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junho 20, 2018

SoSeLit #06 - Lucro editorial vs. Leitor

| Arquivado em: CAFÉ LITERÁRIO.

Você encontra o livro da sua vida. Sim, aquele em que tanto a história como seus personagens conquistaram o seu coração. Só quem então, você descobre que esse livro não está sozinho e que na verdade ele é o primeiro uma série. Porém, eis que vem a notícia; “a editora não tem previsão ou a intenção de lançar a continuação da sua série queridinha”. Já passou por isso? Então abraça, que esse SoSeLit é para você!

imagem: Shutterstock
Nessa triste realidade que muitas vezes nos pega de surpresa, a blogueira que vos escreve consegue entender os dois lados da questão. O do leitor que acaba de certa forma de sentindo “desrespeitado”, afinal ele investiu dinheiro e tempo para acompanhar a história. E da editora que investiu dinheiro, planejamento e divulgação de marketing em algo que não trouxe o resultado esperado.

Trabalhei por quatro anos em uma revista, e sei o quanto é caro o material impresso no Brasil. A verdade é que como consumidores finais, muitas vezes não fazemos ideia do custo que aquele nosso livro favorito teve até chegar em nossas mãos. E levando em conta que a maioria das gráficas no Brasil utiliza matéria-prima importada e a alta taxa de impostos que nós pagamos, já dá para imaginar que o custo realmente é muito, mais muito alto.

Só que como leitora, também fico super chateada quando pergunto para uma editora quando a continuação de uma série vai sair e a resposta é, - sem previsão. E mais frustrante ainda é receber a notícia que a série foi cancelada.

Fazendo uma conta rápida aqui, eu mesma tenho quatro séries que comecei a ler, e que as editoras já sinalizaram que não tem a intenção de lançar a continuação tão cedo. São elas Poseidon, Vango, Era X e Na Companhia de Assassinos. Fora aquelas séries como Os Canalhas que além, dos dois volumes lançados não seguirem a ordem cronológica de lançamento, a editora “aparentemente” se esqueceu dos outros livros.

Como comentei lá no início do post, eu entendo o lado da editora. Afinal, como uma empresa ela precisar lucrar com um produto lançado. Principalmente, por que ela tem toda uma estrutura para manter e isso inclui pessoas que assim como nós têm contas no final do mês para pagar. Porém, isso não justifica na era digital em que vivemos, o total descaso com os leitores de uma série.

Um exemplo, é o caso da Editora Abril que passou a lançar algumas de suas principais publicações somente em plataformas digitais. O que me faz pensar se uma solução para resolver esse impasse, não seria lançar esses livros no formato de e-books. Eu mesma confesso, que por conta da praticidade e por falta de espaço físico ando consumindo muito mais livros digitais atualmente.

“Ane os livros digitais custam praticamente o mesmo que os livros físicos.” Sim eu sei, e isso vai ser assunto para outro post.  O que quero dizer, é que nessa briga entre o lucro editorial e leitor precisa-se encontrar o famoso caminho do meio. Aquele ponto de equilíbrio em que cada lado “perde um pouco”, mas que ao final todos saiam ganhando de alguma forma. Especialmente agora, que em que estamos passando por mais uma crise no mercado editorial, é que tanto as editoras como nós leitores precisamos unir forças para que o acesso à leitura no Brasil seja de fato democratizado.

Ficar sem a conclusão de uma série parte não só o meu ou o seu coração. Mas, de certa forma também parte o coração de uma equipe inteira que apostou naquele título e não obteve o retorno esperado. Ao final todos nós saímos perdendo (...).

Até o próximo post!


