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09/01/2019

Um Dia de Dezembro por Josie Silver

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.





ISBN: 9788528623666
Editora: Bertrand Brasil
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 392
Classificação: Regular
Sinopse: Laurie não acredita em amor à primeira vista. Afinal de contas, a vida não é a cena de um filme romântico. Mas, então, em uma manhã de dezembro fria e com neve, o ônibus de dois andares em que voltava para casa para em um ponto. Ao olhar para baixo, ela o vê. Por um segundo transcendental, seus olhos se encontram... e então o ônibus começa a andar. Depois de muitos meses com a esperança de cruzar novamente com ele, Laurie acha que nunca mais verá o garoto do ônibus.  No entanto, um ano depois, em uma festa de Natal, sua melhor amiga, Sarah, apresenta o novo namorado, o grande amor de sua vida. Para seu profundo desespero e surpresa, ele é ninguém menos que o garoto do ônibus. Determinada a esquecê-lo, Laurie segue com sua vida. Mas e se o destino tiver outros planos?

A minha intenção era postar a resenha desse livro antes do Natal. Porém, Um Dia de Dezembro da autora Josie Silver, acabou se revelando uma leitura um pouco “complicada”. Por isso, achei melhor não escrever essa resenha no calor do momento e sim esperar alguns dias. Sim, tive problemas com a narrativa, com os protagonistas e confesso que foi por pouco, mais muito pouco mesmo que não abandonei a leitura.

Em um dia frio de dezembro às vésperas do Natal, Laurie está em um ônibus pensando em seus problemas quando em uma das paradas vê um rapaz. Laurie nunca foi do tipo de acreditar em amor à primeira vista, porém algo naquele rapaz parado ali no ponto de ônibus mexe com ela. É como se uma estranha e irresistível conexão entre os dois tivesse surgido naqueles poucos segundos. A jovem tem a sensação que encontrou o amor de sua vida e fica determinada a encontrá-lo novamente.

Um ano se passa, e por mais que Laurie tenha procurado seu grande amor por toda Londres, sua busca foi sem sucesso. Ela sabe que não faz mais sentido ficar procurando por alguém que ela viu por poucos segundos e decide que já passou da hora de seguir em frente e esquecer o rapaz. Durante a festa de Natal, Sarah a sua melhor amiga apresenta o novo namorado, Jack que para surpresa de Laurie é ninguém menos do que o rapaz do ponto de ônibus. Entre o amor de sua vida e a melhor amiga, Laurie decide esquecer qualquer sentimento que ainda possa ter por Jack e focar seus esforços em sua vida profissional.

Mas, conforme os anos se passam conviver com Jack e Sarah como um casal não torna a determinação de esquecer seu grande amor mais fácil. Entre encontros e desencontros Laurie, Jack e Sarah vão descobrindo as alegrias e tristezas que a vida adulta traz. E principalmente como um segundo, uma decisão pode mudar a sua vida para sempre.

Não é segredo para ninguém que não gosto de triângulos amorosos, porém como eles são praticamente inevitáveis nos romances, eu meio que consegui ignorar que a base da narrativa de Um Dia de Dezembro é um triângulo amoroso. O que eu não consegui ignorar foi a falta de carisma dos protagonistas e o lenga-lenga sem fim a que a história parecia estar condenada.

Outro ponto é que não acredito em paixão instantânea, então foi bem difícil engolir o fato de Laurie ter se apaixonado perdidamente, por alguém que ela viu por alguns segundos em um ponto de ônibus. Sério, fiquei mais de uma semana sem chegar perto do livro, porquê de verdade eu não me sentia conectada com a narrativa e com os personagens. O que me deixou com uma frustração enorme por que a escrita da Josie Silver em si é fluída.

Acredito que o problema da narrativa comigo, foi o modo como a autora construiu as personalidades dos personagens. Elas são tão contratantes que praticamente imploram para você escolher um lado da história. Enquanto Laurie passa praticamente todo o livro se lamentando em um estado de apatia constante, Sarah é alegre e divertida, do tipo que sabe o que quer e corre atrás de seus objetivos. Era muito mais interessante acompanhar a vida de Sarah do que a de Laurie.

Já o Jack não sei nem o que comentar (...). No começo eu até “simpatizei” com ele, mas conforme a narrativa avança ele tem tantas atitudes cretinas que admito em muitos momentos torci para que ele ficasse sozinho, por que era isso que ele merecia. Além disso, nenhum momento senti uma química verdadeira entre Laurie e Jack, o que por consequência tornou bem difícil enxergá-los como um casal. Outro ponto, foi que achei a presença de um personagem em especial perdida no meio de todo o drama que a autora criou.  A partir do ponto que ele aparece, você sabe que o coitado está ali para “tapar buraco” e que a sua participação não vai mudar em nada o desfecho na história. 

Um Dia de Dezembro possui todos os elementos que normalmente funcionam comigo em livros do gênero. Tanto que vi muitas pessoas comparando ele com Um Dia e Simplesmente Acontece. Porém mesmo eu não gostando de Um Dia como um todo, na época que li eu consegui sentir que apesar dos encontros e desencontros o casal principal combinava, que eles tinham um futuro juntos. Só que em momento algum, mesmo torcendo para estar errada eu senti que a relação de Laurie e Jack tinha futuro.

O pior de tudo isso é você perceber que a história tinha um potencial enorme de se tornar uma dos seus romances favoritos, mas acaba sendo um romance mediano. Em minha opinião Josie Silver “pecou” não somente em dar à narrativa um ritmo lento com capítulos em que nada de relevante acontecia, mas principalmente por ter “atropelado” o final.  Não nego que embora corrido, eu achei o final “fofinho”, mas assim no contexto geral da obra, infelizmente senti que ficou faltando alguma coisa.

“(...), na vida, sempre chegamos a um ponto em que temos que escolher a felicidade porque é cansativo demais ficar sempre triste.”

Não digo que Um Dia de Dezembro é um livro “ruim”. Talvez o problema é que eu posso ter lido ele em um momento errado, e por isso a história não funcionou muito bem comigo. Porém, não nego que durante toda a leitura fiquei esperando por aquele momento arrebatador, que deixasse meu coração mais quentinho e um sorriso bobo em meu rosto. Só que isso não aconteceu, o que realmente foi uma pena.

13/12/2018

No Ritmo do Amor por Brittainy C. Cherry

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788501113399
Editora: Record
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 336
Classificação: Bom
Sinopse: A linda e encantadora Jasmine Greene nasceu para brilhar. Cantora nata, ela cresceu sabendo que tinha vindo ao mundo para ser famosa, pois sua mãe — uma artista frustrada que concentrava na filha todas as suas expectativas — não a deixava se esquecer disso um minuto sequer. A vida da jovem de 16 anos se resume a estúdios, aulas de dança e canto e a inúmeros testes para ser o grande nome da música pop. Ela não tem tempo nem de ir à escola, é educada em casa e sofre com a rotina atribulada. Para Jasmine, o pior de tudo é não poder cantar soul, sua paixão. Mas ela não reclama, porque, na verdade, seu maior sonho é fazer com que a mãe tenha orgulho dela. Elliott Adams é uma alma atormentada. Para ele, cada dia é uma batalha a ser vencida. O rapaz tímido, humilde e franzino sofre bullying na escola por causa de sua aparência e por ser gago. Mas ele é mais forte do que imagina e encontrou em seu saxofone uma válvula de escape. Tira todas as suas forças dos acordes de Duke Ellington, Charlie Parker e Ella Fitzgerald, seus maiores ídolos. Quando Jasmine finalmente consegue a permissão da mãe para frequentar a escola pela primeira vez na vida, sente que ganhou na loteria. Adora estar cercada de pessoas da sua idade, que vivem os mesmos dilemas e questionamentos... ela só odeia ver o garoto mais encantador que já conheceu na vida sofrer na mão dos valentões e fará tudo o que estiver ao seu alcance para mostrar a Elliott que ele não está sozinho. Aos poucos, esses dois jovens sofredores irão descobrir que têm muito mais em comum do que o amor pela música. Mas será que vão superar as reviravoltas que o destino preparou para eles?

Nada como um bom romance água com açúcar para deixar nosso coração mais quentinho. E se tem uma autora que sabe como escrever histórias que nos deixam com um sorriso bobo no rosto, essa é a Brittainy C. Cherry. No Ritmo do Amor, possui todos os ingredientes que um bom fã de romance adora encontrar nos livros do gênero. Porém, o excesso de clichês e a falta de personagens bem desenvolvidos, fazem com que o livro tenha uma narrativa carregada de exageros e superficial.

