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março 03, 2016

Gigantes por Pedro Henrique Neschling

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788584390120
Editora: Paralela
Ano de Lançamento: 2015
Número de páginas: 232
Classificação: Bom
Sinopse: Tudo começa numa festa de formatura de ensino médio. Cinco amigos comemoram juntos o tão aguardado fim da vida escolar. Apesar de bem diferentes entre si, têm algo em comum: enxergam o futuro como um mar de possibilidades a ser descoberto e explorado. Sonham em ser gigantes, tão grandes quanto suas ambições. Mas para nenhum deles o futuro será conforme o previsto. À medida que os anos passam, os jovens deparam com as complexidades trazidas pelo chamado da vida adulta. Desilusões amorosas, questões familiares, conflitos na carreira, dúvidas e mais dúvidas… É inevitável: ao chegar perto dos trinta, todos nos tornamos um pouco mais desencantados e - por que não? - sábios. Mas e os sonhos da juventude, onde vão parar?

Q
uem não tem uma história inesquecível dos tempos de escola ou aquela amizade que com o passar dos anos ficou ainda mais forte? Ao começar a leitura de Gigantes do autor Pedro Henrique Neschling, esperava encontrar uma história leve, divertida e emocionante, no melhor estilo Sessão da Tarde. Porém, apesar de uma narrativa bem construída, e que em certos momentos me deixou com uma deliciosa sensação de nostalgia, ao final senti que ficou faltando alguma coisa.

A formatura do ensino médio é um marco na vida de todo adolescente.  O mundo se apresenta com um mar de possibilidades e de sonhos a realizar. E Fernando, Duda, Camila, Zidane e Lipe estão ansiosos para começar essa nova etapa de suas vidas. Durante a festa de formatura esses cinco amigos tão diferentes entre si, compartilham o sentimento de liberdade e a certeza que o futuro será repleto de conquistas. Conforme o tempo passa cada um deles percebe que junto com a vida adulta chegam também as responsabilidades, as primeiras decepções e a inevitável  verdade, que a vida é um pouco mais "complicada" do que eles imaginavam.

Duda tem sua cota de desilusões e se fecha para o amor. Fernando se forma na profissão de seus sonhos, mas descobre que no mundo que escolheu viver nem tudo é fama e glamour. Lipe passa uma vida em busca de aceitação. Camila tenta encontrar o seu lugar no mundo, mesmo não sabendo direito o que fará quando chegar lá. Já Zidane insiste em não crescer, e se mantém firme até quando tudo dá errado, aos seus sonhos de adolescência.

Cinco amigos que seguiram em direções diferentes e que em determinados momentos do trajeto acabam se reencontrando, compartilhando suas perdas e conquistas. Afinal independente, das escolhas que feitas e da distancia que elas impõem, - alguns laços são para sempre.

Gigantes possui uma narrativa franca, onde o autor Pedro Henrique Neschling mostra de uma forma bem direta todos os altos e baixos pelos quais os protagonistas passam até chegarem à vida adulta. Gostei muito do fato do autor não “romantizar” a história.  Ao contrário, ele criou um enredo que mostra a vida com ela é, onde experiências ruins podem nos destruir por dentro, ou nos fazer mudar de ideia jogando para o alto tudo em busca de um novo começo.

Porém, os que assim como eu são fãs de um enredo bem trabalhado vão sentir falta de uma narrativa com mais detalhes e principalmente, de criar uma conexão com os personagens. É perceptível que a intenção do autor era mesmo de escrever uma trama despretensiosa, mas ausência de informações me deixou com a impressão que alguns fatos ficavam suspensos no ar e que tudo acontecia meio que rápido demais. 

Outro ponto que a principio me causou certa estranheza, mas que ao final se tornou um dos grandes diferenciais na leitura são as passagens de tempo. Aqui embora elas não sejam definidas com datas, as mesmas foram bem representadas por referencias a filmes, músicas e eventos da época.  A cada capitulo conforme os anos vão passando para os personagens o autor nos leva a uma viagem no tempo pela cultura pop da década de 90 até os dias atuais.

Gigantes é uma leitura agradável, embora confesse que esperava um pouco mais da história em si. De um modo geral gostei bastante do que encontrei, porém realmente sou aquele tipo de leitora que prefere quando o autor “peca” pelo excesso de detalhes do que pela falta deles.  Em suma Gigantes nos faz refletir sobre nossas escolhas, ao mesmo tempo em que nos deixa com saudades de um período em que tudo parecia mais simples e por que não mais feliz. 

“A beleza da vida está no que há de mais de simples. Está em se permitir sem medo.”

Com uma história simples e personagens comuns, Gigantes é aquele tipo de livro nos lembra o quanto a vida é uma verdadeira caixinha de surpresas. Em que quase sempre precisamos decidir os planos que vamos levar em frente e principalmente por quais sonhos se vale a pena lutar. 

novembro 12, 2015

Perdida por Carina Rissi

| Arquivado em: RESENHAS.

ISBN: 9788576862444
Editora: Verus
Ano de Lançamento: 2013
Número de páginas: 364
Classificação: Ótimo
Onde Comprar: Submarino.
Sinopse: Perdida – Livro 01.
Sofia vive em uma metrópole e está acostumada com a modernidade e as facilidades que ela traz. Ela é independente e tem pavor à mera menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são aqueles que os livros proporcionam. Após comprar um celular novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século dezenove, sem ter ideia de como voltar para casa – ou se isso sequer é possível. Enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de retornar ao tempo presente, ela é acolhida pela família Clarke. Com a ajuda do prestativo – e lindo – Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba encontrando pistas que talvez possam ajudá-la a resolver esse mistério e voltar para sua tão amada vida moderna. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos...

Fazia um bom tempo que vinha querendo ler um livro da autora Carina Rissi. Tanto que Perdida, já estava separado há uns três meses em no meu criado mudo, mas sempre acontecia algo que me “impedia” de finalmente começar a sua leitura. Porém dessa vez ainda me recuperando de uma ressaca literária pensei comigo, - agora vai! E para minha felicidade acabei me surpreendendo bastante com que encontrei.

Sofia tem vinte quatro anos e é totalmente dependente da tecnologia para tudo em sua vida. Ela não acredita em contos de fadas e tem ambições maiores do que o casamento e constituir uma família. Mas, todas as convicções de Sofia estão prestes a ser postas a prova. Após comprar seu novo celular, com uma vendedora para lá de estranha ela vai parar direito no século dezenove. Perdida em uma época muito distante da sua e sem ter ideia de como voltar para o seu próprio tempo, Sofia é resgata e acolhida pela família Clarke.

Ian Clarke parece com um dos mocinhos dos vários romances que Sofia gosta de ler. Educado, prestativo e lindo, não demora muito para que Sofia se encante pelo moço. A atração entre eles se torna cada vez mais irresistível, e parece que existe um campo de força que os mantém sempre próximos demais um do outro. Porém a vida toda de Sofia está no século vinte um. Seus amigos, seu trabalho e tudo aquilo com o qual ela cresceu e está acostumada. Mas quando Sofia está com Ian ela sente que está casa, e que o século dezenove é o seu lugar. 

Conforme os dias passam e seus sentimentos pelo charmoso Senhor Clarke ficam mais fortes, Sofia fica cada vez mais confusa em relação ao seu lugar no tempo e no mundo. Quando o fim de sua jornada se aproxima, Sofia só tem certeza de uma coisa, - que independente do que acontecer em seu futuro ela jamais conseguirá esquecer Ian e os dias que passaram juntos.

Confesso que a principio fiquei com receio de não gostar da história, já que sempre tenho um pé atrás com livros que são por assim dizer “amados por todo mundo”. Porém, logo nas primeiras páginas esse receio deu lugar à ansiedade de saber o que iria acontecer no próximo capitulo. Carina Rissi construiu um enredo leve, envolvente e com um ritmo rápido que nos faz viajar para o século dezenove, com seus modos mais “comportados” e vestidos bufantes. Mas, como nem tudo são flores nessa minha vida literária, devo admitir que em nenhum momento, eu consegui me identificar com a protagonista. E essa foi à razão pela qual não marquei o livro como favorito.

A Sofia é extremamente fútil e imatura e tive muita dificuldade de enxerga-la com uma mulher adulta de vinte quatro anos, por conta de seus irritantes “faniquitos”. Na verdade em muitas situações a irmã caçula do Ian, Elisa que tem apenas dezesseis anos me parecia muito mais madura e sensata que a própria Sofia. Foi bem “sofrível” em muitos momentos aguentar os dramas e as reclamações dela. E mesmo que no final ela tenha meio que aprendido a lição se tornado uma pessoa “melhor”, acredito que já era um pouco tarde demais para que nós duas fôssemos grandes amigas.

