05/03/2019

Graça & Fúria por Tracy Banghart.

| Arquivado em: RESENHAS.

Graça & Fúria da autora Travy Banghart foi sem sombra de dúvidas um dos lançamentos mais comentados de 2018.  Li diversas resenhas positivas que me deixaram bem curiosa para conhecer a história. Porém, embora seja perceptível todo o potencial que a obra possui, a mesma escorrega em uma sucessão de clichês que já vimos em outras séries do gênero.





ISBN: 9788555340703
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 304
Classificação: Bom
Sinopse: Graça & Fúria – Livro 01:
Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.

A premissa de Graça & Fúria nos promete uma história de força e empoderamento feminino, algo que em partes é entregue ao leitor. Os capítulos são curtos e intercalados entre a Serina e a Nomi o que dá a narrativa certo dinamismo e um bom ritmo. A escrita da Travy Banghart é leve e conseguiu me deixar bastante envolvida com a história durante boa parte da leitura. Os “problemas” começaram a partir do momento em que a sensação do; “Já vi isso antes” foi ficando mais forte.

Fazendo uma comparação bem simples, Graça & Fúria é uma mescla de A Seleção com A Rainha Vermelha. E de verdade é impossível ler alguns trechos do livro e automaticamente não se lembrar da história da autora Victoria Aveyard. Tanto que chega em um determinado ponto que você lê já sabendo exatamente o que vai acontecer. E isso foi uma das coisas que mais me incomodou na obra. Travy Banghart não apresenta nenhum bom elemento surpresa, ao ponto que no momento em que acontece a grande reviravolta da história ela soa como rasa, pois estava “óbvio” que era aquilo que ia acontecer.

Em minha opinião o ponto alto do livro foi a construção e a inversão de papéis das irmãs Tessaro durante o desenvolvimento da narrativa.  Serina passou grande parte de sua vida sendo preparada para ser uma das graças do rei. Tudo nela é delicadeza e submissão, e ver a personagem descobrindo a sua força e poder foi algo bem interessante de se acompanhar, especialmente porque o modo como a personagem é apresentada me fez acreditar que ela possuía todas as características que normalmente geram uma implicância minha com protagonistas do gênero.

O mesmo não posso falar da Nomi, afinal se pudesse definir a personagem em uma só palavra seria, desgosto. Fico me perguntando até quando os autores vão continuar confundido comportamentos impulsivos com rebeldia.  Por ser totalmente o oposto da irmã e contra a forma como as mulheres são tratadas em Viridia era esperado que Nomi fosse uma pessoa mais madura e bem, - inteligente. Só que infelizmente com a Nomi, eu senti uma decepção atrás da outra. Enquanto lia as partes narradas por ela me perguntava onde estava o tal espírito rebelde, já que a única coisa que encontrei foi uma sucessão de atitudes imaturas e precipitadas.

Gostei muito do fato da autora ter dado aos personagens secundários certo protagonismo na construção da narrativa. Estou bem curiosa para ver como a relação da Serina e do Val será desenvolvida no próximo livro da série, do mesmo modo que espero que a Maris ganhe um espaço maior na obra, já que é visível que a personagem possui um bom potencial para ser explorado. Além disso, é impossível você não sentir a força das mulheres que a ilha de Monte Ruína forjou. A Oráculo e a Petrel são personagens incríveis e ao seu modo inspiradoras.

Ainda não tenho a minha opinião totalmente formada sobre os dois príncipes o Malachi e o Asa, até porque o triângulo amoroso que a autora inseriu aqui me deixou bastante irritada. E não por causa do triângulo amoroso Malachi, Nomi e Asa propriamente dito, mas sim porque me remeteu muito A Rainha Vermelha. De verdade esse foi o núcleo que mais me incomodou no desenvolvimento todo de Graça & Fúria, pois tudo nele é clichê e terrivelmente previsível.

 “– Vocês devem ser tão fortes quanto essa prisão, tão fortes quando a pedra e o oceano que as cercam. Vocês são concreto e arame farpado. Vocês são feitas de ferro.”

Como leitora acredito muito no potencial da série Graça & Fúria, já que a bandeira principal levantada pela autora na obra é a igualdade de gêneros e o modo como muitas sociedades ainda enxergam a mulher como um "ser inferior” aos homens. Como um livro introdutório, apesar das diversas derrapadas Graça & Fúria funciona bem. Agora só resta saber se autora vai dar voz própria a sua história ou vai continuar investindo nos clichês do gênero.