Jasmine Greene passou a vida toda sendo preparada para o estrelato. Mesmo com a rotina puxada de aula de canto, dança e testes ela nunca se queixou da vida que tinha, afinal o seu maior sonho era que sua mãe se orgulhe dela. Depois de anos sendo educada em casa, Jasmine finalmente recebe a permissão para frequentar as aulas em um colégio como uma adolescente comum. Logo ela se torna uma das garotas mais populares atraindo a atenção de todos, incluindo a do tímido Elliott Adams.

Elliott ao contrário de Jasmine não é nada popular. Franzino e taxado como o esquisito do colégio, o humilde garoto é vítima constante de bullying, não somente por conta de sua aparência mas por ser gago. Só que o que poucas pessoas sabem que Elliott é um exímio saxofonistas, que tira de cada nota a força que precisa para superar seus dias difíceis no colégio. Quando Jasmine e Elliott se conhecem uma conexão quase que instantânea surge entre eles. Mas como duas pessoas tão diferentes podem ter tanto em comum?

Entre notas e melodias de jazz e soul, Jasmine e Elliott vão compondo a própria canção ao mesmo tempo em que a amizade juvenil dá espaço para o amor. Só que a vida tinha outros planos para os dois e uma mudança abrupta seguida de uma tragédia vai transformar suas vidas e seu relacionamento para sempre.

Em meu ponto de vista a grande falha em No Ritmo do Amor é o excesso de clichês que a narrativa possui. Fiquei com a sensação que a Brittainy C. Cherry quis dar a história um peso dramático trabalhando diversos elementos como: bullying, narcisismo materno, abuso sexual e violência, só que ao invés de se aprofundar nesses temas ela trabalhou tudo de modo muito apressado e vago. O que deixou a narrativa destoante em muitos momentos.

Jasmine é uma personagem que infelizmente não diz para o que veio na história. Desde o princípio é visível ver como ela permite que a mãe manipule cada aspecto de sua vida. Em diversas situações a garota age como se fosse somente uma “bonequinha de luxo” deixando com que a mãe e outras pessoas assumirem as rédeas de sua vida. De verdade eu estava esperando a grande reviravolta da personagem na história, pois em muitos momentos era perceptível que a autora estava preparando uma “grande mudança”. Só que o problema é que quando isso aconteceu, novamente foi de forma apressada e vaga. E sendo bem sincera, eu ao menos não consegui enxergar nenhuma evolução na personagem.

Gostei do Elliot e lamento muito, o fraco desenvolvimento do personagem e a forma com que as histórias que giram em torno dele foram mal aproveitadas. A trajetória dele tem toda uma base comovente e um acontecimento trágico que muda a sua vida para sempre. Porém, o modo como a autora descaracterizou a personalidade do personagem após esse acontecimento vez com a história ficasse meio sem sentido. O que é realmente um pena.

Brittainy C. Cherry é uma das minhas autoras favoritas, mas confesso que senti que em No Ritmo do Amor, ela “perdeu a mão” na hora de colocar suas ideias no papel. A história ficou tão exagerada e carregada de dramas que os personagens chegam a ser irritantes. O que sempre amei nos protagonistas da autora é o quão fortes e determinados eles são, mesmo nos piores momentos. Mas aqui, suas inseguranças deles chegam ao cúmulo do absurdo que só faz com que algumas situações forçadas e “ridículas”.

O que mais gostei em No Ritmo do Amor foi dos personagens secundários. TJ e Ray são aqueles personagens que se fossem pessoas reais eu ia querer guardar em um potinho de tão precisos. Laura a mãe de Elliot também é uma personagem incrível e que apesar de ter ganhado mais destaque no final da história, conseguiu me comover e me encantar com o seu imenso amor e bondade.

Ao final da leitura de No Ritmo do Amor, fiquei “satisfeita” o que encontrei, mas não nego que uma parte de mim ficou bem desapontada. Espero ter mais sorte com os próximos livros da autora.

“Você é a música em um mundo mudo, e meu coração bate porque você está aqui.”

Apesar de pecar em vários aspectos e ter sérios problemas em seu desenvolvimento, não posso negar que a escrita de Brittainy C. Cherry conseguiu me envolver e emocionar em alguns momentos. No Ritmo do Amor pode até não ser o melhor livro da autora, mas sem sombra de dúvidas mesmo com seus exageros entrega o que promete, - o típico romance água com açúcar.

10/12/2018

A Nuvem por Neal Shusterman

| Arquivado em: RESENHAS.





ISBN: 9788555340543
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 496
Classificação: Ótimo
Sinopse: Scythe – Livro 02.
No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade. Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar. Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?

Sempre que me perguntam qual foi o melhor livro que li em 2017, a minha resposta é: O Ceifador, primeiro livro da trilogia Scythe do autor Neal Shusterman. O Ceifador foi uma leitura marcante de várias formas, desde a sua narrativa inteligente e instigante com várias críticas a nossa sociedade. Por conta disso essa blogueira que vos escreve estava ao mesmo tempo ansiosa e receosa com A Nuvem, segundo livro da trilogia. Para minha felicidade embora não tenha me “impactado” tanto como a leitura do primeiro livro, A Nuvem se revelou uma leitura deliciosa e ao mesmo tempo cheia de boas surpresas.

Para quem não quiser correr o risco de spoilers pular quatro parágrafos.

Meses após o último Conclave da Ceifa os acontecimentos daquele dia ainda repercutem entre os Ceifadores. Citra Terranova não é mais uma aprendiz e sim a Honorável Ceifadora Anastássia, enquanto Rowan Damisch trabalha nas sombras com seu manto negro eliminando com a próprias mãos a corrupção que ele viu tão de perto correr os preceitos da Ceifa.

Observando tudo e a todos está a Nimbo Cúmulo, a inteligência artificial que governa o planeta, garantindo que toda a população viva em paz e tendo o necessário para sua sobrevivência. Só que a Nimbo Cúmulo não está feliz com que anda vendo acontecer dentro da Ceifa, porém por conta das leis que ela mesma criou não pode interferir diretamente na organização. Mas se ela, agir por meio de outra pessoa?

Greyson Tolliver é um adolescente solitário que vê a Nimbo Cúmulo como a sua única família. Ao ser recrutado para uma missão especial de forma indireta pela Nimbo, o jovem tem a sua pacata rotina virada de ponta cabeça. Marcado como infrator e fiel aos seus laços com a inteligência que governa o planeta, Greyson mergulha cada vez mais fundo no mar de intrigas e conspirações da Ceifa e com isso, colocando a sua própria vida em risco. Mas os planos de quem a Nimbo Cúmulo está tentando frustrar?

Enquanto o jovem Greyson trabalha nas sombras fazendo o que pode para impedir o pior, o retorno de um velho inimigo fará com que Citra e Rowan unam forças para salvar não apenas a Ceifa mais toda humanidade. Porém, será que a jovem ceifadora e um criminoso foragido vão ser capazes de destruir os terríveis planos que estão em andamento? Tinham os fundadores da Ceifa criado um plano de emergência para quando tudo estivesse ruindo? Em meio a intrigas políticas e jogos de poder, o mundo pacífico que a humanidade conquistou pode estar prestes a entrar em declínio outra vez.
 
Confesso que uma parte de mim esperava mais de A Nuvem. Embora a leitura ao final tenha causado o impacto desejado pelo autor e me deixado bem curiosa para saber o rumo que a história irá tomar no terceiro e último livro, não nego que eu esperava “um pouco mais”. Afinal, apesar A Nuvem sendo um ótimo livro, sua narrativa infelizmente não conseguiu manter o mesmo fôlego de O Ceifador.

Aqui vários elementos que funcionaram brilhantemente no primeiro livro acabaram não funcionando tão bem. Em muitos momentos tive a sensação que a narrativa meio que se “arrastava” fazendo com que o desenvolvimento da história ficasse mais lento. Outro ponto é que senti no caso do Rowan o personagem prometeu muito, mas entregou muito pouco tendo até, ao mesmo em minha opinião uma participação um tanto quanto apática.

Por outro lado foi gratificante ver a evolução da Citra na história. Apesar de suas ações terem a transformando em alvo tanto de admiração como de maquinações políticas, a jovem Ceifadora desempenha seu papel com compaixão sendo fiel aos preceitos mais antigos da Ceifa. O mais interessante nessa evolução da Citra é perceber que mesmo assumindo com maestria o seu novo papel no mundo, a jovem não perdeu a sua essência questionadora e obstinada. Citra continua fazem o que acredita ser o certo, mesmo quando todas as circunstâncias estão contra ela.