Em compensação Ian () é aquele personagem que rouba o nosso coração assim que surge na história. Ele é inteligente, gentil e paciente e não vou negar que por diversas vezes torci para ele encontrar alguém que realmente merecesse o amor dele. Sim, - não gostei da Sofia mesmo (me julguem).  Os personagens secundários também tiveram o seu espaço na narrativa dando a ela dinamismo e uma fluidez maior. Gostei muito do Gomes e da Madalena, assim como também da Elisa.

Com uma narrativa simples, divertida e despretensiosa, Perdida se mostrou uma história deliciosa de acompanhar. E apesar dos meus problemas como a Sofia, me vi com lágrimas nos olhos nas páginas finais. Em minha opinião a história terminou bem fechada, embora eu esteja me coçando de curiosidade para ler a continuação da série. Espero não me decepcionar.

“(...) Tem sido assim desde a primeira vez que a vi. Desde aquele instante percebi que não era mais dono do meu coração, que ele não me pertencia mais.”

Em Perdida, Carina Rissi me levou por uma montanha russa de emoções em que ri e chorei ao mesmo tempo.  Através de suas palavras desejei me perder também em séculos passados, onde a vida era mais simples, tranquila e as pessoas ao que parece tinham mais tempo para viver uma verdadeira história amor. Quero um Ian Clarke () para mim gente, como faz?

outubro 27, 2014

A Namorada do meu Amigo por Graciela Mayrink

ISBN: 9788581635637
Editora: Novas Páginas
Ano de Lançamento: 2014
Número de páginas: 336
Classificação: Muito Bom
Este livro foi enviado como
cortesia para resenha.
Sinopse: Quando voltou das férias de verão, Cadu não imaginava a confusão em que a sua vida se transformaria. Era para ser um ano normal, mas ele entrou em uma enrascada e está correndo o risco de perder a amizade do cara mais legal do mundo. O que fazer quando a namorada do seu amigo vira uma obsessão para você? Os churrascos da turma da faculdade talvez ajudem a esquecer Juliana, e, se depender do esforço do divertido Caveira, não faltarão garotas gente boa para preencher o coração de Cadu. Mas não adianta forçar... Quem consegue mandar no coração? Alice, a irmã de Beto, é só mais uma das dores de cabeça que Cadu tem que enfrentar. A vida inventa cada cilada!

Quando soube do lançamento de, A Namorada do meu Amigo da autora Graciela Mayrink, eu fiquei bastante curiosa para conhecer a história. Especialmente por que o livro anterior da autora, Até eu te Encontrar é um dos meus favoritos. Porém, confesso que até o capitulo dez me bateu certo receio de não me encantar muito com a leitura, pois como vocês sabem sofro de “crise de idade literária”. Mas, conforme a narrativa foi avançando me vi conquistada por uma história leve e divertida.

Cadu, Beto e Caveira são como os Três Mosqueteiros, amigos inseparáveis desde a infância. Ao retorna a sua cidade natal Rio das Pitangueiras, após as férias de verão Cadu não podia imaginar que a sua vida estava prestes a virar de ponta cabeça.  Beto o “Dom Juan” do grupo começou a namorar sério e se isso já não fosse surpreendente o bastante, a moça em questão é a antiga vizinha de Cadu. Juliana, ou simplesmente Juju era uma menina chata que viva atrás do trio quando eles eram crianças. Quando ela foi embora bem intimamente Cadu ficou “feliz” por não ter mais aquela garota sem graça no seu pé. Mas, os anos passam e as pessoas mudam e a Juju e sua família estão de volta. E esse retorno promete bagunçar a vida até então pacata desse grupo de amigos.

Ao reencontrar Juju, Cadu se apaixonada perdidamente por ela. A partir desse momento em diante ele passa a viver o dilema entre revelar seus sentimentos para a ela e colocar a perder sua amizade de infância com Beto. Ou suportar ver o seu grande amor nos braços de outro. E se já não bastasse esse problema, Cadu ainda precisa fugir constantemente das investidas de Alice, a irmã caçula de Beto. É realmente parece que esse ano não será nada tranquilo para em Rio das Pitangueiras. Entre os estudos, festas e confusões amorosas Cadu, Beto e Caveira vão descobrir que através de alguns altos e baixos a vida sempre dá um jeito de colocar tudo em seu devido lugar.

A Namorada do meu Amigo possui todos os clichês dos livros voltados mais para o público adolescente. Entenderam a ”crise de idade literária” no começo da leitura? Porém, mesmo com essa narrativa mais “teen”, a autora conseguiu inserir pequenos detalhes no enredo que tornam a leitura envolvente.  A histórica em sim, não apresenta muitas surpresas durante o seu desenvolvimento, mas foi me conquistando por conta do carisma dos seus personagens. Em especial o Caveira, que em minha opinião é o melhor personagem do livro.

Claro que eu também gostei dos outros personagens. O Cadu é um fofo o que torna a tarefa de não se encantar por ele praticamente impossível. E mesmo o Beto tendo algumas atitudes irritantes (chiliques), é bem difícil não gostar dele também. Na verdade tive a sensação que a maneira com a autora desenvolveu a personalidade do Beto na história foi meio “proposital” para quem ler o livro não gostar muito dele mesmo. Bem, eu pelo menos senti isso. Na verdade o único personagem que não me agradou muito foi a Juliana. Tipo ela me pareceu muito apática durante toda a narrativa. Sabe aquele personagem sem sal e sem açúcar? Admito que conforme os capítulos avançaram comecei a torcer para que a Alice conquistasse o coração do Cadu. (pronto falei!)

Mas, como nem tudo são flores em minha vida literária, apesar de ter gostado muito do livro infelizmente alguns pontos dele me incomodaram um pouco. O primeiro foi o fator tempo na narrativa. Em alguns momentos ela era muito apressa e o que deixava alguns fatos confusos. Outro ponto foi o final (...). Assim, eu entendi o objetivo da autora, porém achei que ele um tanto vago. Em minha opinião a autora podia ter escrito um epílogo contando, o que tinha acontecido daquele ponto em diante. Sei lá, pelo “drama” todo que aconteceu eu realmente esperava um final mais emocionante. Só que, infelizmente não foi bem assim que tudo acabou.

"Os momento de decisão são importantes em nossa vida, mas nem sempre significam algo bom ou fácil."

A Namorada do meu Amigo é um livro gostoso de ler, que mesmo pecando em alguns detalhes consegue cativar com uma história leve e personagens cativantes.

outubro 13, 2014

Renascer de um Outono por Samanta Holtz

ISBN: 9788542803600
Editora: Novo Século
Ano de Lançamento: 2014
Número de páginas: 368
Classificação: Ótimo
Sinopse: A vida aos dezoito anos está muito diferente do que Anna Hills havia sonhado. Sozinha em uma cidade estranha, reprovada no vestibular e demitida do emprego, ela enfrenta a difícil batalha para superar o desânimo e ir em busca de um lugar no mundo que possa chamar de seu. Determinada a deixar os fracassos para trás, Anna descobre nos classificados a vaga para baby sitter de uma garotinha que vive com o tio. No entanto, ela não imagina que aquele pequeno anúncio de jornal se tornará o passaporte para as maiores emoções da sua vida, colocando-a face a face com mudanças, escolhas e com John, o rapaz que amava em segredo desde a infância, em um encontro que os levará a desvendar o verdadeiro sentido do amor, da vida e da importância de fazer cada instante vivido valer a pena. Em uma tortuosa e apaixonante jornada, Anna descobrirá a força de uma grande amizade, a dificuldade de se conquistar o coração de uma criança e, acima de tudo, o poder transformador do amor, naquele que será o melhor e o pior outono da sua vida.

Diria que hoje, poucos autores conseguem emocionar e entreter o leitor de uma maneira tão simples e delicada como a Samanta Holtz. Antes mesmo do lançamento de o, Renascer de um Outono eu já estava ansiosa para conhecer a história, pois sempre que conversava com a autora percebia o carinho com que ela se referia a esse livro. Carinho esse que é visível em cada paragrafo dessa história, que com uma belíssima e cativante narrativa me deixou ao mesmo tempo encantada e de coração partido.

Em algum momento de nossas vidas tudo o que queremos é fugir da dor. Essa não foi à justificativa que a jovem Anna Hills deu para sua família e para si mesma, quando se mudou da sua cidade natal Mountain Valley para Icefall. Porém no fundo de seu coração, ela sabia que o motivo era justamente esse. Fugir da dor e do espaço vazio que sua mãe deixou ao partir tão cedo. Aos dezoito anos, Anna como tantas jovens possui sonhos que espera alcançar, mas logo ela se dá conta que nem sempre as coisas em nossas vidas acontecem da forma como planejamos. Ao encontrar o anuncio para uma vaga de baby sitter no jornal, Anna vai descobrir que tudo tem a sua hora e momento certo para acontecer.

