11/04/2021

Desliguei a wi-fi

 | Arquivado em: DIVAGANDO

 

Sentimentos durante a pandemia
imagem: Thiszun no Pexels.

Desliguei a wi-fi
para me reconectar comigo.
Depois de um ano escutando apenas o eco de minha voz ressoando nessas paredes, sinto que não sei mais quem sou. Sinto que várias partes de mim se perderam e não sei, se e quando as encontrar, elas se encaixaram novamente.

Desliguei a wi-fi e coloquei meus fones de ouvido no mudo.
Talvez dessa forma, eu consiga silenciar a voz que todos os dias me traz notícias que hoje foi pior que ontem, me tirando o chão já frágil sobe meus pés. Não que ignorar os fatos façam com que eles desapareçam, mas a alienação faz com que a verdade doa menos.

Desliguei a wi-fi para passar um tempo com as minhas lembranças.
Agora que todos os dias parecem iguais passando com um borrão em minha janela, elas me trazem um afago. A doce sensação de que não estou totalmente só e que, de alguma forma tudo vai ficar bem, apesar de eu ainda não saber quando.

Desliguei a wi-fi e fui abraçar a vida.
Precisava sentir a grama debaixo dos meus pés, o sol aquecendo meu rosto e o vento bagunçando meu cabelo. Me sentir livre, mesmo nesse espaço pequeno de alguns metros quadrados. E encontrar em meio a todo esse caos um pouco de conforto e paz.

Desliguei a wi-fi ...

 texto escrito por: Ariane Reis.  ©  Todos os Direitos Reservados.

04/04/2021

As belíssimas fanarts de Roy Trinh

 | Arquivado em: ARTE 


Faz um bom tempo que não trago fanarts aqui no blog, mas para compensar isso no post de hoje vou compartilhar com você, as belíssimas obras do ilustrador Roy Trinh, conhecido também como Roy Heart. São artes lindas e com detalhes de encher os olhos, que vão deixar você completamente encantado.


Afinal, nada é mais encantador do que fanarts lindas das princesas da Disney. Sério, a primeira vez que vi o trabalho do ilustrador fiquei apaixonada. Então para esse post, fiz uma pequena seleção com as ilustrações das minhas princesas favoritas.

Mulan
Mulan

Conheci o trabalho do Roy por indicação de um amigo, que viu um dos trabalhos do ilustrador no Instagram e compartilhou comigo. A primeira coisa que me chamou a atenção, foi a graciosidade no traço do artista.  O traço de Roy é leve e a paleta de cores usada por ele, realça ainda mais a delicadeza de suas criações.

Além disso, mesmo que de um modo muito sutil os elementos presentes nos filmes estão presentes em cada ilustração. Outro ponto é que as ilustrações do artista têm "movimento", como se Roy tivesse registrado aquele momento único e especial de nossas princesas.

O olhar é detalhe que me chamou a atenção nas obras desse talentoso artista. A região dos olhos é elegante e bem definida, o que passa a sensação que as ilustrações estão olhando diretamente para nós. Roy Trinh também deu as princesas um ar mais maduro e feminino e com isso nos presenteia com o trabalho maravilhoso.


| Outros trabalhos:

Belle
Belle

Jasmine
Jasmine
Moana
Moana
Tiana
Tiana
Elsa
Elsa
Merida
Merida
Pocahontas
Pocahontas
Como comentei no começo do post busquei trazer para você, as fanarts das minhas princesas favoritas, porém confesso que mesmo não sendo muito fã do filme da Moana (me julguem), não podia deixar essa ilustração maravilhosa dela de fora dessa seleção. Em minha opinião, esse é um dos trabalhos mais incríveis do Roy.
 
No final do post, estou deixando o link do Instagram do artista para você conhecer outras lindas ilustrações dele. E não deixe de compartilhar comigo nos comentários qual dessas belas obras, você gostou mais.  Sinceramente não sei qual é a minha favorita, pois ainda estou em dúvida entre a Mulan, Pocahontas e a Jasmine. Mas escolher só uma arte entre tantas tão belas não é uma tarefa fácil, não é mesmo?