Gostei muito da inserção do Greyson na narrativa, pois isso trouxe a narrativa uma perspectiva diferente e interessante. Se em O Ceifador só tínhamos uma visão no mundo controlado pela Nimbo Cúmulo do ponto vista dos ceifadores, em A Nuvem é possível conhecer essa nova realidade pelo ponto de vista de uma “pessoa comum”. Além disso, o Greyson é aquele tipo de personagem bastante enigmático não tanto por sua personalidade e sim por que não fica muito claro, o papel que ele tem ou terá na história.

Em A Nuvem, Neal Shusterman deu um foco mais político a narrativa e com isso tornando a participação da Nimbo Cúmulo bem mais expressiva. Se no primeiro livro ela desempenha um papel mais de narradora, aqui ela ganhou ares de protagonista. Admito que os meus sentimentos em relação a Nimbo são bem conflitantes, porque ao mesmo tempo que vejo muita compaixão e sabedoria nela, vejo algo obscuro e bem assustador.

“Um chefe de Estado arrogante permite todas as formas de ódio desde que alimentem a sua ambição. E a triste verdade é que as pessoas engolem isso. A sociedade se devora e apodrece. A permissividade é o cadáver inchado da liberdade.”

A Nuvem pode não ter me arrebatado tanto como O Ceifador, mas está longe de ter sido uma decepção. Neal Shusterman soube como surpreender nos momentos certos, tornando a leitura um misto de sentimentos que iam da descrença ao choque. Em várias situações eu me vi dizendo: “- *palavrão*! Não posso acreditar que isso está acontecendo!”. Foram momentos que me deixaram de queixo no chão e coração partido. Mal posso esperar para ver o que Neal Shusterman reservou para o final da trilogia. 

Veja Também:

15/11/2018

Coração-Granada por João Doederlein

 | Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788584391219
Editora: Paralela
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 198
Classificação:
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Sinopse: Combinando novos ressignificados e poemas, @akapoeta apresenta textos de sensibilidade e poesia. Segundo o autor, o amor (correspondido ou não) mexe com nossa alma e nosso corpo. A ansiedade, quando nos toma de assalto, também. Outro ponto em comum: os dois fizeram e continuam fazendo artistas de todos os tipos produzirem criações capazes de gerar reflexão e também de dar sentido ao que, muitas vezes, parecia já não ter. É o caso de @akapoeta, pseudônimo de João Doederlein, neste seu segundo livro. Nele, o escritor fala de paixões e crises de ansiedade e da relação entre ambas, com a mesma delicadeza que transformou a sua obra de estreia, 'O livro dos ressignificados'.

Não sei vocês, mas essa blogueira que vos escreve tem o hábito de folhear os livros antes de começar a leitura propriamente dita. Sim, sei dos riscos de pegar spoilers, porém às vezes é um risco que vale a pena como foi o caso de Coração-Granada do autor João Doederlein. Sinceramente eu não conhecia o trabalho dele e por conta disso não fazia a menor ideia do que se tratava a obra. Só ao folhear o livro acabei me deparando com uma poesia sobre a ansiedade e aquelas palavras me tocaram tanto que eu pausei a leitura de A Nuvem para ler Coração-Granada.

Eu particularmente sempre amei poesias. Gosto como alguns autores conseguem de uma forma simples e ao mesmo tempo profunda colocar muitas vezes em poucas palavras uma imensidão de emoções e sentimentos.  Porque eu de alguma forma não apenas me identifico com suas palavras, mas principalmente em muitos momentos só consigo expressar meus sentimentos em toda sua confusão e totalidade através da escrita.

“Tenho tantas cicatrizes em minha alma que ela mais parece um quadro pintado por Pablo Picasso em um dia de chuva e muita tristeza.  Você não imagina a bagunça. É bonita, mas assusta.”

Conforme lia Coração-Granada a sensação que eu tinha era de ser abraçada. Sabe quando um desconhecido parece conseguir te entender melhor do que seus amigos e as pessoas que convivem diariamente com você? Foi assim que eu me senti durante a leitura. Afinal, quantas vezes já ouvi que não tenho motivos para ter ansiedade ou que preciso deixar de ser ansiosa, como seu fosse uma chave que eu pudesse ligar e desligar em minha mente.

Me senti abraçada, porque mesmo que em alguns dias tudo seja um caos em minha vida, de alguma forma eu não estou nesse caos sozinha. De diferentes formas, modos, rostos e motivos outras pessoas se sentem como eu. Sozinhas entre amigos e muitas vezes vendo as pessoas que amam se afastar porque não sabem como lidar com a sombra que ansiedade lança sobre nós, ansiosos.

É perceber que não só sou eu que em alguns dias precisa de uma força extra para sair da cama e que esconde atrás de um sorriso contido uma tristeza que vem do nada, mas que significa tudo. Porque a verdade é que tudo fica menos complicado e pesado quando você aceita a ansiedade como parte de sua vida ao invés de tentar expulsá-la quando ela aparece.

“Ansiedade é imaginar diálogos que não vão acontecer. Ansiedade é imaginar o momento em que tudo dará errado toda vez que algo começa a dar certo.”

Coração-Granada foi um acalento para esse meu coração ansioso. Foi conversar com um velho amigo que por mais que não entenda como eu me sinto, não me julga, não me condena só escuta, me abraça e diz que vai ficar tudo bem.

08/11/2018

Namorado de Aluguel por Kasie West

 | Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788576864356
Editora: Verus
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 250
Classificação: Bom
Sinopse: Quando Bradley, o namorado de Gia Montgomery, termina com ela no estacionamento do baile de formatura, ela precisa pensar rápido. Afinal, ela vem falando dele para suas amigas há meses. Esta era para ser a noite em que ela provaria que ele não é uma invenção de sua cabeça. Então, quando vê um garoto esperando pela irmã no estacionamento do baile, Gia o recruta para ajudá-la. A tarefa é simples: passar por namorado dela — apenas duas horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas. Depois disso, ela pode tentar reconquistar o verdadeiro Bradley.  O problema é que, alguns dias depois do baile, não é em Bradley que Gia está pensando, mas no substituto. Aquele cujo nome ela nem sabe. Mas localizá-lo não significa que o relacionamento de mentira deles acabou. Gia deve um favor a esse cara, e a irmã dele tem a solução perfeita: a festa de formatura da ex-namorada dele — apenas três horas, nenhum compromisso, algumas mentirinhas.  E, justamente quando Gia começa a se perguntar se pode transformar seu namorado falso em real, Bradley reaparece, expondo sua farsa e ameaçando destruir suas amizades e seu novo relacionamento. Inteligente e maravilhosamente romântico, Namorado de aluguel retrata a jornada inesperada de uma garota para encontrar o amor — e possivelmente até a si mesma.

Depois de tanto drama, essa blogueira que vos escreve precisava urgentemente de uma leitura leve e bem clichê para dar aquela aquecida no coração. E como eu já tinha gostado bastante da narrativa da autora Kasie West na duologia Encruzilhada e estava há algum tempo querendo ler Namorado de Aluguel, ele me pareceu a escolha perfeita. Afinal, nada como um romance gracinha típico de Sessão da Tarde para nos fazer sentir melhor, não é mesmo?

À primeira vista a vida de Gia Montgomery. Ela é uma das garotas mais populares do colégio, tem pais perfeitos, as melhores amigas do mundo e um namorado completamente apaixonado. Porém, a realidade não é bem essa. Para começar suas amigas desconfiam que Bradley, seu namorado na verdade não existe e que tudo não passa de invenção de Gia para ela parecer mais descolada. Por isso, o baile de formatura o colégio é a oportunidade perfeita para Gia apresentar Bradley para as suas amigas, eliminando de uma por todas as suspeitas que elas têm. Tudo estava indo conforme os planos, até que do nada Bradley termina com Gia no estacionamento do baile.

Arrasada e sem saber como contar a verdade para as suas amigas com medo que elas acabassem achando que Gia estava mentindo o tempo todo sobre Bradley. Gia está sozinha e desesperada no estacionamento quando a solução dos seus problemas aparece. Ela percebe que não está tão sozinha no estacionamento como imaginava pois, a sua frente se encontra um rapaz mais ou menos da sua idade lendo dentro do carro. Quem estaria àquela hora lendo dentro de um carro quando ao lado acontece um baile de formatura? Ela então reúne toda a sua dignidade e cara de pau e diz para o garoto que ele será seu acompanhante no baile, um espécie de Bradley substituto para que suas amigas não achem que ela estava mentindo sobre o namorado esse tempo todo.