Ricardo e a pequena Lauren, estavam devastados pela dor de perder as pessoas que amavam.  Fragilizada, Lauren faz de tudo para afastar todas as pessoas que tentam se aproximar dela, em especial as babás que o tio contrata. Cuidar de uma criança que já foi tão machucada pela vida, acaba se mostrando um desafio diário para Anna. Mas, passado um tempo ela e Ricardo começam a se apoiar na amizade que com convivência surge entre os dois.  Ambos se ajudam em todos os momentos de difíceis, na esperança que um dia, a pequena e arredia Lauren abra o seu coração e volte a sorrir novamente.

Em uma feliz coincidência do destino um dia Anna esbarra com John, seu amor platônico dos tempos de colégio na sala da casa de Ricardo. Anna não sabia que seu patrão e seu primeiro amor eram grandes amigos e que John era uma visita quase que frequente na casa. Em um passe de mágica ela viu que todos os sonhos e o amor que nutriu por John ao longo de toda a sua adolescência podiam finalmente ser reais. Porém, como sempre a vida tem o seu jeito especial de fazer com que as coisas aconteçam. E por mais que às vezes não consigamos entender ou aceitar isso, são exatamente essas “mudanças de planos” que a tornam tão fantástica.

A autora Samanta Holtz soube trabalhar com a “dor” de uma forma tão suave, que foi impossível não me ver na Anna, quando eu mesma há seis anos deixei toda “uma vida” para traz em busca de um novo começo.  Talvez por essa razão, em muitos momentos durante a leitura senti que aquilo que estava escrito ali era um conselho para mim mesma (pausa para um suspiro). 

Se eu pudesse resumir a leitura de Renascer de um Outono em uma só frase eu diria; “Uma história que nos mostra a real importância que a fé e o amor têm em nossas vidas”. Mas, existem livros como nesse caso que não podem ser resumidos em apenas uma frase. A jornada de Anna é marcada por perdas dolorosas e uma aprendizagem constante. Acompanhar toda a trajetória da personagem é como estar a bordo de uma montanha russa de emoções. Ao final é impossível não sentir orgulho do quando a Anna evolui na história.

Com uma narrativa que fala principalmente de superação, Renascer de um Outono traz uma história real, com dias bons e outros nem tanto, mas que em todo o momento nos leva a refletir as situações e escolhas que fizemos e fazemos na vida. Conforme a narrativa avançava para o seu desfecho senti uma tristeza profunda e ao mesmo tempo uma felicidade plena, que e foi simplesmente humanamente impossível segurar as lágrimas. Tudo foi tão injusto e ao mesmo tempo tão bonito (...).

“... é a crença no abstrato e no sonho que permite que coisas extraordinárias aconteçam em nossas vidas.”

Renascer de um Outono exalta a importância dos pequenos detalhes na vida e de uma maneira leve, nos faz perceber que nada acontece por acaso. Samanta Holtz mais uma vez presenteia seus leitores com uma bela, delicada e emocionante lição de vida. Preparem os lencinhos e corações leitores, - vocês vão precisar.

agosto 25, 2014

Pobre não tem Sorte 2 por Leila Rego

ISBN: 9788577187331
Editora: All Print
Ano de Lançamento: 2010
Número de páginas: 341
Classificação: Muito Bom
Onde Comprar: Site Oficial da Autora.


Sinopse: Mariana Louveira precisou cair do salto (parcelado em várias vezes no cartão) para aprender que a vida pode não ser lá tão glamorosa como sempre quis, e que sentimentos valem muito mais do que uns óculos Prada. Tarde demais! Mari é abandonada pelo noivo Edu horas antes do casamento. Sem casório, Mari só encontra uma solução: ir para São Paulo em busca de seus sonhos, ao lado da amiga Clara. Agora, a nossa protagonista, munida de um Bilhete Único, precisa arregaçar as mangas de um de seus terninhos chiques e batalhar por uma oportunidade. Em uma história pra lá de gostosa e divertida, Leila Rego narra todas as aventuras de Mariana em Sampa, desde as entrevistas de emprego, até as baladas mais malucas e cheias de confusão. E, no vir das mudanças, será que ela finalmente vai esquecer Edu e dar a volta por cima? As dificuldades da vida valem mesmo como aprendizado?

Quem acompanha o blog há mais tempo, sabe como a minha relação com a protagonista de Pobre não tem Sorte é complicada. Admito que a leitura do primeiro livro da autora Leila Rego foi um tanto “sofrida” por conta das futilidades da Mariana. Mas, é o que sempre digo sobre a vida, - você tem que dar sempre uma segunda chance para algo te surpreender. E posso garantir a vocês que Pobre não tem Sorte 2, foi uma ótima e divertidíssima surpresa.

Eu acredito que a resenha não tenha spoiler, mas se você não quer arriscar pode pular um parágrafo.

O meu grande problema com o primeiro livro foi o fato que em nenhum momento eu consegui me identificar com a Mariana. Todo aquele mundo de “glamour” dela parecia distante demais da minha realidade e isso dificultou muito a minha leitura. Porém, em Pobre não tem Sorte 2 temos uma personagem com os “pés mais no chão”, e que está aprendendo da forma mais difícil que a vida não é nada fácil. Longe dos pais e do seu grande amor, tendo apenas a companhia da sua amiga Clara na selva de pedra, Mariana vai passar por muitos altos e baixos para construir seu futuro e quem sabe assim ainda ter o seu sonhado final feliz.

Talvez até hoje eu não tenha lido uma “série”, em que o autor explorou tão bem a forma como os tropeços da vida, podem mudar completamente a nossa maneira de ver as coisas. Não que a Mariana tenha deixado de ser “obcecada” por roupas e acessórios de marca e meio cabeça de vento também, só que dessa vez ela aprendeu que isso não é o mais importante para ser feliz. E quantas vezes nós mesmo no dia a dia não damos mais valor aos bens materiais que temos, ou não acabamos com aquele sentimento de frustração por não poder comprar algo? Aqui, a autora nos mostra com muita leveza através das peripécias da protagonista, que a felicidade está em se sentir bem consigo mesmo.

Me identifiquei em muitos momentos com a Mariana. Isso mesmo leitores eu estou dizendo que ao contrário do primeiro livro, em Pobre não tem Sorte 2, me senti mais próxima da Mariana, pois passei pela mesma coisa que ela. Não é fácil você sair de um lugar em que conhece tudo e a todo mundo e começar do zero. Todas as frustrações e o desanimo que ela sentiu até conseguir o primeiro emprego e o fato de ela usar o seu blog como uma forma de fugir disso e não enlouquecer lembrou muito a mim mesma entre 2009 e 2010.

Fiquei muito feliz por ter dado uma segunda chance a história e de não ter desistido da Mariana. Tudo bem que na verdade isso só foi possível por conta da TBR, que como vocês já puderam perceber eu estou levando bem a sério.  Porém, eu me diverti, sofri e me emocionei tanto com as aventuras da Mari por São Paulo, que me arrependo de não ter lido o livro antes. Não esperava gostar tanto da leitura como gostei, e isso foi realmente uma ótima surpresa.

“- Eu sempre estive ao seu lado, mesmo quando você não se dava conta”.

Em Pobre não tem Sorte 2, Leila Rego mostra de uma forma leve, doce e romântica que não existe nada mais importante em nossa vida do que as pessoas que amamos e que nunca devemos desistir de nossos sonhos.

agosto 14, 2014

Enquanto a Chuva Caía por Christine M

ISBN: 9788581634470
Editora: Novas Páginas
Ano de Lançamento: 2014
Número de páginas: 288
Classificação: Muito Bom

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Onde Comprar: Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Submarino - Compare os Preços.



Sinopse: Erik não procura mais a garota dos seus sonhos. Vive em busca de adrenalina e de uma razão para continuar cumprindo tarefas obscuras. Ele sabe que é muito bom no que faz e não vê nada que possa ser melhor do que os seus dias repletos de perigo. O que Erik não esperava é que sua paixão por correr riscos seria a sua ruína. Ameaçado, ele precisa fugir para o exterior e viver disfarçado de cidadão comum, trabalhando como advogado em uma grande empresa. Marina comanda o império da família depois de seu pai ter sucumbido ao mal de Alzheimer. Precisa suportar ver os pais tombarem diante da ação implacável do tempo, enquanto ainda carrega a ferida provocada pela morte do jovem marido. Com o comando das empresas nas mãos, ela percebe que nem todas as atividades da corporação obedecem aos manuais de boa conduta. Quando ambos se encontram, presente e passado se misturam, dando início a um mistério arrebatador que os atrai a uma paixão incontrolável. No entanto, os segredos, cedo ou tarde, virão à tona e os colocarão em lados opostos da balança. Nenhum dos dois é inocente, mas será que eles aceitarão as verdades que tanto se empenham em esconder? É possível construir um futuro mesmo depois de descobrir que nesta história não há mocinha nem herói?