Comentários via Facebook

13 comentários:

  1. Oi Ane,
    Eu queria ler esse livro, porém... Ai Ai Ai. Eu não gosto de 'A Rainha Vermelha', estou com medo de me decepcionar :(
    Estava super animada, mas acho melhor ir com menos 'sede ao pote', rs.
    E em relação ao clichê, isso nem me incomoda, porque se a autora souber fazer direito, consigo me apaixonar mesmo assim, rs.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  2. Oi, Ane!
    Pra ser sincera, não tenho muita vontade de ler esse livro. Sempre que um livro é muito hypado, eu acabo pegando um certo preconceito e desinteresse.
    Creio que a sua foi a primeira resenha que vi comentando sobre a autora escorregar pros velhos clichês..
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Amei essa sua postagem, sempre estou visitando seu blog e lendo suas postagens.. Seu blog está salvo em meus favoritos..

    Parabéns!

    Amo seu blog ❤️ ..

    Meu Blog: Capixaba Cap

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  4. Oi, Ane!

    Se eu já não tinha muito interesse na obra antes, agora que não tenho mais. Triângulos amorosos me dão nos nervos, e a obra aparentemente segue o padrão de muitas histórias já existentes, o que também desanima um pouco. Agora é torcer pros demais volumes serem melhores!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  5. Já vi que o livro é incrível pela sua resenha!

    Ótimo post!
    >>> https://blogjulianarabelo.wordpress.com/

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  6. Oi Ane, tudo bem?
    Adorei a resenha e a honestidade ao falar dos pontos positivos e negativos.
    Eu leria essa obra, pela inversão de papéis das irmãs e por falar sobre gênero, mas pretendo ir com expectativas mais baixas.
    E concordo muito com você que impulsividade não é uma característica a ser exaltada, como se a personagem fosse mais ~forte. Acho que o tempo e a maturidade vão mostrando isso pra nós, leitoras hahaha!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  7. Oi Ari!! Sua xará que leu na blog e ela tb gostou da inversão de papéis. Ando bem longe das fantasias atualmente, mas é uma série que realmente parece ter potencial!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  8. Uma pena essa obra ser tão decepcionante, a capa desse livro é tão linda, eles poderiam ter explorado a história melhor..

    https://www.kailagarcia.com

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  9. Olá, Ane.
    A Rainha Vermelha já é uma mistura de vários livros e se esse ainda é uma mistura dele com outro nem sei o que esperar hehe. Eu tenho ele aqui, mas estou esperando lançar as continuações para começar a ler.

    Prefácio

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  10. aaaa é horrível ter uma sinopse sedutora e o enredo acabar caindo em clichês.
    Ainda não li a Rainha Vermelha, então acho que não teria tanto problema na leitura.
    beijos
    lolamantovani.blogspot.com

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  11. Oi!
    Que triste que a obra transbordou clichês. Tão chato e triste quando temos expectativas com uma obra e nos deparamos com mais do mesmo, pior ainda quando a obra é claramente muito similar a outras do gênero, como foi o caso para você. Como eu ainda não li A Rainha Vermelha talvez eu não tenha a mesma impressão que você, mas como essa é a primeira vez que me deparo com essa obra acho que vou aguardar a editora lançar a sequência para saber um pouco sobre como se dará a evolução da saga e então decidir se lerei ou não.
    Ótima resenha!

    Abraços,
    Andy -StarBooks

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  12. Oi Ane!
    Como é ruim quando vamos criando expectativas sobre algo e as coisas não são nada do que esperávamos, ao que parece essa história não entrega muito além dos clichês que mencionou. Será que o abordar o tema da igualdade de gêneros é suficiente para valer a leitura?
    Bom fim de semana!
    Bjs

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  13. Oi, Ane

    Eu estou com o livro aqui e o que mais chama a minha atenção é essa inversão de papéis das irmãs. A semelhança com outros livros nem chega a ser um fator crucial para mim, porque as séries hoje em dia estão tão iguais que já vou pegando todas as referências. Hahahah
    Uma pena isso em relação a Nomi. Realmente há um equívoco na hora da construção desse tipo de personagem e muitos autores o estão cometendo, será que vou sentir isso também? Vamos ver!


    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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