O problema é que mesmo após o baile Gia não consegue esquecer o garoto que a salvou, e o pior ela não sabe nem o nome verdadeiro dele. Mas, por um acaso do destino os dois se reencontram e dessa vez é Gia que irá interpretar o papel de namorada, retribuindo assim o favor que o desconhecido a fez na noite do baile. Só que até que ponto ambos estão interpretando seus sentimentos? E pode um relação que começou com uma “mentirinha inocente”, se transformar em algo real e verdadeiro? Em buscas dessas respostas, Gia embarca em uma jornada que a levará a enfrentar verdades sobre si mesma e sua vida perfeita.

Namorado de Aluguel possui uma narrativa bem clichê e até mesmo superficial especialmente quando levamos em conta a construção dos personagens. É perceptível que a intenção de Kasie West foi criar uma romance leve e despretensioso em que o únicos dramas presente são os “típicos” dramas comuns na adolescência. Porém, apesar da falta de profundidade da narrativa como um todo, nas entrelinhas a autora consegue fazer uma crítica sobre a necessidade de aceitação que não somente os adolescentes, mas que muitos adultos também sofrem especialmente com o uso contínuo das redes sociais.

Confesso que há princípio foi difícil me conectar com a Gia, pois a primeira vista suas atitudes são irritantes e bem fúteis. Não que ao final do livro eu e ela tenhamos nos tornado “melhores amigas”, porém conforme a narrativa foi avançando eu consegui entender que as atitudes da Gia eram motivadas pelo ideal de “perfeição” com o qual ela foi criada.  E é interessante perceber que a partir do momento em que Gia tem um choque de realidade e passa a se relacionar com pessoas fora do seu círculo de amizade o quanto ela revê suas atitudes e amadurece.

Também não consegui me sentir conectada com as melhores amigas da Gia e não sei se isso se deve ao fato delas serem tão fúteis como a protagonista, ou o fato da autora não ter explorado melhor a partição delas na história. Na verdade essa é uma das grandes falhas que a narrativa apresenta. Kasie West focou tanto a narrativa nos dramas da Gia, que “esqueceu” de dar profundidade aos demais personagens. Gostei bastante da Rebecca, porém a história dela ficou no vácuo como se a única utilidade da personagem da história fosse servir de “amiga substituta” para Gia. Além disso, o romance entre Gia e o Hayden aka Bradley substituto apesar de ter alguns momentos bonitinhos é raso e pouco convivente.

Como comentei no começo da resenha, Namorado de Aluguel possui uma história bem estilo Sessão da Tarde, mas que mesmo pecando pela falta de “profundidade”, consegue entreter e entregar o que promete: um romance fofinho e clichê. Para quem está em busca uma leitura mais leve, a história de Gia e Hayden pode ser uma boa opção.

“Pelo menos sabemos o que realmente pensamos antes de postar nossos pensamentos e deixar outras pessoas nos dizerem se eles são importantes ou não?”

Namorado de Aluguel é uma leitura rápida e que eu indico para aquelas tardes preguiçosas de domingo. Vai deixar seu coração mais quentinho, desde que você não crie muitas expectativas em relação a história e os personagens, porque infelizmente para quem busca ou gosta de narrativas mais complexas e maduras pode acabar se decepcionando.

01/11/2018

Tudo Aquilo que nos Separa por Rosie Walsh

 | Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788501113771
Editora: Record
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 336
Classificação: Ótimo.
Sinopse: Imagine a seguinte situação: você conhece um homem, vocês passam sete dias maravilhosos juntos, e você fica apaixonada. E o que é melhor: o sentimento é recíproco. Você nunca teve tanta certeza de algo na vida. Então, quando ele parte numa viagem de férias agendada há muito tempo e promete te ligar para o aeroporto, você não tem nenhum motivo para duvidar disso. Mas ele não liga. Seus amigos dizem que você deve desencanar, que deve esquecer o cara, mas você sabe que eles estão errados. Eles não sabem de nada. Algo de ruim deve ter acontecido, deve haver um motivo sério para explicar o silêncio dele. O que você faz quando finalmente descobre que tem razão? Que existe um motivo ― e que esse motivo é a única coisa que vocês não compartilharam um com o outro? A verdade.

Assim que li a sinopse de Tudo Aquilo que nos Separa da autora Rosie Walsh pensei: “Preciso ler esse livro.”. Porém, por mais instigante que a sinopse se mostre ela não nos prepara para o que vamos encontrar de fato nas páginas desse livro, que sem sombra de dúvidas se revelou uma belíssima surpresa literária.  Com uma sensibilidade incrível, Rosie Walsh nos presenteia com uma narrativa que mescla drama, romance, suspense com personagens tão humanos que nos envolvem em suas histórias logo nos primeiros capítulos.

Há dezenove anos Sarah Mackey tenta superar uma terrível perda, e com todos os danos e consequências emocionais que essa perda causou e ainda causa em sua vida. A dor foi tanta que ela decide deixar para trás a sua família em Gloucestershire na Inglaterra e recomeçar em Los Angeles, longe de tudo e de todos que conhecem o seu passado. E ela consegue de certa forma reconstruir a sua vida. Sarah se casa com Reuben e juntos eles criam uma ONG de palhaços-doutores. Só que por mais que Sarah tenha se afastado de tudo o que lhe causava dor e sofrimento a ferida nunca cicatrizou direito.

Recém divorciada Sarah repete o ritual que faz todos anos, volta ao lugar em que seu mundo desmoronou. Porém, dessa vez é diferente porque Eddie David está lá. O charmoso e misterioso Eddie. Uma atração praticamente instantânea surgir entre eles, e pela primeira vez na vida Sarah consegue esquecer todas as suas dores e viver os sete dias mais incríveis de sua vida. Sarah se apaixonada por Eddie e ele retribui todos os seus sentimentos com a mesma força e intensidade.

Mas, Sarah e Eddie não podem ficar para sempre no refúgio seguro que ambos criaram. Ele está com uma viagem marcada para a Espanha e ela por sua vez tem compromissos em Londres antes de voltar para casa em Los Angeles. Porém, eles sabem que será impossível viver um longe do outro depois dos sete dias mais lindos que passaram juntos. Eles combinam de se encontrar depois de seus compromissos para pensar em uma forma do relacionamento dar certo mesmo com o cada um morando em um continente. Eddie promete ligar para Sarah, mas não liga.

A verdade é que Eddie some do mapa, deixando Sarah desesperada sem saber o que aconteceu com ele. Quando Sarah compartilha seus medos com seus amigos Tommy e Jo os dois acreditam que para Eddie a amiga só foi um caso de verão. Só que Sarah sabe que foi mais que isso e começa uma verdadeira busca por ele. E essa busca vai levá-la a de volta ao passado doloroso que ela infelizmente nunca conseguiu esquecer, reabrindo feridas e transformando a sua vida e todos os envolvidos para sempre.

Tudo que Aquilo que nos Separa possui uma narrativa linear e até certo ponto bem realista. Rosie Walsh traz um retrato fiel e cru de como acontecimentos dolorosos causam consequências que perduram por toda uma vida. E a autora consegue isso sem criar um enredo mirabolante cheio de reviravoltas e momentos chocantes. É tudo muito natural, até mesmo a “pegadinha de mal gosto” do destino que temos aqui.

Sarah e Eddie cada um ao seu modo passaram a vida toda se anulando e abrindo mão da própria felicidade pelo bem daqueles que amam. E essa abnegação e altruísmo os tornam pessoas maravilhosas. Cheias de defeitos é claro como todo o ser humano, mas essa capacidade de se deixar de lado para ver outra pessoa feliz, faz deles pessoas muitos especiais. Afinal, quantas pessoas conhecemos que são capazes de deixar a própria felicidade de lado por amor a outra pessoa?

Outro ponto positivo aqui é que enquanto a autora foi construindo a história de Eddie e Sarah ela também foi desenvolvendo a história dos personagens secundários. Com isso eles deixaram em vários momentos o papel de coadjuvantes para serem os protagonistas na narrativa também. A história do Tommy e da Jo, assim como da Jenni e do Javier desempenham um papel importante no ritmo da narrativa. Isso que não posso deixar de mencionar o peso dramático que a Carole, mão do Eddie traz para a trama. A Carole é aquela personagem que por mais que as atitudes dela parecem “mesquinhas e egoístas”, você não consegue ter raiva dela, porque no fundo se questiona se também não agiria da mesma forma.

