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17/01/2018

Tudo Junto e Misturado por Ann Brashares

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340505
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 336
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Sasha e Ray sempre passam o verão na velha casa de férias da família. Desde pequenos, os dois dividiram muitas coisas — leram os mesmos livros, correram pela mesma praia, comeram pêssegos colhidos na mesma fazenda, tomaram café da manhã sentados à mesma mesa. Até dormiram na mesma cama, mas nunca ao mesmo tempo. Afinal, eles jamais se encontraram. O pai de Sasha um dia foi casado com a mãe de Ray, e juntos tiveram três filhas: Emma, Quinn e Mattie. Mas o casamento acabou, deixando para trás apenas rancor e ressentimentos. Os dois casaram de novo e formaram novas famílias, mas nenhuma delas pretende desistir da casa de praia, muito menos compartilhá-la. Até este verão. As vidas de Sasha e Ray estão prestes a se cruzar — e, com tudo junto e misturado, as famílias vão mudar para sempre.

Ao iniciar a leitura de Tudo Junto e Misturado da autora Ann Brashares, essa que vos escreve não tinha a menor ideia do que ia encontrar. Porém, logo nas primeiras páginas já percebi que em minhas mãos uma história de uma beleza complexa e ao mesmo tempo singela, assim como são nossos relações com as pessoas que amamos.

Ray e Sasha desde pequenos dividem muitas coisas. O quarto de na velha casa de verão da família, os livros, o trabalho e as três irmãs mais velhas, frutos do primeiro casamento da mãe de Ray, Lila com o pai de Sasha, Robert. Porém apesar de dividirem tantas coisas, o dois nunca se encontrado pessoalmente. Afinal o fim do relacionamento antigo deixou uma sombra de ressentimentos e magoas que tornou qualquer proximidade entre as duas famílias impossível. Só que de algum modo Sasha sente que ninguém a conhece tão bem como Ray. E Ray por sua vez também sente essa estranha conexão com Sasha. 

Por anos Emma, Quinn e Mattie conseguiram se dividir entre as duas famílias, em uma espécie de vida dupla em que ao invés de dividir buscavam somar para os dois lados. Mas nesse verão as coisas estão diferentes obrigando a todos a ceder e conviver juntos mesmo que seja uma trégua temporária. Quando segredos do passado até então enterrados surgem na superfície e uma tragédia abala a todos, os caminhos de Sasha e Ray finalmente se cruzam. Mas será que Lila e Robert estão dispostos a deixar o rancor de lado pela felicidade dos filhos?

Tudo Junto e Misturado, possui uma narrativa simples e fluida que assim como o próprio título diz nos apresenta uma miscelânea de pontos de vistas, pensamentos e emoções diferentes. A princípio achei que Ann Brashares ia intercalar a narrativa entre a Sasha e o Ray, mas embora o começo possa parecer "confuso", gostei do fato da autora ter dado voz a todos os personagens na construção da narrativa. Isso não somente os deixaram mais reais durante a leitura, como também ajudou a torná-los mais próximos de mim.

E que fique claro que essa não é a história de amor entre a Sasha e o Ray, pois apesar do romance entre eles estar presente de uma forma sutil, o foco aqui é as relações familiares. Ann Brashares foi de uma sensibilidade enorme ao apresentar duas famílias tão desajustadas que precisavam desesperadamente de amor e perdão.

Em vários momentos senti raiva da Lila e do Robert por serem pessoas tão egoístas e mesquinhas, ambos tão apegados as suas dores que não conseguiam enxergar a dor alheia.  Era triste e doloroso perceber como tudo podia ser diferente se alguém cedesse nem que fosse um pouco.

A complexidade, assim como todo o ressentimento existente no relacionamento dos dois permeia toda a narrativa de modo que é visível que a divisão entre as famílias ajudou a formar o caráter e as inseguranças dos filhos do casal. Tudo Junto e Misturado é um lembrete a todos que relacionamentos nem sempre são eternos, mas o modo como lidamos com o fim deles afeta não somente a nós, me sim todos em nossa volta.

Posso até não ter me emocionado ao ponto de derramar lágrimas pela obra. Até por que, apesar de toda a sua beleza a narrativa de Tudo Junto e Misturado ainda sim peca por sua superficialidade e previsibilidade em alguns momentos. Só que ainda sim, essa foi uma leitura que me levou a refletir sobre o verdadeiro papel da família em minha vida. Além de claro ser um lembrete de como os relacionamentos e a vida são frágeis.

“É uma coisa muito triste da natureza humana. Passamos muito mais tempo pensando no que não temos ou no que perdemos do que pensando no que temos.”

Com uma narrativa despretensiosa, Tudo Junto e Misturado nos mostra a beleza e a fragilidade das relações humanas. Ann Brashares apresenta muito mais do que um romance leve, mas a cada capitulo nos lembra da importância de esquecer as magoas do passado, perdoar e seguir em frente.

19/10/2017

Sangue por Sangue por Ryan Graudin

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340437
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas:
Classificação: Ótimo
Submarino |Compare os Preços
Sinopse: Lobo por Lobo – Livro 02.
Para o Terceiro Reich, a Segunda Guerra Mundial pode ter acabado, mas para a resistência a luta está apenas começando. Yael é sobrevivente de um campo de extermínio e tem uma habilidade especial é uma metamorfa, capaz de mudar a aparência física e assumir a forma de qualquer pessoa. Ela também é uma garota em fuga o mundo acabou de vê-la atirar e matar Adolf Hitler. Yael é a inimiga número 1 da Germânia e de seus aliados, e vai precisar se infiltrar no território inimigo mais uma vez se não quiser pagar com o seu próprio sangue. Em meio a segredos sombrios acompanhados por verdades obscuras, apenas uma pergunta paira na mente de todos do grupo de Yael o quão longe você iria por aqueles que você ama.

De uma maneira muito sutil a autora Ryan Graudin vem conquistando um lugar especial em minha estante e claro, no meu coração de leitora. Desde que li seu livro de estreia, A Cidade Murada senti que a autora tinha um potencial enorme e após a leitura de Lobo por Lobo, o primeiro livro da duologia de mesmo nome, as minhas "suspeitas" foram confirmadas.  Eu estava muito curiosa para saber como ela iria terminar o que começou no livro anterior, até porque eu quase tive um ataque cardíaco com aquele final. E para minha felicidade, apesar dela ter partido meu coração, fui surpreendida novamente.

Quem não quiser correr o risco de pegar spoiler, pode pular três parágrafos.

O mundo inteiro viu Yael atirar em Adolf Hitler durante a festa do Tour do Eixoem Tóquio, e agora ela é inimiga número um da Germânia. Porém, não é só a jovem judia com habilidades especiais que está na mira da SS, organização paramilitar nazista. Felix Wolfe irmão de Adele Wolfe de quem Yael roubou a identidade também enfrenta as consequências dos atos da rebelde. Do mesmo modo o duplo vencedor do Tour, Luka Löwe que deixou de ser o rosto que representava o orgulho ariano, para ser visto como um traidor do governo.

Juntos os três precisam correr contra o tempo para sobreviver não só a perseguição da SS, mas aos caos que se instalou por todo o continente.  Nessa fuga eles acabam nos territórios russos, onde os soldados soviéticos não sentem nenhuma simpatia pelos germanos ou arianos puros. A resistência luta bravamente para acabar com o império de terror construído por Hitler e Yael sabe que precisa chegar a Germânia rápido, antes que seja tarde demais.