+ Roy Trinh
Instagram | Site

28/03/2021

A Troca por Beth O'Leary

| Arquivado em: RESENHAS

Quem me conhece, sabe que busco evitar a leitura de livros que se tornam os “queridinhos” do momento entre muitos leitores. Já tive experiências não tão boas com livros assim e acabei ficando com a sensação de que a chata da história era eu, afinal todo mundo tinha amado o livro. Só que para minha surpresa, isso não aconteceu em A Troca da autora Beth O’Leary.

Acredito que começar a leitura sem grandes expectativas foi um dos grandes motivos para ao final me ver tão cativada pela narrativa e seus personagens. Beth O’Leary construiu uma história singela e que mesmo apelando para alguns clichês consegue mesclar drama, romance e situações divertidas de um modo encantador.

Resenha

ISBN: 9786555600438
Editora: Intrínseca
Ano de Lançamento: 2020
Número de páginas: 352
Classificação:
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Sinopse: Leena Cotton tem 29 anos e sente que já não é mais a mesma. Eileen Cotton tem 79 e está em busca de um novo amor. Tudo de que neta e avó precisam no momento é pôr em prática uma mudança radical. Então, para colocar suas respectivas vidas de volta nos trilhos, as duas têm uma ideia inusitada: trocar de lugar uma com a outra. Leena sabe que precisa descansar, mas imagina que a parte mais difícil será se adaptar à calmaria da cidadezinha onde a avó mora. Cadastrada em um site de relacionamentos, Eileen por sua vez embarca na aventura com a qual sonha desde a juventude. Dividindo o apartamento com dois amigos da neta, ela logo percebe que na cidade grande suas ideias mirabolantes não são tão complicadas assim. Ao trocar não só de casas, mas de celulares e computadores, de amigos e rotinas, Leena e Eileen vão descobrir muito mais sobre si mesmas do que imaginam. E se tudo der certo, talvez destrocar não seja a melhor solução.

Quem vê a vida agitada de Leena em Londres, pode deduzir que ela está no auge de sua vida profissional e amorosa. Não que em partes isso não seja verdade, aos 29 anos Leena tem um emprego que adora, um namorado apaixonado e os melhores amigos que alguém gostaria de ter. Porém nos recantos mais escondidos do seu coração, ela sabe que algo não vai tão bem assim.

Quando Eileen tem um novo projeto, nada fica entre ela e seu objetivo. Após ser abandonada pelo marido, a senhora de 79 anos decide que está na hora de sair em busca de um novo amor, porém há um pequeno obstáculo. Todos os senhores solteiros da tranquila e simpática cidade onde Eileen mora, são seus velhos conhecidos e ela não se sente muito atraída por nenhum deles.

Após uma crise de pânico durante uma reunião importante, Leena é afastada por 2 meses do trabalho e durante uma visita a avó, ela descobre seu novo projeto e decide ajudá-la, criando um perfil para Eileen em um site de relacionamento.

Enquanto conversam sobre os rumos que a vida de ambas tomou, avó e neta percebem que precisam de medidas um tanto drásticas para colocar as coisas em ordem e alcançar suas metas. Afinal, Leena sabe que precisa se afastar de Londres para conseguir descansar, do mesmo modo que Eileen tem ciência que para encontrar um novo amor ela vai precisar explorar uma nova vizinhança.

Eis então que uma ideia absurda surge; e se elas trocassem de lugar pelos próximos meses? Eileen vai para Londres ficar no apartamento de Leena e viver uma aventura na cidade grande, e a neta fica em Hamleigh-in-Harksdale na pacata zona rural de Yorkshire cuidando de todos os outros projetos de sua avó. Mas será que elas vão conseguir se adaptar ao universo da outra? Conforme os dias se passam Leena e Eileen vão descobrindo que a felicidade constrói sua morada onde o amor existe.

