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abril 01, 2018

Anjo Mecânico por Cassandra Clare

| Arquivado em: RESENHAS.



ISBN: 9788501092687
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2012
Número de páginas: 392
Classificação: Muito bom
Sinopse: As Peças Infernais – Livro 01.
Tessa Gray tem um anjinho mecânico pendurado no pescoço, um presente de família do qual nunca se separa. O tique-taque do pingente faz com que ela se sinta segura junto à lembrança dos pais, que já morreram. Mal sabe Tessa que esse barulhinho muito em breve vai se tornar o odioso som de um exército comandado por forças do Submundo. Com os Caçadores de Sombras e seu recém-descoberto poder sobrenatural, ela enfrentará uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das trevas na Londres vitoriana.

Quem acompanha o blog há mais tempo, sabe que depois de Harry Potter um dos meus universos favoritos, é o dos Caçadores das Sombras. O mundo criado pela autora da Cassandra Clare é tão fantástico e repleto de tantos detalhes, que a cada leitura fico ainda mais encantada por ele. Já tinha pegado alguns spoilers da trilogia As Peças Infernais quando li a Dama da Meia – Noite, e por isso estava bastante curiosa para conhecer melhor o passado de alguns personagens.  E apesar, do começo um pouco lento de o Anjo Mecânico, ao final me vi mais uma vez completamente envolvida pela escrita da autora e apaixonada pela história e seus personagens.

Theresa Gray, ou simplesmente Tessa atravessa o oceano para encontrar com irmão Nate na cinzenta e chuvosa Londres. Ela tinha em mente um reencontro feliz, porém as coisas não acabam saindo como o esperado. Assim que desembarca na cidade, a jovem acaba sendo sequestrada pelas irmãs sombrias.  A ameaça é clara, ou Tessa colabora ou Nate pagará com a vida, pela desobediência da dela. Durante a sua estadia forçada na casa das terríveis mulheres a jovem descobre possuir uma habilidade incomum, e é justamente esse seu talento que a torna tão preciosa para o misterioso Magistrado.

Will Herondale e Jem Carstairs encontram uma adaga com um símbolo do submundo próxima a uma garota mundana assassinada. Decidido a investigar o que anda acontecendo, Will acaba chegando a casa das irmãs sombrias. Enquanto tenta encontrar provas que liguem as irmãs aos crimes que vem acontecendo na cidade, ele encontra Tessa e a liberta do cativeiro. A jovem então descobre que todas as lendas que ouviu quando criança, são reais e que existe um mundo à parte daquele que sempre conheceu, em que descendentes de anjos e demônios vivem em um frágil pacto de paz.

Will a leva para o Instituto a casa dos Caçadores das Sombras, mas apesar de estar finalmente livre das garras das irmãs sombrias, Tessa continua sem notícias do irmão. A medida que busca desesperadamente encontrar alguma pista que revele o paradeiro do irmão, Tessa aos poucos vai aprendendo mais sobre como as coisas funcionam no mundo dos Caçadores das Sombras e os seus habitantes. Os dias passam rapidamente e Tessa se vê cada vez mais envolvida por Will, ao mesmo tempo que uma ligação forte surge com Jem.

Mas, algo terrível está sendo tramado nas sombras. Afinal, o Magistrado continua atrás dela e fará de tudo para atingir seus objetivos malignos e para isso ele está construindo um exército que nem anjos e demônios serão capazes de derrotar.  Ao lado de desconhecidos e novos amigos Tessa está prestes a entrar em uma batalha de vida ou morte, em ela aprendera que a verdade pode ser terrivelmente dolorosa. 

Anjo Mecânico possui uma narrativa bem introdutória, tanto que confesso que até a metade do livro eu não me via tão “empolgada” com a leitura. Porém, como estamos falando de Cassandra Clare, a autora consegue mesmo com esse ritmo mais lento inserir elementos que despertam a nossa curiosidade e que aos poucos vão nos envolvendo a cada capítulo. Gostei muito do modo como a autora construiu a os alicerces da trilogia As Peças Infernais, pois é visível que temos uma história mais madura e até mesmo mais "sombria", quando comparamos ela como o início de Os Instrumentos Mortais.

Tessa é uma personagem que evolui gradativamente conforme a narrativa avança, mas não nego que em alguns momentos as atitudes “ingênuas” demais da protagonista me incomodaram. Além disso, o fato da autora inserir um bendito triangulo amoroso na história também não me deixou muito feliz, em especial por que Will e Jem são completamente opostos.

Will é o típico bad boy, convencido e arrogante que seguindo o clichê, guarda um segredo triste de seu passado. Já Jem, é o “bonzinho” que mesmo tento sofrido uma grande perda no final de sua infância, consegue ser aquela pessoa que sempre sabe o que dizer e fazer para tranquilizar os outros. E se vocês, estão se perguntando se sou #teamWill ou #teamJem, acho que ficou óbvio que sou #teamJem ().

Porém, o ponto mais positivo nessa obra da Cassandra Clare, ao menos em minha opinião, é o papel desempenhado pelos personagens secundários. Aqui eles não são apenas personagens coadjuvantes que ficam apagados em grande parte da narrativa. Pelo contrário eles são personagens ativos e importantes no desenvolvimento do enredo. Gostei bastante da Sophie, do mesmo modo que criei uma antipatia enorme pela Jessamine. Só que não nego que a melhor participação foi o do meu personagem favorito de todo universo da Cassandra Clare, - Magnus Bane ().

Além disso, adorei a reviravolta que a autora dá na história. De algumas coisas eu até desconfiava, porém mesmo que tia Cassie tenha deixado mais perguntas do que realmente dado respostas, ela realmente conseguiu me surpreender aqui. Tanto as descrições da Londres vitoriana, como os poemas presentes no  começo de cada capitulo, tornam o enredo mais rico e fazem com que o leitor realmente se sinta parte da história que está lendo.  Como comentei no começo da resenha, Anjo Mecânico é um livro bastante introdutório o que torna o seu desenvolvimento demorado, mas sem sombra de dúvidas satisfatório.

“– Boa parte é verdade, se quer saber. As melhores mentiras são baseadas ao menos em parte na verdade.”

Ao finalizar a leitura de Anjo Mecânico a primeira pergunta que me fiz foi, o por que demorei tanto para ler ele. E admito que uma parte minha está bastante ansiosa para ler Príncipe Mecânico, mesmo já sabendo mais ou menos o que acontece graças aos spoilers que pegamos na vida (...). Cassandra Clare é uma autora incrível que a cada livro me deixa ainda mais apaixonada por suas obras. Se você ainda não deu uma chance para os Caçadores de Sombras conquistar o seu coração, não sabe o que está perdendo.

março 12, 2018

Treze por FML Pepper

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.


ISBN: 9788501110930
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 460
Classificação: Bom
Submarino| Compare os Preços
Sinopse: Às vésperas de cometer o maior golpe de sua vida, a cética Rebeca vai a um parque de diversões decadente e se depara com uma enigmática cartomante que, contra a sua vontade, faz uma série de previsões bizarras sobre seu futuro. Para seu desespero, todas as nefastas previsões viriam a se concretizar e a arremessariam em um furacão de perdas e de derrotas. Quando sua vida chega ao fundo do poço, circunstâncias inesperadas lhe dão a chance de um recomeço e, querendo ou não, agora Rebeca não pode desprezar a última e mais perturbadora previsão da vidente: o número TREZE, ou melhor, o décimo terceiro namorado seria o homem que traria sua salvação. Longe dele, sua existência seria apenas caos e ruína. O que Rebeca jamais poderia imaginar, no entanto, é a que a cartomante camuflaria o predestinado atrás de charadas. Dois rapazes surgem em seu caminho e se encaixam perfeitamente nas pistas, mas apenas um deles será o grande amor da sua vida. É chegada a hora de decifrar o enigma do coração ou arriscar perder tudo para sempre.

Sempre tive curiosidade em ler os livros da autora FML Pepper, afinal a trilogia Não Pare!, é muito elogiada no meio literário. Assim que li a sinopse e vi a capa de Treze, fiquei interessada pelo livro. Afinal como vocês já sabem adoro tudo tem uma pitadinha de fantasia.  Mas, mesmo apresentando uma narrativa fluida, a construção da história peca em alguns detalhes.

