20/10/2020

A Coroa da Vingança por Colleen Houck

| Arquivado em: RESENHAS

Quem acompanha o blog há mais tempo, sabe que não gosto de publicar resenhas "negativas". Em minha opinião, a leitura é algo muito individual e às vezes um livro com o qual não tive uma boa experiência, pode ser o livro da vida de outra pessoa e vice-versa. Porém no caso específico de A Coroa da Vingança da autora Colleen Houck, preciso desabafar.

De verdade, até agora eu estou me perguntando o que a Colleen tomou para escrever o último livro da série Deuses do Egito. Sério, em alguns momentos os fatos narrados são tão inacreditáveis, que chegam a beirar o absurdo. Então já peço desculpas antecipadas porque sim, vou abrir meu coração para vocês e sem dar spoilers.

Resenha

  ISBN: 9788580417876
  Editora: Arqueiro
  Ano de Lançamento: 2018
  Número de páginas: 416
  Classificação: Tentando entender o que aconteceu até agora
Sinopse: Deuses do Egito - Livro 03
Em A Coroa da Vingança, terceira e última aventura da série Deuses do Egito, Colleen Houck nos presenteia com um desfecho tão surpreendente e inspirador quanto o elaborado universo mitológico que criou. Meses após sua pacata vida como herdeira milionária sofrer uma reviravolta e ela embarcar numa vertiginosa jornada pelo Egito, Liliana Young está praticamente de volta à estaca zero. Suas lembranças das aventuras egípcias e, especialmente, de Amon, o príncipe do sol, foram apagadas, e só resta a Lily atribuir os vestígios de estranhos acontecimentos a um sonho exótico. A não ser por um detalhe: duas estranhas vozes em sua mente, que pertencem a uma leoa e uma fada, a convencem de que ela não é mais a mesma e que seu corpo está se preparando para se transformar em outro ser. Enquanto tenta dar sentido a tudo isso, Lily descobre que as forças do mal almejam destruir muito mais que sua sanidade mental – o que está em jogo é o futuro da humanidade. Seth, o obscuro deus do caos, está prestes a se libertar da prisão onde se encontra confinado há milhares de anos, decidido a destruir o mundo e todos os deuses. Para enfrentá-lo de uma vez por todas, Lily se une a Amon e seus dois irmãos nesta terceira e última aventura da série Deuses do Egito.

Logo que iniciei a leitura de O Despertar do Príncipe, já pressenti que teria algum tipo de problema com o desenvolvimento dessa série. Mas como amo tudo que tem o plano de fundo mitologias antigas, resolvi dar uma chance para a história da jovem  Lily e a múmia renascida, quero dizer o príncipe egípcio Amon.

Mesmo com semelhanças com a Saga do Tigre, outra obra da autora, O Despertar do Príncipe foi um começo promissor em especial porque apresentou bons personagens  como, os príncipes Asten e Ahmose, além do carismático Dr. Hassan. Porém no segundo livro, O Coração da Esfinge a narrativa já trilhou um caminho perigoso em que a cada capítulo, a sensação que eu tinha era que estava “relendo uma versão não tão boa" da história de Ren, Kelsey e Kishan, mas como personagens diferentes.

Gosto muito da escrita da Colleen Houck e a Saga do Tigre é uma das minhas favoritas, mas isso não me impede de ver os vários problemas na construção da sua história. Problemas esses, que infelizmente se repetem aqui e de certa forma, conseguem ser maiores.

O primeiro ponto pode até passar despercebido por quem não tem tanto interesse em mitologia, mas o fato de a autora inserir elementos de outras mitologias como a chinesa, grega e a celta em uma história que tem como base os mitos egípcios, deixou a narrativa em diversos momentos destoante. Em várias passagens parei a leitura e me perguntei: “Mas o que isso tem a ver com o Egito antigo?”. A situação chegou a um extremo tão grande, que sempre que algo novo surgia, eu pesquisava para saber qual era a origem.

