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outubro 06, 2020

O Timbre por Neal Shusterman

| Arquivado em: RESENHAS

De todos os lançamentos literários previstos para esse ano sem dúvidas, O Timbre era um dos mais esperados por mim. Com uma narrativa inteligente e permeada de críticas nem sempre sutis a sociedade atual Neal Shusterman construiu ao longo da trilogia Scythe, uma história complexa e ao mesmo tempo marcante.

Confesso que demorei para escrever a resenha do último livro da trilogia, porque ainda não sabia como me sentia em relação ao final. De modo geral, O Timbre oferece uma conclusão satisfatória para a história. Porém a forma como isso acontece, chega a ser um tanto “confusa”, principalmente porque segue uma direção diferente do que vinha sido traçada nos livros anteriores. Gostei em partes do que encontrei aqui, mas admito que fiquei sim um pouco decepcionada.

Resenha

 
 
  ISBN: 9799999989014
  Editora: Seguinte
  Ano de Lançamento: 2020
  Número de páginas: 597
  Classificação: Bom
Sinopse: Trilogia Scythe - Livro 03.
A humanidade alcançou um mundo ideal, em que não há fome, doenças, guerras, miséria… nem mesmo a morte. Mas, mesmo com todo o esforço da inteligência artificial da Nimbo-Cúmulo, parece que alguns problemas humanos, como a corrupção e a sede de poder, são igualmente imortais. Desde que o ceifador Goddard começou a ganhar seguidores da nova ordem, entusiastas do prazer de matar, a Nimbo-Cúmulo decidiu se silenciar, deixando o mundo cada vez mais de volta às mãos dos humanos. Depois de três anos desde que Citra e Rowan desapareceram e Perdura afundou, parece que não existe mais nada no caminho de Goddard rumo à dominação absoluta da Ceifa — e do mundo. Mas reverberações da Grande Ressonância ainda estremecem o planeta, e uma pergunta permanece: será que sobrou alguém capaz de detê-lo? A resposta talvez esteja na nova e misteriosa tríade de tonistas: o Tom, o Timbre e a Trovoada.

Atenção! Essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores. Para quem não quiser correr o risco pode pular cinco parágrafos.


O jovens Citra Terranova e Rowan Damisch, não faziam ideia do quanto a suas vidas estavam prestes a mudar, após o encontro com o ceifador Faraday. Recrutados como aprendizes, ambos passaram por meses de treinamento para aprender a matar ao mesmo tempo que se viam cada vez mais envolvidos nas conspirações da Ceifa.

Citra instruída pela ceifadora Curie, passou no teste do Conclave e se tornou a Honorável Ceifadora Anastássia. Já Rowan não teve a mesma sorte. Depois de meses tendo sanguinário Goddard como professor, ele acabou se rebelando contra a Ceifa. Rowan então vestiu o manto negro proibido pela ordem e ao assassinar os ceifadores corruptos sobre a alcunha de Ceifador Lucifer, o aprendiz vira inimigo sendo caçado por aqueles que o treinaram.

Em uma sociedade perfeita governada pela inteligência artificial da Nimbo-Cúmulo, a Ceifa faz suas próprias leis. Mas isso não quer dizer, a Nimbo esteja completamente cega para os atos cruéis cometidos pelos portadores da morte. Quando uma tragédia sem precedentes acontece, a Nimbo se cala e o mundo está novamente nas mãos dos humanos, que depois de anos sendo diariamente guiados agora estão totalmente perdidos e com medo.

Mas ainda há uma esperança. Greyson ou Timbre como passa a ser chamado pelos Tonistas, uma religião em que seus fiéis vivem como nos tempos antes da Nimbo-Cúmulo controlar nosso mundo, é o único com quem a inteligência artificial continua se comunicando. Esse fato, logo se torna conhecido por todos e Greyson acaba se transformando numa espécie de “novo profeta”. Porém o que ninguém esperava, que o fanatismo de alguns seguidores gerasse atos violentos e a uma guerra civil, tudo em nome de Vossa Sonoridade.

Em meio ao caos instaurado a Nimbo-Cúmulo mesmo silenciosa e distante, trabalha em um plano para dar a humanidade uma nova chance de ter um futuro seguro e pacífico. Quando duas figuras importantes emergem das profundezas, as peças do quebra-cabeça finalmente começam a fazer sentido e a população passa a enxergar uma luz no fim do túnel.

A escrita de Neal Shusterman é fantástica e a trilogia Scythe sempre terá um lugar especial em meu coração de leitora. Só que muita coisa em O Timbre,  podia ter sido condensada já que não acrescentaram em nada na conclusão da obra. O fato da narrativa possuir três linhas de tempo diferente em que a cada momento um personagem é o narrador, causou uma certa confusão há princípio, pois passa a sensação que são várias histórias acontecendo ao mesmo tempo.