Rebeca cresceu ouvindo de sua mãe que fé e amor são sentimentos que enfraquecem as pessoas, e que apenas dados e estáticas são confiáveis.  Nas vésperas do maior golpe de sua vida, uma enigmática cartomante cruza o seu caminho. Para Rebeca a mulher não passa de uma charlatã que ganha dinheiro fácil enganando as pessoas. Só que para surpresa de Rebeca, a previsão da cartomante para aquele dia fatídico se mostra verdadeira. A partir desse dia o seu mundo desaba e ela se vê perdida sem saber para qual direção seguir.

Porém, conforme as previsões da cartomante ela ganha uma chance de recomeçar. Quando Rebeca conhece Eric, ela tem certeza que encontrou a pessoa certa para colocar sua vida nos eixos. Eric é inteligente, lindo, divertido e rico, ou seja o partido perfeito. Mas, apesar de todos os caminhos apontarem na direção do príncipe encantado, ela se vê cada vez mais atraída pelo misterioso Karl. Karl é o completo oposto de Eric, e descrente Rebeca não está disposta a ignorar a previsão da cartomante. Até por que Madame Nadeje deixou bem claro, que o namorado número treze será aquele que trará a sua redenção. 

Entre as charadas e uma corrida contra o tempo, Rebeca não quer dar sorte ao azar novamente. Só que ela está prestes a descobrir que nas teias do destino nada é o que parece ser. Além disso, todos nós temos livre arbítrio e no final são nossas escolhas que determinam o nosso futuro.

Treze possui uma narrativa fácil e logo nos primeiros capítulos prende a atenção do leitor. FML Pepper construiu uma história envolvente, mas que falha um pouco no desenvolvimento dos personagens. Rebeca está longe de ser uma protagonista “fácil”. Ela se acha autossuficiente, e entendo que a intenção da autora era criar uma anti-heroína, algo que até certo ponto isso funciona bem. Porém, não nego que  em certos momentos as atitudes impulsivas e egoístas  da personagem me incomodaram.

Já o Karl é aquele típico bad boy que mesmo depois de ter apanhado feio da vida, não perdeu a pose de marrento e a arrogância. Acho que justamente por isso que ele e a Rebeca forma um bom casal, pois ambos só conseguem evoluir e rever suas atitudes a partir do momento em que se conhecem. É aquele bom e velho clichê de sempre, - “o amor muda as pessoas.”

Outro ponto que me incomodou foi que os personagens secundários são mal aproveitados. A narrativa fica muito centralizada nos protagonistas passando a sensação que os demais personagens foram apenas “jogados” no meio da história. Além disso, a autora deixou muitas pontas soltas e respostas não dadas.

Tipo, de verdade não engoli a história da Madame Nadeje, sei lá, a explicação que a autora deu a respeito da personagem me pareceu fora de contexto com a proposta inicial da história. Confesso também que não gostei muito do caminho que a autora tomou para finalizar a trama, pois senti que algumas coisas foram romantizadas e forçadas demais para que a protagonista enxergasse o óbvio, - que ela precisava ter fé.

Treze possui um enredo interessante, que infelizmente foi “apresentado errado”. Como comentei no começo da resenha, o que tinha me chamado a atenção no livro foi o toque de fantasia que a narrativa prometia. Por isso, ao iniciar a leitura essa blogueira que vos escreve esperava encontrar um romance new adult tendo como plano de fundo ingredientes da literatura fantástica. Algo que não acontece.

Não que o fato da narrativa ter pendido para o lado mais “religioso” tenha atrapalhando a minha experiência com o livro, só que talvez esse seja um pequeno detalhe que pode incomodar outros leitores. Em especial aqueles que tem a personalidade mais cética como a da protagonista.

“No desespero as pessoas fazem coisas incríveis, é verdade. Mas é no dia a dia que as ações são construídas e que separamos o joio do trigo.”

Apesar das ressalvas, gostei bastante da escrita da autora. FML Pepper é impecável na descrição de lugares e situações narradas, o que faz com que o leitor sinta que está vivendo aquele momento também. O romance é clichê, do tipo que mesmo não concordando com as atitudes dos personagens, torcemos por eles e ao final nos deixa com um sorriso bobo no rosto. 

Como meu primeiro contato com a escrita de FML Pepper, posso considerar o saldo final positivo. Pode ser que alguns pontos da história venha a “confrontar” um pouco de suas crenças pessoais, mas ainda assim, Treze possui uma narrativa envolvente e gostosa de acompanhar. Fica a dica!

janeiro 28, 2018

Confesse por Colleen Hoover

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.

ISBN: 9788501109323
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 320
Classificação:
Sinopse: Auburn Reed perdeu tudo que era importante para ela. Na luta para reconstruir a vida destruída, ela se mantém focada em seus objetivos e não pode cometer nenhum erro. Mas ao entrar num estúdio de arte em Dallas à procura de emprego, Auburn não esperava encontrar o enigmático Owen Gentry, que lhe desperta uma intensa atração. Pela primeira vez, Auburn se vê correndo riscos e deixa o coração falar mais alto, até descobrir que Owen está encobrindo um enorme segredo. A importância do passado do artista ameaça acabar com tudo que Auburn mais ama, e a única maneira de reconstituir sua vida é mantendo Owen afastado.

Colleen Hoover foi àquela autora que literalmente me provou que sempre vale a pena dar uma segunda chance a um autor. Depois de um primeiro encontro "desastroso" com Métrica e um segundo encontro cheio de amor, com O Lado Feio do Amor, os livros da Colleen se tornaram uma presença frequente na minha lista de desejados. E na real, não sei nem por onde começar a falar sobre Confesse, porque de verdade acredito que nada que eu diga nessa resenha fará jus ao quanto esse livro é maravilhoso ().

Ainda na adolescência, Auburn Reed aprende da forma mais dolorosa possível, que nada é para sempre. Anos depois, ela busca reconstruir sua vida e sabe que para alcançar o seu maior objetivo, não pode cometer nenhum erro. Auburn se fechou para qualquer tipo de relacionamento, mas isso começa a mudar no dia que ao voltar do trabalho para casa, ela se depara com o ateliê Confesse e seu enigmático dono Owen Gentry.

Owen é um talentoso artista que se inspira nas confissões deixadas anonimamente em seu ateliê para compor suas telas. Ele é gentil, sensível, engraçado e logo sentimentos que Auburn pensou que jamais sentira novamente começam a surgir. Mas, o que ela não sabe é que Owen guarda um segredo. Algo que ele pensou que ficaria no passado para sempre, mas que volta à assombra-lo no instante que Arburn entra em seu ateliê. 

Porém, por mais que ambos tentem se afastar e negar o que sentem um pelo outro, o destino insiste em deixa-los cada vez mais próximos. A atração entre eles é intensa, mas será que vale a pena colocar tudo aquilo pelo qual Arburn vem lutando, por romance rápido? E o que de tão grave Owen está escondendo? Entre a paixão e a confissão Owen e Arburn vão descobrir que para ser feliz, muitas vezes é preciso correr risco. E principalmente que nada liberta mais do que fazer as pazes consigo mesmo e com o próprio passado.

Preciso começar dizendo que, Confesse é um livro não para ser somente "lido". Sua narrativa precisa ser sentida de uma maneira muito mais profunda. Colleen Hoover nos apresenta aqui uma história de uma riqueza e sentimentos única, em que a cada capítulo vamos criando uma conexão com seus personagens e torcendo para que eles tenham um final feliz. Sim, - eu sei que falando assim essa parece ser somente mais uma história clichê, mas acreditem quando falo que ela é muito mais que isso.

Através dos dilemas de Arburn e Owen vamos percebendo o quanto algumas escolhas em nossas vidas moldam não apenas o nosso futuro, mas daqueles que amamos ou por ventura vamos amar. E, além disso, de um modo muito verdadeiro e doloroso a autora nos mostra a importância da sinceridade em nossos relacionamentos. A importância de sermos sinceros com o outro e principalmente com nós mesmos.

Arburn foi uma personagem que ganhou minha empatia logo nas primeiras páginas. Sofri, por ela e com ela, do mesmo modo que senti sua felicidade nas pequenas vitórias que tinha. O Owen () conquistou meu coração não somente pela sua sensibilidade como artista, mas pelo garoto que se culpou por anos por um erro e que encontrou finalmente em uma confissão a sua paz de espírito. Ambos foram do inferno ao céu, por razões parecidas e ao mesmo tempo diferentes, e justamente por isso é que mereciam o seu feliz para sempre.