A Sociedade Secreta Literária é formada pelos blogs: Barba Literária , Eu Insisto, La Oliphant, LivrosLab, Macchiato, Pétalas de Liberdade, Um metro e meio de Livros e o My Dear Library. A nossa intenção ao criar o grupo é falar de assuntos bons e “ruins”, e que normalmente as pessoas não falam abertamente na blogosfera. 

outubro 31, 2016

A Senhora do Império por Raymond E. Feist e Janny Wurts

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788580415995
Editora: Arqueiro
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 752
Classificação: Ótimo
Sinopse: Saga do Império – Livro 03.
Em Kelewan, Mara, a Senhora dos Acoma, sente-se segura e em paz pela primeira vez na vida – até que seus inimigos tentam matá-la e acabam tirando a vida de seu filho. Abalada pela tragédia e cercada por espiões, assassinos e casas rivais, ela enfrentará o maior desafio de sua vida e sofrerá ainda mais perdas durante esse trajeto. Em busca de justiça, ela verá seus planos frustrados pela Assembleia de Magos, que detém o poder real do Império e mantém a população dócil e domesticada, e também pelos terríveis Mantos Negros, que encaram Mara como a ameaça suprema ao seu poder ancestral. Então, para assegurar a paz, Mara deverá viajar para além das fronteiras da civilização, desvendando antigos segredos até os portões de Chakaha, a cidade dos estranhos cho-ja. Reunindo toda a sua coragem e astúcia, a Serva do Império iniciará sua maior batalha em nome da sua vida e do seu lar.

Sempre que chego ao final de uma série sinto um misto de dever cumprido e aquela pontinha de tristeza por me despedir de personagens que ao longo da leitura se tornaram "meus amigos". E com a Saga do Império esse sentimento é ainda mais intenso, pois essa foi uma saga que me levou novamente para o mundo maravilhoso criado por Raymond E. Feist, que na companhia de Janny Wurts nos presenteou com uma história em que o único adjetivo que faz jus a toda a sua grandeza é, - épica.

Quem não quiser pegar spoilers dos livros anteriores, pode pular três parágrafos.

Mara, a Senhora dos Acoma venceu inúmeros obstáculos desde a fatídica noite que mudou completamente o seu destino e de sua casa. Jovem e completamente inexperiente, Mara precisou aprender a ser uma pessoa astuta e acima de tudo manipuladora, para sobreviver o terrível Jogo do Conselho para manter a todos e a si própria vivos e em segurança. Depois de muitas batalhas e agora como Serva do Império, e com cargo de Senhor da Guerra extinto, Mara possui um exercito poderoso e finalmente encontrou a sua tão sonhada paz.

Porém essa paz é passageira e alguém tenta matá-la. E embora o assassino tenha falhado no seu objetivo principal, Mara acaba perdendo seu filho.  Ela está devastada e seu único desejo é vingar-se, nem que para isso precise lançar uma terrível guerra sobre o Império de Kelewan. Mas em seu caminho ela tem os Grandes, os Magos que governam o Império. E mesmo que uma parte deles a apoiem, a outra ficará feliz de se livrar de uma vez por todas da influência e do poder da Senhora dos Acoma.

Estando ela e sua família sob a vigília dos Magos, Mara vai à busca de um caminho alternativo para fazer justiça e com isso começa uma jornada que a levará muito além das fronteiras do Império onde ela descobrirá segredos antigos. Em meio a conspirações e alianças perigosas, Mara e seu maior inimigo ficam frente e a frente. Só resta saber se dessa vez ela e aqueles que ama conseguiram sobreviver.

Diferente da Saga do Mago () escrita somente pelo Raymond E. Feist que me cativava logo nas primeiras páginas, A Saga do Império escrita em parceria com a Janny Wurts demorava um pouco mais para me envolver em sua a história. Durante a leitura dos dois livros anteriores sempre comentei que sentia que a narrativa era mais "lenta" e que em muitas ocasiões acabava se perdendo em detalhes “desnecessários”. Por esse motivo foi uma surpresa enorme ver como tudo aqui se desenvolve de forma mais fluida, apesar da narrativa conter e até mesmo precisar de um detalhamento mais profundo.

Ao contrário dos livros anteriores em que o ritmo na narrativa crescia gradativamente conforme a história avançava, A Senhora do Império foi um livro que desde o primeiro capítulo me vi arrastada para um mar de acontecimentos que me deixavam apreensiva e ao mesmo tempo curiosa. Um dos pontos que mais gostei era o modo como os autores criavam grandes reviravoltas e depois entrelaçam todos os fatos com perfeição. Eles não deixavam pontas soltas e por mais que alguns acontecimentos tenham partido o meu coração, eles foram extremamente necessários para a evolução enredo.