Quando tudo parece perdido, um fantasma de seu passado ressurge trazendo com ele verdades sombrias e esperança. Yael está disposta há fazer o que for preciso para terminar o que começou em Tóquio. A garota quer vingança por tudo aquilo que lhe foi tirado, incluindo a própria identidade. Mas o inimigo têm várias faces e a traição muitas vezes pode ser movida pura e simplesmente pelo amor.

Sangue por Sangue começa exatamente do ponto em que Lobo por Lobo parou. Porém, confesso que não estava preparada para o que encontrei aqui. Meu coração foi quebrado em pedacinhos e Ryan Graudin não fez a menor questão de juntá-los.  Muito pelo contrário, a autora nos apresenta uma história dolorosa e até mesmo “cruel”.  E talvez essa seja a maior qualidade na escrita da autora. Ela não se preocupa em entregar uma história clichê “bonitinha”,  muito pelo contrário aqui somos levados a enxergar de uma forma muito real, como o mundo seria se Hitler saído vitorioso da Segunda Guerra.  Além disso, ela não exagera ao usar algumas licenças poéticas e com maestria,  insere fatos reais para dar o enredo um peso emocional maior, que aliado a personagens bem construídos deixa tudo ainda mais interessante.

A Yael já tinha sido uma grata surpresa no livro anterior e fiquei imensamente feliz ao ver a evolução da personagem. A cada capítulo a minha torcida para que ela tivesse uma final feliz aumentava, assim como o aperto em meu coração por saber que talvez isso não fosso possível. Do mesmo modo Luka e Felix, possuem uma personalidade cativante o que faz com que cada um ao seu modo desempenhe um papel importante na trama.

Gostei do interlúdio que autora criou para nos revelar o passado de ambos.  Esses flashes do passado foram essenciais tanto para conhecer melhor os dois personagens como para entender a motivação de cada um. Não nego que mesmo não concordando com algumas decisões  em especial por que uma delas teve uma consequência devastadora, eu consegui entender as os motivos que levaram a ela.
O ponto principal da dinâmica entre os três personagens é que a autora não precisou criar um triângulo amoroso para justificar o relacionamento deles. Embora entre Yael e Luka exista aquele “algo a mais”, a relação  dela com o Felix é baseada única e exclusivamente na culpa, raiva e medo. Yael se sente responsável por ele e são justamente esses sentimentos que dão a duologia um toque agridoce e muito bonito.

“– Todas essas habilidades que ensinei são fardos. Não presentes. Tirar a vida também tira algo seu. Quando decidir matar, tome cuidado para que seja pelos motivos certos. Tome cuidado para que consiga viver com a decisão.”

Sangue por Sangue se revelou uma história ainda mais intrigante do que o seu antecessor. Ryan Graudin escreveu uma obra original que presenteia o leitor com muitas cenas de ação e reviravoltas que nos leva a crer que nada vai dar certo. Porém mesmo nos momentos tortuosos e obscuros há o desejo de lutar e fazer a diferença há esperança. E isso faz com que a leitura se torne mais envolvente a cada capítulo. 

Veja também:
Lobo por Lobo.

28/09/2017

Ninguém Nasce Herói por Eric Novello

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340420
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 384
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

Não é de hoje que venho tendo a triste sensação que ao invés de evoluirmos estamos regredindo. E digo isso não somente a nível Brasil, mas são tanto absurdos que vejo todos os dias nos jornais que passei a sentir um pouco de “medo” do que o amanhã nos reserva.  Por esse motivo, logo que li a sinopse de Ninguém Nasce Herói, do autor Eric Novello fiquei bastante curiosa para conhecer a história. Até porque, a ficção e a realidade nunca me pareceram tão próximas.

Quando um fundamentalista religioso assume o governo do Brasil a população volta a viver um regime opressor semelhante aos anos da Ditadura Militar. Alguns livros foram banidos. Negros, homossexuais, transexuais e seguidores das religiões afros são perseguidos.  Porém, Chuvisco e seus amigos tentam de alguma forma lutar contra isso e fazer a diferença, mesmo sabendo os riscos que correm. O governo faz de tudo para esconder a brutalidade de suas ações através de um Pacto de Convivência, que como o imaginado funciona bem mais na teoria do que na prática.

Fato esse que se comprova em uma amanhã quando Chuvisco é espancado quase até a morte por defender um garoto da Guarda Branca, uma milícia urbana apoiada pelo governo do Escolhido. Chuvisco então percebe que precisa fazer mais do que apenas distribuir livros proibidos nas praças da grande São Paulo, ele precisa realmente entrar na luta contra a tirania que se instalou no país.

Enquanto tenta encontrar Junior em chats secretos usados por grupos LGBT, para saber se o menino sobreviveu às agressões causadas pela Guarda Branca, ele também começa uma busca perigosa. Chuvisco passa a procurar informações sobre a Santa Muerte, um grupo rebelde que pretende trazer a revolução ao país e acabar com o governo do Escolhido. Afinal, ninguém precisa de uma capa e um traje especial para ser herói e lutar por uma sociedade mais justa e um mundo melhor.

Ninguém Nasce Herói se mostrou uma leitura interessante e envolvente, mas ao mesmo tempo um tanto confusa em especial no começo. Eric Novello construiu um personagem complexo, que em muitas situações busca em sua imaginação uma forma de enfrentar a realidade. É justamente nos momentos mais importantes da narrativa que o Chuvisco permite que sua Catarse Criativa assuma o controle, o que faz com que o personagem se veja como um super-herói de verdade. 

Confesso que no começo essa mistura entre fantasia e realidade me confundiu e incomodou um pouco. Porém depois que entendi como essas crises funcionavam e principalmente a importância que esses episódios tem no desenvolvimento do enredo, a minha leitura passou a fluir melhor. Gostei do fato do autor não ter criado uma distopia "caricata", e sim ter usado como base para sua história o fanatismo religioso e o ódio cada vez mais crescente pelas minorias e o “diferente”. Além disso, como é uma história que se passa no Brasil a identificação com os personagens e lugares é praticamente instantânea.

Outro ponto que gostei bastante é que embora o Chuvisco seja o grande protagonista aqui, os demais personagens também se destacam nos momentos decisivos. Eric Novello consegue com maestria trabalhar a diversidade sem ser clichê, nos tornando a cada capitulo mais próximos de cada um dos personagens, o que me levou a sentir uma empatia enorme por eles. Em algumas ocasiões fiquei bastante triste com o as escolhas e caminhos que eles tomaram, por que no decorrer da trama senti como se cada um deles, fosse meu amigo também.

Ninguém Nasce Herói possui o tom certo de ação, drama e romance, mas o ponto chave de sua narrativa é o alerta que o autor faz.  Eric Novello nos mostra de um modo real e doloroso os perigos escondidos por trás do preconceito e do fanatismo. E o que mais me assusta é perceber como eu comentei no começo da resenha, que algumas situações descritas no livro não estão assim tão distantes de nossa realidade, infelizmente (...).

“Com maior ou maior dose de inocência, otimismo ou pessimismo, no fim das contas só estamos procurando uma maneira de seguir adiante.”

Apesar do início um pouco confuso, Ninguém Nasce Herói foi uma leitura gratificante e que deixou ainda mais acesa dentro de mim a vontade de lutar por um mundo melhor.  Até por que se formos pensar, ninguém precisa de superpoderes para ajudar o próximo e fazer a diferença na vida de alguém.

24/09/2017

O Beijo Traiçoeiro por Erin Beaty

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340499
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 440
Classificação: Ótimo
Sinopse: Traitor's - Livro 01.
Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.

