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24/04/2019

The Chase - A Busca de Summer e Fitz por Elle Kennedy

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The Chase é o primeiro livro da nova série da autora Elle Kennedy, a Briar U. Spin-off da minha outra série queridinha, Amores Improváveis tem uma proposta muito clara, - nos levar de volta ao universo dos jogos de hóquei, com personagens cativantes e romances gracinhas. Porém, não sei se sou eu que estou passando por uma fase de chatice literária muito grande, ou esse snip-off que foi lançado um pouco “cedo” demais.  Mas, infelizmente não consegui me sentir tão conectada com a narrativa e seus personagens aqui.  A verdade é que ao finalizar a leitura fiquei com aquela terrível sensação que ficou faltando alguma coisa.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.





ISBN: 9788584391363
Editora: Paralela
Ano de Lançamento: 2019
Número de páginas: 320
Classificação: Bom
Sinopse: Briar U – Livro 01.
Spin-off da série Amores Improváveis.
Todo mundo diz que os opostos se atraem. E deve ser verdade, porque não tem nada que explique minha atração por Colin Fitzgerald. Ele não faz meu tipo e, o pior de tudo, me acha superficial. Essa visão distorcida que ele tem de mim é o primeiro ponto contra. Também não ajuda que ele seja amigo do meu irmão. E que o cara que mora com ele tenha uma queda por mim. E que eu tenha acabado de me mudar para a casa deles. Mas isso não importa. Estou ocupada o bastante com uma faculdade nova, um professor que não larga do meu pé e um futuro incerto. Além do mais, Fitz deixou bem claro que não quer nada comigo, embora tenhamos uma química de dar inveja a qualquer casal. Nunca fui de correr atrás de homem, e não vou começar agora. Então, se o meu roommate gato finalmente acordar e perceber o que está perdendo… Ele sabe onde me encontrar.

Após ser convidada a se retirar da Universidade de Brown por supostamente ter colocado fogo na casa da fraternidade em que morava, Summer Di-Laurentis acaba sendo aceita na Universidade de Briar graças a influência do pai. Porém, seus problemas ainda não estão totalmente resolvidos, Summer precisa encontrar um lugar para morar e aparentemente sua fama de incendiária já chegou a Briar e nenhum fraternidade quer aceitá-la.

Triste e sem ter para onde ir, ela acaba aceitando o convite do irmão, Dean para uma festa de ano novo, festa essa que Colin Fitzgerald, também está. Summer não consegue entender a atração que sente por Fitz, especialmente por que ele já deixou bem claro de todas as formas possíveis que não quer nada com ela. Mas, a química entre os dois é visível e em breve ela será colocada à prova. Afinal, Fitz e seus amigos Hunter e Hollis estão precisando de mais uma pessoa para dividir a casa, e nenhum deles seria louco o suficiente para negar um favor ao Dean. Agora que estão morando na mesma casa, resta saber por quanto tempo Fitz será capaz de resistir a sua atração por Summer Di-Laurentis.

The Chase possui uma premissa bem clichê e mescla todos os elementos que eu particularmente amo nos livros do estilo. Só que confesso que achei que a Elle Kennedy exagerou um pouco na dose de “drama” presente na narrativa, porque é óbvio que a Summer e o Fitz vão ficar juntos, então a tentativa da autora de formar um triângulo amoroso entre: Fitz, Summer e Hunter para depois o Hunter ser “esquecido” no banco de reservas o restante da narrativa me incomodou bastante.

Isso me lembrou um pouco o primeiro livro da série Amores Improváveis em que a autora recorreu também a esse recurso e depois esqueceu o Logan no churrasco do time. Até porque quem já leu a série anterior deve ter percebido que após o segundo livro que narra a história dele, o Logan meio que “some” da série. Inclusive aqui, temos as pequenas participações do Dean (meu amorzinho ), Garret e do Tucker enquanto o Logan só é citado.

E tudo bem que o terceiro livro vai abordar a história do Hunter, só que sinceramente eu não vi nenhuma necessidade desse triângulo amoroso, quando a autora poderia ter abordado outros pontos mais interessantes na história. Um bom exemplo disso, é a questão do assédio sexual dentro das universidades, que embora tenha tido uma introdução promissora acabou não sendo muito bem trabalhado. A impressão que pelo menos eu tive, é que o tema ficou “meio jogado” na narrativa, como se a Elle não conseguisse desenvolver ao todo a ideia que tinha em mente quando começou a escrever, o que de fato foi uma pena.

Os personagens secundários desempenham um bom papel na construção da história em especial a Brenna que em muitos momentos chega a ser uma personagem mais cativante que a própria Summer. Não que eu não tenha gostado da Summer, na verdade ela é uma personagem muito carismática que mesmo com toda a sua “superficialidade” tem um coração enorme e passa por problemas muito reais dos quais ela mesma muitas vezes se sente culpada.

O meu problema aqui com a Summer foi que realmente eu não consegui ver ela e o Fitz como um casal a “longo prazo”. Talvez seja porque eu não acredito muito nessa história de que os oposto se atraem, e eles são muito opostos. Então a sensação que tive durante a leitura é que o relacionamento deles era mais baseado na atração sexual que sentiam um pelo outro do que aquele sentimento mais profundo que une duas pessoas. Acredito que se a Elle não tivesse criado todo um drama desnecessário no início da história em volta do relacionamento dos dois a minha visão seria diferente.

Além disso, o Fitz infelizmente não foi aquele protagonista masculino que fez meu coração bater mais forte. Achei algumas atitudes dele um tanto egoístas, mesmo que nas entrelinhas a autora tenha tentado justificá-las. Acho que ainda estou muito apegada ao Dean. ()#sorry

"Percepção e realidade são coisas muito diferentes. A verdade em geral está em algum lugar entre as duas."

The Chase possui a narrativa fluida e envolvente já tão característica das obras da autora Elle Kennedy. Porém, infelizmente no meu caso senti que a história aqui é um pouco “inferior” quando comparada a série que deu origem a ela. Mas, não nego que estou bem curiosa para ler os próximos volumes da Briar U, especialmente ao livro do Hunter. Quais as surpresas que dona Elle aprontou para ele?

17/04/2019

Os Mistérios de Sir Richard por Julia Quinn

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Dando sequência a minha meta de 12 livros para ler em 2019, Os Mistérios de Sir Richard último livro da série Quarteto Smythe-Smith da autora Julia Quinn, se mostrou uma leitura um tanto “complicada”. Confesso que demorei bastante para me sentir conectada com a narrativa e seus personagens e infelizmente ao final fiquei com a sensação que a história foi rasa e nem de longe tão cativante como os livros anteriores que li da autora.



ISBN: 9788580416688
Editora: Arqueiro
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 280
Classificação: Bom
Sinopse: Quarteto Smythe-Smith - Livro 04.
Sir Richard Kenworthy tem menos de um mês para encontrar uma esposa. Ele sabe que não pode ser muito exigente, mas quando vê Iris Smythe-Smith se escondendo atrás de seu violoncelo no musical anual das Smythe-Smith, Richard acha que conheceu alguém muito valiosa.  Ela é o tipo de mulher que passa despercebida até a realização de um segundo ou terceiro olhar de outra forma. Mas há algo nela abaixo da superfície, algo quente e ele sabe que ela é única. Iris Smythe-Smith...Ela está acostumada a ser subestimada, com seu cabelo claro e tranquila, mas há uma personalidade astuta que ela tende a esconder, e ela gosta dessa forma. Então, quando Richard Kenworthy se aproxima com galanteios e flertes, parece suspeito.  Dando a impressão de um homem que se rende ao amor, mas ela não pode acreditar que tudo é verdade. Quando sua proposta de casamento se torna uma situação comprometedora obrigatória, você não pode deixar de pensar que há algo escondido por trás disso. . . mesmo que o seu coração diz sim.