Confesso que embora tenha lido muitas resenhas positivas, eu não estava lá com muitas expectativas em relação à leitura de Enquanto a Chuva Caía. Mas, logo após ler a sua sinopse senti que precisa “ouvir” a história que o livro tinha para me contar. O resultado foi que simplesmente devorei o livro em apenas um dia. Pois, para minha imensa surpresa me deparei com uma narrativa rápida e cheia de reviravoltas que foi me conquistando há cada capítulo.

Quem olha para jovem Marina Muller de longe vê apenas o ideal de uma jovem mulher bem sucedida. Dona de um império e única herdeira de um vasto patrimônio ela tem o mundo aos seus pés, ou pelo menos tudo o que o dinheiro pode comprar e manter. Só quem a olha mais de perto, percebe que por de trás de toda sua “pose” a uma tristeza muito profunda em seus olhos. Marina ainda sofre pelas perdas de seu passado, e se joga no trabalho buscando assim uma forma de fugir de seus fantasmas.

O charmoso Erik Gouveia a primeira vista é um simples advogado, mas na verdade ele possui uma profissão obscura e que busca fazer justiça por meios não muito convencionais. Após alguns passos mal calculados, Erik é forçado a tirar umas longas “férias” em Nova York. Porém, para não levantar nenhuma suspeita ele deve levar uma vida “normal”. Normal até demais para alguém acostumando a correr riscos como ele. Ele já estava prestes a jogar tudo para o alto e voltar para o Brasil independente do que o fosse acontecer, até que em uma noite chuvosa ele conhece a bela Marina Muller.

A sintonia entre os dois é imediata e em pouco tempo eles passam a viver uma espécie de amizade colorida. Nenhum dos dois está em busca de um relacionamento sério, já que ambos possuem coisas demais para esconder.  Mas, com a convivência o sentimento vai se tornando mais intenso fazendo com que seus segredos mais ocultos venham à tona, ameaçando colocar tudo a perder. Erik e Marina precisarão mais do que nunca confiar muito um no outro, mesmo que isso pareça impossível. Só assim eles vão conseguir superar os inúmeros obstáculos, e quem sabe construir um futuro juntos.

Gostei do ritmo que a autora Christine M. deu a narrativa. É tudo muito leve e apesar de não seu muito fã de romances policiais, fiquei com a minha curiosidade aguçada para desvendar o mistério da história. A autora soube entrelaçar os fatos sem que a nada ficasse óbvio demais. Os protagonistas são carismáticos, e mesmo a Marina tendo algumas atitudes “dramáticas” demais em meu ponto de vista, ela ganhou a minha simpatia no decorrer da história. Só que, mesmo tendo sido um livro que superou todas as minhas expectativas, infelizmente Enquanto a Chuva Caía me incomodou em pequenos detalhes.  Eu sei que sou chata (...).

Normalmente não tenho problema com narrativas em primeira pessoa, só que aqui as “divagações” dos personagens sobre si mesmos me pareceu um pouco desnecessária. Tipo, eu gosto de “criar” uma imagem própria do personagem e “imaginar” o que se passa na cabeça dele naquele momento. Porém aqui a maneira como a autora trabalhou a narrativa fez com que, eu meio que me senti-se “presa” na visão dela dos personagens.  Pode ser chatice da minha parte, mas me incomoda bastante quando um personagem fica falando muito dele mesmo ou justificando suas atitudes o tempo todo.

Outro ponto, foi que eu achei o final corrido e não muito bem explorado. Eu até entendo que talvez a intenção da Christine M. era focar mesmo no romance, que de verdade é um dos mais bonitinhos que li nos últimos tempos. Só que, faltou alguma coisa (...). Faltou aquele baque da grande revelação, o choque de toda verdade vindo à tona, a emoção e a revolta da descoberta. Enfim, faltou ação. Não que isso comprometa de alguma forma a história em si, mas é algo que sem sombra de dúvidas deixaria ela ainda melhor.

“Tudo bem as coisas serem confusas. Você me ensinou que não preciso de respostas desde que entre todas as dúvidas haja eu e você.”

Perfeito para quem gosta de uma boa trama policial ou de um romance não tão água com açúcar, Enquanto a Chuva Caía é um livro que mescla com maestria romance, drama, mistério com toques leves de comédia que o tornam uma leitura deliciosa. Recomendo!

fevereiro 12, 2014

Simplesmente Ana por Marina Carvalho


ISBN: 9788581631554
Editora: Novo Conceito
Ano de Lançamento: 2013
Número de páginas: 304
Classificação: Regular

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Sinopse: Imagine que você descobre que seu pai é um rei. Isso mesmo, um rei de verdade em um país no sudeste da Europa. E o rei quer levá-la com ele para assumir seu verdadeiro lugar de herdeira e futura rainha… Foi o que aconteceu com Ana. Pega de surpresa pela informação de sua origem real, Ana agora vai ter que decidir entre ficar no Brasil ou mudar-se para Krósvia e viver em um país distante tendo como companhia somente o pai, os criados e o insuportável Alex. Mudar-se para Krósvia pode ser tentador — deve ser ótimo viver em um lugar como aquele e, quem sabe, vir a tornar-se rainha —, mas ela sabe que não pode contar com o pai o tempo todo, afinal ele é um rei bastante ocupado. E sabe também que Alex, o rapaz que é praticamente seu tutor em Krósvia, não fará nenhuma gentileza para que ela se sinta melhor naquele país estrangeiro. A não ser… A não ser que Alex não seja esta pessoa tão irascível e que príncipes encantados existam. Simplesmente Ana é assim: um livro divertido, capaz de nos fazer sonhar, mas que — ao mesmo tempo — nos lembra das provas que temos que passar para chegar à vida adulta.



Sabe aquela sensação estranha quando você percebe que “todo mundo” amou um livro e você não amou ele tanto assim? Pois, estou passando por esse dilema nesse exato momento. Desde que Simplesmente Ana foi lançando eu estava bastante curiosa para conhecer a história, já que após ler a sua sinopse automaticamente me recordei dos livros da série  que adoro, O Diário da Princesa da autora Meg Cabot. Porém, não sei se o fato de que em nenhum momento eu consegui me identificar ou ao mesmo simpatizar com a protagonista, mas infelizmente não me encantei com absolutamente nada durante a leitura. Algo que me deixa realmente bem triste.

Como vocês já devem ter lido inúmeras resenhas desse livro, eu vou fazer uma resenha um pouco diferente pontuando o que não me agradou tanto na história. Quem sabe assim vocês possam me perdoar por esse excesso de “chatice literária”, por que de verdade eu tentei gostar mais do livro, (...) só que não deu.

Bem, o principal motivo que levou a protagonista Ana Carina a “largar” sua família, amigos, a faculdade de Direito, o estágio e um “pseudo” namorado aqui no Brasil para viajar com o seu recém-descoberto pai e rei Andrej para a Krósvia, era para que eles se conhecessem melhor ao mesmo tempo em que ela conhecia e aprendia um pouco sobre a história e a cultura do local. Ok! Até aqui tudo normal, só que durante a história em si o rei Andrej nem aparece. Sim ele é “citado”, mas na verdade a participação dele em todo desenvolvimento da trama é tão pequena que em meu ponto de vista, essa justificativa perdeu completamente o sentido.

Outro detalhe é que pela descrição e pronuncia de alguns nomes eu posso deduzir que a Krósvia é um país de língua eslava, o que claro não é nenhum problema. Porém a partir do momento em que todos os personagens na história são super fluentes em inglês, (por que obviamente a Ana não entende nada em krosviano) inclusive crianças pequenas e o cabeleireiro mais badalado do país não. Isso sim é um problema, e dos grandes. Desculpem-me se isso parece o cúmulo da chatice, mas não me entra na cabeça o fato de 99,9% da população ser fluente em um idioma e o cabeleireiro que deve estar acostumando a receber pessoas ilustres em seu salão não.  Não tem coerência. Tem? Bem (...).

