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11/04/2021

Desliguei a wi-fi

 | Arquivado em: DIVAGANDO

 

Sentimentos durante a pandemia
imagem: Thiszun no Pexels.

Desliguei a wi-fi
para me reconectar comigo.
Depois de um ano escutando apenas o eco de minha voz ressoando nessas paredes, sinto que não sei mais quem sou. Sinto que várias partes de mim se perderam e não sei, se e quando as encontrar, elas se encaixaram novamente.

Desliguei a wi-fi e coloquei meus fones de ouvido no mudo.
Talvez dessa forma, eu consiga silenciar a voz que todos os dias me traz notícias que hoje foi pior que ontem, me tirando o chão já frágil sobe meus pés. Não que ignorar os fatos façam com que eles desapareçam, mas a alienação faz com que a verdade doa menos.

Desliguei a wi-fi para passar um tempo com as minhas lembranças.
Agora que todos os dias parecem iguais passando com um borrão em minha janela, elas me trazem um afago. A doce sensação de que não estou totalmente só e que, de alguma forma tudo vai ficar bem, apesar de eu ainda não saber quando.

Desliguei a wi-fi e fui abraçar a vida.
Precisava sentir a grama debaixo dos meus pés, o sol aquecendo meu rosto e o vento bagunçando meu cabelo. Me sentir livre, mesmo nesse espaço pequeno de alguns metros quadrados. E encontrar em meio a todo esse caos um pouco de conforto e paz.

Desliguei a wi-fi ...

 texto escrito por: Ariane Reis.  ©  Todos os Direitos Reservados.

14/03/2021

Sobre o tempo ...

| Arquivado em: DIVAGANDO

Divagando
imagem: Unsplash

Sinto saudades das longas conversas que tínhamos. Quando passávamos horas falando sobre tudo ou apenas compartilhando um silêncio confortável. Dos sonhos e desejos sussurrados, de nossos pequenos segredos e cumplicidade. Me pergunto se me tornei tão chato e enfadonho ao ponto de você decidir seguir em frente, à passos rápidos demais para que eu conseguisse acompanhar.

Sei que já devia estar acostumado com isso, afinal já te vi chegar e partir tantas e tantas vezes. Só que por mais preparado que eu esteja para esse momento e da curta distância que nos separa, sinto um vazio imenso quando isso acontece.

Continuo sabendo de todos os seus segredos, porém gostava mais quando nós conversávamos e você os dividia comigo por vontade própria. Não pense que estou te espionando, só que a verdade é que mesmo que você quisesse não há como esconder algo de mim.

Enquanto permaneço aqui sozinho, você corre de um lado para o outro sem olhar para trás, até porque isso não faz muito o seu estilo. Sou eu que estou sempre preso ao passado e que em contrapartida, observa você experienciar o presente e sonhar com o futuro. A grande ironia de nossa relação é que todos dizem que sou eu, que ando rápido demais, quando a realidade, é que nem sempre consigo acompanhar tudo com tanta rapidez. Meus passos continuam iguais, seguindo seu ritmo constante e bem marcado, tic-tac, tic-tac...

Admiro a sua leveza, o sopro de felicidade que você traz a todos quem toca, tão diferente da minha presença que os assusta os faz lembrar de tudo o que perderam, de todos seus erros e que não há como voltar. Não faço isso por crueldade, mas esse de certo modo é o meu trabalho, a minha parte em nossa parceria. Neste ciclo infinito no qual estamos presos, estou fadado cedo ou tarde ao esquecimento mesmo que eu, continue te acompanhando e assistindo a tudo, dos seus primeiros e incertos passos até o momento que a sua luz de apaga.

Não me importo de ser visto como vilão em nossa curta jornada juntos. Minha única tristeza é perceber que muitas vezes, aqueles que te recebem como um presente não notam o quão frágil, passageira e bela você é.

Sendo quem sou, o Tempo contínuo diariamente em minhas imutáveis 24 horas, transitando entre seus momentos e realizações boas ou não. A única coisa que peço em troca é que você, minha querida amiga Vida os ensine: a sorrir mais, abraçar mais, beijar mais, perdoar mais, a amar mais.

Quem sabe dessa forma o nosso breve período, possa ser maior e ao invés de nos separarmos, possamos caminhar juntos sem presa, magoas, medos ou acusações. Somente aproveitando o que há de melhor em você e em mim, - o momento presente

texto escrito por: Ariane Reis.  ©  Todos os Direitos Reservados.

15/12/2020

Um bom dia

 | Arquivado em: DIVAGANDO

Crônica
imagem: Shutterstock

Está tudo igual e ao mesmo tempo diferente…

Este é o primeiro pensamento que tenho, quando a claridade toca meu rosto me despertando. Conforme os dias passaram a ser semanas e meses, me vi apegada aos pequenos detalhes do dia, como a suavidade dos tons de azul que o céu tem nas primeiras horas da manhã.

Chega ser um tanto agridoce perceber, que só depois que os limites do meu mundo passaram a ser as paredes dessa casa, é que de fato comecei a prestar atenção nas sutilezas da vida. Na beleza daqueles momentos tão rotineiros e passam despercebidos, ofuscados por nossa corrida constante em busca daquilo que esperamos ser o sucesso e felicidade.

Sei que há um outro mundo do lado de fora. Um lugar que agora, me é tão familiar quanto estranho. Já me questionei inúmeras vezes se quando tudo voltar ao “normal”, vou conseguir me adaptar. Porque a sensação que tenho enquanto tomo meu café e observo os raios de sol que entram na cozinha, é que uma parte de mim se acostumou com a solidão.

Quando vejo as atualizações nas redes sociais daqueles que ainda chamo de amigos, me pego pensando em como vou me encaixar em um mundo que aparentemente seguiu sem mim. Em como será voltar a conviver com pessoas que amo, mas que de certo modo passaram a ser estranhas para mim e eu para elas.

Minhas metas já não são as mesmas e às vezes me sinto criança novamente, sem saber o que quer ser quando crescer. É como se do dia para noite, eu tivesse mil possibilidades e nenhuma escolha. Olhando um capítulo em branco de uma história que parei de escrever.

À medida que o tempo passa seguindo seu ritmo: horas rápido, horas devagar vou aprendendo a não criar expectativas e seguir a minha intuição e meu coração. Nem sempre o meu ritmo está em sincronia com o do tempo, ou com o que acontece do lado de fora.

Mas faço o que está ao meu alcance para que cada manhã seja o começo, de Um bom dia.


texto escrito por: Ariane Reis.  ©  Todos os Direitos Reservados.

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