O Quarteto Smythe-Smith foi uma série que ao mesmo em minha opinião teve um começo promissor, mas que no decorrer dos quatro livros acabou meio que “perdendo” um pouco do seu encanto. Gosto muito da narrativa da Julia Quinn, porém sinto em dizer que ao menos aqui o estilo jovial e divertido da autora não funcionou muito bem comigo. A prova disso, é o fato de eu ter levado praticamente dois meses para ler Os Mistérios de Sir Richard. Não que o livro seja de todo “ruim”. Há bons momentos, mas a construção em si peca pela falta de química do casal e na forma como tudo parece “forçado” e um tanto sem sal e sem açúcar.

Iris Smythe-Smith é uma personagem que nos livros anteriores teve uma participação relativamente pequena, mas sempre que surgia suas aparições eram regadas de diálogos irônico e temperados com uma boa dose sarcasmo. Por esse motivo, não nego que eu esperava mais da personagem. E ver o modo como ela se colocava em diversas ocasiões em uma posição inferioridade ao ponto de se desmerecer por conta de sua aparência "pálida", foi um pouco desanimador. 

Em especial por que uma das qualidades que sempre admirei nas protagonistas da Julia Quinn é justamente o fato de todas elas serem fortes e determinadas. E eu senti falta disso aqui. É claro que a Iris evolui muito no decorrer da narrativa, e é muito gratificante acompanhar essa evolução dela. Mas, me incomodou muito a sensação de que ela precisou ser “manipulada” pelo Richard praticamente a história toda para que essa evolução fosse possível.

Acho que nunca torci tanto para que um casal não terminasse com o seu: “Então foram felizes para sempre”, como eu torci aqui. Richard Kenworthy foi sem sombra de dúvidas um decepção completa.  Tanto que as palavras que me vêm à mente quando penso no personagem são: covarde, egoísta e raso. O modo como ele cria toda uma situação constrangedora para obrigar a Iris a aceitar seu pedido de casamento foi uma atitude muito baixa por parte do personagem.

Tudo bem que desde o começo da história sabemos que ele precisa se casar o mais rápido possível, mas o fato do Richard ter visto a Íris como uma “presa fácil” não deixa de ser horrível. Além disso, o segredo do personagem não chegou a ser nem de longe tão “bombástico” como eu imaginei que fosse. Eu sei que para a época em que a história se passa é algo bastante grave, porém de verdade não achei que o segredo em si, “justificasse” todo drama causado por ele no contexto geral da narrativa.

E esse foi um dos pontos que mais me deixou descontente com Os Mistérios de Sir Richard. Como comentei logo no começo da resenha o que mais gosto nos livros da Julia Quinn é o modo com suas histórias são divertidas e leves, só que aqui a autora criou um melodrama tão grande que parecia que eu lia, lia, lia e não saía do lugar.

Apesar de pequena, gostei da participação dos personagens secundários no desenvolvimento da narrativa, principalmente de reencontrar personagens tão queridos como a Lady Sarah Prentice e o o clã Pleinsworth formado por Harriet, Elizabeth e Frances.  Não nego que em muitos momentos as atitudes da Fleur, irmã do Richard me irritaram bastante ao ponto de achar a personagem tão egoísta como o próprio Sir Kenworthy.

As histórias da Julia Quinn sempre conseguem deixar meu coração mais quentinho, mesmo que às vezes eu discordasse de uma atitude ou outra dos protagonistas. Porém, em Os Mistérios de Sir Richard tudo o que senti foi irritação. Irritação porque parecia que a história não saía do lugar. Irritação pelo modo como o Richard tratava a Iris. Irritação por ele não ter tido ao mesmo um “castigo” de leve por toda patifaria que aprontou.  Enfim, muito drama para nada ...

“Muitas vezes era melhor não questionar um presente. Era melhor apenas ficar feliz ao recebê-lo, sem saber por quê.”

Os Mistérios de Sir Richard ao menos em minha opinião está longe de ser o melhor livro da Julia Quinn. A verdade é que com exceção do primeiro livro, Simplesmente o Paraíso a série Quarteto Smythe-Smith não chegou a me arrebatar tanto como Os Bridgertons. Talvez o meu excesso de expectativas tenha atrapalhado um pouco o meu envolvimento com as histórias aqui. Mas, acredito que não sou a primeira e nem serei a última leitora no mundo a se decepcionar um pouco com uma obra do seu autor ou autora favorito. 

Veja Também:

20/03/2019

Romance Tóxico por Heather Demetrios

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Lançado no final de 2018 pela editora Seguinte, Romance Tóxico da autora Heather Demetrios aborda um tema que embora seja atual, nós como sociedade ainda encontramos certa dificuldade de falar sobre ele. Afinal, para muitas pessoas o relacionamento abusivo é somente o físico, quando na verdade o abuso psicológico mesmo sendo silencioso e não deixando marcas aparentes no corpo, é tão perigoso quanto.

Heather Demetrios apresenta uma história franca, em que a cada capítulo ficamos mais envolvidos pela história de Grace e Gavin.  O modo como que a autora construiu a narrativa chega é pouco angustiante, porque conforme a história avança paira no ar a sensação que algo de muito ruim está para acontecer. Por esse motivo, Romance Tóxico é um livro para se ler em “doses homeopáticas”, pois além de obviamente não se tratar de uma história feliz a sua narrativa contém alguns gatilhos como: suicídio, abuso doméstico, físico, sexual e psicológico.





ISBN: 978-8555340796
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento:  2018
Número de páginas: 416
Classificação: Ótimo 
Sinopse: Uma história contemporânea, comovente e incrivelmente honesta sobre como encontrar forças para se libertar de relacionamentos tóxicos. Grace quer sair de casa. Ela se sente sufocada pelo padrasto agressivo e pela mãe obsessiva, que a faz esfregar o chão até toda a poeira (que só ela enxerga) sumir. Quer ir embora da cidadezinha onde mora, na Califórnia, pequena demais para seus sonhos. Quer fugir da vida que leva e se tornar uma artista em Paris, uma diretora de teatro em Nova York… qualquer futuro que seja distante do medo e da solidão que sente. Então ela se aproxima de Gavin: charmoso, talentoso e adorado por todos da escola. Quando os dois se apaixonam, Grace tem certeza de que aquele romance é bom demais para ser verdade. Mas as suas amigas enxergam um outro lado do garoto — controlador e perigoso —, que, com o tempo, vai transformar o relacionamento dos dois em uma prisão da qual Grace será incapaz de escapar sozinha.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção em Romance Tóxico foi a forma como a autora construiu a história. Desde o começo fica muito claro que esse é um romance abusivo, uma vez que logo na primeira página a Grace começa a narrar os fatos que há levaram a se envolver com o Gavin. E o mais interessante aqui é que a autora usou como recurso uma linguagem mais direta, se referindo ao Gavin não como ele e sim como você.  A impressão que eu tive durante a leitura foi que a Grace estava realmente contando para o Gavin o quanto o relacionamento deles foi prejudicial. O quanto as atitudes dele a machucaram.