Porém até consegui relevar esses “pequenos detalhes”, mas a protagonista é algo que realmente eu não consegui relevar, e olha que eu tentei. Tipo por mais que a autora tentasse passar uma imagem dela como uma pessoa madura, desprendida e tudo mais, a forma como ela agia na história demonstrava algo totalmente ao contrário. Para uma pessoa que não se importava com o dinheiro do pai e que fazia tanta questão de reforçar que não era uma pessoa consumista, ela não excitou em nenhum momento em gastar o dinheiro do pai com roupas e sapatos de grife, chegando a ser exasperante às vezes em que a personagem cita as benditas lingeries da Victoria Secrets na história.  Sério é irritante.

As constantes citações das lingeries só não chegaram a ser mais irritante do que a paixão platônica dela pelo enteado do rei, o Alex. O romance entre eles é tão superficial que em momento algum conseguiu me cativar. Sem falar que achei bem desnecessário o apelido “nome de cachorro”, para a namorada do Alex na história, a Laika. Se isso foi uma tentativa de deixar a história engraçada, a meu ver infelizmente não funcionou muito bem. Até mesmo o Alex, apesar de ser lindo, maravilhoso, enigmático e todo o blá,blá, blá de sempre não mostrou de fato para o que vinha da história, sendo tão apagado como o rei Andrej.

Talvez o maior problema é que eu não tenha mais “idade” para ler esse tipo de  livro. Mas de verdade acredito que se a autora Marina Carvalho tivesse focado mais na relação de pai e filha, explorado mais na narrativa os costumes e tradições do país, e principalmente escrito o livro em uma linguagem mais “formal”, sem tantas divagações da protagonista eu teria gostado mais da história. Que a autora tem talento isso eu não tenho dúvidas, porém a maneira com Simplesmente Ana foi estruturado e desenvolvido não me encantou.

“Falar de saudade era tão ruim quanto sentir. Mas pior ainda era sentir saudade de alguém que provavelmente não retribuiria esse sentimento.”

Bem leitores minha dica é: Leiam o livro sim! Dessa forma vocês vão conseguir tirar suas próprias conclusões e quem sabe ao contrário dessa que vos escreve se encantar com a história.

novembro 09, 2013

Quero ser Beth Levitt por Samanta Holtz



ISBN: 9788542800449
Editora: Novo Século
Ano de Lançamento: 2013
Número de páginas: 544
Classificação:
Onde Comprar: Livraria Cultura, Livraria Saraiva - Compare os Preços.



Sinopse: Amelie Wood perdeu os pais aos doze anos e, desde então, vive em um abrigo de meninas. Com a chegada do seu décimo oitavo aniversário, ela vive agora o temido e esperado momento de deixar o lugar que a acolheu por toda a adolescência para enfrentar o mundo em busca dos seus sonhos. Seu bem mais precioso é o velho exemplar do romance que sua mãe lia para ela, na infância. "Doce Acaso" contava a história de Beth Levitt, uma jovem que, como ela, amava o balé e tinha a vida transformada ao conhecer o príncipe Edward. Amie suspira ao reler incansavelmente aquelas páginas, imaginando quando o príncipe da vida real baterá em sua porta... Por isso, ao soprar as velas, não tem dúvida quanto ao seu pedido: "Quero ser Beth Levitt!". Através de grandes coincidências e uma trajetória que ela jamais imaginaria, Amie se vê, de repente, no fascinante mundo do cinema, cara a cara com o príncipe mais lindo que sonharia encontrar e lutando para se esquivar da maldade de muita gente invejosa, contando, para isso, com sua melhor arma: um coração puro.

Sabe quando uma história é tão doce e delicada, que você tem a sensação que tem mel nas páginas?  Foi bem essa a sensação que tive durante as quinhentas e quarenta e quatro páginas de Quero ser Beth Levitt. Escrito com uma sensibilidade enorme, Quero ser Beth Levitt não nos presenteia apenas como uma narrativa envolvente, mas também com a perceptível evolução da escrita da autora Samanta Holtz a cada capitulo.

Após ter que deixar o abrigo pelo qual morou durante grande parte de sua vida, Amelie Wood finalmente está prestes a enfrentar o mundo real. Amie volta para a casa em que viveu seus momentos mais felizes, onde cada lembrança de seus pais ainda estão intocadas e vivas. Para a doce e ingênua Amie esse é um momento mágico e assustador ao mesmo tempo, porém ela está decidida a seguir o ultimo conselho dado por sua mãe, o de manter o coração puro. Agora que ela não está mais sobre a proteção do abrigo e livre para fazer suas próprias escolhas, o seu primeiro grande desafio é encontrar um emprego.

Depois de receber alguns nãos na cara, Amie cai de paraquedas no teste para a adaptação cinematográfica de seu livro favorito “Doce Acaso” e lá por uma feliz coincidência ela conhece o seu “príncipe encantado”, o famoso ator Chris Martin. Em meio à emoção e uma ajudinha do “senhor” destino Amie sente que talvez o seu pedido de aniversário pode se tornar realidade. Porém, ela logo percebe também que infelizmente às vezes a vida não é bem um conto de fadas, e que o mundo real pode ser cruel onde conquistar seus sonhos e ainda manter seu coração puro pode não ser uma tarefa fácil.

A principio algumas atitudes da Amie me deixaram um pouco irritada. Ela é um personagem tão inocente que é realmente difícil acreditar que nos dias de hoje ainda exista alguém com a pureza de Amie.  Não sei se pelo fato de ser muito objetiva e não dar muito espaço para o “sentimentalismo” na minha vida pessoal, atrapalhou um pouco a minha compreensão sobre a personalidade e decisões da Amie, mas ao  final confesso que eu senti um pouco de inveja dela. Sinceramente gostaria de enxergar os pequenos detalhes da vida, com o mesmo amor que ela enxergar.

A maneira com que a autora Samanta Holtz desenvolveu a história, me fez vivenciar cada nova etapa da vida de Amie, como se fossem momentos da minha própria vida. A riqueza na descrição dos detalhes e lugares, a construção de todos os personagens e delicadeza com que a autora uniu tudo isso, faz de Quero ser Beth Levitt um livro mágico e apaixonante.  Eu me emocionei, sofri e comemorei a cada nova conquista da Amie e por que não a da Beth também.

Esse foi o detalhe que mais me deixou encantada com a história. Conforme a narrativa evoluía a “ficção” se misturava com a realidade. Fui tanto conhecendo melhor os personagens da trama central do livro, como os personagens da trama paralela que deu origem ao filme em que a pequena Amie é uma das grandes estrelas. Além disso, por mais que a narrativa tenha uma dose “extra de mel”, a autora me surpreendeu dando um toque de suspense no enredo. Como vocês sabem adoro ficar criando teorias e aqui,  e se por um lado eu tive uma grande surpresar, por outro fiquei muito feliz em perceber que as minhas suspeitas estava certas.  Afinal, toda história tem aquele personagem que por mais que ele tente não consegue despertar a nossa simpatia.

Quero ser Beth Levitt me fez sonhar acordada enquanto eu lia suas páginas. Sem nenhuma pretensão Amelie Wood me ensinou que uma das coisas mais importante da vida, é nunca deixar de lutar pelos seus sonhos, por que cedo ou tarde eles sempre se realizam. Ao final, como meus olhos cheios de lágrimas percebi que eu não queria ser Beth Levitt, e sim que quero ser Amelie Wood. Quero ter muito, mais muito mel nas páginas da minha vida.

“Como aconteceu, não importava: o destino apenas tinha cumprido o seu papel. E foi isso que ele fez, por meio de uma sequência perfeita de ... erros. Os erros mais felizes que ela presenciara.”

Um verdadeiro presente para os leitores, Quero ser Beth Levitt encanta e emociona a todos que por mais dificuldades que tenham passado, ou passam na vida ainda cultivam sonhos e principalmente acreditam neles de todo o coração. Ao final dessa bela leitura você também vai querer ser Amelie Wood.

março 31, 2013

Manuscrito encontrado em Accra por Paulo Coelho


Manuscrito encontrado em Accra por Paulo Coelho.


ISBN: 9788575428221
Editora: Sextante
Ano: 2012
Número de páginas: 176
Classificação: 4/5
Onde Comprar: FNAC, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Livraria da Travessa, Submarino - Compare os Preços





Sinopse: 14 de julho de 1099. Enquanto Jerusalém se prepara para a invasão dos cruzados, um grego conhecido como Copta convoca uma reunião com os jovens e velhos, homens e mulheres da cidade. A multidão formada por cristãos, judeus e muçulmanos chega à praça achando que irá ouvir uma preleção sobre como se preparar para o combate, mas não é isso que Copta tem a lhe dizer.