Só que isso é algo que mesmo eu sendo chata consigo relevar, afinal temos a famosa “licença poética” e talvez pouquíssimos leitores tenham se atentado a esse detalhe. Porém não tem como, (agora começa o desabafo) não ter uma síncope nervosa com o rumo que a Colleen deu para a história.

Lily sofre a síndrome da donzela indefesa e em perigo pela qual, todos os homens se apaixonam. Em A Coroa da Vingança, ela se comporta como uma criança mimada que age por impulso e com isso, acaba colocando a vida dos outros em perigo. Além disso, o recurso utilizado pela autora da personagem possuir duas outras pessoas em sua mente, a Tia a leoa e Ashleigh a fada e por isso, suas ações e sentimentos não são claros torna tudo ainda mais confuso e desnecessário.  Não sei quantas vezes tive que parar e respirar fundo, para não gritar de frustração enquanto lia esse livro.
 
Amon que não segundo livro foi quase figura decorativa aqui repetiu o papel, o que só me fez pensar em qual parte da construção da série a Colleen resolveu que ele não seria mais o protagonista. O Asten coitado, entra mudo e sai quase calado, fora que há um drama gigantesco  relacionado a ele que além de óbvio, termina de uma forma tosca como se nada tivesse acontecido. Até agora me pego pensando qual foi a necessidade de tantas lágrimas (dos personagens e não minhas porque quando chegou nessa parte, eu já estava soltando fogo pelas ventas) para depois ficar todo mundo com cara de paisagem.

Já o Ahmose, aí gente que dó desse moço. Tudo bem que dentre os três príncipes, o Ahmose é o mais sério e reservado, mas ele não merecia o que a autora faz aqui. A Colleen o transformou em um personagem carente, disposto a qualquer sacrifício por uma migalha de atenção que a Lily possa oferecer.  A Tia e Ashleigh conseguem ser tão insuportáveis, quanto a sua "hospedeira" e só deixam a narrativa mais caótica e dramática sem necessidade alguma. Aliás, o que não falta é coisa desnecessária nesse livro.

Todos os desafios apresentados aos protagonistas parecem ser impossíveis. Você lê páginas e mais páginas com os personagens lutando e sofrendo para no último momento, a solução milagrosamente aparecer.

Mas nada, nada mesmo consegue ser tão decepcionante quanto a participação do grande vilão da história, o deus Seth. Peço perdão ao Valentim Morgenstern, pelo dia que chamei ele de vilão decorativo. Não vou entrar em detalhes aqui para não dar spoilers, mas eu fique tipo: “Gente! Como assim? Não acredito que li quatro livros para isso.”

Quanto mais próximo do capítulo final, mais reviravoltas sem pé e sem cabeça a autora foi criando. E se já não bastasse a Colleen inserir na história mitos que não tem ligação nenhuma com o Egito, na tentativa de dar um final feliz para todo mundo, a solução encontrada pela autora, foi a gota d'água. A partir desse ponto eu comecei a chorar, mas de raiva mesmo.

Terminei a leitura exausta, sem saber o que pensar e o que sentir. Colleen Houck me encantou com sua escrita em A Saga do Tigre, mas depois da experiência desastrosa que tive com O Despertar dos Deuses, vou dar um tempo nas obras da autora.

Resenha
© Ariane Reis.

“Não podemos mudar a direção do vento, meu amor, mas podemos nos alinhar de modo que ele não nos derrube.”

Antes que vocês pensem que as minhas expectativas que estavam altas, posso garantir que a única coisa que esperava encontrar, era um final satisfatório com toques de romance a aventura. Porém só me deparei com uma narrativa arrastada do começo ao fim em que nada fez sentido algum.

Conforme mencionei no começo da resenha, não gosto de trazer opiniões negativas. Mas como vocês puderam perceber, essa blogueira aqui realmente precisava desabafar.  Por isso, se alguém que está lendo essa resenha tiver interesse de ler a série,- leia. Às vezes a sua visão da história,  vai ser completamente diferente da minha. 