A protagonista já passa por uma relação de abuso dentro de casa. Grace é tratada como empregada por seu padrasto agressivo e por sua mãe omissa. O grande desejo de Grace é se formar no ensino médio e ir para bem longe da opressão em que vive, porque ela consegue ver como a relação de sua mãe como o Gigante, apelido dado ao padrasto, é tóxica.

A Grace consegue enxergar que a origem de todo abuso emocional e psicológico cometido por sua mãe é o relacionamento dela com Gigante. Porém a própria Grace, não consegue ver os primeiros sinais no comportamento de Gavin, e que ela mesma está entrando em um relacionamento abusivo.  Até porque, Gavin não se torna um namorado perigoso e controlador do dia para noite.

No começo ele é carismático e gentil e trata a Grace com todo amor e carinho que ela não encontra na própria família. Então a Grace acaba vendo no Gavin o príncipe encantado que veio resgatá-la dos abusos que ela sofre em casa. Ela realmente acredita que os dois são almas gêmeas e que vão passar o resto da vida juntos, e com isso a personagem acaba aceitando todas as condições e regras que o namorado cria para o relacionamento. Em sua ingenuidade, Grace acaba aceitando tudo o que Gavin tem para dar para ela.

Heather Demetrios em momento algum tenta amenizar ou justificar as atitudes do Gavin. E é angustiante acompanhar o desenvolvimento da história e perceber que ao mesmo tempo que a Grace começa a ter consciência de como aquilo tudo é errado e que a sua situação é similar à da mãe, ela está tão afundada no amor do Gavin, na relação de codependência dele que não consegue enxergar uma saída, um modo de terminar o relacionamento dos dois.

Porém, apesar de Romance Tóxico ter se mostrado uma leitura relevante e envolvente, infelizmente senti que a autora “pecou” em alguns pontos no desenvolvimento total da obra. Claro que o foco aqui é o relacionamento da Grace com o Gavin, mas em minha opinião faltou a Heather Demetrios ter dado um aprofundamento maior na questão familiar da protagonista. Até porque no meu ponto de vista, esse foi um dos fatores que contribui para que a Grace se torna-se uma “presa fácil” para o Gavin. E o modo como a autora resolve esse arco da história foi muito "simplista" e não condizente como toda a carga emocional que isso trouxe para a narrativa.

Também senti que os personagens secundários, apesar de desempenharem um papel importante na história como um todo foram pouco explorados. Senti que eles foram usados mais como um recurso narrativo, pontos de ligação e não como se de fato eles fossem peças importantes dentro da história. Gostei bastante das amigas da Grace, a Nat e a Lys, mas personagens como a Beth e até mesmo o pai biológico da protagonistas me passaram a sensação de terem sido somente “jogados na obra”, sem ter uma função que justificasse a participação deles na história.

Outro ponto é que senti o final um pouco corrido. Como mencionei no começo da resenha, a cada capítulo a autora nos faz acreditar que o pior está para acontecer. E realmente conforme a leitura avança às manipulações do Gavin vão se tornando mais assustadoras e perigosas. Só que infelizmente eu terminei o livro sentindo que faltou alguma coisa. Acho que no meu caso, a autora foi gerando tanta expectativa e ao final tudo se resolve de uma maneira tão "fácil" e simples, que isso me deixou um pouco decepcionada.

“Quando se é uma garota boba e apaixonada, é quase impossível ver os sinais de alerta. É muito fácil fingir que eles não existem, que tudo é perfeito.”

Em Romance Tóxico, Heather Demetrios traz uma história atual e relevante que serve de alerta que o abuso não está somente no tapa ou empurram, mas está nas palavras ríspidas em crises de ciúmes que parecem bobas e até mesmo “bonitinhas”, só que na verdade são formas de controle. E o mais importante, é que precisamos aprender a amar a nós mesmos

05/03/2019

Graça & Fúria por Tracy Banghart

| Arquivado em: RESENHAS.

Graça & Fúria da autora Travy Banghart foi sem sombra de dúvidas um dos lançamentos mais comentados de 2018.  Li diversas resenhas positivas que me deixaram bem curiosa para conhecer a história. Porém, embora seja perceptível todo o potencial que a obra possui, a mesma escorrega em uma sucessão de clichês que já vimos em outras séries do gênero.





ISBN: 9788555340703
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 304
Classificação: Bom
Sinopse: Graça & Fúria – Livro 01:
Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.

A premissa de Graça & Fúria nos promete uma história de força e empoderamento feminino, algo que em partes é entregue ao leitor. Os capítulos são curtos e intercalados entre a Serina e a Nomi o que dá a narrativa certo dinamismo e um bom ritmo. A escrita da Travy Banghart é leve e conseguiu me deixar bastante envolvida com a história durante boa parte da leitura. Os “problemas” começaram a partir do momento em que a sensação do; “Já vi isso antes” foi ficando mais forte.

Fazendo uma comparação bem simples, Graça & Fúria é uma mescla de A Seleção com A Rainha Vermelha. E de verdade é impossível ler alguns trechos do livro e automaticamente não se lembrar da história da autora Victoria Aveyard. Tanto que chega em um determinado ponto que você lê já sabendo exatamente o que vai acontecer. E isso foi uma das coisas que mais me incomodou na obra. Travy Banghart não apresenta nenhum bom elemento surpresa, ao ponto que no momento em que acontece a grande reviravolta da história ela soa como rasa, pois estava “óbvio” que era aquilo que ia acontecer.

Em minha opinião o ponto alto do livro foi a construção e a inversão de papéis das irmãs Tessaro durante o desenvolvimento da narrativa.  Serina passou grande parte de sua vida sendo preparada para ser uma das graças do rei. Tudo nela é delicadeza e submissão, e ver a personagem descobrindo a sua força e poder foi algo bem interessante de se acompanhar, especialmente porque o modo como a personagem é apresentada me fez acreditar que ela possuía todas as características que normalmente geram uma implicância minha com protagonistas do gênero.

O mesmo não posso falar da Nomi, afinal se pudesse definir a personagem em uma só palavra seria, desgosto. Fico me perguntando até quando os autores vão continuar confundido comportamentos impulsivos com rebeldia.  Por ser totalmente o oposto da irmã e contra a forma como as mulheres são tratadas em Viridia era esperado que Nomi fosse uma pessoa mais madura e bem, - inteligente. Só que infelizmente com a Nomi, eu senti uma decepção atrás da outra. Enquanto lia as partes narradas por ela me perguntava onde estava o tal espírito rebelde, já que a única coisa que encontrei foi uma sucessão de atitudes imaturas e precipitadas.

Gostei muito do fato da autora ter dado aos personagens secundários certo protagonismo na construção da narrativa. Estou bem curiosa para ver como a relação da Serina e do Val será desenvolvida no próximo livro da série, do mesmo modo que espero que a Maris ganhe um espaço maior na obra, já que é visível que a personagem possui um bom potencial para ser explorado. Além disso, é impossível você não sentir a força das mulheres que a ilha de Monte Ruína forjou. A Oráculo e a Petrel são personagens incríveis e ao seu modo inspiradoras.