Porém o que mais me encantou durante a leitura de toda saga foi perceber o quanto os autores conseguiram criar e desenvolver uma personagem em todo o seu potencial. Acompanhar a trajetória da Mara de menina inocente a mulher que não tinha medo de sujar as “mãos de sangue” por quem amava foi incrível. Não que eu concorde com todas as atitudes que ela teve, só que em meio a tantas histórias com protagonistas superficiais, encontrar uma que foge completamente desse estereótipo é maravilhoso!

Outro ponto é que mesmo sendo sagas independentes, ou seja, você pode ler uma sem ter lido a outra em um determinado momento elas se encontram. E sim, eu fiquei extremamente feliz e até mesmo emocionada pela maneira como o Raymond E. Feist e a Janny Wurts amarram duas tramas tão complexas e grandiosas. A Saga do Mago sempre terá um lugar especial em meu coração, mas a Saga do Império mesmo que mais lentamente também me conquistou, provando ser uma leitura extraordinária.

A Senhora do Império foi uma leitura que me envolveu de tal modo que quando percebi que os capítulos finais se aproximavam, eu meio que “abandonei” o livro por uma semana. Sabe quando você não quer que algo acabe? Era assim que eu me sentia.  Quis evitar a hora de dizer adeus o máximo que pude, e quando ela chegou não consegui evitar as lágrimas. Que possam garantir a todos vocês que foram de felicidade e de orgulho.

“ – Vocês são do Império, humanos. A paz, para a sua espécie, não passa de um prelúdio para a traição.”

Com grandes batalhas e reviravoltas que tornam um capítulo mais envolvente que o outro, A  Saga do Império é uma leitura para quem ama fantasia, mas que também gosta de se aventurar por narrativas cheias de intrigadas e conspirações.  Sem sombra de duvidas uma das melhores trilogias que li na vida. Já posso pedir para a Editora Arqueiro mais livros do Raymond E. Feist e da Janny Wurts? Afinal, eu já estou com saudades.

agosto 07, 2016

O Cisne e o Chacal por J.A. Redmerski

| Arquivado em: RESENHAS.

ISBN: 9788556510044
Editora: Suma de Letras
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 248
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Na Companhia de Assassinos – Livro 03.
Fredrik Gustavsson nunca considerou a possibilidade de se apaixonar certamente nenhuma mulher entenderia seu estilo de vida sombrio e sangrento. Até que encontra Seraphina, uma mulher tão perversa e sedenta de sangue quanto ele. Eles passam dois anos juntos, em uma relação obscura e cheia de luxúria. Então Seraphina desaparece. Seis anos depois, Fredrik ainda tenta descobrir onde está a mulher que virou seu mundo de cabeça para baixo. Quando está próximo de descobrir seu paradeiro, ele conhece Cassia, a única pessoa capaz de lhe dar a informação que tanto deseja. Mas Cassia está ferida após escapar de um incêndio, e não se lembra de nada. Fredrik não tem escolha a não ser manter a mulher por perto, porém, depois de um ano convivendo com seu jeito delicado e piedoso, ele se descobre em uma batalha interna entre o que sente por Seraphina e o que sente por Cassia. Porque ele sabe que, para manter o amor de uma, a outra deve morrer.

Uma das qualidades que mais me cativa na escrita de um autor, é quando ele consegue despertar a minha curiosidade em relação a um personagem especifico. Algo que a J.A. Redmerski conseguiu no livro anterior da série Na Companhia de Assassinos, quando me apresentou ao perigoso Fredrik Gustavsson. Agora em O Cisne e o Chacal a autora finalmente nos revela todos os segredos desse enigmático personagem, através de uma narrativa envolvente que ao final nos deixa com o coração partido.

Pode, ou não conter spoilers dos livros anteriores. Quem não quiser colocar a sua conta em risco, pulando dois parágrafos agora.

