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29/09/2016

Magônia por Maria Dahvana Headley

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501105882
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento:  2016
Número de páginas: 308
Classificação: Bom
Sinopse: Magônia – Livro 01.
Aza Ray nasceu com uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens, onde existe uma terra mágica de navios voadores e onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em ''Magônia'', ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, através delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. Em uma brilhante e sensível estreia no gênero young adult, Maria Dahvana Headley constrói uma fantasia rica em nuances e cheia de simbolismo.

Acredito que um dos grandes problemas nas séries literárias ultimamente é o fato que poucas conseguem trazer uma proposta original.  Por esse motivo assim que li a sinopse de Magônia achei sua premissa intrigante e por que não dizer, - diferente. Em partes a autora Maria Dahvana Headley realmente consegue apresentar algo novo, porém acaba “derrapando” em alguns clichês do estilo.

Aza Ray tem quinze anos e nunca soube como é ser uma pessoa "normal". Ela nasceu com uma doença desconhecida e incurável que afeta os seus pulmões. A única coisa que mantém Aza viva são os medicamentos fortes que usa e o amor incondicional de sua família. Certa manhã como outra qualquer, uma estranha tempestade se forma no céu e em meio às nuvens Aza vê um navio. Aza sabe que ao contrário do que todos pensam, ela não teve uma alucinação causada por algum dos remédios fortes que toma. Ela avistou um navio e alguém chamou seu nome. Jason o seu melhor amigo é único que acredita nela, mas antes que os dois possam encontrar alguma pista que explique o que um navio fazia entre as nuvens durante uma tempestade, algo ainda mais assustador acontece.

Aza acorda em um lugar estranho e  percebe que pela primeira vez na vida consegue respirar de verdade. Ela está em Magônia, uma terra encantada com navios voadores que sempre existiu acima de nós, mas que graças à magia é invisível aos olhos humanos. Aqui ela não é mais a frágil Aza Ray, ela é forte e possui um grande poder, seu canto pode mudar o mundo. Porém, enquanto ela navega pelos céus uma parte do seu coração a mantém firme na Terra e cedo ou tarde ela terá que decidir de que lado sua lealdade está. Nas nuvens com o magonianos ou no chão firme com aqueles que a ama?

Magônia possui uma narrativa rica e bem construída. Gostei da maneira como os personagens foram desenvolvidos e da forma que a Maria Dahvana Headley soube trabalhar os elementos mais complexos do enredo. Mas não nego que alguns pontos dele me remeteram a outros livros que li. Não é nada assim tão “absurdo”, só que no momento em que me deparei com esses detalhes na história, ela meio que perdeu um pouco de seu encanto inicial.

A Aza possui um humor sarcástico e apesar de todo o seu histórico médico nos dar a sensação que a qualquer instante ela vai pode quebrar, sua personalidade forte e determinada acaba se revelando uma agradável surpresa no decorrer da leitura.  Tudo bem que em algumas ocasiões ela tem seus momentos “drama queen” e a tentativa da autora inserir um triângulo amoroso na história me incomodou também. Mas esses são aqueles pequenos detalhes que quando olhamos no contexto geral da história, eles não interferem tanto em seu desfecho.

O Jason é um personagem carismático, mas em minha opinião a autora “forçou” um pouco a barra na construção de sua personalidade.  Maria Dahvana Headley deu a ele uma aura meio “exagerada” demais para um garoto de dezesseis anos. Não que pessoas de dezesseis anos não sejam capazes de grandes feitos. Só que o Jason é meio que uma mistura de James Bond, com Príncipe Encantado, Super-herói e bem, já deu para entender. E talvez por esse motivo eu tenha gostado mais do Dai, por que ele me pareceu mais humano, como defeitos e qualidades reais. Ele é menos onde o Jason é demais, por assim dizer.

Por ser o primeiro livro de uma série muitas perguntas ficaram sem respostas, ou deixaram parte da resposta solta no ar. Senti falta de um aprofundamento maior no simbolismo e na estrutura política de Magônia. A visão que a autora nos dá dessa terra mágica aqui é muito superficial, o que inevitavelmente fez com que eu não conseguisse me envolver por completo com a história. Outro ponto é que as motivações da “vilã” também não ficaram muito claras. E de verdade nem sei se posso chamar essa personagem de vilã, por que tudo sobre ela ainda é um grande  mistério.

Maria Dahvana Headley conseguiu até certo ponto trazer uma história diferente e envolvente. Magônia nos apresentou um mundo novo para ser explorado, mas para uma obra que se propõem mesclar fantasia e aventura ela possui um ritmo um pouco lento.  Isso se dá pela narrativa ser bastante descritiva do tipo que a autora guarda toda a ação propriamente dita para o final.

Faltou a autora explorar alguns pontos importantes da história? Faltou. Acho desnecessário o triângulo Jason, Aza e Dai? Com certeza. Mas Magônia se revelou um boa história, com uma trama que tem tudo para crescer e surpreender no futuro. Só me resta esperar pelo próximo capítulo dessa jornada e torcer para não me decepcionar.

“ Passei os últimos dez anos falando. Por que não pude dizer nenhuma das palavras certas? Não sei.”

Magônia se mostrou um bom prelúdio de uma série que pode não ser de todo original, mas que traz novos elementos inseridos em um mundo misterioso com personagens cativantes. Perfeita para fãs de fantasia que não abrem mão de histórias com um toque de romance e aventura.

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