Ainda não tenho a minha opinião totalmente formada sobre os dois príncipes o Malachi e o Asa, até porque o triângulo amoroso que a autora inseriu aqui me deixou bastante irritada. E não por causa do triângulo amoroso Malachi, Nomi e Asa propriamente dito, mas sim porque me remeteu muito A Rainha Vermelha. De verdade esse foi o núcleo que mais me incomodou no desenvolvimento todo de Graça & Fúria, pois tudo nele é clichê e terrivelmente previsível.

 “– Vocês devem ser tão fortes quanto essa prisão, tão fortes quando a pedra e o oceano que as cercam. Vocês são concreto e arame farpado. Vocês são feitas de ferro.”

Como leitora acredito muito no potencial da série Graça & Fúria, já que a bandeira principal levantada pela autora na obra é a igualdade de gêneros e o modo como muitas sociedades ainda enxergam a mulher como um "ser inferior” aos homens. Como um livro introdutório, apesar das diversas derrapadas Graça & Fúria funciona bem. Agora só resta saber se autora vai dar voz própria a sua história ou vai continuar investindo nos clichês do gênero.

17/02/2019

O Dueto Sombrio por Victoria Schwab

| Arquivado em: RESENHAS.







ISBN: 9788555340666
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 448
Classificação: Bom.
Sinopse:  Monstros da Violência – Livro 02.
Na sequência final de A Melodia Feroz, Kate Harker precisa voltar para Veracidade e se unir ao sunai August Flynn para enfrentar um ser que se alimenta do caos.  Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências. Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.

Com uma distopia original cheia de ação e excelentes reviravoltas, A Melodia Feroz da autora, Victoria Schwab me surpreendeu tanto, que acabou sendo uma das minhas melhores leitura de 2017. Por esse motivo, acredito que não preciso dizer o quanto essa blogueira que vos escreve, estava com as expectativas bem altas em relação ao último livro da duologia Monstros da Violência, O Dueto Sombrio. Porém, como vocês vão perceber ao longo da resenha, essa foi uma leitura um pouco “complicada”.

Essa resenha pode conter spoilers do livro anterior, então se você não quiser correr o risco pode pular três parágrafos.

Seis meses se passaram desde que Kate Harker fugiu de Veracidade e de seus monstros. Porém, aparece que onde quer que a garota vá, os monstros a seguem. Quando os monstros começam a surgir em Prosperidade, ela sabe que é a única capaz de combatê-los e por isso decide caçá-los. Porém, por mais que Kate tente seguir em frente os fantasmas de seu passado estão sempre à espreita, nas sombras de sua própria consciência.

Já em Veracidade, os monstros controlam o lado norte da cidade e os habitantes que antes viviam no luxo e pagavam pela proteção de Collum Harker, se vêm obrigados a migrar para o lado sul da cidade para sobreviver. Do lado sul está August Flynn, o monstro sunai que sempre desejou ser humano, que perdeu uma parte de si mesmo e precisou assumir o lugar que antes era do seu irmão Leo como comandante da FTF. Assim como Kate, ele se tornou um caçador, mais não de monstros e sim de almas pecadoras.

Quando um novo monstro que se alimenta da própria violência surgi, Kate sabe está na hora de voltar para casa, para Veracidade. Porém a garota não fazia ideia do caos estava a sua espera. O lado norte está dominado por monstros comandados por um velho inimigo que ela acreditava estar morto e por um monstro que ela mesma criou. Do lado sul, Kate é vista como inimiga e mesmo que August seu velho amigo ainda confie nela, algo entre eles também parece ter se quebrado.  A batalha final se aproxima, e Kate e August se unem novamente para derrotar os monstros já conhecidos e a nova ameaça. Mas, até quando Kate será capaz de conter o monstro que ela está se tornando?

Essa é a minha quarta tentativa de escrever a resenha de O Dueto Sombrio, tamanho é o meu conflito de sentimentos em relação ao que eu encontrei aqui. Sinceramente quanto mais eu penso no rumo que a Victoria Schwab deu para história, mas chego à conclusão que teria sido melhor a autora ter parado em A Melodia Feroz, já que de certo modo ela tinha dado um desfecho mais conclusivo no livro anterior. Que fique claro que não estou dizendo que O Dueto Sombrio é um livro ruim. Eu gostei em partes da história, porém não nego que esperava algo mais consistente e principalmente uma resolução mais completa do mundo que a autora criou.  Porém, isso não aconteceu, tanto que quando eu terminei o livro fiquei: “Tá, então só é isso?”.

Um dos momentos mais esperados por mim, era o reencontro da Kate e do August, especialmente porque eu estava bem curiosa para ver como seria a dinâmica entre eles depois das escolhas que tiveram que fazer no passado para sobreviver. A Kate começa a história aparentando estar bem mais madura e mais consciente dos seus atos, algo que até metade do livro estava me agradando bastante. Mas, depois de um ponto em diante, ela volta a agir de modo impulsivo e até mesmo arrogante o que em minha opinião desconstrói completamente qualquer evolução que a personagem vinha tendo desde o livro anterior.

Já o August mesmo que há princípio eu tenha sentido uma certa “antipatia” por ele, conseguiu me conquistar por ser um personagem complexo e cheio de peculiaridades que o tornam um protagonista mais interessante do que a Kate. Aqui é visível que ele não está confortável em sua nova posição como comandante da FTF e que ele ainda sofre muito pelos os acontecimentos que o levaram a estar nessa situação.  Só que a forma que ele demonstra essa insatisfação, essa tristeza é tão apática que conforme a narrativa ia avançando, mais frustrada eu ficava em perceber que ele estava meio que no “automático” perdendo a cada capítulo as qualidades que tinham me cativado nele.

Gostei bastante da inserção de novos personagens em O Dueto Sombrio, pois eles contribuem para deixar o ritmo da narrativa mais gostoso de acompanhar. Para começar mesmo que sua participação possa ser considerada “pequena”, eu adorei o novo sunai que surgiu na história, o Soro. Ele possui uma personalidade muito concisa e determinada, ao mesmo tempo que é um enigma. Além disso, Soro não tenta ir contra a sua monstruosidade, pelo contrário esse lado é totalmente abraçado e isso em várias situações faz dele incrivelmente humano.

Só que apesar de ter acertado com a inclusão de Soro na história, Victoria Schwab falhou na construção da malchai Alice e na tentativa de transformar Sloan em um dos grandes vilões da história.  Claro que a união dos dois é potencialmente perigosa, mas as ações deles são previsíveis e óbvias que desde do começo já fica claro qual é objetivo final deles o que por consequência tira um pouco do “efeito” surpresa da narrativa. Mas, o que realmente me incomodou foi o desenvolvimento, ou melhor dizendo a falta do desenvolvimento que o nova ameaça que surgiu aqui.

Tipo esse monstro é super poderoso, afinal ele tem o poder de colocar as pessoas umas contra as outras fazendo com que elas tenham atitudes de extrema violência que do que ele se alimenta. Só que o modo como tudo se resolve é tão rápido e fácil que sinceramente em minha visão a única utilidade que esse monstro teve na história em si, foi fazer Kate voltar para casa. Ou seja, esse monstro além de não cumprir a promessa de ser o grande destaque de O Dueto Sombrio, não tem nenhuma participação “efetiva” no desenrolar do enredo que justifique a presença dele assim como o grau de importância atribuído a ele. 