Outro ponto é que além dos personagens já existentes, o autor inseriu novos personagens que pouco contribuem com a evolução do enredo. O Rowan por exemplo, é um dos casos mais tristes de potencial desperdiçado que já vi em uma trilogia. Em A Nuvem a sua participação já tinha sido apagada, aqui ela foi quase inexistente. A Citra até consegue se destacar em O Timbre, mas de alguma forma o carisma e o peso do papel que ela tinha, acabaram se perdendo em meio tantas tramas paralelas.

A sensação que tenho é que o autor tentou dar voz a todos os personagens e com isso, acabou silenciando figuras importantes como o Faraday e até mesmo o Goddard, que no final se revelou um vilão caricato e que só enfraquece a cada capítulo. Gostei da trajetória do Greyson na história e sinto que entre A Nuvem e O Timbre, ele acabou se tornando junto com a Nimbo-Cúmulo um dos grandes protagonistas da trilogia e talvez, por esse motivo acredito que ele merecia mais.

Resenha
© Ariane Gisele Reis.


“— O que em nós faz com que busquemos propósitos tão elevados, mas destruamos os alicerces? Por que sempre sabotamos nossos próprios sonhos? ”

Talvez o excesso de expectativas tenha prejudicado a minha interação com a história. Mas como não criar expectativas, depois de esperar tanto tempo por esse livro? Acredito que o meu maior problema com O Timbre foi, o modo “fácil” e conveniente como as coisas se resolveram. Não tem como, não ficar decepcionada ao ler um livro de quase 600 páginas em tudo se resolve em quatro, e que deixou mais perguntas do que de fato deu respostas.

O Timbre possui bons elementos, a narrativa mesmo que arrastada em alguns pontos consegue ser envolvente. Em muitos momentos o autor nos leva a refletir sobre como as decisões de hoje, vão impactar no futuro da humanidade e que a nossas tentativas de alcançar a perfeição só mostram o quanto somos imperfeitos.

Ao abordar um tema tão complexo com a fragilidade da vida, Neal Shusterman escreveu uma obra instigante e cheia de nuances interessantes, mas que do meu ponto de vista podia ter tido um final mais digno, harmonioso e condizente com os livros anteriores. Porém às vezes a intenção do autor era justamente criar uma grande dissonância. Quem sabe?


Veja Também:

dezembro 10, 2018

A Nuvem por Neal Shusterman

| Arquivado em: RESENHAS.





ISBN: 9788555340543
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 496
Classificação: Ótimo
Sinopse: Scythe – Livro 02.
No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade. Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar. Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?

Sempre que me perguntam qual foi o melhor livro que li em 2017, a minha resposta é: O Ceifador, primeiro livro da trilogia Scythe do autor Neal Shusterman. O Ceifador foi uma leitura marcante de várias formas, desde a sua narrativa inteligente e instigante com várias críticas a nossa sociedade. Por conta disso essa blogueira que vos escreve estava ao mesmo tempo ansiosa e receosa com A Nuvem, segundo livro da trilogia. Para minha felicidade embora não tenha me “impactado” tanto como a leitura do primeiro livro, A Nuvem se revelou uma leitura deliciosa e ao mesmo tempo cheia de boas surpresas.

Para quem não quiser correr o risco de spoilers pular quatro parágrafos.

Meses após o último Conclave da Ceifa os acontecimentos daquele dia ainda repercutem entre os Ceifadores. Citra Terranova não é mais uma aprendiz e sim a Honorável Ceifadora Anastássia, enquanto Rowan Damisch trabalha nas sombras com seu manto negro eliminando com a próprias mãos a corrupção que ele viu tão de perto correr os preceitos da Ceifa.

Observando tudo e a todos está a Nimbo Cúmulo, a inteligência artificial que governa o planeta, garantindo que toda a população viva em paz e tendo o necessário para sua sobrevivência. Só que a Nimbo Cúmulo não está feliz com que anda vendo acontecer dentro da Ceifa, porém por conta das leis que ela mesma criou não pode interferir diretamente na organização. Mas se ela, agir por meio de outra pessoa?

Greyson Tolliver é um adolescente solitário que vê a Nimbo Cúmulo como a sua única família. Ao ser recrutado para uma missão especial de forma indireta pela Nimbo, o jovem tem a sua pacata rotina virada de ponta cabeça. Marcado como infrator e fiel aos seus laços com a inteligência que governa o planeta, Greyson mergulha cada vez mais fundo no mar de intrigas e conspirações da Ceifa e com isso, colocando a sua própria vida em risco. Mas os planos de quem a Nimbo Cúmulo está tentando frustrar?