Sabe quando você está passando por aquela ressaca literária que parece que nenhum livro será capaz de te salvar da fossa? Pois bem, essa blogueira que vos escreve passou por uma dessas recentemente. Por mais que eu tentasse, nenhuma história conseguia prender a minha atenção por mais de duas páginas.  Mas quando eu menos esperava, eis que surgiu a luz no fim do túnel, ou melhor dizendo, - o livro certo.

Sage Fowler pode ser definida de várias formas, mas quem a conhece bem jamais usaria as palavras dama e delicada para descrevê-la. Dona de temperamento forte e uma língua afiada, Sage preza a sua liberdade acima de todas as coisas e por isso casamento está fora dos seus planos, especialmente se essa união for arranjada e sem amor. Ninguém pode acusar a sua família de não ter tentado, porém após ela considera inapta para o casamento só resta a Sage encontrar uma ocupação e se sustentar sozinha.

A oportunidade se apresenta quando ela recebe a proposta para ser aprendiz de casamenteira. Ironias a parte, Sage aceita a oferta e parte em direção ao Concordium, um dos eventos mais importantes do reino de Demora. É nele que as uniões entre grandes famílias são firmadas, e Sage tem como missão encontrar o par certo para as damas mais nobres do reino. Para isso ela terá que usar todo seu talento em ler e julgar o caráter das pessoas, incluindo jovens oficiais que foram destacados para fazer a escolta das damas até o  Concordium.

Só que ao perceber o talento de Sage, um belo oficial a recruta para ser espiã durante a estada do grupo na casa de um duque influente e cheio de péssimas intenções para com a coroa. Sage então se vê no meio de uma rede intrincada de intrigas e conspirações, ao mesmo tempo em que sem perceber encontra algo que nunca buscou para sua vida, - o amor.

O Beijo Traiçoeiro possui em sua narrativa elementos que eu particularmente adoro. Intrigas e conspirações políticas, boas doses de ação e um romance gracinha para aquecer meu coração. Logo nos primeiros capítulos eu sabia que ia encontrar tudo isso aqui, porém o que mais me cativou durante a leitura foi o modo com a autora construiu os personagens.

Sage possui uma personalidade vibrante, forte e determinada e está sempre disposta a lutar por aquilo que acredita ser justo. A autora Erin Beaty soube dosar toda a coragem da personagem com um toque de delicadeza, não a deixando a protagonista cair no estereotipo de  forçada ou “irritante”. A verdade é que em muitas situações é possível enxergar a fragilidade da personagem e isso deixou à narrativa ainda mais interessante.

Gostei muito da forma como a autora inseriu o romance na história. Por mais previsível que o envolvimento da Sage como um dos oficiais possa parecer, o modo como a Erin Beaty trabalhou o relacionamento dos personagens fez toda a diferença aqui. É um clichê que até o final nos deixa com o coração apertado e na dúvida se teremos, ou não um final feliz. Outro ponto positivo na narrativa da autora, é que embora alguns capítulos tenham um ritmo mais lento, o ar de mistério presentes neles faz com que com que o leitor fique cada vez mais envolvido com a leitura.

Porém, apesar de ter gostado muito da história como um todo, não nego que achei um determinado acontecimento no final desnecessário. Sério, partiu meu coração em pedacinhos (...). Além disso, senti falta da autora ter desenvolvido melhor alguns personagens secundários. Mas, foi gratificante perceber o modo como Erin Beaty conduziu bem a trama, fazendo dela instigante e divertida ao mesmo tempo.

“ – Você tem minha palavra quanto ao silêncio, mas minha confiança é outra história.”

Para quem está em busca de uma leitura fluida recheada de bons momentos de ação e romance, O Beijo Traiçoeiro é sem dúvidas uma ótima opção.  Confesso já estou morrendo de curiosidade para ler o próximo livro da trilogia. Afinal, a dúvida que não quer calar é; em qual confusão Sage e seu belo oficial vão se meter dessa vez?

29/06/2017

O Ceifador por Neal Shusterman

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340352
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 448
Classificação:
Sinopse: Scythe – Livro 01.
Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

Do mesmo modo que adoro de uma leitura leve e singela, não abro mão de livros com uma narrativa um pouco mais "ambiciosa" e principalmente inteligente. Assim que comecei a leitura de O Ceifador, estava preparada para me deparar com uma história de certa forma "pesada", escrita com a pretensão de impactar o leitor. Porém para minha surpresa, o autor Neal Shusterman nos apresenta aqui uma narrativa instigante que mesmo causando o impacto desejado, consegue ser envolvente e despretensiosa.

A humanidade finalmente atingiu o nível de  perfeição. A violência, fome, doenças e a morte são coisas do passado. Graças a Nimbo-Cúmulo, a inteligência artificial que evoluiu de uma simples nuvem de dados para se tornar a maior autoridade do planeta, a paz e a imortalidade foram finalmente alcançadas. Porém, para que o perfeito equilibro entre homem e recursos naturais exista algumas pessoas ainda precisam morrer e os únicos que podem pôr fim a uma vida são os ceifadores. Eles estão acima de qualquer lei, e até mesmo a Nimbo-Cúmulo se mantém afastada dos assuntos referentes à Ceifa, a grande organização dos ceifadores.

Os ceifadores são temidos e quando os caminhos de Citra e Rowan se cruzam com os do ceifador Faraday a vida dos dois adolescentes muda para sempre. Embora nenhum dos dois deseje aprender a arte de matar, eles acabam se tornando aprendizes do ceifador. Mas apesar de sua missão macabra, Faraday acredita que o ato de coletar uma vida deve ser feito com compaixão e não por prazer. Só que a Ceifa está cada vez mais dividida e muitos estão dispostos a quebrar as leis da organização e assim trazer ao mundo uma nova era sangrenta.

O treinamento para se tornar um ceifador é pesado e a convivência faz como que uma cumplicidade e outro tipo de sentimento surjam entre Citra e Rowan e isso não passa despercebido a Ceifa. Graças a uma intrincada rede de intrigas e conspirações, Citra e Rowan acabam em lados opostos e ao final do treinamento, somente um deles irá receber o manto sagrado e o anel de ceifador o outro terá que morrer. Mas será que eles vão de capazes de cumprir o decreto da Ceifa?

O Ceifador nos leva por uma viagem ao um mundo futurista em que a ciência e a tecnologia conseguiram resolver os grandes dilemas da humanidade, incluindo a morte. Por esse motivo acredito que mesmo contando com personagens bem construídos e protagonistas fortes, a Morte é de fato o personagem central aqui.  De uma maneira bastante perspicaz Neal Shusterman inseriu várias reflexões sobre o tema, além de duras críticas a sistemas corruptos e ao estilo de vida mais “fácil”. Foram justamente esses pontos e a forma como eles são trabalhados na narrativa que tornam o livro tão incrível em minha opinião.

Gostei muito do modo como o autor construiu a personalidade da Citra e do Rowan. Os dois tiveram criações diferentes e são quase como água e vinho. Seus caminhos provavelmente nunca teriam se cruzado se não fosse pelo fato de Faraday os ter escolhido como aprendizes. Ambos possuem um principio moral e éticos muito fortes, que se tornam ainda mais visíveis nos momentos que a sombra do significado de ser um ceifador e o poder que isso traz, os faz questionar suas motivações e a si mesmos.

Tanto o ceifador Faraday como a ceifadora Curie desempenham um papel importante no desenvolvimento da história. São eles que dão a voz as reflexões que o autor inseriu na narrativa, e como ceifadores da “velha guarda” Faraday e Curie demonstraram através de suas ações uma compaixão e empatia pelo próximo enorme, especialmente se levarmos em conta que eles são os responsáveis por trazer dor e sofrimento as pessoas.