O que mais tinha me chamado a atenção em A Melodia Feroz foi o mundo que a Victoria Schwab criou, e por ser o último livro, eu espera respostas. E não teve absolutamente nenhuma resposta aqui. Com exceção de um personagem que teve o seu final bem definido e condizente com a sua trajetória na história o resto ficou vago demais. De verdade a sensação que eu tive é que voltamos à estaca zero. Ficou faltando aquele epílogo onde temos um vislumbre do que aconteceu com os personagens algum tempo depois. Sei que alguns de vocês estão pensando: ”Ane acho que você estava com expectativas demais.”, e sim eu esperava que o livro entregasse uma história melhor ou pelo mesmo nível do livro anterior, e fato da história ter terminado do jeito que terminou me deixou extremamente frustrada.

“– Você está errado. – disse Kate, virando as costas para ele. – Existe um tipo de mentira que até você pode dizer. Sabe qual é? – Ela encarou o olhar dele na porta de aço. – O tipo que se conta para si mesmo.”

Apesar de não ter atingido todas as minhas expectativas, gostei de algumas coisas que encontrei durante a leitura de O Dueto Sombrio. A escrita da Victoria Schwab é fantástica e realmente nos transporta para dentro das páginas do livro fazendo o que a gente fique completamente envolvido com a história. A minha sugestão para quem leu A Melodia Feroz e ainda está em dúvida, se lê ou não o último livro da duologia é ir como menos sede ao pote. Assim quem sabe, você evita frustrações e acaba curtindo melhor a leitura.
 

06/02/2019

Your Name por Makoto Shinkai

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.




ISBN: 9788576867227
Editora: Verus
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas:
Classificação: favorito
Onde Comprar: Livro | Mangás
Sinopse: Mitsuha é uma estudante que vive em uma pequena cidade nas montanhas. Apesar de sua vida tranquila, ela sempre se sentiu atraída pelo cotidiano das grandes cidades. Um dia, Mitsuha tem um sonho estranho em que se torna um garoto. No sonho, ela acorda em um quarto que não é dela, tem amigos que nunca viu e passeia por Tóquio. E assim aproveita ao máximo seu dia na cidade grande, onde ela adoraria viver. Curiosamente, um estudante chamado Taki, que mora em Tóquio, também tem um sonho estranho: ele é uma garota que mora em uma cidadezinha nas montanhas. Qual é o segredo por trás desses sonhos tão vívidos?  Assim começa a fascinante história de dois jovens cujos caminhos nunca deveriam ter se cruzado. Compartilhando corpos, relacionamentos e vidas, eles se tornam inextricavelmente ligados ― mas há conexões verdadeiramente indestrutíveis na grande tapeçaria do destino? A um só tempo divertido e emocionante, Your name. É uma leitura inspiradora, capaz de dançar sobre o tênue fio entre a realidade, o sonho e o sobrenatural, conforme acompanha as inquietações de uma garota e um garoto determinados a se agarrar um ao outro.

Não é segredo para ninguém que é leitor mais antigo do blog, que essa blogueira que vos escreve é completamente apaixonada por animes e mangás. Eu já tinha assistido a animação de Your Name disponível na Netflix, como também algum tempo atrás li os mangás lançados pela editora JBC aqui no Brasil. Porém, quando soube que a editora Verus ia lançar uma das minhas animações japonesas favoritas no formato romance pensei: “Eu preciso ter esse livro!”.

Dirigido e escrito pelo meu quebrador de corações favoritos, Makoto Shinkai, Your Name conta a história de dois jovens que vivem uma realidade totalmente distinta um do outro. Mitsuha é uma garota do interior que deseja um dia deixar a vida pacata e se mudar para uma grande cidade como Tóquio. Um dia ela tem um sonho estranho. Mitsuha sonha que é um garoto morando em Tóquio. Durante o sonho ela passa o dia como amigos que na verdade para ela são completos desconhecidos e passei pela cidade que um dia pretende chamar de seu lar.

Só que por uma coincidência estranha do destino Taki, que mora em Tóquio tem o mesmo sonho que Mitsuha, só que no caso dele, ele é uma garota que mora em uma pequena cidade construída em volta de um lago no interior. Para Mitsuha e Taki aquilo não passa de uma sonho bastante vivido, só que o problema é que esses sonhos tornam-se frequentes. É como se de alguma forma inexplicável eles trocassem de corpos durante o sono e passassem a fazer parte da vida um do outro, mesmo sem nunca ter se conhecido pessoalmente.

E conforme o tempo passada uma conexão muito forte surge entre eles, até que do mesmo modo repentino como tudo começou, tudo acaba. Será que tudo foi realmente não passou de um sonho muito lúcido? Entre os fios entrelaçados de destino Mitsuha e Taki vão descobrir que algumas ligações são inquebráveis e que há sempre um modo de reescrever o futuro.

Uma coisa que você precisa ter bem em mente antes de assistir ou ler qualquer obra do Makoto Shinkai é que muito provavelmente essa não será uma história com um final feliz. E por incrível que pareça essa é justamente a característica que eu mais gosto nas obras do Shinkai. Porque elas não são "óbvias" e clichês, e sim tão puramente humanas que faz você refletir ao mesmo tempo que se emociona com a história que está sendo contada.

De todas as obras do Makoto Shinkai com quais eu tive contato, Your Name é a minha favorita. Aqui temos uma história de amor tão delicada, bonita e verdadeira que não tem como você ler ou assistir a animação sem se emocionar, nem que seja um pouco. Shinkai construiu com maestria uma narrativa com toques de mistério, comédia, drama e romance. Sem falar que tanto Mitsuha como o Taki são personagens cativantes, que faz com que você torça e sofra por eles durante toda a leitura ou enquanto assisti a animação.

Os personagens secundários também são muito bem trabalhados e aqui é interessante ver como o autor consegue criar dois núcleos tão distintos que ao mesmo tempo conseguem conversar um com o outro harmoniosamente.

Acho que não preciso dizer que eu chorei muito nos meus três contatos com a obra. E sei que para muitas pessoas o modo como Makoto Shinkai trabalha os elementos em suas histórias pode parecer confuso a princípio. Mas eu garanto para vocês, que muito uma questão de interpretação e principalmente entender que Your Name é uma história que acima de tudo precisa ser sentida.

“Assim que nos virmos, vamos perceber logo. Pois você está em mim. E eu estou em você...”.

Vou deixar aqui no final da resenha o trailer da animação (me perdoem, mas não encontrei legendado) e a playlist da trilha sonora que é fantástica!

E se você está buscando uma leitura rápida e emocionante, ou está de bobeira e não sabe o que assistir no final de semana? Leia e/ou assista Your Name! Makoto Shinkai vai quebrar o seu coração em mil pedacinhos, mas estranhamente você vai ficar feliz por isso.

Trailer:

Trilha Sonora:

23/01/2019

O Amante da Princesa por Larissa Siriani

| Arquivado em: RESENHAS.


Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.




ISBN: 9788576866800
Editora: Verus
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 224
Classificação: Muito Bom
Sinopse: Maria Amélia de Bragança é princesa do Brasil, prometida a Maximiliano Habsburgo, arquiduque da Áustria. Mas não há nada que ela deseje menos do que esse casamento: como alguém pode querer que ela se case com um homem que nem sequer conhece? O que Amélia não esperava é que seu noivo chegasse ao Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa, acompanhado do amigo Klaus Brachmann, um homem charmoso e experiente que se sente compelido a seduzir a princesa apenas pelo prazer da conquista. Uma viagem inesperada que Maximiliano precisa fazer se mostra a oportunidade perfeita para que Klaus ensine uma coisinha ou outra a Amélia entre quatro paredes... E, conforme o jogo avança, a possibilidade de casamento se torna cada vez mais remota para a princesa, que agora precisa proteger seu coração a todo custo.