13/10/2020

Um Jardim de pura Arte

 | Arquivado em: ARTE 

 

Tenho uma confissão a fazer: apesar de amar flores e plantas, não herdei o mesmo talento da minha mãe para cuidar delas e até já "matei" um cacto afogado (vergonha). Mas isso não me impede de sempre ter uma flor ou plantinha por perto, claro sobre os cuidados de minha mãe, não meus.

Por isso, quando conheci o trabalho da sergipana Graziela Andrade fiquei completamente encantada, pois ela realmente consegue transformar um jardim em pura arte. São obras tão delicadas que é impossível, não sorrir ao apreciá-las. É uma ilustração mais fofa que a outra!

Graziela Andrade
Girassol

O portfólio da artista conta com trabalhos lindíssimos, mas quando vi essas ilustrações inspiradas em flores, foi amor à primeira vista. A paleta de cores usadas pela Graziela é harmoniosa conferindo a cada trabalho muita suavidade e beleza.

As obras também possuem pequenos e delicados detalhes que as tornam, ainda mais encantadoras. Além disso, o modo com a ilustradora consegue representar cada flor é muito criativo. Sério, não tem como não se apaixonar por essas ilustrações!

Tive uma dificuldade enorme para selecionar apenas alguns trabalhos para esse post, pois como a louca das flores que sou, queria deixar essa postagem o mais florida possível. Mas depois de muita indecisão, acabei escolhendo as representações de algumas das minhas flores favoritas. 


| Outros trabalhos:

Graziela Andrade
Tulipa
Graziela Andrade
Flor de Cerejeira
Graziela Andrade
Flor de Lótus
Graziela Andrade
Hibisco
Graziela Andrade
Margarida
Graziela Andrade
Suculentinha

Não encontrei muitas informações sobre a ilustradora, porém no final do post vocês encontram os links principais para conhecer as demais ilustrações da coleção Jardim e outras obras belíssimas da Graziela.

Mas me contem, qual dessas lindas flores é a favorita de vocês? Não preciso dizer que no caso dessa blogueira que vos escreve, são todas.

+ Graziela Andrade
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06/10/2020

O Timbre por Neal Shusterman

| Arquivado em: RESENHAS

De todos os lançamentos literários previstos para esse ano sem dúvidas, O Timbre era um dos mais esperados por mim. Com uma narrativa inteligente e permeada de críticas nem sempre sutis a sociedade atual Neal Shusterman construiu ao longo da trilogia Scythe, uma história complexa e ao mesmo tempo marcante.

Confesso que demorei para escrever a resenha do último livro da trilogia, porque ainda não sabia como me sentia em relação ao final. De modo geral, O Timbre oferece uma conclusão satisfatória para a história. Porém a forma como isso acontece, chega a ser um tanto “confusa”, principalmente porque segue uma direção diferente do que vinha sido traçada nos livros anteriores. Gostei em partes do que encontrei aqui, mas admito que fiquei sim um pouco decepcionada.

Resenha

 
 
  ISBN: 9799999989014
  Editora: Seguinte
  Ano de Lançamento: 2020
  Número de páginas: 597
  Classificação: Bom
Sinopse: Trilogia Scythe - Livro 03.
A humanidade alcançou um mundo ideal, em que não há fome, doenças, guerras, miséria… nem mesmo a morte. Mas, mesmo com todo o esforço da inteligência artificial da Nimbo-Cúmulo, parece que alguns problemas humanos, como a corrupção e a sede de poder, são igualmente imortais. Desde que o ceifador Goddard começou a ganhar seguidores da nova ordem, entusiastas do prazer de matar, a Nimbo-Cúmulo decidiu se silenciar, deixando o mundo cada vez mais de volta às mãos dos humanos. Depois de três anos desde que Citra e Rowan desapareceram e Perdura afundou, parece que não existe mais nada no caminho de Goddard rumo à dominação absoluta da Ceifa — e do mundo. Mas reverberações da Grande Ressonância ainda estremecem o planeta, e uma pergunta permanece: será que sobrou alguém capaz de detê-lo? A resposta talvez esteja na nova e misteriosa tríade de tonistas: o Tom, o Timbre e a Trovoada.