Outro ponto, é que fazia um bom tempo que um personagem não me deixava com tanta raiva como o Trey, (aquela típica pessoa que não percebe que está sobrando) me deixou. Sério! Que cara insuportável! E se não bastasse ele, ainda tinha a mãe dele, a Lydia. Acho que esse foi o primeiro livro que li da Colleen que ao mesmo tempo em que ficava com o meu coração quentinho, sentia raiva por essas duas pessoas mesquinhas infligirem tanto sofrimento na vida dos outros. E se pararmos para pensar, quantos Treys e Lydias existem por ai (...).

Em suma, Confesse se revelou uma leitura maravilhosa de muitas formas. Colleen Hoover nos leva novamente a sentir um misto de emoções. Chorei, sorri e ao final fiquei com aquele gostinho de quero mais.

“– Acho que o amor é a palavra mais difícil de definir – digo para ela. – É possível amar várias coisas numa pessoa sem amar a pessoa em si.”

Em Confesse, Colleen Hoover nos presenteia com uma narrativa na medida certa, entre o romance encantador e o drama de quebra nossos corações em pedaços. O típico livro que a primeira vista parece clichê, mas que nos deixa com um sorriso bobo no rosto enquanto enxugamos as lágrimas.

outubro 15, 2017

Graça e Maldição por Laure Eve

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.

ISBN: 9788501109408
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 350
Classificação: Regular
Livraria Saraiva | Compare os Preços
Sinopse: Os Grace – Livro 01.
Como todos os outros na pequena cidade, River é obcecada pelos Grace. Fenrin, Thalia e Summer Grace são carismáticos, charmosos e ricos — e há boatos de que sua influência se estende aos mais altos degraus da política mundial. Se você não ama um deles, quer ser exatamente como um deles. Especialmente River, a nova aluna da escola local... Que de repente é acolhida pela família que todos reverenciam e temem em igual medida. Ela é diferente. Mas o que os Grace não sabem é que a garota não está na cidade por acaso; ela sabe exatamente o que está fazendo. Ou não?


Estou alguns minutos olhando para a tela do meu notebook sem saber ao certo como começar a escrever essa resenha. Meus sentimentos em relação a Graça e Maldição só podem ser descritos como conflitantes. Pois se em partes a história conseguiu me manter entretida até o final, ao mesmo tempo a narrativa da autora  Laure Eve acaba caindo em uma espécie de clichê repetitivo. Deixando no ar uma sensação incômoda que já vi isso em algum lugar (...).

River acaba de se mudar com a mãe para pequena cidade costeira e assim como qualquer pessoa estranha em um ambiente que todos se conhecem, ela está se sentindo totalmente perdida e deslocada na nova escola. Porém precisou de poucas semanas ali, para que River também se veja encantada pelos irmãos Grace. Afinal Fenrin, Thalia e Summer Grace são praticamente as realezas do colégio, ou melhor, dizendo da cidade.

A garota então passa a tecer um plano para se aproximar dos irmãos, ganhar a confiança deles e quem sabe o coração de Fenrin, por quem secretamente está apaixonada. O plano começa a dar certo quando Summer a caçula dos Grace se aproxima de River. Logo as duas passam a ser amigas inseparáveis e aos poucos a garota acaba sendo acolhida pela família mais poderosa e temida da cidade. Porém o que River não sabe é que existe uma suposta maldição sobre os Grace. Maldição essa que faz com que todos aqueles que se aproximam deles sofram ao ponto de enlouquecer.

Será que a aparente obsessão que a jovem tem pela família e por querer ser um deles já é reflexo da maldição? Ou ela mesma possui segredos que não quer que sejam revelados?  Quando coisas estranhas começam a acontecer à teia de mentiras passa a se dissolver e tudo o que era para permanecer escondido ameaça a vir à tona. E dessa vez nenhum feitiço poderá ocultar a verdade.

Graça e Maldição tinha tudo para ser aquele tipo de livro que simplesmente não conseguimos parar de ler.  E em partes a narrativa consegue ser envolvente e prender a atenção do leitor. Porém, a autora Laure Eve “pecou” ao apresentar uma protagonista clichê e sem carisma. Acho que ficou bem claro que a River foi o motivo principal para que essa blogueira que vos escreve, não ter se conectado tanto com a história como ela gostaria.

E não, eu não estou chata.  Só que de verdade, o comportamento obsessivo da River em relação aos Grace chega a ser assustador em alguns momentos.  A vida dela passa a girar em torno da família e nada mais importa para a River, há não ser o “amor” e a felicidade dos Grace. Porém o que mais me incomodou fora à baixa autoestima da personagem, foi o fato que tudo acontece de uma maneira tão repentina que deixou tudo muito superficial.  E quando falo isso me refiro tanto a protagonista como aos diálogos e a construção da história como o todo.

Gostei dos Grace, em especial da Summer, pois a Thaila em algumas situações consegue ser tão ou mais insuportável que a River. Já o Fenrin acabou sofrendo da síndrome do personagem estereotipado demais. Ele é lindo, divertido, cativante e todo o mesmo blá, blá, blá de sempre. E isso foi uma verdadeira judiação com ele, por que o Fenrin tinha um potencial enorme que acabou sendo pouquíssimo aproveitado na narrativa. Tipo em minha opinião, se autora tivesse focado mais nos segredos da família e menos da River, a história teria ficado mais interessante.

Infelizmente senti falta de uma narrativa mais madura que não fosse tão centralizada nos dramas da protagonista. Pois assim como o trio Grace, outros personagens como o Marcus e o Wolf possuem uma personalidade mais marcante do que a River e mesmo com pouca participação, ajudaram a narrativa a ter um pouco de ação e suspense. 

Não nego que me peguei várias vezes comparando Graça e Maldição com outros livros juvenis que li. A fórmula que a autora usou é basicamente a mesma de outras obras do gênero, e acredito que isso também foi um dos fatores que acabou me incomodando durante a leitura.  Sem falar que o final é pouco conclusivo deixando inúmeras pontas soltas e perguntas sem respostas. Ok! Tem continuação e ela já foi lançada lá fora, só que o problema é que sinceramente não sei se estou disposta a reencontrar com a River novamente (...).

“O que uma pessoa escolhia manter segredo dizia tudo que você precisava saber a respeito dela. O que ela mostrava era quem queria ser. O que escondia, o que era de verdade.”

Em suma Graça e Maldição é um bom livro, desde que você não esteja esperando nada de “novo”. Claro que a história tem seus méritos, pois a autora consegue criar uma boa aura de mistério que se sustenta até o final. Porém, para quem está em busca de uma narrativa com personagens mais maduros e diálogos relevantes, corre o risco de ficar com a sensação que leu o mais do mesmo. Minha sugestão aqui é começar a leitura sem expectativas.

agosto 14, 2017

À Primeira Vista por David Levithan e Nina LaCour

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501109347
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 294
Classificação: Bom
Sinopse: Esqueça amor “à primeira vista”. Esta é uma história de amizade “à primeira vista”... ou quase Mark e Kate são da mesma turma de cálculo, mas nunca trocaram uma única palavra. Fora da escola, seus caminhos nunca se cruzaram... Até uma noite, em meio à semana do orgulho gay de São Francisco. Mark, apaixonado pelo melhor amigo — que pode ou não se sentir do mesmo jeito —, aceita o desafio que mudará sua vida. E sobe no balcão do bar em um concurso de dança um pouco diferente... Na plateia, Kate, fugindo da garota que ela ama a distância por meses e confusa por não se sentir mais em sintonia com as próprias amigas, se encanta pela coragem e entrega do rapaz. E decide: eles vão ser amigos. Em meio a festas exclusivas, fotógrafos famosos, exposições em galerias hypadas, essa ligação se torna cada vez mais forte. E Mark e Kate logo descobrem que, em muito pouco tempo, conhecem um ao outro melhor que qualquer pessoa. Uma história comovente sobre navegar as alegrias e tristezas do primeiro amor... uma verdade de cada vez.

Existem autores que são praticamente uma unanimidade dentro do gênero que escrevem e o autor, David Levithan sempre me passou a impressão de ser um desses casos. À Primeira Vista escrito em coautoria com a autora Nina LaCour foi meu primeiro contado com a escrita de ambos. E apesar de pequenos detalhes que em minha opinião podiam ter sido mais trabalhados, no geral gostei bastante do que encontrei aqui.