Para primeira leitura do ano, estava em busca de algo mais leve e por isso acabei escolhendo um dos romances de época da minha meta dos 12 livros para ler em 2019. O Amante da Princesa da autora nacional, Larissa Siriani acabou se revelando uma grata surpresa. Uma narrativa fluida e doce que conseguiu me cativar no primeiro capítulo e deixou meu coração mais quentinho.

Maria Amélia de Bragança, sabe que pessoas na realeza nunca se casam por amor. Por esse motivo, a princesa do Brasil não está nem um pouco ansiosa para o seu casamento como Maximiliano Habsburgo, arquiduque da Áustria. Afinal, como podem imaginar que ela esteja feliz em se casar com alguém não conhece. Por isso enquanto espera a chegada de seu noivo no Palácio das Janelas Verdes, Maria Amélia não está com o melhor dos humores, porém o que a princesa não imaginava é que o arquiduque não chegaria sozinho.

Klaus Brachmann é o melhor amigo de Maximiliano, e bastou apenas uma olhada para a princesa para que o jovem e charmoso marques decidisse a seduzir Maria Amélia só pelo prazer da conquista. A princípio Maria Amélia acha as investidas da Klaus um tanto quanto impertinentes, mas uma viagem inesperada de seu noivo, acaba tornando a relação da princesa com o marquês mais íntima por assim dizer.

E quanto mais tempo passa ao lado de Klaus, mais Maria Amélia tem certeza que não será feliz em um casamento sem amor. Do mesmo modo que o marquês vai percebendo que aquilo que começou com um simples desafio, acabou se tornando um sentimento maior e muito mais forte do que ele jamais imaginou sentir.

Será que Maria Amélia deixará de lado suas obrigações para com o seu país e a sua família por conta de um grande amor? E como o arquiduque da Áustria vai reagir quando descobrir que seu melhor amigo se apaixonou por sua noiva prometida. Entre beijos roubados na calada da noite e reviravoltas do destino, Maria Amélia e Klaus vão descobrir que o amor surge quando menos se espera por ele.

O Amante da Princesa seria um típico romance de época se não fosse as “licenças poéticas” utilizadas pela autora e seu final nada clichê. Larissa Siriani usou de uma forma bem concisa fatos e personagens reais para construir uma bonita história de amor, com personagens cativantes e uma narrativa envolvente. 

Não nego que achei as atitudes de Klaus a princípio um tanto mesquinhas, do mesmo modo que a “bênção” de Maximiliano para que o melhor amigo “cuidasse” de sua noiva me pareceu não somente absurda, mas um desrespeito com a própria Maria Amélia. Sei lá, isso me deixou com a sensação que para Max, a princesa era uma “propriedade” valiosa que precisava ser cuidada. Ok! Sei que posso estar problematizando algo que provavelmente era comum na época, mas isso não torna o comportamento do arquiduque aceitável de qualquer forma.

Gostei muito da Maria Amélia, e verdade seja dita ao começar a leitura o meu maior medo era que ela fosse daquelas protagonistas mimadas e cheia de futilidades. Só que para a minha surpresa, Maria Amélia é uma personagem forte que sabe o que quer. E mesmo com todos os seus ideais românticos e gentileza, sabe se impor e usar de sua mente rápida e língua afiada quando necessário. A química entre ela e Klaus é incrível, o que torna praticamente uma missão impossível não torcer pelo casal, apesar das atitudes nada “cavalheirescas” de Klaus no princípio.

Essa foi a minha primeira experiência com uma obra da autora Larissa Siriani e gostei muito do que encontrei. Com capítulos curtos, O Amante da Princesa possui um ritmo fluido e gostoso de se acompanhar. Embora seja um livro relativamente curto e com o enredo bastante focado nos protagonistas, a autora soube como trabalhar os personagens secundários dando a eles um peso importante no desfecho final da trama.

Porém não posso deixar de citar dois pontos que me incomodaram um pouco: O primeiro as frases em alemão presentes em alguns diálogos sem as notas de rodapé. E o segundo o desenvolvimento e andamento “instantâneo” da narrativa. Tipo as coisas acontecem “rápido demais” e alguns elementos acabam ficando perdidos na narrativa.

 “- Não é o tempo que determina o amor. Há pessoas que se apaixonam em poucas horas, outras que passam décadas sob o mesmo teto sem nunca se amarem.”

Para quem busca uma leitura rápida e envolvente, O Amante da Princesa é um romance leve e garante horas agradáveis de leitura. Além disso, mesmo com todos os clichês presentes na construção da história, Larissa Siriani escreveu uma história que me cativou, surpreendeu e ao final me deixou com lágrimas nos olhos e o coração quentinho. Ou seja, posso garantir a vocês que comecei meu ano literário com o pé direito.

Nota: A princesa Maria Amélia e o arquiduque Maximiliano realmente existiram. Mas, ao contrário do romance, O Amante da Princesa os registros históricos contam que os dois se apaixonaram perdidamente um pelo outro. Infelizmente Maria Amélia faleceu precocemente, antes de seu casamento. Já Klaus Brachmann é apenas um personagem fictício.

16/01/2019

O Ódio que você Semeia por Angie Thomas

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788501116130
Editora: Galera Record
Ano de Lançamento: 2017
Número de páginas: 378
Classificação: Muito Bom
Onde Comprar.
Sinopse: Durante o dia, Starr estuda numa escola cara, com colegas brancos e ricos. No fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia. Ainda muito nova, Starr aprendeu com os pais como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo.  Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas, Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.

O Ódio que você Semeia foi a minha última leitura em 2018, e apesar de sempre ter sido um livro bem comentado na época do lançamento, a obra da autora Angie Thomas até então não tinha chamado muito minha atenção. Em partes porque sempre fico com o meu pé atrás com livros que aparentemente se tornam “unanimidade” e principalmente porque não sentia que era um bom momento para uma leitura mais densa por assim dizer. Só que verdade seja dita, foi justamente dessa densidade, de algo que me causasse um impacto profundo durante a leitura, que mais senti falta.

Starr e sua família vivem no gueto dominado por gangues rivais e alvo constante da opressão policial. Os pais de Starr desde de muito cedo a ensinaram como uma pessoa negra deve comportar na frente de um policial e até então a adolescente leva uma vida normal, apesar de muitas vezes sentir que vive em mundos completamente diferentes. O mundo no gueto pobre e violento e o mundo perfeito de sua escola cara, com seus colegas brancos e ricos. Porém, o que Starr não podia imaginar é que seus mundos estavam prestes a se chocar.

Em uma noite ao voltar de uma festa com seu amigo de infância Khalil eles são parados por um policial. Embora Starr sinta que tudo acontece em câmera lenta, a verdade é que tudo foi rápido demais. Um movimento brusco, uma suposição errada e tiros atingem Khalil. Seu melhor amigo está morto e a única pessoa que sabe o que realmente aconteceu naqueles poucos minutos é ela.