Não é segredo para ninguém que sou grande fã do autor Paulo Coelho, mas desde que li O Zahir em 2008 eu não tinha pegado mais nenhuma obra do autor para ler. Uns dos motivos foram as minhas mudanças e adaptações às cidades novas que me mantiveram longe das bibliotecas. Também por que eu meio que optei por evitar livros com a temática que ele costuma abordar. Não sei bem ao certo o que me levou a isso, simplesmente resolvi dar um tempo. Porém quando o Manuscrito encontrado em Accra foi lançando, aquela pontinha de curiosidade começou a falar mais alto. Ainda bem que sou uma pessoa curiosa.

Como vocês podem ver o livro em si é bem curtinho e não tem como fazer uma resenha extensa sobre ele, até mesmo por que aqui não é contada uma história com a estrutura a qual estamos acostumados a encontrar nos livros de uma forma geral. Como o próprio nome do livro já diz ele é um Manuscrito, ou seja, ele conta um fato que aconteceu, um pedaço de uma história “real”. Do meu ponto vista ele chega até ser um livro mais “filosófico”, por relatar questões existências que acompanham o ser humano até hoje.

O personagem central desse relato é o grego Copta que era considerado um grande sábio, pelo povo que habitava Jerusalém antes da invasão cruzada.  Na véspera dessa invasão as pessoas se reuniram na praça a espera das sábias palavras do Copta para enfrentar tanto a guerra como a derrota que batia em suas portas. Porém a mensagem que o Copta tinha para eles naquela noite era que: independente do que acontecesse durante e depois da guerra, encontrar a verdadeira felicidade dependeria única e exclusivamente de cada um.

 O que eu mais achei interessante é que algumas das questões levantadas pela população daquela época são tão atuais, que me vi percebendo que mesmo com todos os avanços tecnológicos que temos hoje, nas questões “primárias” infelizmente evoluímos muito pouco. Outro ponto que me chamou bastante a atenção foi o contexto e o período histórico religioso por traz do manuscrito. 

Eu particularmente gostei muito do prefácio onde o autor cita acontecimentos importantes tanto da vida pessoal dele próprio, como fatos que fazem parte da história e que acabaram esquecidos ou se perderam com o tempo. A minha única dúvida é se o nome do sábio grego tem alguma relação com a Igreja Ortodoxa Copta que surgiu no Egito, país de origem do manuscrito ou se só é uma curiosa coincidência.

Por mais complexo que o livro possa parecer ele consegue ser uma leitura leve e bem agradável, o que me surpreendeu bastante, pois eu estava esperando um livro um pouco mais denso por conta da sinopse e do prefácio. Não é um livro que vá agradar a todos e eu tenho pela consciência disso.  Pois como eu mesma comentei acima ele tem um lado filosófico muito forte e algumas pessoas simplesmente não tem paciência para ler algo desse tipo. Mas para quem está buscando leitura mais “zen” ele é uma ótima opção.

Para quem tiver interesse e oportunidade de ler o livro; Leia! Claro sem muitas expectativas e ou “pré-conceitos” já estabelecidos dessa forma mesmo que a leitura não agrade em um todo, também não vai decepcionar.
Fica a dica!




janeiro 06, 2013

A Batalha do Apocalipse por Eduardo Spohr

A Batalha do Apocalipse por Eduardo Spohr.

ISBN: 978857686071
Editora: Verus
Ano: 2010
Número de páginas: 586
Classificação: 3 estrelas
Onde Comprar: FNAC, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Livraria da Travessa, Submarino - Compare os Preços.

Sinopse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo.Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.


Desde que comecei a resenhar os livros que leio no blog nunca fiquei em dúvida sobre postar ou não a minha opinião a respeito de uma obra aqui. Mas, eis que surgiu A Batalha do Apocalipse que mesmo hoje, após um mês do termino da leitura e de um bom tempo de reflexão sobre a história, ainda me causa sentimentos contraditórios. 

Há um mês se alguém me perguntasse o que achei de A Batalha do Apocalipse eu diria com toda certeza que: “Foi uma das leituras mais decepcionantes de 2012 para mim”; fato esse que infelizmente não mudou, mas depois desse tempo refletindo sobre o conjunto da obra em si, sou obrigada a admitir que mesmo sendo decepcionante, ele é um bom livro.

Acho que a primeira coisa que devo resaltar é que, se você já não tem aquela pré-disposição para ler livros longos é melhor evitar esse. A Batalha do Apocalipse não foi um livro escrito para quem gosta de narrativas mais diretas e desfechos rápidos, além disso, ele possuiu um vocabulário muito rebuscado e repetitivo o que, com o tempo torna a leitura excessivamente maçante. Em minha opinião a história teria sido muito melhor desenvolvida se o autor tivesse se atentado mais aos “fatos reias” e economizado no uso de flashbacks, esses que devido ao exagero com que apareciam na história me deixavam com vontade de abandonar o livro.

Tudo bem, que de certa forma eles tiveram um papel importante na narrativa, pois é através deles que se conhece um pouco melhor os personagens centrais e secundários da história. O problema é que quando você se depara com um capítulo de cento e trinta cinco páginas só de flashback aquele pensamento que: “Senta que lá vêm à história” surgi em sua mente meio que automaticamente, se é que vocês me entendem. Ai você lê, lê, lê, lê e parece que a narrativa não sai do lugar, e quando finalmente ela anda uns cinco passos eis que surge novamente: “Senta que lá vêm à história”, mais uma vez.

Ok! Vá lá que o autor quis contar toda a história do Anjo Renegado, Ablon o mocinho da vez e da Feiticeira de En-Dor, Shamira desde os primórdios da Babilônia, passando pelo Império Romano e a Idade Média até os dias atuais. Sim, ele também precisava de alguma forma explicar toda a mitologia que ele criou referente aos anjos e suas castas, como também a diferença de cada plano espiritual citado no livro, mas tipo não dava para fazer um “resumo da opera” não? Nada contra as narrativas extremamente longas, lentas e descritivas, ao contrário eu até gosto delas desde que, os fatos narrados agreguem alguma coisa à história, porém aqui esse “direto do túnel do tempo”, só serviu para dar volume de página ao livro.

Em minha opinião o livro se salva justamente por causa de toda a mitologia e simbolismo que o autor criou, pois infelizmente os personagens em sua grande maioria não se destacam. O casal de protagonistas, Ablon e Shamira juntos não convencem. De verdade eles formam um casal totalmente sem graça, sem química, do tipo que não tem absolutamente nada a ver juntos. Já Miguel, o Arcanjo é do tipo de personagem que promete muito e acaba tendo uma participação um tanto “inglória” para a importância que foi dada a ele em toda a história. O mesmo acontece com Lúcifer que não chega a ser tão perverso como se era esperado e, na verdade em alguns momentos ele chega até há ser meio engraçado. Sim leitores, imaginem o Arcanjo Sombrio, o mais temido de todos sendo o personagem mais “engraçadinho” do livro todo. Foi bem decepcionante. Porém, nem tudo está perdido, afinal personagens como Arcanjo Gabriel, os anjos Aziel e Natanael e os demônios Amael e Orion, que são aqui personagens secundários conseguem ser mais carismáticos e terem papéis mais marcantes na história do que os protagonistas.

Outro detalhe negativo do livro é que todos os inimigos “super poderosos” do Anjo Renegado eram mortos por ele com tanta facilidade que até as batalhas que deveriam ser o clímax da história se tornavam ridiculamente sem graça. Falando no clímax, o final surpreendente que é tão esperado, desejado durante todo o livro é o mais decepcionante de tudo. Tipo eu realmente esperava uma “grande batalha”, algo realmente épico e quando o livro terminou eu pensei: “Fala sério? Tudo isso para a história acabar assim!”, me desculpem a sinceridade, mas foi o final mais medíocre que já li. Claro que teve algumas revelações bombásticas, porém eu esperava mais, muito mais.

Bem, mesmo terminando o livro com um sentimento de decepção muito grande, eu tenho que reconhecer a ousadia e a criatividade do autor. Apesar da leitura em alguns momentos ter sido um verdadeiro exercício de paciência, Eduardo Spohr conseguiu de alguma maneira despertar em mim aquele sentimento de curiosidade o que me fez aguentar firme e forte o livro até o final. Eu gostei muito da mitologia que o autor criou como também os períodos históricos em que o livro foi narrado. Em si o livro é uma grande obra e não digo isso pela quantidade de páginas, mas pela história que Spohr criou, só acho que o autor acabou pecando pelo exagero em alguns momentos, porém não posso negar que ele é um autor talentoso.