Atenção! Essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores. Para quem não quiser correr o risco pode pular cinco parágrafos.


O jovens Citra Terranova e Rowan Damisch, não faziam ideia do quanto a suas vidas estavam prestes a mudar, após o encontro com o ceifador Faraday. Recrutados como aprendizes, ambos passaram por meses de treinamento para aprender a matar ao mesmo tempo que se viam cada vez mais envolvidos nas conspirações da Ceifa.

Citra instruída pela ceifadora Curie, passou no teste do Conclave e se tornou a Honorável Ceifadora Anastássia. Já Rowan não teve a mesma sorte. Depois de meses tendo sanguinário Goddard como professor, ele acabou se rebelando contra a Ceifa. Rowan então vestiu o manto negro proibido pela ordem e ao assassinar os ceifadores corruptos sobre a alcunha de Ceifador Lucifer, o aprendiz vira inimigo sendo caçado por aqueles que o treinaram.

Em uma sociedade perfeita governada pela inteligência artificial da Nimbo-Cúmulo, a Ceifa faz suas próprias leis. Mas isso não quer dizer, a Nimbo esteja completamente cega para os atos cruéis cometidos pelos portadores da morte. Quando uma tragédia sem precedentes acontece, a Nimbo se cala e o mundo está novamente nas mãos dos humanos, que depois de anos sendo diariamente guiados agora estão totalmente perdidos e com medo.

Mas ainda há uma esperança. Greyson ou Timbre como passa a ser chamado pelos Tonistas, uma religião em que seus fiéis vivem como nos tempos antes da Nimbo-Cúmulo controlar nosso mundo, é o único com quem a inteligência artificial continua se comunicando. Esse fato, logo se torna conhecido por todos e Greyson acaba se transformando numa espécie de “novo profeta”. Porém o que ninguém esperava, que o fanatismo de alguns seguidores gerasse atos violentos e a uma guerra civil, tudo em nome de Vossa Sonoridade.

Em meio ao caos instaurado a Nimbo-Cúmulo mesmo silenciosa e distante, trabalha em um plano para dar a humanidade uma nova chance de ter um futuro seguro e pacífico. Quando duas figuras importantes emergem das profundezas, as peças do quebra-cabeça finalmente começam a fazer sentido e a população passa a enxergar uma luz no fim do túnel.

A escrita de Neal Shusterman é fantástica e a trilogia Scythe sempre terá um lugar especial em meu coração de leitora. Só que muita coisa em O Timbre,  podia ter sido condensada já que não acrescentaram em nada na conclusão da obra. O fato da narrativa possuir três linhas de tempo diferente em que a cada momento um personagem é o narrador, causou uma certa confusão há princípio, pois passa a sensação que são várias histórias acontecendo ao mesmo tempo.

Outro ponto é que além dos personagens já existentes, o autor inseriu novos personagens que pouco contribuem com a evolução do enredo. O Rowan por exemplo, é um dos casos mais tristes de potencial desperdiçado que já vi em uma trilogia. Em A Nuvem a sua participação já tinha sido apagada, aqui ela foi quase inexistente. A Citra até consegue se destacar em O Timbre, mas de alguma forma o carisma e o peso do papel que ela tinha, acabaram se perdendo em meio tantas tramas paralelas.