Agora Starr vai precisar decidir se continua vivendo paralelamente em seus mundos distintos, ou fará justiça a Khalil. Entre vencer o medo e encontrar sua voz a jovem acaba descobrindo que o preconceito usa várias máscaras e que é sempre mais fácil fazer suposições do que encarar os fatos.  Fatos esses que só serão exposto se ela tiver coragem e fazer com que todos escutem a sua voz. Mas, será que ela está disposta a pagar o preço por isso?

O Ódio que você Semeia aborda um tema atual, e não falo somente no que diz ao racismo inter-racial, mas no preconceito como um todo, especialmente levando em conta a grande onda de intolerância de todo o gênero e tipo pelo qual o mundo passa. A história de Angie Thomas é ambientada Estados Unidos, mas infelizmente ela não é tão distante assim do que acontece em algumas regiões aqui do Brasil. Só que uma parte de mim, sentiu que ficou faltando um aprofundamento maior nos problemas sociais enfrentados por Starr e sua comunidade no desenvolvimento da narrativa.

Não estou dizendo que a narrativa é superficial, pelo contrário para o público adolescente ao qual é destinado, O Ódio que você Semeia cumpre o seu papel e entrega uma mensagem importante. Porém, para o público mais adulto alguns elementos da obra podem acabar parecendo soltos e irrelevantes na abordagem do tema principal da história.

Para começar em diversos momentos senti que a autora focava mais a narrativa no cotidiano familiar e dramas pessoais da protagonista, do que abordava os problemas causados pela violência tanto policial como das gangues dentro da comunidade. De verdade, senti falta de algo que realmente me chocasse e levasse as lágrimas durante a leitura. Acredito que se a autora tivesse explorado outros núcleos como o da família do próprio Khalil, por exemplo, e os efeitos que a morte precoce do personagem causou a narrativa teria funcionado melhor comigo.

Isso não quer dizer que eu não gostei da Starr, a verdade é que em muitas situações tive dificuldade de me conectar com a personagem, pois parecia que ela própria não se sentia "confortável na própria pele”. Eu não conseguia ver o sentido dela ser uma pessoa diferente no gueto e na escola e principalmente esconder coisas importantes do Chris, seu namorado. Claro que durante o desenvolvimento da história é visível o amadurecimento que a personagem tem. Starr precisou enfrentar o próprio medo e de certo modo sair de sua zona de conforto para fazer a sua voz ser ouvida na multidão. E isso sem dúvidas, faz dela uma grande personagem.

Gostei bastante dos personagens secundários em especial da mãe da Starr, Lisa e do irmão mais velho dela, o Seven. Na verdade, embora Starr seja a grande protagonista da história, Angie Thomas construiu uma narrativa em que cada personagem desenvolve um papel-chave, até mesmo aqueles com participações menores. Por esse motivo, volto a dizer que a autora poderia ter intercalado a narrativa por outros pontos de vista e não centralizado tudo na Starr. Outro ponto é que achei o final corrido e abrupto, como se a autora estivesse com “pressa” se terminar a história.

O Ódio que você Semeia traz uma reflexão importante sobre a forma como nós nos comportamos e pregamos como sociedade, em especial para aqueles que são pais. Porque a criança em si ela é livre de preconceitos seja de raça, credo ou orientação sexual. Quem muitas vezes incute o pré-conceito em uma criança é a família e o pior é que muitas vezes nem percebemos o quanto comentários “banais” que fazemos em nosso dia a dia são preconceituosos.

Com uma linguagem simples, fluida e envolvente, O Ódio que você Semeia é um lembrete que embora muita coisa no mundo tenha evoluído, ainda não conseguimos acabar com alguns dos nossos maiores problemas: o preconceito.

 “Logo cedo, eu aprendi que as pessoas comentem erros, e você tem que decidir se os erros são maiores do que seu amor por elas.”

Mesmo não tendo correspondido às minhas expectativas como leitora, acredito que O Ódio que você Semeia é uma leitura atual e válida tanto aqui no Brasil, como em outro lugar do mundo. Pois, a intolerância e a falta de respeito e amor ao próximo estão cada vez mais fortes em nossa sociedade.

E as únicas pessoas que podem mudar essa triste realidade somos nós mesmos, seja nos policiando diariamente em relação aos nossos ações, comentários e pensamentos, mas principalmente na forma como educamos as nossas crianças. Afinal o ódio que semeamos cedo ou tarde se volta contra a gente.

09/01/2019

Um Dia de Dezembro por Josie Silver

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.





ISBN: 9788528623666
Editora: Bertrand Brasil
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 392
Classificação: Regular
Sinopse: Laurie não acredita em amor à primeira vista. Afinal de contas, a vida não é a cena de um filme romântico. Mas, então, em uma manhã de dezembro fria e com neve, o ônibus de dois andares em que voltava para casa para em um ponto. Ao olhar para baixo, ela o vê. Por um segundo transcendental, seus olhos se encontram... e então o ônibus começa a andar. Depois de muitos meses com a esperança de cruzar novamente com ele, Laurie acha que nunca mais verá o garoto do ônibus.  No entanto, um ano depois, em uma festa de Natal, sua melhor amiga, Sarah, apresenta o novo namorado, o grande amor de sua vida. Para seu profundo desespero e surpresa, ele é ninguém menos que o garoto do ônibus. Determinada a esquecê-lo, Laurie segue com sua vida. Mas e se o destino tiver outros planos?

A minha intenção era postar a resenha desse livro antes do Natal. Porém, Um Dia de Dezembro da autora Josie Silver, acabou se revelando uma leitura um pouco “complicada”. Por isso, achei melhor não escrever essa resenha no calor do momento e sim esperar alguns dias. Sim, tive problemas com a narrativa, com os protagonistas e confesso que foi por pouco, mais muito pouco mesmo que não abandonei a leitura.

Em um dia frio de dezembro às vésperas do Natal, Laurie está em um ônibus pensando em seus problemas quando em uma das paradas vê um rapaz. Laurie nunca foi do tipo de acreditar em amor à primeira vista, porém algo naquele rapaz parado ali no ponto de ônibus mexe com ela. É como se uma estranha e irresistível conexão entre os dois tivesse surgido naqueles poucos segundos. A jovem tem a sensação que encontrou o amor de sua vida e fica determinada a encontrá-lo novamente.

Um ano se passa, e por mais que Laurie tenha procurado seu grande amor por toda Londres, sua busca foi sem sucesso. Ela sabe que não faz mais sentido ficar procurando por alguém que ela viu por poucos segundos e decide que já passou da hora de seguir em frente e esquecer o rapaz. Durante a festa de Natal, Sarah a sua melhor amiga apresenta o novo namorado, Jack que para surpresa de Laurie é ninguém menos do que o rapaz do ponto de ônibus. Entre o amor de sua vida e a melhor amiga, Laurie decide esquecer qualquer sentimento que ainda possa ter por Jack e focar seus esforços em sua vida profissional.

Mas, conforme os anos se passam conviver com Jack e Sarah como um casal não torna a determinação de esquecer seu grande amor mais fácil. Entre encontros e desencontros Laurie, Jack e Sarah vão descobrindo as alegrias e tristezas que a vida adulta traz. E principalmente como um segundo, uma decisão pode mudar a sua vida para sempre.

Não é segredo para ninguém que não gosto de triângulos amorosos, porém como eles são praticamente inevitáveis nos romances, eu meio que consegui ignorar que a base da narrativa de Um Dia de Dezembro é um triângulo amoroso. O que eu não consegui ignorar foi a falta de carisma dos protagonistas e o lenga-lenga sem fim a que a história parecia estar condenada.