A Batalha do Apocalipse não é um livro que eu recomendo para quem tem uma filosofia religiosa muito forte e não curte muito literatura fantástica. Para os que gostam de gênero é uma leitura que, embora seja um pouco cansativa é válida principalmente para quem quer conhecer o trabalho do autor. A minha dica é não esperar muito de livro e ter a consciência que, você vai precisar de uma boa dose de paciência para levar a leitura até o final.



dezembro 09, 2012

O Pássaro por Samanta Holtz

O Pássaro por Samanta Holtz.

ISBN: 9788575796381
Editora: Novo Século
Ano: 2012
Número de páginas: 480
Classificação: 4/5 estrelas
Onde Comprar: FNAC, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Submarino - Compare os Preços


Sinopse: Caroline Mondevieu é filha de um poderoso Barão e tem tudo o que uma dama da época poderia querer: status, riqueza e um ótimo partido para se casar. Seus sonhos, no entanto, vão muito além de vestidos caros ou um bom marido; ela quer ser dona do próprio destino. Sua vida muda completamente quando encontra Bernardo, um charmoso domador de cavalos que parece ter o dom de irritá-la. Eles não conseguem se entender até quando percebem que, para alcançar o sonho em comum da liberdade, terão que passar por cima das suas diferenças e se unirem num arriscado plano que promete transformar suas vidas para sempre. Grandes emoções os aguardam em sua jornada; perseguição, mistérios, ciganos e o despertar de um sentimento que insiste em se manter escondido. Mas o que parece tão simples envolve muito mais magia e coincidências que eles podem imaginar, além da descoberta de segredos, até então, muito bem guardados.


Nunca sei o que é mais difícil; resenhar um livro que não me identifiquei muito com a história e por essa razão eu acabei não gostando muito, ou resenhar um livro pelo qual me apaixonei. Em ambas as hipóteses a situação é um tanto complicada, já que como vocês mesmos podem perceber eu meio que sempre acabo deixando as minhas emoções transparecerem enquanto escrevo. E em um ano que, especialmente a literatura nacional me trouxe boas surpresas, O Pássaro veio para fechar com chave de ouro.

Sou apaixonada por romances de época e por esse motivo desde seu lançamento, O Pássaro era um livro que me despertava muita curiosidade, mas mesmo com uma sinopse bem escrita e sugestiva, eu não estava preparada para as emoções que a história em si me traria.  Com um enredo forte e personagens surpreendentes fui conquistada logo nos primeiros capítulos e quando percebi já estava encantada e envolvida não apenas com a narrativa central do livro, mas com todo o universo criado pela a autora.

A narrativa é suave e delicada, o que contrasta com a personalidade forte e determinada da protagonista, a jovem Carolina Mondevieu. Filha mais nova do implacável Barão Enézio Mondevieu, Carolina ainda criança aprendeu da pior maneira possível a temer o peso da mão de seu pai, mas junto com este medo foi crescendo dentro dela o desejo pela liberdade. Para Carolina a vida submissa que sua mãe Antonelle e sua irmã Elizabeth levavam era uma prisão. Porém, ela estava disposta a correr os riscos que fossem necessários para ser livre, só que ela não contava que no meio do caminho ia acabar se apaixonando. Quando seu caminho se cruza com o de Bernardo Rachlev, o jovem domador de cavalos do feudo de seu pai, não só a busca pela liberdade ganha um novo sentindo, mas a sua vida toda.

Com uma narrativa doce e cheia de surpresas, a autora Samanta Holtz leva o leitor ao século XIII para viver uma história de determinação, aventura, grandes revelações e amor. O ritmo de leitura foi tão envolvente que eu simplesmente não conseguia largar o livro. E o fato mais legal de toda a trama que a autora criou é que, ela não direciona a narrativa apenas para os personagens centrais. Todos os personagens têm suas próprias histórias que vão acontecendo em paralelo com a história de Carolina, com isso além de deixar a narrativa mais real e emocionante a autora conseguiu destacar outros personagens maravilhosos como Filip, o melhor amigo de Caroline.

É quase impossível não se encantar pelo Filip. Pense em um ser humano fantástico, capaz de abrir mão de seus sentimentos, para ver quem ama feliz. Não só isso, ele foi capaz de perdoar o que para muitos, principalmente na época em que o livro é narrado consideravam, o maior ato de humilhação pública em nome do amor que sentia. Alguém que incapaz de impor sua vontade a força, se essa fosse trazer a infelicidade de outra pessoa. Sim! O mundo seria um lugar mil vezes melhor se houvessem mais pessoas com o caráter e o coração nobre dele.  O Filip só não conquistou de vez meu coração, por que o Bernardo chegou antes. (Ok, eu tenho uma queda por homens teimosos admito).

E Bernardo é "insuportavelmente" tão teimoso como Carolina é mimada e juntos eles formam um casal de dar nos nervos de qualquer um. Tinha momentos que eu achava os dois à “coisinha mais fofa“ juntos, em outros eu queria que o Bernardo largasse a Caroline por que ela se comportava como uma “criança pirracenta” e às vezes acontecia o contrário, eu torcia para que ela o largasse por ele ser comportar como um “perfeito idiota”. E o pior de tudo, o que mais me deixava doida era que só os dois não enxergavam o óbvio. E infelizmente quando eles conseguiram enxergar isso foi um pouco tarde demais.

Mesmo com algumas falhas que a editora deixou passar na hora da revisão, O Pássaro possui a leveza de romance muito bem escrito que entre as suas entrelinhas tem todo um mistério e magia que o leitor vai desvendando aos poucos. Parte disso se dá por conta do povo cigano tão ricamente descrito no livro, mas principalmente pelas reviravoltas que a história tem. Eis um livro que não é óbvio, e por mais que o final tenha me levado às lágrimas, eu não consigo imaginar em um desfecho tão perfeito e bonito, do que o dado pela a autora.

Sinceramente eu não consigo encontrar as palavras corretas para finalizar essa resenha. Acho que qualquer coisa que eu vá escrever aqui, não vai conseguir transmitir o que de fato eu estou sentindo. E como realmente me faltam palavras, as únicas que eu encontro e que se aproximam do que quero dizer a vocês são; Lindo, fantástico e surpreendente!

Recomendadíssimo! (clichê eu sei, mas me perdoem não consigo pensar direito quando estou emocionada).


novembro 04, 2012

Necrópolis por Douglar MCT

Necrópolis por Douglar MCT.

ISBN: 9788565383684
Editora: Gutenberg
Ano: 2012
Número de páginas: 296
Classificação: 2/5 estrelas
Onde Comprar: FNAC, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Livraria da Travessa - Compare os Preços


Sinopse:
Livro I - A Fronteira das Almas

Verne e seus aliados – um monge renegado, um ladrão velocista, uma mercenária deslumbrante e um homem-pássaro suspeito – rumarão até Necrópolis e conhecerão um novo mundo e novas criaturas, em uma aventura emocionante e assustadora. Com personagens instigantes e uma história fantástica recheada de emoções e terror, o leitor se sentirá na companhia de Verne, adentrando e desbravando um mundo fantástico cheio de batalhas e de um perigo sobrenatural.


Já não é novidade nenhuma que livros no estilo da literatura fantástica são os meus favoritos, por essa razão não pensei duas vezes quando a editora Gutenberg me sugeriu Necrópolis para ler e resenhar aqui no blog. A sinopse do livro me deixou bastante intrigada, afinal por ela é bem perceptível que o livro possui elementos que faz com que, qualquer leitor que goste deste estilo de leitura fique no mínimo bastante curioso. Porém apesar de ter gostado bastante do livro eu senti que faltou alguma coisa.

Para quem foge de histórias de terror e exorcismo assim como essa que vos escreve, o livro começa com um prólogo de dar arrepios.  Confesso que na noite que comecei a lê-lo tive dificuldades de dormir, tanto que acabei deixando ele de lado por uma semana. Sim eu sou medrosa, podem rir de mim eu não ligo. Passado o medo inicial do livro, percebi que a leitura não seria tão macabra quanto os primeiros capítulos me fizeram acreditar. Claro foi um alívio, mas infelizmente era até “preferível” eu ter que dormir com a luz do meu quarto acessa por uma semana e o livro ter de fato provocado algum tipo de emoção em mim, do que depois de um “bom” começou a leitura cair em uma espécie de mesmice que não dava nem medo e não empolgava também.

Para começar o enredo gera um monte de pontos de interrogação na cara do leitor. Algumas dessas dúvidas chegam a ser respondidas outras, porém continuam a pairar a espera de respostas. Tudo bem é normal esse tipo de coisa se tratando de uma série, mas algumas coisas você fica se perguntando no que aquele elemento agrega no enredo. Vou dar um exemplo bem simples para vocês entenderam o que quero dizer. No livro tanto o personagem principal Verne Vipero, como seu irmão Victor e outras crianças possuem amigos imaginários, os “AIs “ que sinceramente em meu ponto de vista não acrescentam nada, absolutamente nada na história.