Mark está completamente apaixonado pelo melhor amigo Ryan. E embora a relação dos dois esteja mais para uma típica “amizade colorida”, Mark não tem certeza de Ryan sente o mesmo por ele.  Durante a festa de abertura da Semana do Orgulho Gay, Mark aceita o desafio de participar de um concurso de dança um pouco diferente. Porém o garoto não faz a menor ideia que Kate, sua colega a turma de calculo está na plateia.

Kate por sua vez, foi parar na boate Happy Happy por que não se sente pronta para conhecer Violet, a garota que ela só conhece por fotos e há meses está apaixonada.  Porém a coragem de Mark a incentiva, Kate decide que os dois precisam ser amigos. E bastam apenas algumas palavras para que Mark perceba que também quer ser amigo e Kate. E essa amizade que antes parecia improvável, os leva para o mundo glamoroso de fotógrafos famosos e exposições em galerias conceituadas. Mark e Kate descobrem que entre as alegrias e desilusões do primeiro amor, a verdadeira amizade é aquele porto seguro que sempre podemos contar para iluminar nossos dias.

À Primeira Vista possui uma narrativa fluida em que logo nos primeiros capítulos nos afeiçoamos aos personagens e ficamos na torcida por um final feliz. Mas, o que torna a narrativa tão fácil de acompanhar é ao mesmo tempo o que deixa tudo um pouco “superficial”.  Dividida entre o ponto de vista de Mark e Kate o livro aborda uma semana na vida dos jovens, e o fato de tudo ser “instantâneo” demais é algo que me incomoda bastante em qualquer história que eu leia.

Gostei dos protagonistas, porém confesso que senti uma empatia maior pelo Mark, pois a sensação que pelo menos eu tive foi que o Ryan “brincou” com os sentimentos dele. A Kate embora seja uma boa personagem em muitos momentos passou a impressão de ser uma pessoa volúvel. E sinceramente, não sei se eu teria a paciência que a Violet teve com ela, principalmente levando em conta todos os encontros e desencontros que elas têm na história.

David Levithan e Nina LaCour escreveram uma história simples e gostosa de se acompanhar, só que senti falta de um aprofundamento maior em questões importantes como por exemplo, o relacionamento de Mark e Kate com os pais. No caso da Kate isso ainda acontece, mas assim como tudo na narrativa em geral, acabou sendo um pouco superficial. Além disso, em diversas situações tive a impressão que os autores se perdiam em detalhes que não agregavam muito na narrativa e com isso deixavam de explorar outros pontos que eram relevantes.

Porém o que mais me marcou na leitura de À Primeira Vista, foi à reflexão e percepção maravilhosa que os autores trazem sobre a comunidade LGBT. Em pleno 2017 (quase 2018), ainda fico assustada em perceber o quanto o preconceito ainda está fortemente presente em nossa sociedade, e encontrar em um livro voltado para o público jovem uma reflexão tão verdadeira e bonita, fez com que a leitura valesse a pena e principalmente, com que meu coração ficasse preenchido e amor e esperança.

“Se olharmos embaixo das superficialidades, o que vamos encontrar é amor.”

Com uma narrativa leve e personagens carismáticos, À Primeira Vista é um livro perfeito para uma tarde preguiçosa de domingo, ou para quando estamos precisando ler algo para deixar o nosso coração mais quentinho. David Levithan e Nina LaCour nos presenteiam aqui com uma história que fala sobre a importância da amizade que e principalmente nos mostra que conhecer e amar a si mesmo,  é a única forma de amar o próximo e encontrar a felicidade.

junho 08, 2017

Victoria e o Patife por Meg Cabot

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501401748
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 256
Classificação: Bom
Sinopse: Neste romance histórico juvenil escrito pela autora de “O diário da princesa”, acompanhamos a trajetória de Victoria. Criada pelos tios na Índia, ela é enviada a Londres aos 16 anos para conseguir um marido. Mas é na longa viagem até a Inglaterra que a jovem encontra o amor, na figura de Hugo Rothschild, o nono Conde de Malfrey. Tudo estaria ótimo se não fosse a insuportável interferência do capitão do navio, Jacob Carstairs. Por que ele não pode confiar na escolha de Victoria? Por que ele não a deixa em paz? Estaria Hugo escondendo algo?

Fazia muito tempo que não lia nada da  Meg Cabot. Por isso, após ler a sinopse de Victoria e o Patife fiquei bastante curiosa em conferir esse romance de época juvenil da autora. Porém apesar de ter se mostrado uma narrativa rápida e fluida, tenho que confessar que nem tudo foram flores durante a leitura.

Criada por seus tios na Índia, Lady Victoria Arbuthnot está a caminho de Londres para conseguir um marido. Mas durante a longa viagem a filha do falecido Duque acaba conhecendo o nono Conde de Malfrey, Hugo Rothschild que a pede em casamento sob a luz do luar. Lady Victoria está certa de que encontrou o amor de sua vida, afinal Hugo é tão charmoso e bem, ele é um Conde. Quem imaginaria que ela fosse conseguir o noivo perfeito então pouco tempo?

Tudo podia estar correndo as mil maravilhas, mas Victoria precisa lidar com as constantes interferências do capitão Jacob Carstairs em sua vida. Jacob está decidido a abrir os olhos da jovem em relação ao noivo, ao mesmo tempo em que ela tenta fazer o possível para manter o capitão enxerido longe de seus assuntos. Só que o problema é que aparentemente Jacob Carstairs, tem o dom de aparecer sempre nos mesmos lugares que ela. E o pior, o capitão parece saber um segredo que pode fazer com que o casamento de Victoria com o Conde de Malfrey não aconteça.

Victoria e o Patife possui uma narrativa totalmente clichê e até certo ponto acabou sendo uma leitura divertida. Só que o meu grande problema aqui foi a protagonista. Em nenhum momento consegui sentir empatia pela Victoria, muito pelo contrário em muitas situações eu quis dar uns tapas nela. Lady Victoria Arbuthnot é o tipo de pessoa prepotente e intrometida, que acha que sabe o que é melhor para todo mundo, porém não consegue ver o que é melhor para si mesma.  Confesso que alguns capítulos foram um tanto “sofridos”, especialmente quando a protagonistas destacava suas qualidades de interferir na vida dos outros.

Gostei do modo como o Jacob foi desenvolvido. Há principio ele passa a impressão de ser rapaz arrogante que quer apenas se divertir implicando com a Victoria. Só que conforme a narrativa avança vamos percebendo que a preocupação dele com ela é genuína. E tipo mesmo ele merecendo uma “pessoa melhor”, não nego que ficava com um sorriso bobo no rosto todas as vezes que Jacob e Victoria protagonizavam uma cena mais fofa.

Senti falta de um aprofundamento maior nos personagens secundários em especial no Conde de Malfrey. Não sei, mas senti que ele foi meio que “mal aproveitado”, na história. Os outros personagens possuem uma participação relativamente pequena, deixando a narrativa muito focada na Victoria, o que acabou me incomodando um pouco também.

Sempre gostei da escrita da Meg Cabot, pois suas histórias são despretensiosas, leves e divertidas. Porém, infelizmente não nego que esperava mais de Victoria e o Patife. Além disso, fato do meu santo não bater com o santo da protagonista fez com que eu não conseguisse me envolver tanto com a história como gostaria. Victoria e o Patife possui um enredo clichê e super bonitinho, mas me deixou com aquela terrível sensação de que faltou alguma coisa.

“– Na verdade – continuou ele, ainda usando aquele tom grave e sério –, acho que seria bem emocionante se casar com alguém que não precisa de você, mas que apenas... deseja estar com você. ”

Para quem está buscando uma leitura leve, com momentos engraçados e um romance fofo, Victoria e o Patife se apresenta como uma boa opção. E mesmo que alguns pontos não tenham me agradaram tanto como gostaria, não nego que ao final terminei a leitura com o coração mais quentinho.

fevereiro 13, 2017

O Bosque Subterrâneo por Colin Meloy

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501095077
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 432
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Crônicas de Wildwood - Livro 02.
Um clássico para o século XXI, O bosque selvagem só poderia ter nascido da imaginação de Colin Meloy, celebrado vocalista da banda Decemberists. Vida de Prue Mckeel é bem normal até seu irmãozinho ser sequestrado por um bando de corvos. Nos mapas de Portland, no Oregon, existe uma imensa área verde às margens da cidade conhecida como “F.I.”, ou “Floresta Impassável”. Ninguém nunca cruzou seus limites, ou pelo menos nunca voltou de lá para contar. É exatamente nesse lugar que os corvos pegam o irmão de Prue. E é onde começa a aventura que levará a menina e seu amigo, Curtis, até o coração da Floresta Impassável e seus perigos e maravilhas.