A sensação que tenho é que o autor tentou dar voz a todos os personagens e com isso, acabou silenciando figuras importantes como o Faraday e até mesmo o Goddard, que no final se revelou um vilão caricato e que só enfraquece a cada capítulo. Gostei da trajetória do Greyson na história e sinto que entre A Nuvem e O Timbre, ele acabou se tornando junto com a Nimbo-Cúmulo um dos grandes protagonistas da trilogia e talvez, por esse motivo acredito que ele merecia mais.

Resenha
© Ariane Reis.

“— O que em nós faz com que busquemos propósitos tão elevados, mas destruamos os alicerces? Por que sempre sabotamos nossos próprios sonhos? ”

Talvez o excesso de expectativas tenha prejudicado a minha interação com a história. Mas como não criar expectativas, depois de esperar tanto tempo por esse livro? Acredito que o meu maior problema com O Timbre foi, o modo “fácil” e conveniente como as coisas se resolveram. Não tem como, não ficar decepcionada ao ler um livro de quase 600 páginas em tudo se resolve em quatro, e que deixou mais perguntas do que de fato deu respostas.

O Timbre possui bons elementos, a narrativa mesmo que arrastada em alguns pontos consegue ser envolvente. Em muitos momentos o autor nos leva a refletir sobre como as decisões de hoje, vão impactar no futuro da humanidade e que a nossas tentativas de alcançar a perfeição só mostram o quanto somos imperfeitos.

Ao abordar um tema tão complexo com a fragilidade da vida, Neal Shusterman escreveu uma obra instigante e cheia de nuances interessantes, mas que do meu ponto de vista podia ter tido um final mais digno, harmonioso e condizente com os livros anteriores. Porém às vezes a intenção do autor era justamente criar uma grande dissonância. Quem sabe?


Veja Também:

29/09/2020

Princesa Mecânica por Cassandra Clare

| Arquivado em: RESENHAS


Q
uando comecei a leitura da trilogia
As Peças Infernais, a minha única expectativa era de encontrar uma história bem escrita e ambientada no mesmo universo misterioso e mágico, que havia me encantado nos dois primeiros livros da série Os Instrumentos Mortais.

Sei que já comentei isso em minhas resenhas anteriores, mas é impossível falar dessa trilogia sem ressaltar as visíveis diferenças na construção da história, quando a comparamos com a série antecessora e que nos apresentou o mundo dos Caçadores das Sombras.  Aqui a história segue um fluxo linear e coeso em que tanto, a narrativa como os personagens são bem desenvolvidos, mesmo aqueles que tiveram um crescimento maior na reta final.

resenha
ISBN: 9788501092700
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2013
Número de páginas: 434
Classificação:
Sinopse: Continuação de Príncipe mecânico, “Princesa Mecânica” é ambientado no universo dos Caçadores de sombras, também explorado na série Os Instrumentos mortais, que chega agora ao cinema. Neste volume, o mistério sobre Tessa Gray e o Magistrado continua. Mas enquanto luta para descobrir mais sobre o próprio passado, a moça se envolve cada vez mais num triângulo amoroso que pode trazer consequências nefastas para ela, seu noivo, seu verdadeiro amor e os habitantes do Submundo.

Confesso que quando se trata de uma série, não costumo muito de emendar a leitura de um livro no outro. Gosto de dar um tempo para a história assentar em minha mente e analisar com calma as emoções que senti durante a leitura. Esse também é o motivo pelo qual não escrevo uma resenha logo quando finalizo o livro.

Porém no caso de As Peças Infernais, resolvi abrir uma exceção por dois motivos. O primeiro para poder dar continuidade as outras séries que se passam dentro de mesmo universo sem ficar perdida na linha temporal, mas principalmente porque precisava saber o que Cassandra Clare tinha preparado para esse capítulo final.

Quem acompanha o blog há mais tempo, sabe que não sou fã de triângulos amorosos e não nego que quando percebi que autora ia usar esse recurso narrativo novamente, fiquei bastante apreensiva com o desenvolvimento da história. Meu maior receio era que esse elemento e o "drama" por ele causado, acabasse sobrepondo outros pontos importantes no enredo. Mas para minha surpresa acabei mordendo a língua, pois o triângulo amoroso formado por Jem, Tessa e Will é um dos principais motivos para que a trilogia seja tão emocionante.