Neal Shusterman ainda nos presenteia com o vilão caricato é verdade, mas que apesar da sua prepotência e desejo por sangue e poder consegue ser carismático. E mesmo que eu não goste muito dessa separação explicita entre o bem e o mal em narrativas, eu consegui entender os motivos do autor para deixar isso tão claro na história. Afinal a humanidade conseguiu chegar a um nível de evolução científica e tecnológica em que a única coisa que nos espera é uma vida eterna, agradável e feliz. Mas será que a ciência e a tecnologia são capazes de eliminar o que de pior existe no instinto humano?

Outro ponto positivo é o fato do autor ter focado na evolução da história como um todo deixando o suposto romance entre os protagonistas como plano de fundo. Isso faz com que a narrativa fique mais interesse e gostosa de acompanhar, pois quanto mais o autor revela os segredos da Ceifa e a forma como esse mundo utópico funciona, mais sobre eles queremos saber.

O Ceifador uma foi grata surpresa e sem sombra de dúvidas é uma das minhas melhores leituras do ano até o momento. Sua narrativa é repleta de mistérios e reviravoltas que me deixaram simplesmente chocada em alguns capítulos. Além disso, Neal Shusterman soube como deixar pontas soltas e perguntas para serem respondidas no próximo livro da série. De minha parte só posso adiantar que estou bem curiosa para saber o que o futuro reserva para Citra e Rowan.

“Remorso. Arrependimento. Sofrimentos grandes demais para suportarmos. Porque, se não sentíssemos nada, que espécie de monstros seríamos?“

Confesso que ao iniciar a leitura de O Ceifador esperava uma história completamente diferente e acabei surpreendida da melhor forma possível. Mesmo com os ares futuristas, Neal Shusterman aborda aqui questões atuais em uma narrativa inteligente marcada por reflexões sobre o caráter humano, vida e a morte. Tudo isso com uma escrita fluida e envolvente que vai fazer você perder algumas horas de sono para descobrir o que te espera no próximo capítulo.

16/06/2017

Tempestade de Cristal por Morgan Rhodes

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340345
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 408
Classificação:
Sinopse: A Queda dos Reinos – Livro 05.
Amara, a implacável imperatriz de Kraeshia, assumiu o trono de Mítica, e um sentimento de incerteza paira sobre Paelsia, Limeros e Auranos. Então Magnus e Cleo procuram um jeito de retomar o poder. Assim, acabam seguindo Gaius até a casa de Selia, sua mãe exilada. A avó de Magnus é uma bruxa poderosa que pode ajudar a liberar a magia dos cristais da Tétrade e recuperar Mítica. Mas, para concretizar seus planos, a família Damora deverá se juntar ao rebelde Jonas e o grupo formado por Nic, Felix e o misterioso Ashur ressuscitado. Enquanto isso, grávida de um Vigilante e temida por todos, Lucia foge do deus do fogo e viaja em busca de Gaius e Magnus. Mas o tempo está acabando. A tempestade iminente indica que a profecia sombria de que o Vigilante Timotheus falou está se aproximando. O destino da feiticeira está traçado, e inclui ninguém menos que o rebelde Jonas.

Não é segredo para ninguém que a série A Queda dos Reinos, da autora Morgan Rhodes tem aquele lugarzinho especial em meu coração. A espera por Tempestade de Cristal, quinto livro da série foi longa é verdade, mas valeu a pena. Com uma narrativa cheia de grandes revelações e reviravoltas de tirar o fôlego esse é até o momento, pelo menos em minha humilde opinião, o melhor livro da saga.

Contem spoilers dos livros anteriores, então quem não correr o risco pode pular três parágrafos agora.

Um sentimento de apreensão e incerteza paira sobre os três reinos de Mítica com o casamento do Rei Sanguinário com a Princesa Amara Corsas. Agora o reino faz parte do grande império de Kraeshia, mas Magnus e Cleo não estão dispostos a se render assim tão facilmente ao domínio de Amara. Porém para recuperar o poder, eles talvez precisem sacrificar o orgulho e formar uma aliança com o inimigo. Gaius está disposto a reparar os erros que cometeu com o filho no passado, e essa mudança repentina pode trazer problemas para o frágil relacionamento de Magnus e Cleo.

Do outro lado e alheia aos últimos acontecimentos Lucia, a jovem feiticeira conseguiu fugir de Kyan o cruel deus do fogo. Porém ela está fraca e o filho que carrega no ventre parece sugar o pouco que resta da sua magia. Lucia sabe que precisa aprisionar Kyan novamente e impedir que ele consiga libertar os outros deuses e assim concluir seu plano maligno. Lucia acredita que essa é uma missão solitária até o que o seu caminho se cruza com o do rebelde Jonas. O rebelde tem todos os motivos do mundo para virar as costas para a feiticeira, porém o destino dos dois parece estar ligado ao destino de Mítica.

Quando velhos inimigos se tornam aliados na tentativa de derrotar um inimigo em comum, a tempestade chega varrendo tudo em seu caminho. O verdadeiro mal é então revelado e com ele o caos e o medo de se perder tudo vêm à tona. Não há mais espaço para jogos e manipulações, o tempo está se esgotando e finalmente a profecia irá se cumprir. Só que o nem os Vigilantes podiam imaginar, que até mesmo um acontecimento profetizado pode ser alterado.

É bem complicado para essa que vos escreve falar de Morgan Rhodes. A Queda dos Reinos é uma das minhas séries de fantasia favorita, e nesses quase quatro anos em que eu a acompanho é visível que cada livro traz uma evolução não somente dos personagens, mas da história em si.  Tempestade de Cristal foi uma história que gerou sentimentos conflitantes em mim. Por que tipo, mesmo não gostando ou não aceitando muito bem as atitudes de alguns personagens, no fundo, bem lá no fundo eu conseguia “entende-lo”.

Os personagens aqui são muito cativantes e o melhor é que em nenhum momento a autora tenta torna-los “perfeitos”. Muito pelo contrário, todos têm atitudes egoístas e mesquinhas o que faz com que a todo instante você fique naquela corda banda do amor e ódio por eles. E por menor que tenha sido a participação da Lucia e do Jonas nesse livro em especial, a evolução que esses dois personagens tiveram em relação aos outros foi mais perceptível.  Continuo não “gostando” da Lucia por várias razões, só que não nego que houve situações que fiquei com pena dela. Por que o caminho que a personagem está trilhando é um caminho difícil e no final ela pode sim, perder tudo.

Já o Jonas vem tento uma boa evolução ao longo da série, porém nesse livro é visível seu amadurecimento e principalmente o quando as perdas que ele sofreu o tornaram mais forte. Confesso que me irritei um pouco com o “drama” da Cleo e do Magnus, embora aqui seja mais um caso do; “Ok é desnecessário mais eu entendo". Com a Amara é exatamente a mesma coisa. A personagem cresceu bastante na trama e apesar de ser uma praga em quase todos os sentidos eu gosto dela. Ela aquele tipo de personagem que consegue "convencer" que suas motivações são sinceras, mesmo que para alcançar seus objetivos ela jogue baixo.

Morgan Rhodes já provou que gosta dar reviravoltas em sua história e aqui não foi diferente. Selia, a mãe bruxa (literalmente) de Gaius começou como uma pequena personagem secundária e no final acabou se revelando uma peça chave.  Sabe quando você lê algo que fica meio sem reação tipo; “Não acredito que isso está acontecendo?”. Foi exatamente assim que fiquei nos capítulos finais. Rhodes criou um gancho incrível, o que é claro deixa qualquer leitor ainda mais curioso para conferir o próximo capítulo da série.

