter sido uma decepção. Neal Shusterman soube como surpreender nos momentos certos, tornando a leitura um misto de sentimentos que iam da descrença ao choque. Em várias situações eu me vi dizendo: “- *palavrão*! Não posso acreditar que isso está acontecendo!”. Foram momentos que me deixaram de queixo no chão e coração partido. Mal posso esperar para ver o que Neal Shusterman reservou para o final da trilogia. 

Veja Também:

22/11/2018

Interpretações do Amor.

| Arquivado em: DIVAGANDO.


imagem: Shutterstock
Me pergunto até quando vou continuar esperando que você responda a minha mensagem. Aquela que te enviei perguntando uma bobeira só para puxar assunto, mas que quando a sua resposta chega me deixa com um sorriso idiota na cara.

Me pergunto até quando vou continuar segurando o vazio ao invés de suas mãos e me sentindo uma estranha e sem lar, pois o único lugar seguro para eu morar é no seu abraço.

Uma vez você interpretou errado as minhas palavras e agora eu me pergunto, se sou eu que entendi tudo errado quando você disse que me ama.

Porque se você me ama, deveria ser mais fácil passarmos por cima de nossos erros e enganos e tentar acertar. Ou será que segundas chances só existem nos romances que leio e para outras pessoas?

Sei que deixei meu medo falar mais alto e fiz de tudo para te afastar de mim. A ironia amarga dessa história é que quando percebi que era você que me dava forças para tentar ser a cada dia uma pessoa melhor, eu te perdi.

E de verdade não sei porque ainda tento fazer você enxergar que mesmo com todos os meus erros e cicatrizes, tudo o que há de bonito e feio em mim agora expostos, que sou a pessoa certa para você.

Interprete minhas poucas palavras e tudo aquilo que eu digo em silêncio, que o meu amor ansioso e inseguro é tudo o que tenho para te dar. Espero que você não se importe como um relacionamento a três: você, eu e minha ansiedade.

Talvez você à culpe por não estarmos juntos hoje, mas a culpa não é dela, acredite. É minha que tentei ignorar a presença dela em minha vida quando na verdade esse tempo todo ela fez parte de mim.

Entenda meus sentimentos como eles são: um furacão fora de controle, mas que no centro de toda a sua confusão a única coisa que está no lugar é o amor que sinto por você. Porque quando fecho os olhos com medo do escuro é você e seu amor que vejo e sinto me protegendo.

Será que agora você vai interpretar as minhas palavras da forma correta ou eu vou continuar entendo tudo errado?

Não sei...
Só quero segurar em sua mão, morar no seu abraço e que você saiba que também que te amo.

texto escrito por: Ariane Reis.  ©  Todos os Direitos Reservados.

19/11/2018

SoSeLit #11 – Porque me desapeguei das metas de leitura.

| Arquivado em: CAFÉ LITERÁRIO.

Quantos livros você estipulou que ia ler em 2018? Trinta, cinquenta ou cem? Fomos criados ouvindo que estipular metas é importante e que ter listas com o que precisamos fazer é fundamental. Porém, até que ponto estamos lendo por prazer ou para atingir uma meta? No SoSeLit desse mês, vou compartilhar com vocês como funciona ou não funciona minha meta de leitura, até porque para ser bem sincera estou em uma fase de desapego.

imagem: Shutterstock
Pode parecer ironia, mas sou uma pessoa que gosta de metas. Gosto de começar uma coisa sabendo quais serão os passos que vou precisar dar e qual ou quais objetivos vão precisar ser atendidos no final do processo. Faço listas para não esquecer o que preciso fazer e procuro seguir fielmente o meu planejamento. Porém comecei a perceber que o que funcionava bem para meu dia a dia no trabalho, não funcionava tão bem assim quando o assunto eram as minhas leituras.

Ler como escrever sempre funcionou como uma terapia, para essa blogueira que vos escreve. Livros são meus melhores amigos, mas para que uma amizade como qualquer relacionamento funcione as duas partes precisam querer estar juntas.

Houve uma época em que se tinha feriado prolongado eu me comprometi a ler um livro por dia. E não nego que adoro ler uma livro em uma sentada quando a gente diz, mas não porque me auto impus isso, e sim porque eu quis passar o dia inteiro vivendo aquela história. Antes a minha meta de leitura era de quatro a cinco livros por mês. Atualmente ando lendo de um a dois. E por mais que isso possa significar uma mudança drástica no meu ritmo de leitura, está sendo tão gostoso ler sem pressa e pressão.

Aos poucos estou redescobrindo o prazer que a companhia de um livro traz, algo que com as metas preestabelecidas e prazos para publicar resenhas tinham me tirado. Não nego que eu marco alguns livros como meta de leitura no Skoob, mas não por que de fato me sinto na “obrigação de ler eles” e sim para quando estou em dúvida sobre o que ler lembrar que aqueles livros estão esperando por mim.