Só que infelizmente nem tudo são flores nessa vida literária. Senti que faltou a autora ter explorado melhor a reaproximação de dois personagens na narrativa. Esse ponto em minha opinião era um dos mais importantes na história e passou completamente batido. Além disso, fiquei com a sensação que o final foi corrido demais. Rosie Walsh “pecou” um pouco na ausência de detalhes, detalhes esse que com certeza que fariam toda a diferença e fizeram muita falta no desfecho da obra.

“... é possível passarmos semanas, meses, até anos, apenas empurrando a vida, sem nada acontecer, e de repente, no intervalo de algumas horas, o roteiro de nossa existência ser completamente reescrito.”

Tudo Aquilo que nos Separa é um livro para se ler de coração aberto e estar preparado para tê-lo quebrado em vários pedacinhos. Rosie Walsh escreveu uma história dolorosa e ao mesmo tempo belíssima, sobre perdas, sacrifícios, perdão e amor.

25/10/2018

Correndo Descalça por Amy Harmon.

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.




ISBN: 9788576866879
Editora: Verus
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 349
Classificação: Ótimo.
Sinopse: Quando Josie Jensen, uma desajeitada menina prodígio da música, conhece Samuel Yates, um garoto confuso e revoltado descendente dos índios Navajos, uma amizade improvável floresce. Apesar de ser cinco anos mais nova, Josie ensina a Samuel sobre palavras, música, sonhos, e, com o tempo, eles formam um forte vínculo de amizade. Após se formar no colégio, Samuel abandona a cidadezinha onde vivem em busca de um futuro, deixando sua jovem amiga com o coração partido. Muitos anos depois, quando Samuel retorna, percebe que Josie necessita exatamente das coisas que ela lhe oferecera na adolescência. É a vez de Samuel ensinar a Josie sobre a vida e o amor e guiá-la para que ela encontre seu rumo, sua felicidade. Profundamente romântico, Correndo Descalça é a história de uma garota do interior e um garoto indígena, sobre os laços que os ligam a suas casas e famílias e sobre o amor que lhes dá asas para voar.

S
empre li resenhas positivas dos livros da autora Amy Harmon, porém somente com o lançamento de Correndo Descalça tive finalmente a oportunidade de conhecer o estilo de escrita da autora. Não é segredo para ninguém que acompanha o blog a mais tempo que essa blogueira que vos escreve adora um bom drama. E se esse drama vier acompanhado de uma pitadinha de romance é melhor ainda.  E Correndo Descalça é exatamente esse tipo de livro, em que a autora mescla com maestria os dramas do dia a dia com um romance sutil e belo.

Josie Jo Jensen desde muito jovem precisou aprender a lidar com perdas. Aos nove anos depois de perder a sua mãe, ela assume para si a responsabilidade de cuidar do pai e dos irmãos e com isso deixando cedo demais a infância para trás. Por um bom tempo o seu único refúgio são os livros, até que a chegada do casal Sonja e Doc a pequena cidade de Levan traz uma nova e inesperada mudança em sua vida. Com Sonja, Josie descobre uma nova paixão, a música. Josie passa a ter aulas de piano e entre as suas histórias e composições favoritas ela cresce e se torna uma adolescente solitária.

Mas, em uma manhã como outra qualquer, Josie conhece alguém mais deslocado e solitário que ela, Samuel Yates. Samuel é decente dos índios navajos e precisa lidar constantemente com o bullying no colégio e com a desconfiança de alguns moradores da pequena cidade que o vêm como um garoto problema. Uma amizade entre duas pessoas tão diferentes à primeira vista parece totalmente improvável, porém entre clássicos da literatura e da música, Josie passa a compartilhar com Samuel seus sonhos ao mesmo tempo em que ensina para ele o poder das palavras.

E através dessa convivência um sentimento mais forte acaba nascendo entre eles. Só que ambos são muito jovens para viver uma história de amor Samuel decide seguir seu caminho longe de Josie, que por sua vez se vê novamente precisando lidar com novas e dolorosas reviravoltas que a vida lhe reserva.

Anos de passam e quando eles de reencontram, Josie não é nem a sombra da pessoa que Samuel conheceu. Nem mesmo a música que tanto Josie amou no passado parece oferecer algum consolo para a dor que tomou conta de seu coração. E agora é a vez Samuel ensiná-la a ver a vida com outros olhos e principalmente a se permitir a amar e ser amada novamente.

Confesso que comecei a leitura de Correndo Sozinha sem saber muito ao certo o que iria e o que eu queria encontrar. Queria um livro que me emocionasse? Sim. Um livro que me deixasse encantada com um belo romance? Também. Mas, para minha felicidade Correndo Descalça não apenas conseguiu atingir esses dois objetivos, como foi um pouco mais além disso. Pois, conforme a leitura ia avançando, me via cada vez mais envolvida com as pequenas sutilezas contidas na narrativa e principalmente, com a sensibilidade como a autora desenvolveu a narrativa e seus personagens.

Em muitos momentos me identifiquei com a Josie, não só porque assim como ela, eu encontro nos livros e na música um porto seguro, mas pelo fato de ter precisado deixar a infância e até mesmo a adolescência cedo demais para cuidar dos outros. Eu conseguia compreender a solidão “auto imposta” da personagem, e o medo que suas atitudes acabassem por magoar as pessoas que ela ama.

Já com o Samuel eu tive não uma relação de amor e ódio propriamente dita, só que não nego que meus sentimentos pelo personagem em muitos momentos foram bem conflitantes. Tipo, eu conseguia entender a necessidade dele proteger a Josie e mostrar o seu valor, porém às vezes a forma como ela faz isso é muito dura e até mesmo um pouquinho “insensível”. Porém, é justamente a forma como o romance entre ele a Josie foi construído que tornar Correndo Descalça uma leitura tão sensível. Aqui vemos como a amizade simples e descomplicada de adolescência se transforma em um amor que sobrevive há anos de distância.

Os personagens secundários embora não tenham uma participação muito ativa também desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento da narrativa, em especial a Sonja e o pai da Josie. Eles se mantiveram ao lado da Josie nos momentos mais difíceis e cada um ao seu modo a ajudou a sobreviver não só a perda de pessoas queridas, mas de sonhos e oportunidades perdidas.

Gostei bastante como a Amy Harmon trabalhou os temas religião e espiritualidade também. Em nenhum momento isso deixou a narrativa pesada, pelo contrário contribuiu para aumentar ainda mais a sensibilidade do enredo. A minha única ressalva aqui é que senti que o final ficou um pouco “atropelado”, como se autora estivesse com pressa ou não soubesse direito como finalizar a história. 

“Algumas coisas não podem ser explicadas ou compartilhadas, porque perdem o brilho quando são passadas adiante.”

Correndo Descalça possui uma história muito sensível e emocionante e que ao mesmo tempo em que nos leva a refletir sobre as nossas dores. Amy Harmon construiu um romance terno e bonito, que apesar de todos os reveses se manteve forte em meio a fragilidade da vida.

22/08/2018

Ele por Elle Kennedy e Sarina Bowen

| Arquivado em: RESENHAS.



ISBN: 9788584391202
Editora: Paralela
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 256
Classificação: Muito Bom
Sinopse: James Canning nunca descobriu como perdeu seu melhor e mais próximo amigo.Quatro anos atrás, seu tatuado, destemido e impulsivo companheiro desde a infância simplesmente cortou contato. O maior arrependimento de Ryan Wesley é ter convencido seu amigo extremamente hétero a participar de uma aposta que testou os limites da amizade deles. Agora, prestes a se enfrentarem nos times de hóquei da faculdade, ele finalmente terá a oportunidade de se desculpar. Mas, só de olhar para o seu antigo crush, Wes percebe que ainda não conseguiu superar sua paixão adolescente. Jamie esperou bastante tempo pelas respostas sobre o que aconteceu com seu relacionamento com Wes, mas, ao se reencontrarem, surgem ainda mais dúvidas. Uma noite de sexo pode estragar uma amizade? Essa e outras questões sobre si mesmos vão ter que ser respondidas quando Wesley e Jamie se veem como treinadores no mesmo acampamento de hóquei.

Embora Elle Kennedy seja uma das minhas autoras queridinhas quando o assunto são livros do gênero new adult, Ele foi a minha primeira experiência com livros LGBT com essa conotação mais adulta. Co-escrito com a autora Sarina Bowen, Ele possui uma narrativa fluida e personagens apaixonantes, o que torna a história ainda mais envolvente e gostosa de se acompanhar. Mas, (Ane e seus mas) não posso deixar de confessar que tenho sentimentos conflitantes a respeito da obra.