Terminei a leitura de Tempestade de Cristal com o coração na mão e completamente surpresa com a direção que autora deu para a história. Sendo bem sincera eu tive um “mini-infarto” com a forma que o livro acabou. Eu li e reli o ultimo parágrafo e pensei; “Você não pode fazer isso comigo Morgan Rhodes, não pode.” Só que ela fez, então aqui estou eu roendo as unhas de ansiedade por Immortal Reign, o último livro da série. 

“– Acho que todos nós merecemos morrer por algo que fizemos – Jonas disse, aliviando um pouco a tensão que precisa entre o príncipe e o rebelde. – Ou por algo que deixamos de fazer.”

Se eu estou preparada para dizer adeus a Mítica e aos personagens que amo e odeio com a mesma intensidade? Lógico que não!  Mas estou sofrendo como a forma que a Tempestade de Cristal terminou. Eu preciso de respostas, e preciso delas rápido.

Veja Também:

01/06/2017

A Melodia Feroz por Victoria Schwab

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340413
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 384
Classificação:
Livraria Saraiva | Compare os Preços
Sinopse: Monstros da Violência – Livro 01.
Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical. Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unir para conseguir sobreviver.

Confesso que por mais eu tente fugir de séries novas, elas sempre dão um jeitinho de despertar a minha curiosidade e com isso parar na minha lista de desejados. Um bom exemplo disso é A Melodia Feroz, primeiro livro da duologia Monstros da Violência da autora Victoria Schwab. E para minha felicidade não só a leitura se mostrou surpreendente como essa é também uma das melhores distopias tive o prazer de ler até o momento.

Na cidade de Veracidade ou Cidade V como ficou conhecida cada ato de violência gera um monstro, - um monstro de verdade. Corsais, sombras famintas por carne; malchais, seres esqueléticos sedentos por sangue; e sunais, criaturas que se parecem humanas, mas que com uma melodia são capazes de sugar almas. Nessa cidade divida entre o norte o sul onde o terror se esconde a cada esquina, Katherine Harker e August Flynn estão em lados opostos.

Kate Harker é filha do temido Collum Harker, líder da Cidade Norte a parte de Veracidade em que aquele que tem dinheiro para comprar proteção, compra também à ilusão de segurança e normalidade. Os monstros da Cidade Norte obedecem a Collum, e com isso ele permanece no poder ao mesmo tempo em que ele mantém a filha afastada. Só que Kate não quer ficar longe, na verdade tudo o que a jovem deseja é ser tão cruel quanto o pai.

August Flynn é um sunai, a mais perigosa de todas as espécies de monstros que a violência pode gerar. Ele foi adotado por Henry Flynn o sensato líder da Cidade Sul. Com Flynn, August por alguns anos teve uma vida quase humana, apesar da disputa constante na Fenda que separa Veracidade entre o norte e o sul.  August não que ser um monstro, mesmo que a sua natureza e necessidades façam dele um.

Quando a trégua entre os dois lados da cidade ameaça a ruir Kate volta a Veracidade e o lado sul precisa que August se passe por um garoto normal e fique de olho nela no colégio. O plano poderia dar certo, mas logo fica claro para August que manter sua verdadeira identidade em segredo não será uma tarefa tão fácil como todos imaginavam. Até por que Kate é uma garota esperta, afinal ela é uma Harker.

O desejo de Kate agradar e conquistar a confiança do pai é forte e ela está disposta a fazer o que for preciso para isso. Porém quando a sua vida passa correr risco e não há mais ninguém em que posso confiar à única forma de permanecer viva e descobrir a verdade é justamente se aliando a August, o monstro. Conseguirá Kate se salvar da revolução dos monstros que a querem ver morta? E por quanto tempo August conseguirá manter a trevas afastadas do seu coração antes de sucumbir?

Admito que A Melodia Feroz não foi aquele livro que me conquistou logo no começo. Ele está mais para  aquele tipo de narrativa que aos poucos foi me envolvendo, até que em um determinado momento, eu já estava completamente imersa no mundo caótico e sombrio criado pela Victoria Schwab. Uma história cadenciada em que todas as peças vão se encaixando a cada capítulo, o que tornou tudo ainda mais interessante de se acompanhar.

Não nego que incomodei um pouco com a dupla de protagonistas no inicio, afinal é visível que ambos estão tentando ser aquilo que não são. August é um doce de monstro (se é que um monstro pode ser doce), porém por mais as atitudes dele até certo ponto possam ser vistas como “nobres”, é perceptível que uma hora a coisa toda vai desandar e não vai acabar nada bem. Já com a Kate a minha dificuldade foi entender o porquê ela se esforçar tanto para ter o “amor” de uma pessoa que é mais monstruosa do que os monstros de verdade que habitam a cidade.

O modo com a autora desenvolveu os protagonistas e trabalhou com os dramas pessoais de cada um é um dos fatores que contribuem para que A Melodia Feroz seja tão incrível.  Normalmente esse tipo de evolução nos personagens em séries só acontece de um livro para o outro, já aqui é perceptível o quanto as situações pelas quais Kate e August passam os transformam.  Os personagens secundários também desempenham um papel importante na narrativa, especialmente o Sloan e o Leo. Gostei muito da Ilsa e por mais que a autora tenha dado umas "pinceladas" sobre o passado dela nesse primeiro livro, ainda sinto que tem muito mais a ser revelado.

Quando comecei a leitura esperava encontrar uma história com a mesma receita de sucesso dos livros jovens atuais. Mas me surpreendi de uma forma que até então não pensava ser possível. Esqueça o romance óbvio, o triangulo amoroso desnecessário com personagens frágeis e “bonzinhos” demais. Em A Melodia Feroz, Victoria Schwab apresenta uma distopia original, em que seus personagens são falhos, nem bons e nem maus somente humanos ou monstros. Tudo isso com uma narrativa repleta de intrigas e reviravoltas que me deixaram de queixo caído e querendo mais. 

“Por que todos tinham de estragar o silêncio com perguntas? A verdade era uma coisa desastrosa.”

A Melodia Feroz é uma sinfonia que começa com uma nota triste e sombria e que aos poucos nos envolve com suas matizes escuras e seus segredos. Esse é aquele livro para quem está buscando uma história com os toques certos de ação, mistério e fantasia. Aqui esses três elementos se unem em um ritmo perfeito deixando tudo ainda mais trágico, cruel e surpreendente.

23/05/2017

A Prisão do Rei por Victoria Aveyard

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9999094163351
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 552
Classificação: Ótimo
Sinopse: Rainha Vermelha – Livro 03.
Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira. Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.

A Rainha Vermelha foi àquela série que chegou de mansinho, gerando nessa que voz escreve emoções contraditórias até que por fim me vi completamente envolvida pela trama de Victoria Aveyard. E A Prisão do Rei, é visível não somente a evolução da série e de seus personagens, mas principalmente da escrita da autora. Por esse motivo arrisco-me em dizer que esse é o melhor livro da série até aqui.

Quem quiser fugir de spoilers pode pular três parágrafos a partir de agora.

Quando se entregou a rei Maven Calore para salvar seus companheiros da Guarda Escarlate, Mare Barrow esperava por uma morte lenta e dolorosa, só que isso não aconteceu. O rei a trancou numa jaula silenciosa em que todos os dias os erros que cometeu a atormentam, e sem o seu poder pouco a pouco o que resta de suas forças vai sendo drenado. Se isso já não fosse o bastante Mare precisa lidar com a hostilidade de nobres prateados como Samson Merandus e Evangeline Samus, além da estranha obsessão que Maven tem por ela.