Enquanto o jovem Greyson trabalha nas sombras fazendo o que pode para impedir o pior, o retorno de um velho inimigo fará com que Citra e Rowan unam forças para salvar não apenas a Ceifa mais toda humanidade. Porém, será que a jovem ceifadora e um criminoso foragido vão ser capazes de destruir os terríveis planos que estão em andamento? Tinham os fundadores da Ceifa criado um plano de emergência para quando tudo estivesse ruindo? Em meio a intrigas políticas e jogos de poder, o mundo pacífico que a humanidade conquistou pode estar prestes a entrar em declínio outra vez.
 
Confesso que uma parte de mim esperava mais de A Nuvem. Embora a leitura ao final tenha causado o impacto desejado pelo autor e me deixado bem curiosa para saber o rumo que a história irá tomar no terceiro e último livro, não nego que eu esperava “um pouco mais”. Afinal, apesar A Nuvem sendo um ótimo livro, sua narrativa infelizmente não conseguiu manter o mesmo fôlego de O Ceifador.

Aqui vários elementos que funcionaram brilhantemente no primeiro livro acabaram não funcionando tão bem. Em muitos momentos tive a sensação que a narrativa meio que se “arrastava” fazendo com que o desenvolvimento da história ficasse mais lento. Outro ponto é que senti no caso do Rowan o personagem prometeu muito, mas entregou muito pouco tendo até, ao mesmo em minha opinião uma participação um tanto quanto apática.

Por outro lado foi gratificante ver a evolução da Citra na história. Apesar de suas ações terem a transformando em alvo tanto de admiração como de maquinações políticas, a jovem Ceifadora desempenha seu papel com compaixão sendo fiel aos preceitos mais antigos da Ceifa. O mais interessante nessa evolução da Citra é perceber que mesmo assumindo com maestria o seu novo papel no mundo, a jovem não perdeu a sua essência questionadora e obstinada. Citra continua fazem o que acredita ser o certo, mesmo quando todas as circunstâncias estão contra ela.

Gostei muito da inserção do Greyson na narrativa, pois isso trouxe a narrativa uma perspectiva diferente e interessante. Se em O Ceifador só tínhamos uma visão no mundo controlado pela Nimbo Cúmulo do ponto vista dos ceifadores, em A Nuvem é possível conhecer essa nova realidade pelo ponto de vista de uma “pessoa comum”. Além disso, o Greyson é aquele tipo de personagem bastante enigmático não tanto por sua personalidade e sim por que não fica muito claro, o papel que ele tem ou terá na história.

Em A Nuvem, Neal Shusterman deu um foco mais político a narrativa e com isso tornando a participação da Nimbo Cúmulo bem mais expressiva. Se no primeiro livro ela desempenha um papel mais de narradora, aqui ela ganhou ares de protagonista. Admito que os meus sentimentos em relação a Nimbo são bem conflitantes, porque ao mesmo tempo que vejo muita compaixão e sabedoria nela, vejo algo obscuro e bem assustador.

“Um chefe de Estado arrogante permite todas as formas de ódio desde que alimentem a sua ambição. E a triste verdade é que as pessoas engolem isso. A sociedade se devora e apodrece. A permissividade é o cadáver inchado da liberdade.”

A Nuvem pode não ter me arrebatado tanto como O Ceifador, mas está longe de ter sido uma decepção. Neal Shusterman soube como surpreender nos momentos certos, tornando a leitura um misto de sentimentos que iam da descrença ao choque. Em várias situações eu me vi dizendo: “- *palavrão*! Não posso acreditar que isso está acontecendo!”. Foram momentos que me deixaram de queixo no chão e coração partido. Mal posso esperar para ver o que Neal Shusterman reservou para o final da trilogia. 

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junho 29, 2017

O Ceifador por Neal Shusterman

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340352
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 448
Classificação:
Sinopse: Scythe – Livro 01.
Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

Do mesmo modo que adoro de uma leitura leve e singela, não abro mão de livros com uma narrativa um pouco mais "ambiciosa" e principalmente inteligente. Assim que comecei a leitura de O Ceifador, estava preparada para me deparar com uma história de certa forma "pesada", escrita com a pretensão de impactar o leitor. Porém para minha surpresa, o autor Neal Shusterman nos apresenta aqui uma narrativa instigante que mesmo causando o impacto desejado, consegue ser envolvente e despretensiosa.

A humanidade finalmente atingiu o nível de  perfeição. A violência, fome, doenças e a morte são coisas do passado. Graças a Nimbo-Cúmulo, a inteligência artificial que evoluiu de uma simples nuvem de dados para se tornar a maior autoridade do planeta, a paz e a imortalidade foram finalmente alcançadas. Porém, para que o perfeito equilibro entre homem e recursos naturais exista algumas pessoas ainda precisam morrer e os únicos que podem pôr fim a uma vida são os ceifadores. Eles estão acima de qualquer lei, e até mesmo a Nimbo-Cúmulo se mantém afastada dos assuntos referentes à Ceifa, a grande organização dos ceifadores.