Uma das reflexões que fiz durante a leitura de A Troca, me remeteu a uma das primeiras conversas que tive com o meu terapeuta, sobre como em alguns momentos de nossa vida para conseguir seguir em frente é necessário dar dois passos para trás. A trajetória que a Leena tem na narrativa em diversas ocasiões me relembrou essa conversa. A personagem se joga no trabalho na tentativa de evitar as lembranças que lhe causavam dor, mas isso apenas prolonga o seu sofrimento pela perda da irmã Carla, além de fragilizar a relação com Marian, sua mãe.

Confesso que demorei um pouco para me conectar com a personagem e ao final uma atitude dela me deixou bem desgostosa, mas em partes entendo as ações da Leena, pois fica muito claro que elas são fruto de suas próprias inseguranças e da necessidade que ela tem de tentar manter tudo sob controle. Foi gratificante ver a evolução da personagem e o modo como ela foi de redescobrindo e curando-se.

Já Eileen é uma personagem maravilhosa! Como alguém que cresceu em meio a pessoas da terceira idade e que por anos foi voluntária em asilos, logo nas primeiras páginas me vi completamente encantada por ela. Eileen é carismática, sábia e tão jovial que é praticamente impossível não desejar ter uma avó como ela.

Acompanhar suas aventuras por Londres, seu romance com Tod e o modo como ela consegue em tão pouco tempo causar mudanças positivas na vida de todos a sua volta, incluindo os amigos da neta Fitz, Martha e Bee sem dúvidas deixou meu coração mais quentinho. Além disso, a Patrulha do Bairro da qual Eileen é presidente em Hamleigh-in-Harksdale é mais um dos pontos altos da narrativa. Ver a sua preocupação com o bem-estar de todos ao mesmo tempo em que tem medo de ser invasiva, a torna ainda mais cativante.

Apesar da história como um todo ter um clima leve, a autora soube como inserir temas mais “pesados” como o luto, relacionamento abusivo, codependência amorosa, os perigos a que todos nós estamos expostos no mundo virtual e o sentimento de solidão e inadequação ao novo muito comum em alguns idosos.

Gostei muito da construção da amizade da Leena com o Arnold e o modo como a autora conduz a relação dela com Jackson. Mesmo que no contexto geral tudo possa parecer bem clichê, Beth O’Leary soube como dar um toque de emoção ao previsível e nos deixar na torcida por um final feliz.

“—Às vezes, é mais fácil ficar com raiva do que ficar triste...”.

Ao começar de forma despretensiosa a leitura de A Troca, esperava apenas encontrar uma leitura leve no melhor estilo Sessão da Tarde e em parte, foi exatamente isso que encontrei. Mas à medida que fui me envolvendo com a história, a cada capítulo me sentia mais conectada com os personagens e seus sentimentos e inseguranças.

Admito com muita alegria que acabei “mordendo a língua”, pois de verdade eu estava com bastante receio de não gostar tanto assim da história e no final simplesmente amei. Tanto que já vou colocar Teto para Dois, da mesma autora na minha lista de futuras leituras.  Não me decepcione viu, dona Beth O’Leary.


21/03/2021

#naplaylist - Em Casa

| Arquivado em: MÚSICAS


De todas as playlist que compartilhei aqui no blog, essa é com certeza a mais aleatória de todos elas. Ela é composta praticamente por músicas que conheci, no decorrer desse último e longo ano de isolamento social em que estou em casa. Às vezes parece inacreditável, que faz um ano desde a última vez que encontrei com meus amigos presencialmente, ou que saí de casa a passeio.

Mas esse post, não é para falar de tristeza e sim para dividir com você, coisas boas e as minhas últimas descobertas musicais. E é engraçado que a forma como conheci a maioria das músicas do #naplaylist de hoje, me recordou muito a Ane adolescente que dormia e acordava com o rádio ligado e que todo dia, descobria uma nova música maravilhosa para fazer parte da trilha sonora da sua vida.

Músicas que conhecia durante a pandemia
Getty Imagens
A contrário das playlists que normalmente trago aqui no blog, que são planejadas para que as melodias conversem entre si e com isso, proporcionem uma melhor experiência sensorial, a playlist de hoje não tem planejamento nenhum. Simplesmente fiz um apanhado das músicas que conheci e mais gostei durante esse período de isolamento social e criei uma playlist nova.