Do lado de fora do palácio de Whitefire a Guarda Escarlate continua agindo nas sombras e conquistando mais espaços no reino de Norta, apesar de todas as tentativas do rei de enfraquecer a rebelião. Cal o príncipe exilado é visto pelo Comando como uma peça importante contra a tirania de Maven. Mas a sua lealdade é questionável, principalmente para os vermelhos que ainda o vêm como prateado que por anos escravizou e matou pessoas inocentes. Só que nem os mais desconfiados podem negar que príncipe é indispensável nessa guerra, principalmente por que ele está disposto a fazer o que for preciso para trazer Mare de volta.

Conforme os conflitos vão se intensificando por toda Norta, velhos inimigos se torna aliados e novas alianças são feitas em nome do poder. A guerra finalmente começa e dessa vez os alvos são tanto vermelhos como prateados, e por mais que Mare e Cal queiram a mesma coisa talvez os sentimentos e os ideais que os unem não sejam fortes o suficiente para sobreviver às novas intrigas e conspirações.

Contrariando algumas opiniões que ouvi e li, particularmente gostei muito de A Prisão do Rei. Claro que reconheço que o começo é um pouco “parado”, porém foi justamente esse ritmo mais lento que possibilitou a autora desenvolver melhor tanto alguns personagens como pontos importantes da história. Confesso que fiquei assim como muitos eu espera que a séria A Rainha Vermelha terminasse no terceiro livro, por isso uma das minhas principais dúvidas era se Victoria Aveyard teria “assunto” para um próximo livro. E sim, a ela tem! A verdade é que autora deixou a história totalmente em aberto e dando um gancho incrível para a continuação.

E por mais que o Maven seja visto como o grande vilão da história em especial levando em conta o triângulo amoroso formado por ele, Mare e Cal, eu nunca consegui ver o personagem como sendo “mal”. Manipulável e manipulador talvez? Cretino, com certeza. Porém apesar de todas as sombras que rondam a sua mente e o visível flerte dele com a loucura, uma parte de mim não deixa de ter “pena” pela pessoa que a rainha Elara o tornou. Sem falar que em muitos momentos gosto do sarcasmo do Maven, pois mesmo que ele tenha sido um “fantoche” a vida toda, eu ainda acho que ele um dos personagens senão o mais inteligente, um dos melhores estrategistas da trama.

Os diálogos dele com a Mare são um dos pontos altos da narrativa, pois através deles vemos toda a dor do rei. A Mare teve uma boa evolução aqui e foi gratificante ver um lado mais “humilde” da personagem.  Ela reconheceu seus erros e de certo modo está disposta não a repara-los, mas evitar que suas ações prejudiquem o Guarda e sua família novamente. Só que é visível o quando o coração dela é divido em amor e ódio pelo rei e o príncipe.

O Cal aqui teve não somente uma participação menor, como “reduzida” dando a impressão que ele que não consegue tomar decisões importantes por si mesmo,  e esse foi algo que me incomodou um pouco.  Sempre fui a favor de a narrativa ser dividida entre os pontos de vista de vários personagens para termos uma visão mais ampla da história. Isso de fato acontece aqui, porém ao invés de um desses pontos de vista ser do Cal é de uma outra personagem que sinceramente não tem tanto peso na trama como o príncipe.

Gosto quando o autor abre espaço para os personagens secundários, mas de todos os personagens que podiam ter um maior destaque em A Prisão do Rei, a autora escolheu alguém com uma personalidade muito parecida com a da Mare o que deixou tudo meio elas por elas, se que vocês me entendem. Adorei as partes narradas pela peste da Evangeline, não só por que elas foram importantes no contexto da história, mas especialmente por ver quem realmente é a Evangeline. E admito que me algumas revelações sobre ela foram bem surpreendentes.

Em A Prisão do Rei, Victoria Aveyard apresentou uma narrativa bem amarrada com uma boa dose de ação. Além disso, a autora expandiu o universo de A Rainha Vermelha ao mesmo tempo em que deixou o desfecho da série em aberto criando assim várias possibilidades. Ou seja, podemos começar a fazer nossas apostas e criar as nossas teorias da conspiração, por que a partir de agora o jogo pode mudar a qualquer momento.

“Nossos poderes vieram da corrupção, de uma praga que matou a maioria. Não fomos escolhidos, mas amaldiçoados.”

Com um final que deixa qualquer leitor com o coração na mão e ansioso pelo próximo capítulo da série, A Prisão do Rei é um livro cheio de reviravoltas e intrigas políticas em que o medo de perder o poder e o desejo de conquista-lo ditam o ritmo de uma guerra que apenas começou. Mal posso esperar para ver quem vai se sair vencedor, embora acredite que independente do lado que ganhar essa batalha, ambos tem muito mais a perder do que a ganhar com ela.

Veja Também:
A Rainha Vermelha.

27/04/2017

A Traidora do Trono por Alwyn Hamilton

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340291
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 440
Classificação: Ótimo
Sinopse: A Rebelde do Deserto – Livro 02.
Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade- a garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

A Rebelde do Deserto da autora Alwyn Hamilton foi aquele livro que a princípio vi com pouco desconfiança, mas que no decorrer da leitura foi me conquistando a cada capitulo. Por esse motivo, seria hipocrisia da minha parte dizer que eu não estava cheia de expectativas e ansiosa para me aventurar pelas lendas árabes e o deserto novamente. E só posso adiantar uma coisa para vocês, - foi incrível.

Pode conter spoilers do livro anterior, por isso quem não quiser se arriscar pule três parágrafos agora.

Depois de finalmente conseguir escapar da Vila da Poeira montada em um cavalo mágico e ter atravessado o deserto inteiro ao lado do misterioso Jin, a vida de Amani nunca mais foi à mesma. Entre perigosas aventuras nas impiedosas areias do deserto e um oásis perdido, ela descobriu partes mais sombrias de seu passado, encontrou o amor  e algo por que lutar.

A famosa e temida Bandida de Olhos Azuis se juntou a rebelião, e seus recém-descobertos poderes mágicos aliados a uma mira perfeita, fazem dela umas das peças mais importantes no plano para derrotar o Sultão e tira-lo do poder. Só que as coisas  acabam se complicando um pouco no caminho. Traída e capturada pelo inimigo, Amani vai parar no palácio.

Agora ela precisa correr contra o tempo para avisar os rebeldes sobre seu paradeiro e os planos terríveis que o Sultão está tramando. Mas antes ela precisará sobreviver ao Harém e principalmente aos fantasmas do passado que voltaram para assombra-la. Os inimigos estão por todas as partes e um passo em falso de Amani pode colocar tudo a perder. O futuro da rebelião e a sobrevivência dos rebeldes estão em suas mãos. E logo ela aprenderá da forma mais difícil, que na dúvida a única opção segura é confiar em si mesma.

Em A Traidora do Trono, Alwyn Hamilton nos apresenta uma narrativa ágil bem amarrada, cheia de intrigas e conspirações, algo que eu particularmente adoro. Esse foi um livro que me deixou com o coração na mão em vários momentos, pois um dos grandes diferenciais da escrita da Hamilton é o fato dela ser totalmente imprevisível. E isso ficou muito claro nesse segundo livro da série A Rebelde do Deserto.Como as areias do deserto, aqui tudo pode mudar em segundos.