Os ceifadores são temidos e quando os caminhos de Citra e Rowan se cruzam com os do ceifador Faraday a vida dos dois adolescentes muda para sempre. Embora nenhum dos dois deseje aprender a arte de matar, eles acabam se tornando aprendizes do ceifador. Mas apesar de sua missão macabra, Faraday acredita que o ato de coletar uma vida deve ser feito com compaixão e não por prazer. Só que a Ceifa está cada vez mais dividida e muitos estão dispostos a quebrar as leis da organização e assim trazer ao mundo uma nova era sangrenta.

O treinamento para se tornar um ceifador é pesado e a convivência faz como que uma cumplicidade e outro tipo de sentimento surjam entre Citra e Rowan e isso não passa despercebido a Ceifa. Graças a uma intrincada rede de intrigas e conspirações, Citra e Rowan acabam em lados opostos e ao final do treinamento, somente um deles irá receber o manto sagrado e o anel de ceifador o outro terá que morrer. Mas será que eles vão de capazes de cumprir o decreto da Ceifa?

O Ceifador nos leva por uma viagem ao um mundo futurista em que a ciência e a tecnologia conseguiram resolver os grandes dilemas da humanidade, incluindo a morte. Por esse motivo acredito que mesmo contando com personagens bem construídos e protagonistas fortes, a Morte é de fato o personagem central aqui.  De uma maneira bastante perspicaz Neal Shusterman inseriu várias reflexões sobre o tema, além de duras críticas a sistemas corruptos e ao estilo de vida mais “fácil”. Foram justamente esses pontos e a forma como eles são trabalhados na narrativa que tornam o livro tão incrível em minha opinião.

Gostei muito do modo como o autor construiu a personalidade da Citra e do Rowan. Os dois tiveram criações diferentes e são quase como água e vinho. Seus caminhos provavelmente nunca teriam se cruzado se não fosse pelo fato de Faraday os ter escolhido como aprendizes. Ambos possuem um principio moral e éticos muito fortes, que se tornam ainda mais visíveis nos momentos que a sombra do significado de ser um ceifador e o poder que isso traz, os faz questionar suas motivações e a si mesmos.

Tanto o ceifador Faraday como a ceifadora Curie desempenham um papel importante no desenvolvimento da história. São eles que dão a voz as reflexões que o autor inseriu na narrativa, e como ceifadores da “velha guarda” Faraday e Curie demonstraram através de suas ações uma compaixão e empatia pelo próximo enorme, especialmente se levarmos em conta que eles são os responsáveis por trazer dor e sofrimento as pessoas.

Neal Shusterman ainda nos presenteia com o vilão caricato é verdade, mas que apesar da sua prepotência e desejo por sangue e poder consegue ser carismático. E mesmo que eu não goste muito dessa separação explicita entre o bem e o mal em narrativas, eu consegui entender os motivos do autor para deixar isso tão claro na história. Afinal a humanidade conseguiu chegar a um nível de evolução científica e tecnológica em que a única coisa que nos espera é uma vida eterna, agradável e feliz. Mas será que a ciência e a tecnologia são capazes de eliminar o que de pior existe no instinto humano?

Outro ponto positivo é o fato do autor ter focado na evolução da história como um todo deixando o suposto romance entre os protagonistas como plano de fundo. Isso faz com que a narrativa fique mais interesse e gostosa de acompanhar, pois quanto mais o autor revela os segredos da Ceifa e a forma como esse mundo utópico funciona, mais sobre eles queremos saber.

O Ceifador uma foi grata surpresa e sem sombra de dúvidas é uma das minhas melhores leituras do ano até o momento. Sua narrativa é repleta de mistérios e reviravoltas que me deixaram simplesmente chocada em alguns capítulos. Além disso, Neal Shusterman soube como deixar pontas soltas e perguntas para serem respondidas no próximo livro da série. De minha parte só posso adiantar que estou bem curiosa para saber o que o futuro reserva para Citra e Rowan.

“Remorso. Arrependimento. Sofrimentos grandes demais para suportarmos. Porque, se não sentíssemos nada, que espécie de monstros seríamos?“

Confesso que ao iniciar a leitura de O Ceifador esperava uma história completamente diferente e acabei surpreendida da melhor forma possível. Mesmo com os ares futuristas, Neal Shusterman aborda aqui questões atuais em uma narrativa inteligente marcada por reflexões sobre o caráter humano, vida e a morte. Tudo isso com uma escrita fluida e envolvente que vai fazer você perder algumas horas de sono para descobrir o que te espera no próximo capítulo.

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