Ryan Wesley e James Canning costumavam ser amigos inseparáveis, até que um dia sem nenhum motivo aparente Wes cortar completamente o contato entre eles. O que James não pode imaginar é que Wes agiu movido pela culpa de ter “forçado” o seu amigo a participar de uma aposta que colocou a amizade deles em jogo. Agora depois de quatro longos anos de silêncio, os dois estão prestes a se reencontrar o que para Wes é a oportunidade perfeita para se desculpar pelo que fez no passado.

O problema é que Wes, continua apaixonado por Jamie e esse reencontro promete fortes emoções. Afinal, Jamie esperou anos para descobrir o que tinha motivado o melhor amigo a cortar as relações com ele. Porém, a conversa que era para esclarecer as dúvidas que Jamie tinha acaba deixando ele ainda mais confuso.

Quando Jamie se deixa levar pelo calor do momento e Wes não consegue mais esconder seus sentimentos pelo amigo. Poderá uma noite de sexo acabar com o que restou na amizade de Jamie e Wes. Conforme o verão passa os dois embarcam juntos em uma jornada de autodescobrimento que ao final pode os levar a descobrir verdades sobre si mesmos que eles jamais imaginaram.

Essa que vos escreve, estava sofrendo de uma terrível ressaca literária. Por isso ao escolher Ele como leitura eu realmente esperava encontrar um romance clichê, daqueles que você lê em uma tarde preguiçosa de domingo. E foi exatamente isso que encontrei, porém não posso deixar de comentar que em muitos momentos senti falta de “história” propriamente dita.

A narrativa de Elle Kennedy conseguiu em muitos momentos me emocionar durante a leitura da série Amores Improváveis, mas nessa parceria com a Sarina Bowen parece que as preliminares, por assim dizer foram “esquecidas “, reduzindo a narrativa em uma cena de sexo após outra. E isso me incomodou por que passou a sensação que as autora objetivaram demais o relacionamento homoafetivo, partindo da premissa que a base desse tipo de relacionamento é só “pegação”. E tipo não é, afinal nenhum relacionamento é feito apenas de sexo, mas de companheirismo e obviamente, - amor.

Que fique claro que eu gostei do livro, afinal eu amo um bom clichê. Além disso, Wes e Jamie são personagens maravilhosos, do tipo que você quer guardar em um potinho e cuidar pelo resto da vida. Só que sem sombra de dúvidas eu teria me apaixonado ainda mais por eles e automaticamente pela história, se durante a construção do enredo as autoras tivessem tido esse cuidado de realmente desenvolver um relacionamento em que fosse possível identificar aquele momento único em que o amor entre Wes e Jamie surgiu.

O fato de tudo acontecer rápido demais, (algo que me incomoda em qualquer livro) e as autoras deixarem a parte interessante do relacionamento protagonistas, aquela que nos deixa com o coração quentinho para os capítulos finais faz com que a narrativa soe pouco rasa também. Outro ponto é que se tratando de um romance homoafetivo, a abordagem dada ao preconceito sofrido pelos personagens aqui foi superficial e nem pode ser considerado um debate saudável, já que tudo se resume a um “piti” de um personagem pequeno e secundário.

Volto a dizer que sim, gostei muito do livro e me apeguei bastante ao Wes e ao Jamie e talvez justamente por isso os meus sentimentos em relação a Ele sejam tão conflitantes. Afinal, por mais que eu tenha encontrado um bom clichê aqui e me envolvido de um modo gostoso com a história, infelizmente não posso fechar os olhos para as falhas que a narrativa teve em sua construção. Elle Kennedy e Sarina Bowen acertaram em cheio ao criar uma história de sensual e erótica entre dois homens, mas esqueceram de colocar aquela pitadinha de açúcar para transformá-la no romance que pretendiam.

“Você é o rei das más ideias”, ele lembra. “Pelo menos essa termina com nós dois felizes.”

Para quem busca uma história clichê, mas como ingredientes diferentes das narrativas “tradicionais”, Ele se apresenta com uma opção de leitura fluida e cativante que nos conquista logo nas primeiras páginas. Pode estar longe de ser o “romance perfeito”, mas ainda assim é o tipo que nos deixa com um sorriso bobo no final.

23/07/2018

Em Outra Vida, Talvez? por Taylor Jenkins Reid.

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788501109705
Editora: Record
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 322
Classificação: Ótimo
Onde Comprar
Sinopse: Hannah está perdida. Aos 29 anos, ainda não decidiu que rumo dar à sua vida. Depois de uma decepção amorosa, ela volta para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente vai conseguir colocar a vida nos trilhos. Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E lá Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? Em realidades alternativas, Hannah vive as duas decisões. E, no desenrolar desses universos paralelos, sua vida segue rumos completamente diferentes. Será que tudo o que vivemos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que almas gêmeas realmente existem? Hannah acredita que sim. E, nos dois mundos, ela acha que encontrou a sua.

Assim que li a sinopse de Em Outra Vida, Talvez? da autora Taylor Jenkins Reid fiquei curiosa com a premissa da história. Afinal quem nunca se perguntou como sua vida estaria se tivesse feito outras escolhas? Confesso que eu estava esperando uma comédia clichê totalmente previsível do começo ao fim, porém para minha felicidade fui surpreendida não apenas como uma narrativa deliciosa mas com uma história que podia acontecer com qualquer um de nós de tão dolorosa, divertida e real.

Hannah Martin vive pulando de cidade em cidade tentando se encaixar e encontrar o seu lugar no mundo. Mas, após sofrer a maior decepção amoroso de sua vida, ela resolve voltar para sua cidade natal, Los Angeles. Hannah acredita que com a sua melhor amiga Gabby ao seu lado, ela finalmente vai conseguir encontrar um sentido para vida e colocá-la nos trilhos. E nada melhor do que uma festa de boas-vindas para fazer com que a gente se sinta em casa, não é mesmo?

Então Gabby tem a ideia de reunir os velhos amigos dos tempos de colégio em um bar, incluindo Ethan o ex-namorado de Hannah. Só que no meio da festa Gabby e seu marido Mark precisam voltar para casa mais cedo e Hannah precisa escolher se volta com eles, ou se fica um pouco mais com Ethan. E como tudo na vida tem dois lados, a escolha que Hannah fizer vai mudar a sua vida para sempre.

Não vou dar mais detalhes sobre o enredo por que não quero correr o risco de dar spoilers e estragar a surpresa que vocês terão durante a leitura. Taylor Jenkins Reid construiu uma história leve, mas que ao mesmo tempo aborda um tema que muitas vezes nos assusta por, - escolhas. Adorei o modo como a autora construiu a história mostrando através duas realidades alternativas como cada escolha por menor que seja acaba gerando situações e trazendo pessoas as nossas vidas com o poder de mudá-la para sempre.

A narrativa de Taylor Jenkins Reid é leve e fluida e seus personagens são tão cativantes que é praticamente impossível não se conectar com eles. Confesso que em muitos momentos me identifiquei com a história, especialmente por que às vezes eu fico divagando sobre onde e como estaria se tivesse ido para esquerda ao invés da direita em um determinado momento de minha vida.

Hannah é uma personagem divertida que depois de tantos anos trabalhando em algo que não gosta e pulando de cidade em cidade sem nunca ter encontrado o seu lugar no mundo. Por isso, quando Hannah volta para Los Angeles, é como se ela tivesse uma tela em branco, uma nova chance para recomeçar. E é surpreendente como a autora conduz não somente a história de Hannah, mas de todos os personagens levando em conta as decisões que eles tomam e a forma como elas influenciam o nosso futuro.

Outro ponto que me conquistou na narrativa é a amizade de Hannah e Gabby. É uma tão linda, tão forte que de verdade é impossível ler sem querer se tornar a melhor amiga delas. As duas a sua forma estão passando por momentos complicados na vida, momentos em que tudo parece estar desmoronando e mesmo assim elas permanecem unidades se apoiando em todas as situações. Eu simplesmente adorei a Gabby! Sério ela é uma melhor amiga incrível!

Gostei muito também do Ethan e do Henry (), pois embora ambos possuam personalidades diferentes é visível o quanto eles se importam com a Hannah e desejam que ela seja feliz. Eu sei que a primeira vista parece que é mais um triângulo amoroso, mas posso garantir para vocês que a autora nos surpreende novamente no modo como ela conduz os relacionamentos de Hannah.

Acredito que isso foi justamente o grande diferencial e Em Outra Vida, Talvez?, durante a leitura para essa autora que vos escreve. Pois mesmo que Taylor Jenkins Reid tenha usado alguns elemento presentes na comédias românticas e livros do estilo chick-lit, a autora nos presenteia com uma história que além de divertida nos faz refletir sobre nossa vida e nossas próprias decisões. Sobre as coisas que almejamos e o que de fato fazemos para conquistá-las. Sobre o amor e as várias formas de encontrarmos a pessoa “certa”. Ao final mesmo com os clichês, me vi com um sorriso bobo no rosto e feliz por que cada personagem a sua maneira encontrou o seu, o caminho para a felicidade.