Outro ponto que merece destaque é a evolução da Amani como protagonista. Eu já tinha gostado muito da personagem no primeiro livro, pois a Amani não é aquela mocinha chata e sem graça que fica a espera do príncipe encantado para salva-la. Ela é o completo oposto disso. Amani é forte, corajosa e está disposta a fazer o que for preciso para tirar o sultão do poder, só que sem aquele “altruísmo” clichê do: “Eu me sacrifico pelo bem maior”. O fato de a personagem demonstrar suas fraquezas, ao ponto de muitas vezes parecer até um pouco "egoísta" faz dela humana.E isso me aproximou ainda mais dela.

A inserção de novos personagens trouxe um dinamismo maior para história, ao mesmo tempo em que deixou tudo ainda mais surpreendente. O único ponto negativo que A Traidora do Trono tem em minha opinião, é aquele velho problema da história ficar centralizada em um único personagem. Acredito que se a autora tivesse intercalado a narrativa com os pontos de vista da Amani com os pontos de vista do Jin(), por exemplo, o enredo ficaria mais rico e a história mais “completa”.

Confesso que Alwyn Hamilton me surpreendeu da forma mais positiva possível. Acho que nunca disse isso em uma resenha aqui no blog, porém de todas as séries que já li ou que acompanho, A Traidora do Trono é a melhor sequência com qual me deparei até hoje. Simplesmente não conseguia parar de ler e admito que quando percebi que a aventura estava chegando ao fim, dei uma “leve” enrolada para ela durar mais. E mal posso esperar para me juntar as rebeldes do deserto novamente.

“Se tinha aprendido alguma coisa como a Bandida dos Olhos Azuis, era que histórias e a verdade raramente coincidiam.”

Se você está em busca de uma nova série para amar, A Rebelde do Deserto é pra você. Pegue seu cantil de água e se prepare para se aventurar pelo deserto inclemente de Miraji. Uma vez envolvido pelas areias dele dificilmente você vai querer sair.

Veja Também: 

13/03/2017

Lobo por Lobo por Ryan Graudin

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340192
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 360
Classificação:
Sinopse: Lobo por Lobo – Livro 01.
O Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial, e a Alemanha e o Japão estão no comando. Para comemorar a Grande Vitória, todo ano eles organizam o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas através das antigas Europa e Ásia. O vencedor, além de fama e dinheiro, ganha um encontro com o recluso Adolf Hitler durante o Baile da Vitória. Yael é uma adolescente que fugiu de um campo de concentração, e os cinco lobos tatuados em seu braço são um lembrete das pessoas queridas que perdeu. Agora ela faz parte da resistência e tem uma missão: ganhar a corrida e matar Hitler. Mas será que Yael terá o sangue frio necessário para permanecer fiel à missão?

Acredito que não seja segredo para ninguém, que livros que tem a Segunda Guerra como plano de fundo sempre acabam chamando a minha atenção. Porém Lobo por Lobo, o primeiro livro da duologia de mesmo nome da autora Ryan Graudin, se destaca por apresentar uma narrativa original, relatando a história que já conhecemos de uma forma totalmente diferente. O que sem sombra de dúvidas deixou tudo ainda mais interessante.

A morte tem sido uma companhia constante na vida de Yael. Aos seis anos ela chegou a um dos vários campos de concentração da Alemanha nazista com sua mãe. No campo Yael não perdeu somente a sua infância. Ela perdeu pessoas queridas e sua própria identidade. Agora como membro da resistência Yael parte para a jornada mais importante de sua vida, em que o objetivo final é: matar Adolf Hitler.

Ganhar Tour do Eixo, a corrida de motocicletas organizada para comemorar a supremacia dos governos aliados da Alemanha e Japão é sua melhor e única oportunidade. Porém nessa corrida de vida e morte ela não está sozinha. Outros dezenove jovens buscam a fama, honra e o dinheiro que a vitória na corrida garante ao vencedor. Além disso, a longa estrada que começa na Alemanha e termina no Japão reserva dois grandes obstáculos que Yael e a resistência não são capazes de  prever, - Felix Wolfe e Luka Löwe.

Lobo por Lobo possui todos os ingredientes que torna uma leitura envolvente do começo ao fim. Protagonistas fortes e dispostos a tudo por aqueles que amam e seus ideais. Uma narrativa fluida em que a autora consegue mesclar bem o drama com a aventura, isso sem falar nas várias reviravoltas que acontecem e que deixam qualquer leitor com o coração na mão.

Ryan Graudin inseriu de modo coerente em sua trama fatos verídico, dando ao mesmo tempo o tom certo de fantasia a obra. Ela soube usar a velha e boa “licença poética” ao seu favor, unindo a ficção e a realidade com maestria. Outro ponto que me agradou muito durante a leitura foi à construção dos personagens.

Yael é uma protagonista maravilhosa, pois mesmo com tudo o que passou ela não perdeu a esperança. Ela é determinada e está decidida a fazer o que for preciso para mudar e melhorar as coisas. É visível o quanto cada perda que Yael sofreu a tornou mais forte. Porém apesar de tudo isso, em muitos momentos é perceptível a sua fragilidade, o quanto as cicatrizes tanto do seu corpo e principalmente de sua alma ainda doem. E isso torna a personagem ainda mais humana e incrível.

Gostei muito do Felix e do Luka também. E antes que vocês pensem, já adianto que aqui não existe o “bendito” triângulo amoroso. O envolvimento deles como a Yael é por razões completamente diferentes. E isso é outro ponto positivo na trama por que ambos possuem um traço de personalidade muito marcante e também não "largam o osso" tão facilmente. A principio eles me causaram uma certa antipática por serem mistério, tipo nem mocinhos e nem vilões. Só que conforme a narrativa foi avançando  tanto o Felix como o Luka conquistaram um lugarzinho em  meu coração ().

Além disso, Ryan Graudin me deixou com aquela pontinha de curiosidade para saber mais sobre o passado deles, e de outros personagens que mesmo não tento uma participação tão ativa na história são bastante importantes no contexto geral da obra. Sem falar que o livro termina de um jeito tão “cretino” que se essa que vos escreve tivesse em mãos Blood for Blood teria começado a ler ele imediatamente.  “Alguém avisa a Ryan que sou ansiosa!”

“- Os fantasmas vão ficar. Assim como seus números. Assim como minhas cicatrizes. Assim como nossa dor. Mas você não precisa ter medo deles.”

Se você está em busca de uma história cheia de intrigas, mistérios e reviravoltas surpreendentes, Lobo por Lobo é a escolha perfeita. Audacioso, original e com personagens marcantes, esse livro vai te tirar o fôlego e fazer você perder algumas horas de sono. Por que assim que você começar essa corrida só vai conseguir parar na linha de chegada.

30/01/2017

Juntando os Pedaços por Jennifer Niven

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340246
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 392
Classificação:
Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

Por Lugares Incríveis é um dos melhores livros que li em minha vida. Por esse motivo iniciei a leitura de Juntando os Pedaços com aquela mistura de receio e ansiedade. Afinal sempre dá aquele "medinho" de nos decepcionar com um autor que escreveu uma das histórias mais emocionantes que já lemos. Porém, se eu precisasse definir esse segundo livro da autora Jennifer Niven em apenas uma palavra ela seria, - maravilhoso.

Os últimos anos não foram fáceis para Libby Sprout e ela ainda está aprendendo a lidar com as consequências de tudo que passou e ser forte o suficiente para encarar tudo o que virá. E isso significa voltar ao mundo real e ser uma pessoa comum, mas isso não vai ser tão simples como ela deseja. Pois apesar de o mundo ser cheio de pessoas boas, existem pessoas que não são tão boas assim, como Jack Masselin e seus amigos.