O Bosque Subterrâneo foi um daqueles livros que me chamou atenção primeiro pela capa. Afinal como fã de ilustrações foi praticamente impossível, não ficar apaixonada por um trabalho tão lindo como esse. Mas depois de ler a sinopse tive a certeza que precisa ler esse livro. Claro que fiquei um pouco preocupada de me sentir perdida na narrativa por pegar o “bonde andando”. Só que esse receio logo foi deixado de lado, pois bastaram somente algumas páginas para que essa que vos escreve se visse envolvida por uma história cheia de aventuras fantásticas.

Depois de ter resgatado seu irmão e conseguido o que até então era considerado impossível, retornar da Floresta Impassável, Prue Mckeel tenta voltar a ter uma vida normal novamente. Só que isso não é tão fácil. Ela que antes era uma das melhores alunas da sala agora anda desatenta, pois por mais que Prue se esforce a sua mente continua a leva-la de volta para o Bosque Selvagem, e ao seu melhor amigo Curtis que continua morando por lá.

No Bosque Selvagem, Curtis segue com o seu treinamento para ser um habilidoso bandido. Enquanto isso suas irmãs, Elsie e Rachel Mehlberg são deixadas pelos pais temporariamente em um orfanato, para que eles possam partir em busca de uma suposta pista sobre o paradeiro do menino. Só que esse orfanato não é o que parece ser e seu dono tem terríveis planos tanto para os órfãos que abriga, como para a Floresta Impassável.

Quando o perigo se torna eminente, Prue volta para Bosque Selvagem, só que agora o desafio dela e de Curtis é ainda maior. Juntos eles vão ter que explorar o Bosque Subterrâneo, ao mesmo tempo em que precisam salvar seus amigos, a si mesmo e unir um povo dividido. Serão eles capazes de realizar tal feito? E as irmãs de Curtis, conseguiram escapar da tirania do Lar Unthank e reencontrar o irmão? Nessa história cheia de magia e fantasia tudo é possível, especialmente o impossível.

Confesso que a trama de o Bosque Subterrâneo me fez relembrar de As Crônicas de Nárnia. É perceptível em vários momentos que o clássico de C.S Lewis serviu um pouco de inspiração para a história de Colin Meloy. Essa inspiração está nos pequenos detalhes e na construção de alguns personagens e elementos, o que torna Bosque Subterrâneo uma mistura perfeita entre o clássico e o moderno.

Gostei bastante de como o autor desenvolveu os personagens. Mesmo com a pouca idade todos são corajosos e mesmo quando a situação fica ainda mais complicada, eles não perdem a esperança e seguem em frente. Outro ponto positivo, é que o modo como Colin Meloy descreve a floresta nos leva a realmente sentir que estamos nela . E o mais legal é que o autor não peca nem pelo exagero e nem pela falta de detalhes. A narrativa aqui é equilibrada o que torna tudo ainda mais empolgante.

Porém o que mais me chamou a atenção, é que Colin Meloy não é um autor óbvio. A verdade é que ele do tipo que deixa mais perguntas do que dá respostas, e isso faz com que se torne praticamente impossível largar o livro. O final, e que final, me deixou praticamente desesperada para ler logo o terceiro volume das Crônicas de Wildwood. Porém antes, é claro que vou voltar um pouquinho e ler o primeiro livro, por que O Bosque Subterrâneo só atiçou a minha curiosidade para descobrir como a jornada de Prue e Curtis começou. E sim, você pode ler um livro sem ter lido ou não o outro, pois embora as histórias estejam relacionadas, elas são independentes.

“- Tenho alguns erros que preciso corrigir, mestiça – disse o urso. – E percebi que me juntar a você seria meu primeiro passo. Não fazia sentido fugir.”

Com ilustrações de Carson Ellis que dão o livro um toque ainda mais mágico, O Bosque Subterrâneo é uma história que encanta tanto todos os públicos. Dos pequenos que vão querer recriar no jardim de casa as aventuras de Prue e Curtis, aos mais “velhos” que vão desejar fazer parte dessa história também. Recomendo!

fevereiro 06, 2017

Uma História de Notáveis Caçadores de Sombras e Seres do Submundo

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.

ISBN: 9788501107671
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas:
Classificação: Ótimo
Sinopse: Contada na Linguagem das Flores
Em Uma história de notáveis Caçadores de Sombras e seres do Submundo - contada na linguagem das flores, Cassandra Jean mergulha nos personagens criados por Cassandra Clare nas séries Os Instrumentos Mortais, As Peças Infernais e Os Artifícios das Trevas, reunindo características e ficha técnica de nomes como Jace Wayland, Magnus Bane e Tessa Grey. Comparando cada um deles a uma flor, e com belas ilustrações, ela cria um guia para os amantes dessas histórias... e para os que desejam começar a conhecê-las.

A resenha de hoje vai ser uma pouquinho diferente do que vocês estão acostumados a encontrar aqui no blog. Afinal, Uma História de Notáveis Caçadores de Sombras e Seres do Submundo não é apenas mais um livro, e sim  presente maravilhoso da autora Cassandra Clare, para todos os fãs desse universo mágico que ela criou.

Confesso que fui uma daquelas leitoras que no começo torceu o nariz quando Cidade dos Ossos, o primeiro livro da série Instrumentos Mortais foi lançando. Sempre fico com o pé atrás quando uma obra se torna uma espécie de a “queridinha da nação”, mas bastaram somente alguns capítulos para eu querer ser uma Shadowhunter também. E mesmo sem ainda ter terminado de ler a série Instrumentos Mortais (shame) ou ter lido Peças Infernais posso dizer com toda certeza que depois de Harry Potter, o mundo criado por Cassandra Clare é um dos meus favoritos().


Acho incrível como a autora conseguiu transformar uma trama que a principio era só mais uma no meio de tantas que abordavam a temática, anjos e demônios em um universo tão rico e amplo. Além disso, a Cassandra é uma das poucas autoras que sabe trabalhar com vários personagens ao mesmo tempo, dando a cada um deles um papel de destaque no desenvolvimento da história. Tanto que não nego que tanto em Instrumentos Mortais como em Artifício das Trevas os meus personagens favoritos são os secundários.

Com ilustrações de Cassandra Jean, Uma História de Notáveis Caçadores de Sombras e Seres do Submundo, a autora nos apresenta cada personagem de um modo poético e belíssimo. Através da linguagem das flores vamos conhecendo e por que não dizer, desvendando as personalidades dos nossos queridos personagens. O livro é uma espécie de “guia ilustrado” do mundo fantástico dos Caçadores de Sombras.

E o mais legal aqui é que durante a leitura a maneira como cada personagem é apresentado e a flor com qual ele está relacionado, desperta ainda mais a curiosidade de quem ainda não leu todos os livros (culpada). São tantos personagens misteriosos e interessantes que não nego que estou pensando seriamente em fazer uma maratona da série.

Já o trabalho da Cassandra Jean dispensa comentários. É uma ilustração mais perfeita do que a outra e admito que fiquei várias horas só admirando essa lindeza toda. Acho que já deu para imaginar o dilema que essa vos escreve passou ao selecionar as fotos para o post ().


Uma História de Notáveis Caçadores de Sombras e Seres do Submundo é um livro que encanta os fãs das histórias de Cassandra Clare, como também é uma ótima forma de quem está conhecendo o mundo do Shadowhunters agora se familiarizar com os personagens. É simplesmente impossível não se encantar com a riqueza de detalhes e com a beleza desse livro. Como uma apaixonada pela série e por ilustrações estou perdidamente caída de amores por ele()!

dezembro 11, 2016

Novembro, 9 por Colleen Hoover

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501076250
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 352
Classificação: Ótimo
Sinopse: Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?

S
empre que vejo um novo livro da Colleen Hoover sinto um misto de ansiedade para começar logo a leitura e receio de me decepcionar com o que vou encontrar. Acredito que seja “normal” se sentir assim quando o livro em questão é de um autor de quem gostamos muito. E por esse motivo, Novembro, 9 foi aquela leitura que comecei de mansinho e sem "grandes" expectativas, mas que a cada capítulo foi conquistando o meu coração.