Embora tenha ligação com outras histórias do universo dos Shadowhunters, Princesa Mecânica  é um livro com finais bem fechados. Cassandra Clare se preocupou em não deixar nenhuma ponta solta dando a todos os personagens desfechos dignos com suas trajetórias e isso, incluem o Magistrado.

Em minha resenha de Príncipe Mecânico, cheguei a comentar que estava bem curiosa para conhecer o passado do Mortmain e as razões de seu desejo em destruir os Caçadores das Sombras. Até aquele momento na narrativa, o personagem tinha causado alguns problemas, porém não chegava a me impressionar como vilão. No geral, gostei como a autora teceu o arco dele na história fazendo com que no final todas as peças de encaixassem.

Apesar de ter se revelado um personagem um tanto “passional” e da vingança nunca ser plena, o motivo que levou Mortmain a criar todo um plano para eliminar os Shadowhunters, mostra o quão sutil é a linha que separa o bem e o mal. Afinal, mesmo que com terríveis consequências os atos do Magistrado foram motivados por um ato anterior. Ato esse que ao longo da trama vai deixando claro o quanto alguns membros da Clave podem ser cruéis e corruptíveis.

O grande mistério sobre a origem de Tessa e seus poderes também é desvendado e com isso, descobrimos o porquê ela é tão importante para os planos do Magistrado. Admito que nessa parte específica da história, esperava um pouco mais. Foram três livros aguardando o grande embate entre, os Caçadores e as peças infernais criadas por Mortmain para que o final soasse “fácil demais”.

Os personagens secundários mais uma vez, se revelam elementos fundamentais para a evolução da história. Gostei do destaque que a Charlotte teve aqui, principalmente pelo fato da autora ter levantado a questão do machismo existente dentro da Clave. Sem dúvidas a Charlotte e o Henry assim como a Sophie são os personagens que apresentam um crescimento fantástico na trilogia e foi gratificante ver como ambos conseguiram vencer todos os obstáculos que a eles impostos, mesmo isso acarretando algumas "sequelas".

Os irmãos Lightwood, Gideon e Gabriel também me surpreenderam bastante, em especial o Gabriel que até o final me fez duvidar de seu caráter. Gostei da adição da Cecily, irmã caçula do Will na história pois, mesmo com uma participação um tanto pequena ela foi decisiva em várias situações. Meu querido Magnus Bane () me deixou ainda mais encantada com sua personalidade aqui. Adoro o modo como ele tenta disfarçar sem tanto sucesso, o quanto é um ser gentil e disposto a ajudar aqueles que o procuram.

Mas sem dúvidas o ponto alto de Princesa Mecânica é o relacionamento do trio protagonista. O livro até começa com bastante ação, só que logo ela é substituída por diálogos e cenas com uma forte carga emocional, que é impossível segurar as lágrimas. Chorei muito lendo esse livro, como há muito tempo não chorava durante uma leitura.

Chorei por Will, por Tessa e até mesmo pela Jessamine, mas principalmente chorei pelo Jem. Não nego que ao final o Will ganhou um pedacinho do meu coração e que foi, maravilhoso ver a muralha que ele tinha criado em torno de si desfazendo-se. Que orgulho de ver do quanto a Tessa amadureceu e que ao seu modo, a Jessamine acabou encontrando a redenção. Só que nada se compara com os meus sentimentos pelo Jem () e como me apeguei a ele durante a trilogia.

Cassandra Clare destruiu meu coração com os diálogos entre ele e o Will. Jem precisou fazer uma escolha difícil que mesmo tendo sido sua salvação, acabou levando-o a uma vida de solidão longe daqueles que amava. O epílogo acabou comigo, pois ao mesmo tempo que fiquei feliz o que restava do meu coração se partiu em mil pedacinhos.