Só que quando se é uma pessoa metódica, até a “aparente bagunça” fica organizada. De alguma forma por mais aleatória que as minhas escolhas tenham sido, o resultado ficou muito harmonioso.  Tanto que essa é aquela playlist que você pode escutar para acordar, para trabalhar, organizar a casa ou apenas ficar no sofá aproveitando aquele finalzinho de tarde preguiçoso.  Ou seja, a seleção musical perfeita para todos os momentos do seu dia.

| naplaylist

Músicas para deixar o isolamemto social menos triste


Confesso que uma das minhas coisas favoritas de fazer ao longo dessa prolongada quarentena, é ficar deitada na minha cama ouvindo música. Sério, fico até mais leve após essas sessões de musicoterapia. Inclusive esse foi um hábito que adquiri enquanto lia, O Caminho do Artista da autora Julia Cameron.

Então meu convite para você é dar play agora e pela próxima 1h tentar deixar um pouco de lado todas as suas preocupações. Sei que nem sempre isso é fácil, mas lembre-se que todos nós precisamos de pequenos momentos diários em nossa própria companhia para recarregar a nossa energia.

14/03/2021

Sobre o tempo ...

| Arquivado em: DIVAGANDO

Divagando
imagem: Unsplash

Sinto saudades das longas conversas que tínhamos. Quando passávamos horas falando sobre tudo ou apenas compartilhando um silêncio confortável. Dos sonhos e desejos sussurrados, de nossos pequenos segredos e cumplicidade. Me pergunto se me tornei tão chato e enfadonho ao ponto de você decidir seguir em frente, à passos rápidos demais para que eu conseguisse acompanhar.

Sei que já devia estar acostumado com isso, afinal já te vi chegar e partir tantas e tantas vezes. Só que por mais preparado que eu esteja para esse momento e da curta distância que nos separa, sinto um vazio imenso quando isso acontece.

Continuo sabendo de todos os seus segredos, porém gostava mais quando nós conversávamos e você os dividia comigo por vontade própria. Não pense que estou te espionando, só que a verdade é que mesmo que você quisesse não há como esconder algo de mim.

Enquanto permaneço aqui sozinho, você corre de um lado para o outro sem olhar para trás, até porque isso não faz muito o seu estilo. Sou eu que estou sempre preso ao passado e que em contrapartida, observa você experienciar o presente e sonhar com o futuro. A grande ironia de nossa relação é que todos dizem que sou eu, que ando rápido demais, quando a realidade, é que nem sempre consigo acompanhar tudo com tanta rapidez. Meus passos continuam iguais, seguindo seu ritmo constante e bem marcado, tic-tac, tic-tac...

Admiro a sua leveza, o sopro de felicidade que você traz a todos quem toca, tão diferente da minha presença que os assusta os faz lembrar de tudo o que perderam, de todos seus erros e que não há como voltar. Não faço isso por crueldade, mas esse de certo modo é o meu trabalho, a minha parte em nossa parceria. Neste ciclo infinito no qual estamos presos, estou fadado cedo ou tarde ao esquecimento mesmo que eu, continue te acompanhando e assistindo a tudo, dos seus primeiros e incertos passos até o momento que a sua luz de apaga.

Não me importo de ser visto como vilão em nossa curta jornada juntos. Minha única tristeza é perceber que muitas vezes, aqueles que te recebem como um presente não notam o quão frágil, passageira e bela você é.

Sendo quem sou, o Tempo contínuo diariamente em minhas imutáveis 24 horas, transitando entre seus momentos e realizações boas ou não. A única coisa que peço em troca é que você, minha querida amiga Vida os ensine: a sorrir mais, abraçar mais, beijar mais, perdoar mais, a amar mais.

Quem sabe dessa forma o nosso breve período, possa ser maior e ao invés de nos separarmos, possamos caminhar juntos sem presa, magoas, medos ou acusações. Somente aproveitando o que há de melhor em você e em mim, - o momento presente

texto escrito por: Ariane Reis.  ©  Todos os Direitos Reservados.

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