9 de Novembro tem sido uma das piores datas do ano para a jovem Fallon  O’Neil.  Esse é o dia que a recordação de tudo o que ela perdeu se torna ainda mais dolorosa, porém isso está prestes a mudar. Benton Kessler entra na vida de Fallon de forma intempestiva, mas foi preciso apenas alguns minutos de conversa com o aspirante a escritor para ela perceber que quer passar seu último dia em Los Angeles com ele. Como a mudança da jovem é inevitável e nenhum dos dois pretende abrir mão do relacionamento que começaram, eles fazem um acordo. Eles prometem se encontrar todos os anos no mesmo dia, - 9 de Novembro.

Conforme os anos se passam e eles seguem com suas vidas em separado, Ben começa a escrever um romance que tem Fallon como protagonista. Já Fallon do outro lado do país, tenta retomar a sua vida do ponto em que ela parou.  Mas um ano é tempo demais para ficar longe de alguém e muita coisa pode mudar nesse período.  Quando mais fortes e profundos os sentimentos se tornam mais perto de uma dolorosa verdade Fallon se aproxima.  Afinal diferente dos livros, os romances na vida real nem sempre terminam com um, “E eles viveram felizes para sempre”.

Confesso que assim que li a sinopse de Novembro, 9 me recordei do livro Um Dia do autor David Nicholls. E me perdoem a sinceridade, mas infelizmente esse livro foi uma das minhas maiores decepções literárias. Então sim, essa que vos escreve estava morrendo de medo de se decepcionar aqui.  Porém Colleen Hoover soube pegar uma fórmula totalmente clichê e até mesmo previsível e transformá-la em uma história intrigante.

Novembro, 9  possui uma narrativa bem amarrada e cheia de reviravoltas, daquelas que nos deixam com o coração na mão. Senti que ao contrário dos livros anteriores em que o romance era o ponto central da história, nesse a autora optou em focar mais a história no drama e nos segredos dos personagens. Embora a Collen tenha abordado suas vidas em apenas uma data especifica do ano, a Fallon é uma personagem que “desvendamos” mais rápido. Já o Ben é nos capítulos finais que conhecemos sua verdadeira história e descobrindo suas reais motivações. E apesar  do relacionamento deles ser “indefinido” ainda sim ele consegue aquecer o nosso coração e nos faz ficar na torcida para que tudo acabe bem.

É visível também o quanto os personagens amadurecem durante a narrativa. Como mesmo sem se ver durante um ano todo eles conseguem manter a conexão que criaram um com o outro. Porém o que mais cativou durante a leitura foi o fato dos personagens não serem perfeitos. Tanto Fallon como Ben possuem cicatrizes, umas visíveis e outras, as mais dolorosas, escondidas para que ninguém as veja. Em muitas situações me identifiquei com os dois, o que tornou a leitura envolvente e emocionante. 

Gostei da forma como a Colleen desenvolveu Novembro, 9 no todo, mas não nego que senti  falta de alguns detalhes e achei o final um pouco corrido também. Claro que em muitos momentos meus olhos se encheram de lágrimas, mas ainda sim senti falta de alguma coisa aqui. Não sei se foi da intensidade de O Lado Feio do Amor ou da suavidade de Talvez um Dia. Novembro, 9   é uma boa mescla dos livros anteriores que li da autora, só que mesmo terminando a leitura satisfeita e até surpresa com o que encontrei, admito que esperava aquele "algo a mais" que deixa tudo ainda mais especial.

“- Amar alguém não inclui só a pessoa, Ben. Amar alguém significa aceitar todas as coisas e pessoas que este alguém também ama.”

Novembro, 9  não é apenas mais um romance clichê. Essa é uma história que fala de perdas e como elas nos ferem e nos transformam. É uma história que nos lembra de que todos nós cometemos erros e que é preciso saber perdoar os outros e a si mesmo. E principalmente que um dia é sim, capaz de mudar a nossa vida para sempre.

outubro 16, 2016

Boa Noite por Pam Gonçalves

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501106698
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 240
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Alina quer deixar seu passado para trás. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que tudo isso seja ruim, mas também não faz dela a mais popular da escola. Agora, na universidade, ela quer finalmente ser legal, pertencer, começar de novo. O curso de Engenharia da Computação - em uma turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números -, a vida em uma república e novos amigos parecem oferecer tudo que Alina quer. Ela só não contava que os desafios estariam muito além da sua vida social. Quando Alina decide deixar de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás, tudo se complica. Além de festas, bebida e azaração, uma página de fofocas é criada na internet, e mensagens sobre abusos e drogas começam a pipocar. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, parece que o que ela mais quer é voltar para casa.

Uma das metas que essa que vos escreve estabeleceu para 2016 é ler mais livros nacionais. E a oportunidade de não apenas alcançar essa meta, mas também de conhecer uma nova autora surgiu com Boa Noite da Pam Gonçalves. Já conhecia a Pam blogueira e booktuber, e claro que estava com aquela pontinha de curiosidade para conhecer a Pam escritora. Com uma história quase  clichê, Boa Noite se revelou uma leitura envolvente que consegue se destacar por abordar temas atuais de forma leve e ao mesmo tempo realista.

A boa filha, boa aluna, boa menina a nerd esquisitona, esses foram os rótulos que durante toda a adolescência acompanharam Alina. Porém agora prestes a começar o curso de Engenharia da Computação em uma cidade nova, morando em uma república com pessoas que não conhecem o seu passado, Alina vê a oportunidade perfeita de deixar todos os rótulos para trás e começar de novo. Não que ela tivesse algo para esconder ou se envergonhar,  mas ser sempre a boazinha nunca fez dela a garota mais popular do colégio e no fundo Alina sempre quis ser descolada e sentir que pertencia a um grupo.

O inicio dessa nova vida se mostra promissor para Alina, e nem mesmo o preconceito e as piadinhas sem graça dos rapazes do seu curso conseguem desmotiva-la. Muito pelo contrário fazem com que Alina se sinta desafia a mostrar que eles estão errados. Seus companheiros de república são maravilhosos, e logo ela está indo para as festas mais badaladas da Universidade com Manu, Talita, Bernardo e Gustavo. Nesse ambiente de festas, bebidas e romances curtos uma página de fofocas surge. Nela são postadas todo o tipo de fofocas sobre os universitários, mas são as mensagens de abusos e uso de drogas que realmente tornam a página popular.

De repente o sonho de ser uma pessoa diferente se torna um pesadelo para Alina, e ela se vê tragada para um lado não tão glamouroso da vida universitária. E mesmo que sua vontade seja voltar para casa e sua rotina tranquila de antes, Alina percebe que lá não é mais o seu lugar. E que agora é a sua chance de realmente fazer a diferença.

Com um plano de fundo que aborda temas como, abuso sexual e o uso de drogas nas universidades, preconceito racial, homofobia e o machismo que infelizmente ainda está muito presente em nossa sociedade, Boa Noite é uma leitura que prende nossa atenção logo nos primeiros capítulos. Pam Gonçalves trabalha bem como esses elementos, embora em minha opinião tenha faltado um aprofundamento maior em alguns. E o fato de tudo se desenvolver rápido demais na história foi algo que infelizmente me incomodou um pouco também.

Além disso, fiquei com a impressão que a personagem principal não tinha muita “personalidade” e que se deixava levar muito pelos outros.  Sabe aquela típica pessoa “Maria vai com as outras”? Foi exatamente essa a visão que tive da Alina. Ela tem uma necessidade tão grande de fazer amigos e se enturmar que acaba se permitindo ser arrastada para lugares e situações que no fundo a própria Alina sentia que não combinavam com ela. Igual quando você sabe que uma coisa não vai dar certo e faz mesmo assim (quem nunca?). E tudo bem, entendo que para ela é tudo novo e que de certa forma ela buscava esse novo começo.

O problema é que as coisas não acontecem de forma gradativa e sim em um intervalo relativamente pequeno, o que acaba reforçando ainda mais a sensação que a Alina deixa-se levar muito facilmente pelas outras pessoas. Tanto que os personagens secundários conseguem se destacar mais do que a própria protagonista na história, mesmo ela se “redimindo” um pouco no final.

Gostei especialmente da Manu e fiquei bastante curiosa para saber mais sobre ela. A Manu possui aquele tipo de personalidade intrigante em que é visível que tem muito do seu passado que ela busca esconder. Outro personagem que me chamou atenção é Gustavo, que além de ser um fofo tem uma história própria bem interessante. A Talita e o Bernardo também desempenham um papel importante na trama, apesar de ambos ficaram mais em segundo plano na narrativa.