Depois de uma brincadeira nem um pouco engraçada que acabou com Jack ganhando um soco e os dois parando na Diretoria, Libby descobre o segredo de um dos garotos mais populares do colégio. Jack tem prosopagnosia, uma doença pouco conhecida que impede que ele reconheça os rostos das pessoas, incluindo seus próprios familiares. Com o passar dos anos Jack desenvolveu técnicas para reconhecer seus pais, irmãos e amigos através do tom de voz, altura ou outra característica marcante. Todos os dias ele precisa se esforçar para fingir que está tudo bem e que não tem nada de errado com ele. O que faz com que Jack se sinta uma fraude completa.

Mas quando Jack conhece Libby algo começa a mudar. Libby não fingi ser aquilo que não é. E mesmo sofrendo com o preconceito e os comentários maldosos, ela decide seguir em frente, e isso de alguma forma inspira Jack a enfrentar seus fantasmas também. De um encontro que acontece do jeito mais errado possível, nasce uma amizade improvável.  Em que tanto Jack como Libby vão aprender muito um com o outro se tornando mais fortes e descobrindo de uma maneira singela e não menos difícil, que a vida é muito mais do que seguir os padrões.

Juntando os Pedaços possui uma narrativa fluida e envolvente e com personagens bem construídos. Porém não nego que achei que faltou uma presença maior dos personagens secundários e que o final foi um pouco “repentino” demais. Na verdade a primeira impressão que tive ao ler a sinopse do livro foi que ela seria mais uma história comum sobre dois adolescentes com problemas que se conhecem pela “força” do destino, não se suportam em um primeiro momento e que no final acabam se apaixonando.

E não que essa que vos escreve tenha acabado de dar um grande spoiler do livro. Jennifer Niven realmente foi clichê aqui, porém ela soube como ser clichê e ao mesmo tempo passar uma mensagem importante para o seu leitor.  Por que esse livro é muito mais do que a história de Libby e Jack e de como eles aprenderam a enfrentar o mundo, mas é uma história de como todos nós devemos aprender a fazer o mesmo.

Fui uma criança e adolescente gordinha, e por esse motivo foi impossível não me ver na Libby. Os apelidos maldosos, as brincadeiras sem graças e os comentários venenosos disfarçados em preocupação. E apesar de não ter passado pela metade das coisas pelas quais a Libby passa na história, a dor dela foi a minha, as lágrimas, as decepções, as pequenas felicidades e conquistas. Tudo eu revivi com ela.  Jennifer Niven me envolveu de tal forma com sua narrativa que a história de Libby em certo ponto passou a ser a minha história também.

Por isso me desculpem se em minha humilde opinião não acho o Jack o "grande" protagonista da história. Não que o problema dele seja menor, afinal deve ser horrível você acordar todos os dias e não se reconhecer no espelho. Só estou dizendo que mesmo com as dificuldades que tem, Jack ainda é visto como uma cara legal, o que namora a rainha do colégio, o que faz parte da turma dos descolados. Ele passou grande parte de sua curta vida fugindo do problema enquanto a Libby não teve essa opção.  Sem falar que ele se comporta como uma babaca boa parte do livro também.

Se em Por Lugares Incríveis, Jennifer Niven partiu meu coração aqui ela fez o contrário. Durante a leitura fui sentindo como se a autora estivesse literalmente juntando os pedaços do coração daquela menina que muitas vezes chorou por que falaram coisas ruins para ela. Por que nos esquecemos com muita facilidade do quanto às palavras podem machucar. Juntando os Pedaços é um livro para todos aqueles que sofrem ou sofreram bullying em algum momento de sua vida. Ou mesmo para quem está passando por problemas e se sente sozinho.

Jennifer Niven passa uma mensagem linda de superação e recomeços para todos nós aqui. Por que infelizmente na vida sempre haverá pessoas que vão querer nos colocar para baixo. Seja por que não seguimos um padrão de beleza, ou por que simplesmente não pensamos iguais. E que por mais que certas coisas às vezes nos machuquem, o importante é juntar os nossos pedaços e seguir em frente sempre.

“- A gente não pode lutar as batalhas das outras pessoas, por mais que dê vontade. Mas a gente pode correr atrás dos babacas que mexeram com elas.”

Se você está em busca de um livro para aquecer seu coração e deixar aquele sorriso bobo em seu rosto, leia Juntando os Pedaços. Jennifer Niven provou que é uma autora incrível e que veio para ficar. Lindo, delicado e emocionante, esse será um livro que vai fazer você se encantar por sua história e torcer a cada capitulo pelo final feliz de seus personagens. Por que de algum modo você sentirá que esse final feliz é seu também ().

19/12/2016

Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.
ISBN: 9788555340208
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2016
Número de páginas: 248
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. Este livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais — e indispensável para qualquer estante.

Como vocês sabem não tenho o costume de ler contos, porém volta e meia acabo dando uma chance a livros do estilo e me deparando com boas surpresas. A mais recente foi à leitura de o Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial. Lançada em 1978 pela The Feminist Press e organizada pela estudiosa em literatura medieval Ethel Johnston Phelps, essa coletânea reúne vinte e cinco contos folclóricos de todos os cantos do mundo.

Contos, lendas e fábulas fazem parte da história humana, afinal por muitos séculos eles eram o modo que as pessoas encontravam para explicar aquilo que para elas não tinha explicação. Porém não podemos negar que durante gerações as mulheres vêm sendo retratadas de forma “passiva” como princesas e donzelas frágeis e indefesas que ficam a espera de algo ou que alguém resolva seus problemas por elas. Mulheres que se apaixonam perdidamente pelo príncipe que a desperta com um beijo, ou que abandonam tudo o que é importante em sua vida por causa do “amor”.

Esse “Feliz para sempre”, que ao longo dos anos a literatura e os clássicos da Disney vêm nos apresentando, como algo que todo mundo deve almejar é tão distante da realidade em que vivemos que acredito que todo mundo, já deve ter se decepcionando quando descobriu que Contos de Fadas e a pessoa perfeita não existem na vida real.

Aqui encontramos personagens fortes que não ficam sentadas esperando pelo famoso príncipe encantado ou que uma fada madrinha apareça e salve o dia. Essas heroínas são astutas, corajosas e vão à luta pelo o que querem. Usando de sua inteligência e às vezes até mesmo de força bruta elas cuidam de suas famílias, salvam príncipes do perigo ou resolvem simplesmente não se casar.

É incrível como uma obra com histórias despretensiosas e curtas consegue ser tão riquíssima e atual. Chapeuzinho Esfarrapado não é um livro sobre o feminismo, embora o mesmo esteja presente no subtítulo. Ele é uma obra que nos mostra através de uma linguagem simples a importância da igualdade de gênero. Que tanto meninos e meninas são capazes de fazer coisas fantásticas. Ele quebra aquele estereótipo da donzela em apuros e do padrão de beleza perfeito. Em vinte cinco contos temos diversidade e representatividade tudo mostrado de uma forma tão modesta que deixa o livro ainda mais encantador.

Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial foi uma leitura que me surpreendeu da maneira mais positiva possível. E as ilustrações da Bárbara Malagoli deram um toque ainda mais especial ao livro. Gostaria de ter fotografado algumas para compor a resenha, mas infelizmente não tive tempo. Prometo que mostro lá no Instagram para vocês ().

Com prefácio escrito pela autora Gayle Forman, Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial é um livro indicado para toda família e que pelo menos em meu ponto de vista devia ser introduzido nas escolas também. Até por que quanto mais cedo nossos pequenos aprenderem que meninos e meninas são e tem direitos iguais, no futuro teremos uma sociedade que vai saber conviver em paz com as diferenças sem tanta intolerância. Recomendo!

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