Fredrik Gustavsson é o especialista em “arrancar” informações das pessoas. Quando alguém se recusa a contar o que sabe de bom grado, Fredrik é chamado para fazer com que a pessoa sente-se em sua cadeira e fale. Ele é o torturador, o chacal que sente prazer em ver a dor e o sangue de outra pessoa. Porém, por traz desse seu lado sádico e até mesmo doentio se esconde um homem que sofreu todo o tipo de violência e abusos durante a infância e que cresceu acreditando que nunca poderia amar, ou ser amado por alguém. Até que ele conhecer Seraphina.

Seraphina, assim como Fredrik tem um passado sombrio e uma sede de sangue implacável. Juntos eles são imbatíveis, eles são completam, se entendem pelo menos era nisso que Fredrik acreditava. Certo dia Seraphina desaparece de sua vida, deixando para traz um rastro de morte e destruição, um rastro que o leva direto a Cassia. Fredrik sabe que o único modo de descobrir onde Seraphina está é usando Cassia para chegar até ela.  Só que conforme o tempo passa, e a moça é mantida como sua prisioneira, vai ficando cada vez mais difícil não se envolver com ela. E Fredrik sabe que para seu próprio bem e principalmente pelo bem de Cassia, ele não pode joga-la em seu mundo obscuro cheio de violência e dor. Mas nem sempre saber o certo, nos impede de fazer o “errado”.

Algo que precisa se ter em mente antes de começar a leitura de O Cisne e o Chacal é que você não encontrará em suas páginas uma bela história de amor. A própria J.A. Redmerski deixa isso bem claro, ao falar que essa sua série possui um enredo mais “pesado” e seus personagens não são nada convencionais.  E mesmo esse estilo de leitura não sendo um gênero que eu "consuma" muito, algo na série Companhia de Assassinos me conquistou. E acredito que foi justamente o fato de seus personagens fugirem de todos os estereótipos aos quais estou habituada a encontrar nos livros que leio.

O Fredrik é um personagem extremamente complexo e com graves transtornos psicológicos, e não nego que durante a leitura em vários momentos senti um certo “repúdio” pelo modo como ele conduz a situação. Só que por outro lado, conforme a autora vai revelando o passado do personagem você percebe que não tinha como ele ser diferente. A vida foi tão cruel com o Fredrik, que ele “precisou” aprender a ser cruel também para sobreviver a ela. E, diga-se de passagem, que a Seraphina não é muito diferente dele, eu diria até que ela é um pouquinho pior. E verdade seja dita aqui, não consegui me simpatizar nem com a Seraphina e muito menos com a Cassia.

É interessante acompanhar a trajetória das duas conforme a trama vai se desenvolvendo, principalmente por que uma é o completo oposto da outra. O que Seraphina tem de sanguinária, Cassia tem de submissa e o modo como a presença de cada uma impacta na vida do Fredrik é o que torna tudo ainda mais doloroso. Por que por mais perturbado e assustador que o Fredrik seja, é difícil em meio a todo caos que a vida dele foi e é, você não sentir um pouco de empatia pelo personagem e não torcer para ele ter um final “feliz”.  E nesse caso eu nem digo um feliz de “conto de fadas”, por que sei que para pessoas como o Fredrik isso não é possível. Mas algum tipo de redenção, para que ele encontre a paz e fique em paz com a vida e consigo mesmo.

J.A. Redmerski partiu meu coração em diversos momentos aqui, por que desde o começo é perceptível que o caminhada que Fredrik será cheia de dor e sofrimento, e isso dá a narrativa um toque de realidade enorme, por que infelizmente para algumas pessoas os dias sempre serão sombrios, mesmo que a gente torça pelo contrário, como eu fiz. Espero muito que a autora ainda traga essa redenção para o Fredrik. Que ele encontre de alguma forma a paz que tanto precisa na vida, por que mesmo com todos os seus problemas e sua sede de sangue quase incontrolável ele merece isso.

Gostei muito de rever a Sarai e o Victor (), mesmo eu ainda sentindo um pouco de raiva dele pelo o que ele fez no livro anterior. Admito que a minha “birra” com o Niklas diminuiu mais ainda não passou, porém foi bem legal ver a interação dele com a Sarai aqui. Acho que eles construíram aquele tipo de relação de “amor e ódio” em que um não hesitaria em dar a própria vida para proteger o outro, apesar das diferenças e magoas passadas. 