Boa Noite foi um livro que me surpreendeu, pela forma leve como a autora abordou temas tão complexos e pesados. No contexto geral gostei bastante do que encontrei aqui, porém não posso negar que senti uma certa superficialidade e que teria gostado mais se alguns pontos tivessem tido um aprofundamento maior. As coisas vão evoluindo de forma muita acelerada e quando você se prepara para o grande clímax a história acaba. E isso me deixou um pouquinho frustrada, afinal sou aquele tipo de leitora que adora reviravoltas impactantes, momentos de tensão e cenas emocionantes.

Pam Gonçalves soube aproveitar o cenário atual para escrever uma história que mesmo possuindo um final bem clichê, nos deixa com aquele sorriso bobo no rosto. Só que o mais importante aqui é a mensagem que a autora passa, sobre a igualdade de gênero, você ser você mesmo e que no mundo não há mais espaço para nenhum tipo de preconceito. A caminhada é longa e ainda estamos andando devagar e a passos curtos, mas o importante é que essa mudança já começou.

“Sentirei saudade, mas ali realmente não é mais o meu lugar. Eu preciso encarar a situação. Não vou deixar que outras pessoas definam que sou.”

Com uma narrativa fluida, Boa Noite é um livro que traz reflexões importante e ao mesmo tempo que agrada quem está em busca de uma leitura rápida e despretensiosa. Um começo realmente promissor para uma jovem autora nacional. Recomendo!

setembro 29, 2016

Magônia por Maria Dahvana Headley

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501105882
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento:  2016
Número de páginas: 308
Classificação: Bom
Sinopse: Magônia – Livro 01.
Aza Ray nasceu com uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens, onde existe uma terra mágica de navios voadores e onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em ''Magônia'', ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, através delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. Em uma brilhante e sensível estreia no gênero young adult, Maria Dahvana Headley constrói uma fantasia rica em nuances e cheia de simbolismo.

Acredito que um dos grandes problemas nas séries literárias ultimamente é o fato que poucas conseguem trazer uma proposta original.  Por esse motivo assim que li a sinopse de Magônia achei sua premissa intrigante e por que não dizer, - diferente. Em partes a autora Maria Dahvana Headley realmente consegue apresentar algo novo, porém acaba “derrapando” em alguns clichês do estilo.

Aza Ray tem quinze anos e nunca soube como é ser uma pessoa "normal". Ela nasceu com uma doença desconhecida e incurável que afeta os seus pulmões. A única coisa que mantém Aza viva são os medicamentos fortes que usa e o amor incondicional de sua família. Certa manhã como outra qualquer, uma estranha tempestade se forma no céu e em meio às nuvens Aza vê um navio. Aza sabe que ao contrário do que todos pensam, ela não teve uma alucinação causada por algum dos remédios fortes que toma. Ela avistou um navio e alguém chamou seu nome. Jason o seu melhor amigo é único que acredita nela, mas antes que os dois possam encontrar alguma pista que explique o que um navio fazia entre as nuvens durante uma tempestade, algo ainda mais assustador acontece.

Aza acorda em um lugar estranho e  percebe que pela primeira vez na vida consegue respirar de verdade. Ela está em Magônia, uma terra encantada com navios voadores que sempre existiu acima de nós, mas que graças à magia é invisível aos olhos humanos. Aqui ela não é mais a frágil Aza Ray, ela é forte e possui um grande poder, seu canto pode mudar o mundo. Porém, enquanto ela navega pelos céus uma parte do seu coração a mantém firme na Terra e cedo ou tarde ela terá que decidir de que lado sua lealdade está. Nas nuvens com o magonianos ou no chão firme com aqueles que a ama?

Magônia possui uma narrativa rica e bem construída. Gostei da maneira como os personagens foram desenvolvidos e da forma que a Maria Dahvana Headley soube trabalhar os elementos mais complexos do enredo. Mas não nego que alguns pontos dele me remeteram a outros livros que li. Não é nada assim tão “absurdo”, só que no momento em que me deparei com esses detalhes na história, ela meio que perdeu um pouco de seu encanto inicial.

A Aza possui um humor sarcástico e apesar de todo o seu histórico médico nos dar a sensação que a qualquer instante ela vai pode quebrar, sua personalidade forte e determinada acaba se revelando uma agradável surpresa no decorrer da leitura.  Tudo bem que em algumas ocasiões ela tem seus momentos “drama queen” e a tentativa da autora inserir um triângulo amoroso na história me incomodou também. Mas esses são aqueles pequenos detalhes que quando olhamos no contexto geral da história, eles não interferem tanto em seu desfecho.

O Jason é um personagem carismático, mas em minha opinião a autora “forçou” um pouco a barra na construção de sua personalidade.  Maria Dahvana Headley deu a ele uma aura meio “exagerada” demais para um garoto de dezesseis anos. Não que pessoas de dezesseis anos não sejam capazes de grandes feitos. Só que o Jason é meio que uma mistura de James Bond, com Príncipe Encantado, Super-herói e bem, já deu para entender. E talvez por esse motivo eu tenha gostado mais do Dai, por que ele me pareceu mais humano, como defeitos e qualidades reais. Ele é menos onde o Jason é demais, por assim dizer.

Por ser o primeiro livro de uma série muitas perguntas ficaram sem respostas, ou deixaram parte da resposta solta no ar. Senti falta de um aprofundamento maior no simbolismo e na estrutura política de Magônia. A visão que a autora nos dá dessa terra mágica aqui é muito superficial, o que inevitavelmente fez com que eu não conseguisse me envolver por completo com a história. Outro ponto é que as motivações da “vilã” também não ficaram muito claras. E de verdade nem sei se posso chamar essa personagem de vilã, por que tudo sobre ela ainda é um grande  mistério.

Maria Dahvana Headley conseguiu até certo ponto trazer uma história diferente e envolvente. Magônia nos apresentou um mundo novo para ser explorado, mas para uma obra que se propõem mesclar fantasia e aventura ela possui um ritmo um pouco lento.  Isso se dá pela narrativa ser bastante descritiva do tipo que a autora guarda toda a ação propriamente dita para o final.

Faltou a autora explorar alguns pontos importantes da história? Faltou. Acho desnecessário o triângulo Jason, Aza e Dai? Com certeza. Mas Magônia se revelou um boa história, com uma trama que tem tudo para crescer e surpreender no futuro. Só me resta esperar pelo próximo capítulo dessa jornada e torcer para não me decepcionar.

“ Passei os últimos dez anos falando. Por que não pude dizer nenhuma das palavras certas? Não sei.”

Magônia se mostrou um bom prelúdio de uma série que pode não ser de todo original, mas que traz novos elementos inseridos em um mundo misterioso com personagens cativantes. Perfeita para fãs de fantasia que não abrem mão de histórias com um toque de romance e aventura.

agosto 22, 2016

A Caçadora de Bruxos por Virginia Boecker

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501073006
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 308
Classificação: Muito Bom
Sinopse: The Witch Hunter – Livro 01.
Na Ânglia do século XVI, a prática da magia é ilegal e infratores são queimados nas fogueiras. Elizabeth Grey é uma das melhores caçadoras de bruxos do rei: ela localiza e captura Reformistas, rebeldes suspeitos de praticar feitiçaria para que sejam julgados e executados, conforme manda a lei. Até que, inexplicavelmente, ela é incriminada e acaba presa sob a acusação de praticar a arte que se dedicou a erradicar. A salvação, no entanto, acaba vindo na forma de seu maior inimigo: Nicholas Perevil, o mago mais poderoso e procurado de Ânglia. À medida que Elizabeth se associa aos Reformistas, suas crenças sobre a legitimidade da proibição da magia são profundamente abaladas. Ela se vê em meio a uma contenda política de proporções épicas e percebe que seus antigos aliados agora são seus inimigos mortais. Será que Elizabeth está pronta para decidir de qual lado está sua lealdade, afinal de contas?

Que sou uma apaixonada por História muitos de vocês, leitores do My Dear Library já sabem. Mas tenho que confessar que um dos meus períodos favoritos é a Idade Média. Por esse motivo quando soube do lançamento de A Caçadora de Bruxos fiquei curiosíssima para conhecer a trama.  Afinal, nada melhor do que uma boa fantasia envolvendo magos e bruxos, tendo como plano de fundo um período histórico que sempre adorei estudar. E mesmo que "previsível", a narrativa da autora Virginia Boecker é fluida e envolvente.