“A diferença entre a vida e a morte pode ser tão simples e desconfortavelmente pequena quanto um passo dado em qualquer uma das duas direções.”

Em Outra Vida, Talvez?, foi uma leitura que me surpreendeu em vários sentidos e me arrisco a dizer que de uma maneira muito simples, foi uma das minhas melhores leituras do ano até o momento. Leve, divertido e cativante! Espero ter oportunidade ler outras obras de Taylor Jenkins Reid.

15/07/2018

Carta a D. por André Gorz

| Arquivado em: RESENHAS.


Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788535930979
Editora: Companhia das Letras
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 112
Classificação: Bom
Sinopse: Uma das declarações de amor mais conhecidas e emocionantes de nosso tempo, este livro é também uma afirmação comovente de companheirismo entre duas pessoas apaixonadas. "Você está para fazer 82 anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que 45 quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz 58 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca." Assim André Gorz inicia sua carta de amor a Dorine, mulher ao lado de quem ele passou a vida e que há alguns anos sofria de uma doença degenerativa incurável. Como um dos principais filósofos do pós-guerra francês, Gorz escreveu inúmeros livros influentes, mas nenhuma de suas obras será tão amplamente lida e lembrada quanto esta carta simples e bela, em que ele rememora tanto a história de companheirismo, amor e militância do casal como a trajetória intelectual que percorreram juntos. Um ano após a publicação de Carta a D., um bilhete encontrado na casa onde moravam fez as vezes de pós-escrito à narrativa: André e Dorine tiraram a própria vida juntos, numa renúncia comovente a viver sozinhos.

Particularmente eu gosto bastante de biografias. Gosto de conhecer as histórias de outras pessoas e de aprender um pouco com elas, seja através de suas alegrias ou tristezas. Por esse motivo quando recebi a Carta a D. de André Gorz, pseudônimo do filósofo austro-francês Gérard Horst, fiquei encantada com a premissa da obra. Afinal, nada mais delicado e poético do que uma carta de amor. Porém, logo na primeira página percebi que antes de ser de fato uma declaração de amor, a Carta a D. era um pedido de desculpas de um homem que só pareceu se dar conta do que sentia por sua esposa ao final da vida de ambos.

Não gosto do rótulo que normalmente os intelectuais carregam, o de ser pessoas introspectivas e excêntricas, mas no caso de Gorz essa me parece ser uma definição bem fiel a sua personalidade mostrada nas páginas deste livro. Segundo Gorz nos conta, era comum que se passasse dias sem que falasse uma única palavra perdido em seu mundo escrevendo obras que anos mais tarde o tornaram um grande pensador reconhecido internacionalmente.

André e Dorine se conheceram ao final da Segunda Guerra Mundial e mesmo como todas as diferenças aparentes formam um casal unido tanto pelo amor como por seus ideais políticos um tanto quanto esquerdistas, por assim dizer. A visão que Gorz apresenta do amor aqui me pareceu em diversos momentos fria e racionalizada demais, o que com o tempo transformou o que era para ser um declaração de afeto e amor em um mar de justificativas evasivas e até mesmo um pouco “hipócritas”.

Além disso, fiquei com a sensação que a todo momento Gorz se esforça para convencer não somente a si mesmo, mas qualquer um que venha a ler sua obra que seus sentimentos e sua relação com Dorine está acima do que consideramos um relacionamento “normal” que muitas vezes seus argumentos acabam por contradizê-lo. Outro ponto é que não acabe a mim ou ao qualquer outro leitor julgar a forma como Gorz e Dorine mantinham a sua relação. É perceptível que da forma deles, eles se amavam e tiveram um relacionamento cheio de altos e baixos, mas acima de tudo do que para eles era amor, respeito e companheirismo.

“Eu lhe escrevo para entender o que vivi, que vivemos juntos.”

A Carta a D. é uma leitura fluida, mas que decepciona um pouco quem espera encontrar em suas páginas um relato mais romântico. Embora André Gorz consiga passar a mensagem que tinha em mente se desculpando com Dorine por não ter mostrado ao mundo o quanto ela era importante em sua vida durante os anos de casamento, faltou ao filósofo, ao menos em meu ponto de vista ter encontrado uma forma mais terna e até mesmo simplista de dizer, - eu te amo.

11/07/2018

Reinado Imortal por Morgan Rhodes

| Arquivado em: RESENHAS.



ISBN: 9788555340536
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 424
Classificação: Muito Bom
Sinopse: A Queda dos Reinos – Livro 06.
No último volume da série épica A Queda dos Reinos, grandes inimigos precisam se tornar aliados para salvar Mítica da ira dos deuses elementares. Os cristais da Tétrade foram reunidos e os deuses elementares que estavam aprisionados neles foram libertados, mas seu poder e magia não podem ser contidos por ninguém. Saindo do controle de humanos e imortais, os deuses se uniram e planejam destruir todos os reinos, começando por Mítica. Enquanto Jonas continua ignorando o destino que o liga a Lucia, a feiticeira está preocupada em encontrar maneiras de proteger sua filha — mesmo que isso signifique enfrentar sozinha Kyan, o deus do fogo. Amara também está disposta a encarar os deuses elementares. Apesar de ter voltado para o Império Kraeshiano, não desistiu de se tornar a mais poderosa dos reinos. Ao lado da avó, pretende conquistar Mítica só para si. Magnus e Cleo terão seus sentimentos testados mais uma vez. Com os inimigos se aproximando e uma magia maligna tomando conta dos territórios de Mítica, eles precisam descobrir se o amor que sentem é o suficiente para vencer as forças que querem destruí-los — e a toda a nação.

A Queda dos Reinos é aquela série que sempre terá um lugar especial em meu coração. Logo no primeiro livro fui completamente conquistada pela narrativa jovial e fluida da autora Morgan Rhodes, que ao longo de seus livros nos apresentou uma história que mescla literatura fantástica, aventura e romance com personagens que evoluem gradualmente junto com a narrativa. Porém, a pergunta que estou me fazendo desde que li o último parágrafo de Reinado Imortal é o porquê estou me sentindo tão frustrada com o que encontrei aqui.

Não que eu não tenha gostado do caminho que a autora tomou para finalizar a série. Alguns pontos eu achei bem interessantes e de certa forma, Morgan Rhodes soube como não deixar nenhuma ponta solta e finalizar “bem” a história que se propôs a escrever. A minha frustração é pelo modo como tudo isso aconteceu, - rápido e sem emoção alguma. Mas, estou me antecipando os fatos (...).

Quem não quiser pegar spoilers pode pular três parágrafos a partir de agora.

Os quatro deuses da Tétrade finalmente estão reunidos e prontos para submeter não apenas Mítica, mas todo o mundo ao seu poder destruidor. Lucia Damora, carrega nos ombros o fardo de suas escolhas erradas e está disposta a fazer o que for preciso para impedir que Kyan, o temível deus do fogo destrua tudo aquilo que ela ama. Só que ela não está sozinha nessa missão, pois embora prefira ignorar os riscos e o seu papel na batalha contra os deuses elementares, Jonas o rebelde de Paelsia sabe que de alguma forma quando o momento final chegar a feiticeira irá precisar dele e de sua estranha magia.

Do outro lado, o amor improvável que uniu a princesa Cleo e o príncipe Magnus passará por uma última prova de fogo, onde eles terão que ser fortes para vencer a magia maligna que está cada vez mais próxima do reino que ambos prometeram proteger. E se os deuses da Tétrade já não fossem preocupação suficiente para o jovem casal, Amara a imperatriz de Kraeshia e sua inesgotável sede de poder continua sendo uma ameaça no horizonte.

As peças estão postas e o tempo está se esgotando. Conseguirá Lucia se redimir dos erros do passado e encontrar uma forma de aprisionar os deuses elementais novamente? E Jonas, o que o destino reserva para o jovem rebelde? O amor de Cleo o Magnus será forte o suficiente para sobreviver a última e decisiva batalha entre os frágeis seres humanos e poderosos deuses imortais?

Talvez o meu maior “erro” foi ter aguardado esse livro com muitas expectativas. Mas, gente é o último livro de uma das minhas séries favoritas, em minha defesa digo que é um pouco óbvio que eu tinha muitas expectativas sim! E que infelizmente elas não foram atingidas (...). Não que o livro não seja bom, ou que a escrita da Morgan tenha perdido a qualidade. A verdade é que Reinado Imortal segue a mesma linha dos livros anteriores como de a autora não quisesse sair de sua “zona de conforto” e arriscar um pouco mais para dar a narrativa aquele toque de emoção que faria toda a diferença no resultado final da obra.

