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27/10/2020

Glória & Ruína por Tracy Banghart

 | Arquivado em: RESENHAS


Glória & Ruína é o livro que fecha a duologia, Graça & Fúria da autora Tracy Banghart lançada em 2018. Confesso que apesar da narrativa da autora ser fluída, o primeiro livro não tinha me empolgado muito. Como cheguei a comentar da minha resenha, a sensação que tive é a autora acabou, “desperdiçando” o potencial da obra ao recorrer a inúmeros clichês de outros livros do gênero.

Não que isso seja de todo ruim, pois até certo ponto a Tracy Banghart consegue entregar o que sua trama promete. Graça & Fúria fala sobre empoderamento feminino e o risco que qualquer sociedade corre, quando mulheres foram  importantes para sua construção são premeditadamente apagadas da história. O problema é entre um trecho e outro a sensação de que, “já vi isso em algum lugar”, fica bem difícil de ignorar.

Mesmo sem grandes surpresas, gostei da forma como autora conduziu o final da duologia. Ao escolher seguir um caminho mais “comedido” por assim dizer, a Tracy opta por desenvolver mais as protagonistas do que o enredo em si.  A narrativa tem seus pontos altos que não nego, me deixaram um pouquinho aflita, mas que infelizmente peca por não conseguir gerar a mescla de emoções que se espera de um livro que aborda um tema tão atual e pesado como o feminicídio.

Resenha


  ISBN: 9788555340888
  Editora: Seguinte
  Ano de Lançamento: 2019
  Número de páginas: 312
  Classificação: Bom

Sinopse: Graça & Fúria - Livro 02
Na continuação de Graça & Fúria, Serina e Nomi Tessaro vão dar início a uma revolução que vai mudar a vida de todas as mulheres de seu país. As irmãs Serina e Nomi Tessaro nunca imaginaram que acabariam em lugares tão distintos: Serina em uma ilha-prisão, Monte Ruína; Nomi no palácio de Bellaqua, como uma graça, à disposição do príncipe herdeiro do reino. Depois de sofrer uma grande traição, Nomi também é mandada para a ilha e, ao chegar lá, para sua surpresa, encontra Serina à frente de uma rebelião das prisioneiras contra os guardas.

A própria sinopse já entrega um pouco do que vamos encontrar aqui, por isso não vou entrar em muitos detalhes sobre a história, mas compartilhar com vocês as impressões que tive durante a leitura.


Glória e & Ruína possui um ritmo ágil o que torna o livro fácil e rápido de ler. Tracy Banghart não quis deixar para resolver tudo nas páginas finais e a cada capítulo, mesmo não sendo algo espetacular, acontece algo que dá a narrativa um toque interessante de tensão e surpresa. A autora realmente conseguiu me manter presa na história e cada vez mais curiosa com o seu desfecho.

Os capítulos continuam sendo intercalados entre as irmãs, Serina e Nomi e, talvez pelo fato da Nomi ter se revelado um total “desgosto” no livro anterior, continuei achando as partes narradas pela Serina mais relevantes.  Serina foi criada para ser delicada e submissa, uma perfeita graça para o rei e ver a guerreira e líder que ela se torna para as mulheres na ilha-prisão de Monte Ruína dá um misto de orgulho e ao mesmo tempo de compaixão pela personagem.

Serina sofreu muito, tanto física como emocionalmente e os capítulos narrados por ela, conseguem transmitir todo esse sofrimento e principalmente a evolução que a personagem tem na história. Já o mesmo, não pode ser dito de sua irmã Nomi. Claro que a Nomi passa por maus momentos, porém nenhum deles se compara ao que Serina precisa enfrentar, sem falar que tudo o que deu errado para Nomi, foi por causa das escolhas erradas e impulsivas dela.

Infelizmente, não consegui perceber nenhuma mudança significativa na personagem do primeiro livro para cá. Nomi continua a ter atitudes egoístas, infantis e prepotentes e sendo bem sincera, não senti que o arrependimento demonstrado por ela era lá, muito verdadeiro.

Tracy Banghart buscou focar esse segundo livro no núcleo de Monte Ruína, que além de ter uma ambientação impecável, realmente nos transporta para dentro da história. Outro ponto positivo, é que isso abriu espaço para que as personagens secundárias conquistassem um destaque enorme no enredo, sendo responsáveis por cena e diálogos marcantes. A Maris que no primeiro livro já tinha tido um papel importante, aqui teve um desenvolvimento maior e junto com a  Âmbar e Anika, é uma das peças importantes para revolução.

Os príncipes Malachi e Asa passaram grande parte da narrativa um tanto apagados, mas isso não diminui o peso de suas participações no enredo. Malachi foi criado para ser o rei e mesmo que em alguns momentos, possa parecer rude e arrogante é perceptível que ele fará o possível para fazer de Viridia um lugar melhor para as mulheres.  Já o Asa o pouco que aparece consegue completamente detestável e de verdade, fiquei um bastante decepcionada com o final “brando” que o personagem teve.

Resenha
© Ariane Gisele Reis.

“— Porque é difícil esperar muito de si mesma quando o resto do mundo não acha que você é capaz."

Apesar de ter gostado da narrativa como um todo, não nego que esperava que alguns pontos tivessem um desenvolvimento melhor, em especial o que envolvia o Asa e o Malachi. Gostaria de ter visto um acerto de conta entre os irmãos ou que uma batalha mais feroz pelo governo do Viridia tivesse acontecido.

Adorei as interações entre a Serina e o Val, pois o modo como o romance entre eles foi construído consegue fugir de todos os clichês previsíveis. Val não esconde a admiração e o orgulho que ele tem por Serina e após ter conquistado a confiança dela, o relacionamento deles tem bases sólidas de respeito e carinho mútuos.  Do outro lado, não senti a mesma química entre a Nomi e o Malachi. Na verdade, achei que as coisas para ela foram “fáceis demais” e que no mínimo a personagem devia ter terminado sozinha por tudo que aprontou.

A duologia Graça & Fúria  traz um debate importante sobre igualdade de gênero e o quanto a mulher em muitas culturas machistas ainda é vista apenas com um objeto ou alguém totalmente submissa à autoridade de um homem, seja ele: pai, irmão, marido ou rei. Mesmo que no geral o obra seja clichê e até um pouco previsível, Tracy Banghart foi feliz ao exaltar a força, a vontade e o poder feminino na transformação da sociedade.
 
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