Ler voltou a ser um hobby, algo que faço depois da minha prática diária de piano, já terminei meu trabalho, ou ainda não estou com sono o suficiente para dormir. Voltei amar passar finais de semana preguiçosos no sofá curtindo a companhia de um amigo e vivendo com ele histórias fantásticas, às vezes um pouco dramáticas também. Mas amigo que é amigo ri e chora junto, não é mesmo?

Admiro de verdade quem estipula metas de leitura e cumpre a risca. Quem consegue ler mais de cem livros no ano e quem participa dessas maratonas doidas de tantas horas sem dormir para ler. Eu infelizmente não consigo. Eu quero ler no meu tempo, nem que esse tempo signifique que vou ficar lendo um livro de poucas páginas em um mês.

Há muito tempo decidi que ia medir o sucesso de minha leituras pela qualidade delas e não pela quantidade de livros lidos no mês.  E vou contar uma coisa para vocês, - está sendo uma experiência maravilhosa!


A Sociedade Secreta Literária é formada pelos blogs: Barba Literária , Diário de uma Leitora CompulsivaEu Insisto, La Oliphant, LivrosLab, Macchiato, Pétalas de Liberdade, Um metro e meio de Livros e o My Dear Library. A nossa intenção ao criar o grupo é falar de assuntos bons e “ruins”, e que normalmente as pessoas não falam abertamente na blogosfera.  

15/11/2018

Coração-Granada por João Doederlein.

 | Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788584391219
Editora: Paralela
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 198
Classificação:
Onde Comprar
Sinopse: Combinando novos ressignificados e poemas, @akapoeta apresenta textos de sensibilidade e poesia. Segundo o autor, o amor (correspondido ou não) mexe com nossa alma e nosso corpo. A ansiedade, quando nos toma de assalto, também. Outro ponto em comum: os dois fizeram e continuam fazendo artistas de todos os tipos produzirem criações capazes de gerar reflexão e também de dar sentido ao que, muitas vezes, parecia já não ter. É o caso de @akapoeta, pseudônimo de João Doederlein, neste seu segundo livro. Nele, o escritor fala de paixões e crises de ansiedade e da relação entre ambas, com a mesma delicadeza que transformou a sua obra de estreia, 'O livro dos ressignificados'.

Não sei vocês, mas essa blogueira que vos escreve tem o hábito de folhear os livros antes de começar a leitura propriamente dita. Sim, sei dos riscos de pegar spoilers, porém às vezes é um risco que vale a pena como foi o caso de Coração-Granada do autor João Doederlein. Sinceramente eu não conhecia o trabalho dele e por conta disso não fazia a menor ideia do que se tratava a obra. Só ao folhear o livro acabei me deparando com uma poesia sobre a ansiedade e aquelas palavras me tocaram tanto que eu pausei a leitura de A Nuvem para ler Coração-Granada.

Eu particularmente sempre amei poesias. Gosto como alguns autores conseguem de uma forma simples e ao mesmo tempo profunda colocar muitas vezes em poucas palavras uma imensidão de emoções e sentimentos.  Porque eu de alguma forma não apenas me identifico com suas palavras, mas principalmente em muitos momentos só consigo expressar meus sentimentos em toda sua confusão e totalidade através da escrita.

“Tenho tantas cicatrizes em minha alma que ela mais parece um quadro pintado por Pablo Picasso em um dia de chuva e muita tristeza.  Você não imagina a bagunça. É bonita, mas assusta.”

Conforme lia Coração-Granada a sensação que eu tinha era de ser abraçada. Sabe quando um desconhecido parece conseguir te entender melhor do que seus amigos e as pessoas que convivem diariamente com você? Foi assim que eu me senti durante a leitura. Afinal, quantas vezes já ouvi que não tenho motivos para ter ansiedade ou que preciso deixar de ser ansiosa, como seu fosse uma chave que eu pudesse ligar e desligar em minha mente.

Me senti abraçada, porque mesmo que em alguns dias tudo seja um caos em minha vida, de alguma forma eu não estou nesse caos sozinha. De diferentes formas, modos, rostos e motivos outras pessoas se sentem como eu. Sozinhas entre amigos e muitas vezes vendo as pessoas que amam se afastar porque não sabem como lidar com a sombra que ansiedade lança sobre nós, ansiosos.

É perceber que não só sou eu que em alguns dias precisa de uma força extra para sair da cama e que esconde atrás de um sorriso contido uma tristeza que vem do nada, mas que significa tudo. Porque a verdade é que tudo fica menos complicado e pesado quando você aceita a ansiedade como parte de sua vida ao invés de tentar expulsá-la quando ela aparece.

“Ansiedade é imaginar diálogos que não vão acontecer. Ansiedade é imaginar o momento em que tudo dará errado toda vez que algo começa a dar certo.”

Coração-Granada foi um acalento para esse meu coração ansioso. Foi conversar com um velho amigo que por mais que não entenda como eu me sinto, não me julga, não me condena só escuta, me abraça e diz que vai ficar tudo bem.

Instagram

© 2010 - 2018 My Dear Library • Livros, divagações e outras histórias. Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in