E esse é mais um ponto a favor da J.A. Redmerski, pois mesmo que O Cisne e o Chacal tenha uma trama em que o foco é o Fredrik a autora consegue dar uma boa abertura para os outros personagens na história. O que claro, me deixou ainda mais curiosa e ansiosa para ler os outros livros da série que no total conta com sete. Please, Suma de Letras não nos faça esperar tanto por eles aqui no Brasil.

“ Pessoas como eu e você...nós achamos que estamos escondendo nossa dor e a escuridão do resto do mundo, mas esquecemos que conseguimos ver tudo isso com clareza uns nos outros.”

O Cisne e o Chacal é uma leitura impactante que conta a história de uma pessoa que só conheceu a dor e a crueldade da vida. J.A. Redmerski nos leva por uma jornada tortuosa que ao final, nos deixa completamente devastados.  Um livro sombrio, digno de seu protagonista cheio de cicatrizes e coração atormentado. E eu ainda não desisti de você Fredrik. Recomendo!


Veja Também:
A Morte de Sarai.

outubro 19, 2015

O Retorno de Izabel por J.A. Redmerski

| Arquivado em: Resenhas.

ISBN: 9788581052960
Editora: Suma de Letras
Ano de Lançamento: 2015
Número de páginas: 232
Classificação: Ótimo
Onde Comprar: Submarino.
Sinopse: Na Companhia de Assassinos: Livro 02.
Determinada a levar o mesmo estilo de vida do assassino que a libertou do cativeiro, Sarai resolve sair sozinha em missão, com o propósito de matar o sádico e corrupto empresário Arthur Hamburg. No entanto, sem habilidades nem treinamento, os acontecimentos passam muito longe de sair como o planejado. Em perigo, Sarai nem acredita quando Victor Faust aparece para salvá-la — de novo. Apesar de irritado pelas atitudes inconsequentes dela, ele logo percebe que a garota não vai desistir de seus objetivos. Então não há outra opção para ele a não ser treiná-la. Com tamanha proximidade, para eles é impossível resistir à atração explosiva. Nem Victor nem Sarai podem disfarçar o que sentem, ou negar o desejo que os une. No entanto, depois de tantos anos de sofrimento e tantas cicatrizes emocionais, será que eles conseguirão lidar com um sentimento como amor? Só que Sarai — novamente na pele de Izabel Seyfried — ainda terá que passar por um último teste; um teste para provar se conseguirá viver ao lado de Victor, mas que, ao mesmo tempo, poderá fazê-la questionar os próprios sentimentos e tudo que sabe sobre esse homem.

N
ão costumo ler livros de séries na sequencia. Na verdade até gosto de dar um tempo entre um livro e outro para ver se sinto aquela “saudade” dos personagens. Porém ao contrário do que normalmente acontece, ao terminar A Morte de Sarai senti um tipo de necessidade louca para saber o que acontecia depois da frase final. Então ignorando por completo a minha meta de leitura de outubro, passei O Retorno de Izabel na frente. E mesmo com pequenos detalhes que não me agradaram tanto, ele se revelou uma leitura deliciosa e tão empolgante quanto o livro anterior.

Não sei se contém spoilers, por isso quem não quiser colocar a sua conta em risco, pode pular dois parágrafos.

Ao partir sem dizer adeus Victor Faust tinha esperanças que Sarai fosse reconstruir a sua vida. Mas, a única coisa que Sarai foi capaz de fazer depois que ele a deixou foi fingir e mentir para todos. Ela sabia que jamais conseguira levar uma vida normal, e tinha certeza que o único caminho a tomar seria seguir os passos do homem que a salvou, mesmo que ele não a quisesse por perto. Determinada ela decide volta a Los Angeles para matar o inescrupuloso empresário Arthur Hamburg. Sarai começa a traçar o seu plano para chegar até Arthur, e transforma isso em sua pequena missão especial. Porém, as coisas não saem como planejado.  E mais uma vez Victor aparece para salvar a sua vida.