Outro ponto que ficou um tanto confuso para mim foi que a sinopse nos leva acreditar que Verne é um cético de carteirinha, algo que nos primeiros capítulos se mostra um traço bem forte da sua personalidade. Só que ai bastou seu irmão morrer, e um estranho aparecer  do nada e falar para ele, que existia uma forma de ele salvar a alma do irmão, e pronto todo o ceticismo dele acaba. Claro que durante alguns trechos do livro o autor ainda tenta reforçar esse lado em Verne, porém não convence por que tipo, ele aceitou as coisas fáceis demais Elói, o monge renegado não precisou de muito esforço para convencer ele a ir se aventurar em Necrópolis. Cadê o ceticismo ai?

O livro embora em alguns pontos seja bem estruturado o enredo em si é um tanto confuso.  Fiquei com a sensação que talvez o autor se empolgou um pouquinho demais e acabou misturando muitos elementos  que por mais legais que sejam quando os vemos em outros livros do estilo, juntos eles não funcionaram muito bem.

A parte eu mais gostei da história foi lenda que envolve o clã dos Ladrões, por que pelo menos esse núcleo da trama foi mais bem desenvolvido e explicado em minha opinião. Simas, o ladrão velocista consegue ser um personagem que se destaca muito mais do que o protagonista Verne, por dar um “q” de descontração na narrativa que a torna leve e faz com que você acabe se envolvendo mais com a história.

Quando Karolina, a mercenária deslumbrante e Ícaro, o homem-pássaro chamado na história de “O corujeiro”surgem, você passa ter uma visão mais ampla de Necrópolis e de como as coisas funcionam por lá. O livro fica interessante e a narrativa começa a prender a sua atenção, até que o autor quase põe tudo isso a perder. O que já era uma miscelânea de elementos da literatura fantástica surpreende ainda mais com a presença do Minotauro, de uma Oria, de um Lord Vampiro “bonzinho” e de um Rei Serpente que aparentemente é o senhor todo poderoso do mal ali. Ou seja, os pontos de interrogação se multiplicaram. Felizmente esses personagens até tiveram e acredito terão um papel importante na história. Só que cá entre nós é muita informação ao mesmo tempo.

Douglas MCT
é um autor bem criativo e é visível que ele tem o mundo de Necrópolis muito bem estruturado na sua mente e por mais que a sua história tenha algumas falhas e alguns “exageros” o que mais em incomodou durante toda a leitura, foram os inúmeros erros de revisão do livro. Erros de conjugação verbal, crases usadas sem necessidade e a falta de separação das palavras em algumas frases me forçavam reler o mesmo parágrafo mais de uma vez para entender o contexto do que estava acontecendo. Isso sim foi frustrante.

Necrópolis é uma leitura válida e como eu mesma falei logo no começo da resenha, no geral gostei bastante da história. Mas sinto que por mais elementos e personagens que o autor tenha colocado na narrativa, faltou algo, ou melhor dizendo, respostas que eram necessárias neste primeiro livro. Pode não ter sido um livro surpreendente, mas rendeu uma boa leitura, em que apesar dos pesares valeu apena se arriscar.

Fica a dica!






ps: O resultado da promoção O Clã dos Magos já saiu (basta logar no rafflecopter). Muito obrigada a todos que participaram, e se preparem por que o final de ano promente \o/

outubro 01, 2012

Fios de Prata por Raphael Draccon


Fios de Prata: Reconstruindo SANDMAN por Raphael Draccon.


• ISBN: 978580445961
• Editora: LeYa
• Ano: 2012
• Número de páginas: 352
• Classificação: 5 estrelas
Onde Comprar: FNAC, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Livraria da Travessa, Submarino - Compare os Preços


Sinopse:

“Tu inspirastes Rowling, e foi nas terras de Morpheus que se moldou Hogwarts.  Tu inspirastes Tolkien, e foi nas terras de Phantasos que se anexaram as extensões de Terra-Média.Tu inspirastes Lovecraft e em minhas terras se fixou Miskatonic. Então eu te pergunto com sinceridade, anjo: Até onde vai tua vontade de ser coadjuvante em um mundo de formas e pensamentos?”





Acredito que só pela sinopse vocês já devem ter percebido que Fios de Prata reuniu em um livro só tudo o que mais amo na literatura fantástica. Tanto que ele é sem sombra de dúvidas um dos melhores livros que li este ano, e um que com certeza irei reler algumas vezes na vida. Chega ser até difícil eu conseguir traduzir em palavras o quanto eu gostei deste livro. Ele é tão mágico, perturbador e envolvente que eu simplesmente não conseguia parar de ler e falar dele. Pensem em uma pessoa que foi dormir às duas da manhã e no outro dia foi que nem zumbi para aula. Acho que já deu para entender como foi a minha relação com este livro não é?

Fios de Prata nos conta a história de Mikael Santiago, o Allejo, um jovem de vinte dois anos e uma promessa no futebol mundial e Ariana Rochembach uma ginasta em ascenção. A vida dos dois parecia um sonho, mas nem todos os sonhos são o que parecem. Por traz deles se existem mundos e seres que deveriam permanecer ocultos para sempre.

Mesclando fatos reais com fantasia, Fios de Prata é um livro que prende o leitor do começo ao fim. Embora o romance entre Allejo e Ariana seja essencial para história, a narrativa em si não é completamente centralizada no casal. Há outros personagens como os próprios deuses dos sonhos; Morpheus, Phantasos, Phobetor e claro, seres humanos que, por menor que sejam as suas participações em toda a narrativa, desempenham um papel de extrema importância no conjunto final da obra.

Ele é o tipo de livro que faz o leitor viajar para mundos distantes, e realmente se sentir parte de tudo o que está acontecendo na história. A riqueza de detalhes é tão grande que eu podia me ver horas no reino fantástico habitado por elfos e outras criaturas mágicas do deus Phantasos, como também conseguia sentir medo e agonia no reino sombrio de Phobetor. Senti raiva da arrogância de Morpheus, medo e nojo de Phobetor e admiração pelo bom senso, inteligência e coragem de Phantasos. Acho que já deu para perceber quem se tornou o meu deus dos sonhos favoritos não é mesmo?

Que Allejo é um grande herói, isso é inquestionável. Acredito que poucos seres humanos assumiram a missão incerta que ele assumiu por amor. E o que parece ser mais uma história de regaste do ser amado, se torna uma história de regaste espiritual, de encontro consigo mesmo e a redenção de duas almas perturbadas. Essa jogada do autor em meu ponto de vista foi simplesmente perfeita! Ele conseguiu criar um romance bonito, sem ser água com açúcar em uma narrativa que teoricamente um romance deste tipo não teria espaço, afinal a história em si se trata de uma sórdida guerra travada entre os deuses do Sonhar por poder.

Eu digo sórdida por que neste caso o “vilão” não é bem quem parece ser. Na verdade muitas coisas neste livro não são bem o que parecem, e eu realmente adorei isso. Adorei as surpresas que cada capítulo me trazia. As revelações e principalmente a forma com que o autor trabalhou junto temas que eu amo como; mitologia, dogmas religiosos e espiritualidade de uma maneira muito centrada, sem fugir muito da realidade que conhecemos, mas também apresentando novas hipóteses. Sabe quando você termina um livro e bate palma para o autor, por que ele conseguiu criar um final que você jamais esperaria?  Foi exatamente isso que aconteceu comigo.

Raphael Draccon me surpreendeu pela forma com que ele construiu toda história e desenvolveu tanto ela como seus personagens. Algumas linhas de pensamento que o autor expôs no livro vão muito de encontro com o que eu acredito. E isso me deixou muito feliz, por que foi o primeiro livro que eu li que apresentou um conceito do bem e do mal de uma forma não tão “bonitinha” e cheia de falsos moralismos. Raphael Draccon mostra que um santo também pode matar e que um assassino também pode ser nobre, mas que ao final todos tem o que pedem e merecem.

Raphael Draccon é mais um autor nacional entrou para a minha lista de autores favoritos. Afinal com a empolgação que eu estou escrevendo esta resenha é meio óbvio que o autor ganhou um lugar de destaque na minha estante. Fios de Prata não perde em nada para livros estrangeiros de literatura fantástica e quero parabenizar tanto o autor como a editora LeYa por este lançamento.  Fios de Prata é mais que uma capa bonita, é uma história de redenção, coragem, amor e sonhos. 

Realmente um dos melhores livros que li em 2012, que recomendo para todos que estejam procurando um livro "realmente fantástico" para ler. Leiam Fios de Prata!

“O sonho é irmão gêmeo da morte”Homero.

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