Elizabeth Grey cresceu acreditando que a magia era algo ruim. Tanto que dedica a sua vida a tarefa de prender qualquer pessoa suspeita de praticar feitiçaria. E na Ânglia do século XVI, magos e bruxos são condenados a morte. Elizabeth e seu amigo Caleb são os melhores caçadores de bruxos do reino. Juntos eles são imbatíveis, e conforme a ameaça dos Reformistas, grupo que luta contra as duras leis existentes ganha força, mais implacáveis eles precisam ser.

Elizabeth é leal a Blackwell, o Inquisidor e nunca questionou as leis ou a forma como tudo funciona, até que um dia isso muda. Ela é presa sobre a acusação de ser uma feiticeira. Jogada na prisão, sozinha e doente Elizabeth sabe que sua morte é questão de tempo. Sua última esperança é Caleb, porém quando o dia da execução se aproxima e seu melhor amigo não aparece, Elizabeth começa a se preparar para o pior. Só que as coisas estão prestes a mudar novamente.

Nicholas Perevil, líder dos Reformistas e o mago mais procurado de toda a Ânglia aparece na prisão e a salva. Enquanto tenta encontrar alguma justificativa para o abandono de Caleb, notícias vindas do reino fazem com que as crenças de Elizabeth fiquem fortemente abaladas. Será que tudo aquilo no qual ela acreditou a vida toda é uma grande mentira? Como a magia pode ser algo ruim, se foi justamente a magia que a salvou? Quanto as peças começam finalmente a se encaixar e Elizabeth fica cara a cara com a verdade, a caçadora de bruxos sabe que só há um lado a escolher, um caminho a seguir. E independente de sua escolha, ela provavelmente a levará em direção à morte.

A Caçadora de Bruxos segue a mesma fórmula usada em outras séries e sagas, o que faz com que o enredo em si não seja muito surpreendente. Em poucos capítulos você já "descobre" a trama toda. Os personagens também são "estereotipados". A Elizabeth é a típica "patinho feio" que do dia a para noite se tornar a única pessoa capaz de "salvar o mundo". Ela é insegura, porém acredita que é autossuficiente o bastante para resolver tudo sozinha. E óbvio que ela só complica tudo ainda mais. Todo mundo já vi uma Elizabeth em algum lugar por ai, não é mesmo?

Sem falar que há uma leve "insinuação" de triângulo amoroso e claro, aquela paixão avassaladora que surgi em poucas semanas. Porém, se Virginia Boecker “errou” um pouco a mão na hora de desenvolver um enredo tendo com base uma miscelânea de clichês, ela acertou ao dar a tudo isso uma boa dose de ação. A Caçadora de Bruxos possui uma narrativa em que o autor não se prende muito a detalhes e com isso a trama ganha um ritmo mais ágil.

Os personagens secundários também contribuem para que a narrativa, embora focada na Elizabeth fique mais interessante. Gostei muito da jovem feiticeira Fifer e do “ressuscitado” Schuyler. O George e o John também se revelam peças importantes em diversas situações, apesar do começo pouco promissor que tiveram. Mas confesso que o Nicholas foi o personagem que me deixou mais intrigada na história.  Fiquei com a leve impressão que ele não é exatamente aquilo que diz ser. Se é que vocês me entendem.

A Caçadora de Bruxos pode possuir vários elementos que me incomodam bastante nos livros do gênero, mas gostei do modo como a autora conseguiu usar o clichê ao seu favor. Tudo bem que essa não é a história mais original que li em minha vida. Mas ainda sim é aquele tipo de leitura que me envolveu aos pouquinhos e que mesmo já “sabendo” como tudo vai terminar torci por um final feliz.

“(...) Você ficaria surpresa com que as pessoas dizem quando acham que ninguém está ouvindo.”

The Witch Hunter é um duologia que possui dois contos entre cada livro. E não nego que Virginia Boecker deixou em mim, aquela pontinha de curiosidade para saber como história termina.  Que venha The King Slayer, pois essa leitora aqui precisa de algumas respostas.

julho 17, 2016

Silêncio por Richelle Mead

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788501107381
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 280
Classificação: Bom
Sinopse: Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis.  O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas. Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.

Não é segredo para ninguém que acompanha o blog há mais tempo, que essa que vos escreve adora cultura oriental. Por esse motivo, confesso que assim que vi a capa de Silêncio da Richelle Mead pensei comigo mesma, “preciso ler esse livro”. Sim julguei o livro pela capa, então podem me julgar também. E embora a narrativa tenha apresentado elementos interessantes, não nego que no final da leitura acabei com aquela sensação “chatinha” de que ficou faltando alguma coisa.

No alto na montanha existe um vilarejo pobre, onde o silêncio reina absoluto e as castas são respeitadas. A jovem Fei nasceu aqui e graças ao seu talento, tanto ela com a irmã escaparam do trabalho braçal nas minas,  tornando-se aprendizes na escola. Fei e Zhang Jing são artistas, pessoas responsáveis por retratar através da arte o dia a dia do povoado onde todos são surdos. Esse é o trabalho de maior prestigio na pequena comunidade, e por essa razão quando Fei perceber que assim como outras pessoas do vilarejo sua irmã também está perdendo a visão, ela começa a ficar aflita. Fei sabe que se os tutores descobrirem que Zhang Jing está perdendo a visão, o destino de sua irmã será as ruas.

Desesperada para proteger a irmã, Fei está disposta a quebrar todas as regras, ainda mais agora que ela ganhou uma vantagem, - o som.  Ninguém no pequeno vilarejo sabe o porquê as pessoas estão perdendo a visão e aparentemente Fei é a única em que o sentido da audição voltou. Após uma tragédia o seu amigo de infância Li Wei, um jovem e destemido mineiro decide descer a montanha em busca de respostas, Fei resolve ir com ele. Juntos eles partem para uma jornada perigosa em que não somente suas vidas, mas o futuro do seu pequeno povoado estão em risco.

O Silêncio foi o segundo livro que li da autora Richelle Mead e mesmo ele tendo sido uma leitura “rápida”, alguns pequenos detalhes em seu desenvolvimento me incomodaram um pouco. Para começar senti que até a metade do livro a autora estava com dúvida se escrevia uma fantasia ou uma distopia, pois a narrativa passeia bem pelos dois estilos.  Outro ponto é que em determinados momentos você fica com aquela impressão de que a história “não sai do lugar”. São capítulos em que não acontece nada, absolutamente nada que cause um grande impacto na trama, ou surpreenda o leitor de alguma forma.

Richelle Mead se “perde” em detalhes que no meu ponto de vista foram desnecessários, o que torna na narrativa em algumas situações repetitivas. Tipo, a premissa promete uma história cheia de mistério e aventura, e em partes a autora entrega isso. Só que aqui acontece aquele velho problema do autor “levar uma vida” para desenvolver todo o mistério da história e revelar tudo de "supetão" nas últimas páginas.  Além disso, estamos tão acostumamos com enredos que trazem a mitologia grega ou romana como pano de fundo, que eu realmente estava empolgada em ler algo que abordasse a mitologia e o folclore chinês. E bem, não vou negar que fiquei um pouco desapontada nesse quesito também.

Mas, apesar de nem tudo ter sido flores durante a leitura de Silêncio o livro conta com alguns pontos que me agradaram bastante. O primeiro e o principal deles são os protagonistas. Fei a principio pode passar aquela imagem de menina insegura e “bobinha”, mas nos momentos importantes ela encontra dentro de si mesma uma coragem tão grande, que fazem dela uma personagem forte e cativante. Já o Li Wei é o típico protagonista clichê dos livros do gênero, que por mais que você tente não se encantar, ele consegue conquistar aquele lugarzinho especial no seu coração. O romance entre os dois é muito sutil e delicado, o que faz com que o relacionamento deles seja ainda mais bonito.

Silêncio pode ter-me “decepcionado” em algumas partes, mas no final de mostrou uma leitura agradável que conseguiu manter a minha curiosidade e torcida pelo final feliz de seus personagens até o último capítulo. Tudo bem que fiquei com a sensação de que ficou faltando alguma coisa, mas nem tudo é perfeito, não é mesmo?

“Somente viver um dia depois do outro já não basta. Tem que haver algo mais nesta vida, algo mais que de possa esperar.”

Em suma Silêncio tem uma boa premissa e que consegue mesmo com algumas falhas em seu desenvolvimento, prender a o leitor em suas páginas. Não vou negar que esperava um pouco mais, porém ainda sim a sua história se mostrou uma leitura envolvente com os toques de certos de fantasia, aventura e romance.

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