Irritado com as atitudes inconsequentes de Sarai, mas não querendo perdê-la, Victor resolve finalmente ceder aos desejos dela e passa a treina-la para ser uma assassina. E apesar do perigo eminente que ronda a vida dos dois a proximidade a atração que um sente pelo outro fique a cada dia mais forte e irresistível. Mas, tanto Victor como Sarai possuem uma carga emocional pesada demais, que talvez tenham impossibilitado ambos de amar.  Quando o teste final de Sarai acontece ela tem só uma escolha, - ficar ou morrer. E se ela escolher a primeira vai ter que lidar não apenas como as consequências da sua decisão, mas com tudo o que ela e principalmente Victor significarão na sua vida.

O Retorno de Izabel começa exatamente no ponto em que a história parou em A Morte de Sarai. A narrativa continua com um ritmo frenético e envolvente do tipo que a cada final de capitulo você prende a respiração e fica com o coração na mão, como medo e ao mesmo tempo ansiosa para saber o que vai acontecer. Nesse segundo livro da série Na Companhia de Assassinos,  a autora J.A. Redmerski apresenta um enredo mais profundo, forte e cruel. Ela não apenas explora a dor e os fantasmas dos personagens de uma forma mais intensa, como também os deixa mais “humanos”.  E essa pequena mudança de foco na narrativa torna a transformação da relação entre Sarai e Victor, ainda mais intima e explosiva.

Ambos revelam traços de personalidade até então escondidos aqui, só que confesso que em muitos momentos as atitudes imprudentes (burradas mesmo), da Sarai me incomodaram bastante. Falando o português bem claro, em determinadas situações ela é insuportável se comportando pior do que uma “criança birrenta”. Sério, a minha vontade era de falar para ela; “Sarai amiga, pare! Apenas pare!”. Por outro lado Victor () começa a mostrar que por de traz de sua fachada fria e calculista, bate um coração que pode aprender a amar.

Porém, quem rouba a cena em O Retorno de Izabel é o Fredrik Gustavsson (). Ele é aquele típico personagem perigoso e enigmático que por mais que você tente, é impossível não gostar dele.  Além disso, ele se revela um personagem chave em muitos momentos decisivos na trama. Continuo tendo certa “birra”, com o Niklas,e  acho que a má impressão que ele me causou no primeiro livro vai ficar, apesar das atitudes “legais” que ele teve. É como se eu não conseguisse “confiar“ no Niklas, se é que vocês me entendem.

Mas, o ponto alto aqui é que a autora foi tão genial na construção da história e na forma como conduziu todos os fatos e os personagens, que em dois momentos em especial ela quase me matou do coração. E gente, eu não estou sendo fangirl. Ok! Talvez um pouquinho, mas a J.A. Redmerski merece o crédito, afinal ela é uma das poucas autoras que até hoje consegui me enganar direitinho. E eu nunca fiquei tão feliz por ter sido enganada descaradamente, por mais de duzentas páginas.

“Sarai e eu matamos por motivos diferentes, somos movidos por necessidades muito distintas, mas , no fim das contas, somos ambos assassinos, e sei que isso nunca vai mudar (...).”

Em O Retorno de Izabel, a autora J.A. Redmerski não apenas fugiu dos clichês, como criou uma trama  ainda mais sedutora, perigosa e surpreendente. Mal posso esperar para ler O Cisne e o Chacal.

Veja também:

outubro 08, 2015

A Morte de Sarai por J.A. Redmerski

| Arquivado em: Resenhas.

ISBN: 9788581052571
Editora: Suma de Letras
Ano de Lançamento: 2015
Número de páginas: 255
Classificação:
Onde Comprar: Submarino.
Sinopse: Na Companhia de Assassinos – Livro 01.
Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte. Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo.

Q
uem acompanha o blog há mais tempo, sabe que tenho preferência por leituras mais “leves”, ou que a violência não esteja assim tão “implícita”. Por esse motivo mesmo gostando muito da narrativa da autora J.A. Redmerski a principio não cheguei a me interessar pela nova série dela lançada por aqui, a Na Companhia de Assassinos. Porém fui lendo tantas resenhas positivas, tantos elogios, tanto amor envolvido por essa série e seus personagens que resolvi dar uma chance. E durante toda a leitura de A Morte de Sarai eu me fiz a seguinte pergunta: “Ane, por que você não leu esse livro antes?”.