Resenha
© Ariane Reis.

“Enxergamos o melhor de nós mesmos naqueles que amamos.”

A trilogia, As Peças Infernais e seus personagens vão sempre ter um lugarzinho especial em meu coração de leitora. Confesso que para quem começou a leitura sem grandes expectativas e movida apenas pela curiosidade, me vi a cada livro mais apaixonada pela narrativa e seus protagonistas.

Já estou morrendo de saudade de Jem, Tessa e Will e sei, que por mais interessante que os próximos livros da série Os Instrumentos Mortais (minhas próximas leituras do universo) se revelem, dificilmente eles vão despertar em mim as mesmas emoções que senti aqui. Só posso torcer para que a escrita da autora continue evoluindo e claro, que não me irrite tanto com os dramas de Clary e Jace.


ps: Estou oficialmente em um triângulo amoroso entre Magnus e Jem (). #mejulguem 

Veja Também:
Anjo Mecânico por Cassandra Clare
Príncipe Mecânico por Cassandra Clare

22/09/2020

#naplaylist - Abraços quentinhos em forma de música

 | Arquivado em: MÚSICAS


Oi, tudo bem? Posso te dar um abraço? Sim, eu sei em épocas de pandemia os abraços devem ser evitados, mas abraço virtual pode, não pode? Porque a minha intenção com o post de hoje é te dar um abraço bem forte e quentinho. ❤️

Um abraço através de palavras e da minha terapia favorita depois de fazer cosquinhas no Hércules, a música. Meu maior desejo é que ao final desse post, você se sinta abraçado e acolhido mesmo à distância.

Playlist Setembro Amarelo
imagem: Denner Trindade no Pexels.

Nesse período pelo qual passamos em que a sensação que muitas vezes temos é que a pandemia está “roubando” a nossa vida, não podemos perder a esperança e deixar que o sentimento de solidão e incerteza, leve a nossa mente para lugares sombrios.

Sei que há dias que manter o pensamento positivo é difícil, principalmente quando a saudade da nossa rotina normal aperta e percebemos a importância que gestos tão simples, como o abraço tem em nossa vida. Eu mesma apesar da fama de princesa do gelo, adoro abraços. Adoro o sentimento acolhedor e até mesmo de proteção que o abraço transmite.

Para as pessoas que assim como eu, travam pequenas ou grandes batalhas diárias contra a ansiedade e a depressão estar há tanto tempo, sem o contato real com os amigos e distante de aspectos que faziam parte de sua rotina em alguns dias chega a ser bem angustiante. Principalmente quando ainda não é possível saber, quando vamos poder fazer algo tão simples como sair para tomar um café.

Quem acompanha o blog há mais tempo ou me segue no Instagram, sabe que mesmo quando as coisas não estão assim tão legais, essa blogueira que vos escreve tenta ver tudo por um lado bom. Por isso, a minha intenção ao criar essa playlist é fazer que pelo menos, por 1h quem a escute sinta-se abraçado (a) e menos só.

Sinta que por mais desafiador que o momento passamos se apresente, não podemos desistir de nossos sonhos, planos e principalmente de acreditar em nós mesmos. É só uma pausa para que possamos voltar ainda mais fortes.

| naplaylist

Setembro Amarelo músicas para você lembrar o quanto é especial

Agora vou repetir a pergunta que fiz no começo do post, Posso te dar um abraço? Espero que de alguma forma esta playlits e o nosso bate-papo de hoje, tenha deixado o seu coração tão quentinho como deixou o meu enquanto eu preparava esse post.

E se você me permitir uma última dica, - abrace-se! Afinal, nesse período em que estamos tanto tempo em nossa própria companhia, o primeiro e último abraço do dia tem que ser em nós mesmo. Acolha a si próprio como todo amor e carinho todos os dias. Você é mais forte do que imagina e tudo vai ficar bem! ❤️

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