Ao contrário dos livros anteriores em que cada capítulo reservava uma reviravolta de tirar o fôlego em Reinado Imortal, nada chega a ser de fato surpreendente. A impressão que eu fiquei é que a própria autora estava com “pressa” de amarrar os pontos e finalizar a história de um modo que ficasse convincente para todos. E de fato ela consegue isso, mesmo que para tal tenha recaído em alguns pontos a certa “superficialidade” quando podia e devia ter explorado melhor os elementos presentes na trama. Um bom exemplo disso, é o desfecho que ela dá para o rei Gaius.

Como um dos pontos positivos a ser destacado é a evolução que cada personagem tem no decorrer da série. Confesso que até o final torci por um final diferente para a Lucia, afinal desde do primeiro livro ela fez questão de ser aquela típica personagem insuportável que por mais que você tenha um bom coração, deseja que ela desapareça (me julguem). Cleo e Magnus amadureceram bastante também e mostraram da forma mais clichê possível que, - o verdadeiro amor vence tudo.

Porém de todos os personagens o que realmente merecia, ao menos em minha opinião um destaque maior é o Jonas. Tipo, ele é aquele personagem que se “ferra” do começo ao fim. Faz uma burrada atrás da outra, e sim em muitos momentos é completamente mal aproveitado na história. Não sei o que eu como leitora esperava, mas com certeza era um final bem mais “heroico” para quem perdeu tanto no decorrer de cinco livros (...).

Em suma Reinado Imortal não entregou ao menos para essa leitora que vos escreve a história que prometia. Porém, mesmo que uma parte de mim se sinta frustrada com alguns pontos, Morgan Rhodes nos apresenta uma história cativante e com personagens que são reais e que estão dispostos a fazer o que for preciso para salvar aqueles que amam. Sem dúvidas a série A Queda dos Reinos terá para sempre um lugar especial em minha estante e no meu coração de leitora.

“- As pessoas têm formas diferentes de lidar com as adversidades. Não significa que estejam felizes.”

Para os fãs de literatura fantástica a série A Queda dos Reinos traz uma narrativa atrativa com personagens fortes e momentos que mesclam emoção, ação e aventura. Infelizmente o seu capítulo final deixa um pouco a desejar, porém isso não tira o mérito da autora Morgan Rhodes em nos presentear com uma história envolvente que nos deixa apaixonados e já saudosos nos parágrafos finais.

Veja Também:

24/06/2018

Mais que Amigos por Lauren Layne

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788584391073
Editora: Paralela
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 224
Classificação: Bom
Sinopse: Love Unexpectedly - Livro 01.
Será que vale a pena arriscar uma grande amizade em troca de um amor inesquecível? Aos vinte e dois anos, a jovem Parker Blanton leva a vida que sempre sonhou. Tem um namorado inteligente e responsável, um emprego promissor e a companhia de seu melhor amigo, Ben Olsen, com quem divide um lindo apartamento. Parker e Ben são tão grudados que muita gente duvida que eles morem sob o mesmo teto sem nunca ter vivido um caso, mas eles não se importam com o que as pessoas pensam. Sabem que não foram feitos um para o outro — pelo menos não para se envolver.  Por isso, quando um acontecimento inesperado faz com que Parker se veja sem namorado e com o coração partido, ela sabe que pode contar com Ben para ajudá-la a sacudir a poeira e partir para outra. Afinal, ninguém seria mais ideal do que seu melhor amigo para lhe mostrar os prazeres da vida de solteiro… certo? Mais que amigos é uma comédia romântica irresistível!

Acredito que basta uma rápida lida na sinopse de Mais que Amigos da autora Lauren Layne é previsível do começo ao fim. Ou seja, ele possui todos os clichês que tornam as comédias românticas envolventes e irresistíveis.

Parker e Ben se conheceram no primeiro ano de faculdade e logo se tornaram inseparáveis. A ligação dos dois é tão forte, que muita gente duvida que eles são apenas bons amigos. Na verdade, eles se orgulham de ao longo de todos esses anos de amizade, não terem caído no clichê da “amizade colorida”. Afinal, Parker é completamente apaixonada por Lance, seu namorado perfeito e Ben está feliz com a sua vida de solteirão invicto.

Porém, quanto Lance pede um tempo deixando Parker com o coração partido é no melhor amigo que ela se apoia. Mas, Parker não está disposta a ficar em casa chorando e lamentando o fim do se relacionamento. Ela quer sair, conhecer pessoas novas e aproveitar o seu novo status de solteira e ninguém melhor que Ben, para ajudá-la. Só que Parker, ao contrário de Ben não se sente confortável com relacionamentos casuais.

Por isso, contrariando a tudo aquilo que sempre negou Parker sugere a Ben que a amizade deles ganhe alguns tons mais coloridos, por assim dizer. Há princípio, Ben se sente relutante só que não demora muito para ele perceber que a ideia de um relacionamento casual entre ele e Parker não é uma ideia tão absurda assim.

Conseguirá a amizade entre os dois a mesma, depois que a atração sexual fizer parte dela? Parker e Ben podem acabar descobrindo que é fácil do que ambos imaginam uma amizade se transformar em algo mais forte.  Mas, será que eles estão preparados para lidar com essa descoberta?

Quando comecei a leitura de Mais que Amigos já sabia o que ia encontrar, porém não nego que uma parte de mim estava na expectativa que de alguma forma o primeiro livro da série, Love Unexpectedly fosse me surpreender. Infelizmente isso não aconteceu, mas apesar da narrativa de Lauren Layne seguir uma fórmula já conhecia, gostei bastante do que encontrei aqui. Mais que Amigos é uma leitura leve, do tipo que logo em suas primeiras páginas já nos envolve com sua trama divertida, sexy e açucarada.

Parker e Ben são bons personagens, embora essa blogueira que vos escreve se sinta no dever de admitir que alguns pontos na construção dos personagens tenha lhe causado um certo “desconforto”. Sim, Ane sendo a chata para variar.

O primeiro ponto que me incomodou foi o fato de todos os personagens aqui serem top models lindos e perfeitos. Isso em meu ponto de vista deixou a narrativa superficial, ainda mais quando tanto se vem falando e lutando pela quebra dos estereótipos de beleza que há anos a mídia vem pregando que é o correto. Eu sei que é só uma obra de ficção e que personagens com corpos maravilhosos são meio que item obrigatório para livros no gênero new adult, porém acredito que já passou da hora das autoras desse estilo quebrar um pouco esse mundinho perfeito e inserir “personagens reais “em suas obras.

Outro ponto é que Lauren Layne se esforce para que alguns situações pareçam descontraídas, no meu ponto de vista elas soaram machistas e bem desnecessárias. Em muitos momentos fiquei irritada com as atitudes de Ben, pois é simplesmente ridículo o fato dele jogar a responsabilidade da organização e limpeza do apartamento com que divide com Parker em cima dela. Eu ficava tipo: “Sério que você não tem a capacidade de lavar suas próprias cuecas?”. E sim, eu sei que isso é uma obra de ficção, mas a mensagem que passa é tão errada que infelizmente fica bem difícil não se incomodar com ela.

Porém mesmo com esses pontos negativos que citei, Lauren Layne consegue apresentar uma narrativa que em nenhum momento parece forçada. A química que ela criou entre Parker e Ben é incrível, tanto que é praticamente impossível não esperar e torcer por um final diferente para a história.

Gostei como a narrativa foi estruturada, com o capítulos intercalando os pontos de vista de ambos os protagonista, pois isso sempre acaba nos aproximando mais dos personagens e de suas emoções. Mas, não sei se foi impressão minha só que algumas vezes tive a sensação que a narrativa sofria um corte. Como se autora tivesse no meio de uma ideia e do nada resolveu não seguir em frente com ela. E independente de sua previsibilidade, Mais que Amigos foi uma leitura gostosa e despretensiosa.

“Porque me apaixonei por uma garota incrível no primeiro ano de faculdade. Só que não sabia o que era isso, então fiz a única coisa que podia para ficar perto dela: virei seu amigo. Seu melhor amigo (...).”

Como fã de clichês bem construídos, gostei do que encontrei em Mais que Amigos,  especialmente porque a história funcionou como um ótimo antídoto para minha ressaca literária, além de claro ter deixando um sorriso bobo em meu rosto.

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