A vida não foi lá muito justa com a Sarai. Levada pela própria mãe para o México e entregue a Javier Ruiz, um perigoso traficante de drogas e mulheres, ela teve todos os seus sonhos de um futuro normal destruído quando tinha somente quatorze anos. Durante nove anos tudo o que Sarai conheceu foi o deserto e a violência, já que essa estava por todos os lados. Mas, apesar de terror que ela presenciava todos os dias no complexo de Javier, Sarai nunca desistiu da ideia de um dia fugir daquele inferno. E quando a oportunidade finalmente surgiu, ela não pensou duas vezes e arriscou tudo colocando a sua vida nas mãos de um assassino frio e calculista, - Victor Faust.

Victor desde pequeno foi treinado para matar a sangue frio e a bloquear qualquer sentimento humano. Ele poderia ter facilmente se livrado de Sarai, mas algo naquela garota mexia com ele, além disso, obstáculos que foram surgindo no caminho o forçaram a mantê-la perto por mais tempo. Por tempo demais na verdade. Agora não apenas a sua missão estava em risco, como também a sua vida já que o seu comportamento atípico, pode não ser muito bem visto pelos membros da Ordem para qual trabalha. Fato esse que Niklas o seu contato faz questão de lembra-lo constantemente. Poderá Sarai ser a sentença de morte de Victor? Ou será ela uma porta para liberdade?

Poderia resumir esse livro em apenas uma palavra, - fantástico. Poderia também, simplesmente fazer o meu apelo, para que todos o leiam. Mas, como não gosto de parecer fangirl, vou citar os pontos que fazem de A Morte de Sarai esse livro tão incrível. O primeiro e o principal deles é o enredo. Pense em uma história que a cada capitulo te deixa com o coração na mão, como medo e ao mesmo tempo ansiosa para saber o que vai acontecer. A narrativa aqui possui um ritmo frenético e isso faz com que você se envolva a tal ponto com a história que é praticamente impossível largar o livro.

Eu já era fã da escrita da J.A. Redmerski, por ela ser “real”. Tipo a J.A. não é aquele tipo de autora que tenta suavizar os fatos, ela ao contrário não tem medo mostrar através dos seus personagens o lado mais “feio” e “cruel” da vida. Os livros dela não são bonitinhos. São fortes, em determinados momentos pesados, mas verdadeiros e é justamente isso que faz com que suas histórias e os personagens dela sejam tão fascinantes. Por que sim, aqui os personagens são um caso a parte.

Confesso que a principio odiei o Victor com todas as minhas forças. Ficava me perguntado do por que tanta gente gostar dele, até que quando me dei conta eu também tinha entrado para o fã clube de Victor Faust ().  O Victor é um personagem forte e extremamente complexo e isso o torna tão apaixonante. Gostei da Sarai em alguns momentos e fiquei com raiva dela em outros.  Na verdade durante toda a leitura eu fiquei nessa relação de amor e ódio com os protagonistas.

O único que ganhou meu “carinho” por assim dizer de imediato foi Fredrik Gustavsson () e em contra partida o personagem pelo qual eu peguei certa “birra” foi o Niklas.  Só que eu vou falar um pouco mais desses dois, em especial do Fredrik na resenha de O Retorno de Izabel, por que sim ignorei por completo a minha meta de leitura do mês e passei ele na frente de todo mundo. Me julguem mas, não tinha como ser diferente. A Morte de Sarai foi aquele livro que me deixou sem fôlego e me fez perder algumas horas de sono.  A autora J.A. Redmerski está cada vez mais ganhando um lugarzinho especial nesse meu coração de leitora.

“(...) Eu não sou seu herói. Não sou sua alma gêmea que jamais deixará que nada de ruim lhe aconteça. Sempre confie em seus instintos primeiro e em mim, se decidir confiar, por último.”

Imprevisível, intrigante e sedutor, A Morte de Sarai além de ser uma das minhas melhores leituras desse ano me deixou com aquele irresistível gostinho de quero mais. Só tenho um arrependimento, - o de não ter lido ele antes.

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