Outro ponto é que não acredito em paixão instantânea, então foi bem difícil engolir o fato de Laurie ter se apaixonado perdidamente, por alguém que ela viu por alguns segundos em um ponto de ônibus. Sério, fiquei mais de uma semana sem chegar perto do livro, porquê de verdade eu não me sentia conectada com a narrativa e com os personagens. O que me deixou com uma frustração enorme por que a escrita da Josie Silver em si é fluída.

Acredito que o problema da narrativa comigo, foi o modo como a autora construiu as personalidades dos personagens. Elas são tão contratantes que praticamente imploram para você escolher um lado da história. Enquanto Laurie passa praticamente todo o livro se lamentando em um estado de apatia constante, Sarah é alegre e divertida, do tipo que sabe o que quer e corre atrás de seus objetivos. Era muito mais interessante acompanhar a vida de Sarah do que a de Laurie.

Já o Jack não sei nem o que comentar (...). No começo eu até “simpatizei” com ele, mas conforme a narrativa avança ele tem tantas atitudes cretinas que admito em muitos momentos torci para que ele ficasse sozinho, por que era isso que ele merecia. Além disso, nenhum momento senti uma química verdadeira entre Laurie e Jack, o que por consequência tornou bem difícil enxergá-los como um casal. Outro ponto, foi que achei a presença de um personagem em especial perdida no meio de todo o drama que a autora criou.  A partir do ponto que ele aparece, você sabe que o coitado está ali para “tapar buraco” e que a sua participação não vai mudar em nada o desfecho na história. 

Um Dia de Dezembro possui todos os elementos que normalmente funcionam comigo em livros do gênero. Tanto que vi muitas pessoas comparando ele com Um Dia e Simplesmente Acontece. Porém mesmo eu não gostando de Um Dia como um todo, na época que li eu consegui sentir que apesar dos encontros e desencontros o casal principal combinava, que eles tinham um futuro juntos. Só que em momento algum, mesmo torcendo para estar errada eu senti que a relação de Laurie e Jack tinha futuro.

O pior de tudo isso é você perceber que a história tinha um potencial enorme de se tornar uma dos seus romances favoritos, mas acaba sendo um romance mediano. Em minha opinião Josie Silver “pecou” não somente em dar à narrativa um ritmo lento com capítulos em que nada de relevante acontecia, mas principalmente por ter “atropelado” o final.  Não nego que embora corrido, eu achei o final “fofinho”, mas assim no contexto geral da obra, infelizmente senti que ficou faltando alguma coisa.

“(...), na vida, sempre chegamos a um ponto em que temos que escolher a felicidade porque é cansativo demais ficar sempre triste.”

Não digo que Um Dia de Dezembro é um livro “ruim”. Talvez o problema é que eu posso ter lido ele em um momento errado, e por isso a história não funcionou muito bem comigo. Porém, não nego que durante toda a leitura fiquei esperando por aquele momento arrebatador, que deixasse meu coração mais quentinho e um sorriso bobo em meu rosto. Só que isso não aconteceu, o que realmente foi uma pena.

13/12/2018

No Ritmo do Amor por Brittainy C. Cherry

| Arquivado em: RESENHAS.

Este livro foi recebido como
cortesia para resenha.



ISBN: 9788501113399
Editora: Record
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 336
Classificação: Bom
Sinopse: A linda e encantadora Jasmine Greene nasceu para brilhar. Cantora nata, ela cresceu sabendo que tinha vindo ao mundo para ser famosa, pois sua mãe — uma artista frustrada que concentrava na filha todas as suas expectativas — não a deixava se esquecer disso um minuto sequer. A vida da jovem de 16 anos se resume a estúdios, aulas de dança e canto e a inúmeros testes para ser o grande nome da música pop. Ela não tem tempo nem de ir à escola, é educada em casa e sofre com a rotina atribulada. Para Jasmine, o pior de tudo é não poder cantar soul, sua paixão. Mas ela não reclama, porque, na verdade, seu maior sonho é fazer com que a mãe tenha orgulho dela. Elliott Adams é uma alma atormentada. Para ele, cada dia é uma batalha a ser vencida. O rapaz tímido, humilde e franzino sofre bullying na escola por causa de sua aparência e por ser gago. Mas ele é mais forte do que imagina e encontrou em seu saxofone uma válvula de escape. Tira todas as suas forças dos acordes de Duke Ellington, Charlie Parker e Ella Fitzgerald, seus maiores ídolos. Quando Jasmine finalmente consegue a permissão da mãe para frequentar a escola pela primeira vez na vida, sente que ganhou na loteria. Adora estar cercada de pessoas da sua idade, que vivem os mesmos dilemas e questionamentos... ela só odeia ver o garoto mais encantador que já conheceu na vida sofrer na mão dos valentões e fará tudo o que estiver ao seu alcance para mostrar a Elliott que ele não está sozinho. Aos poucos, esses dois jovens sofredores irão descobrir que têm muito mais em comum do que o amor pela música. Mas será que vão superar as reviravoltas que o destino preparou para eles?

Nada como um bom romance água com açúcar para deixar nosso coração mais quentinho. E se tem uma autora que sabe como escrever histórias que nos deixam com um sorriso bobo no rosto, essa é a Brittainy C. Cherry. No Ritmo do Amor, possui todos os ingredientes que um bom fã de romance adora encontrar nos livros do gênero. Porém, o excesso de clichês e a falta de personagens bem desenvolvidos, fazem com que o livro tenha uma narrativa carregada de exageros e superficial.

Jasmine Greene passou a vida toda sendo preparada para o estrelato. Mesmo com a rotina puxada de aula de canto, dança e testes ela nunca se queixou da vida que tinha, afinal o seu maior sonho era que sua mãe se orgulhe dela. Depois de anos sendo educada em casa, Jasmine finalmente recebe a permissão para frequentar as aulas em um colégio como uma adolescente comum. Logo ela se torna uma das garotas mais populares atraindo a atenção de todos, incluindo a do tímido Elliott Adams.

Elliott ao contrário de Jasmine não é nada popular. Franzino e taxado como o esquisito do colégio, o humilde garoto é vítima constante de bullying, não somente por conta de sua aparência mas por ser gago. Só que o que poucas pessoas sabem que Elliott é um exímio saxofonistas, que tira de cada nota a força que precisa para superar seus dias difíceis no colégio. Quando Jasmine e Elliott se conhecem uma conexão quase que instantânea surge entre eles. Mas como duas pessoas tão diferentes podem ter tanto em comum?

Entre notas e melodias de jazz e soul, Jasmine e Elliott vão compondo a própria canção ao mesmo tempo em que a amizade juvenil dá espaço para o amor. Só que a vida tinha outros planos para os dois e uma mudança abrupta seguida de uma tragédia vai transformar suas vidas e seu relacionamento para sempre.

Em meu ponto de vista a grande falha em No Ritmo do Amor é o excesso de clichês que a narrativa possui. Fiquei com a sensação que a Brittainy C. Cherry quis dar a história um peso dramático trabalhando diversos elementos como: bullying, narcisismo materno, abuso sexual e violência, só que ao invés de se aprofundar nesses temas ela trabalhou tudo de modo muito apressado e vago. O que deixou a narrativa destoante em muitos momentos.

Jasmine é uma personagem que infelizmente não diz para o que veio na história. Desde o princípio é visível ver como ela permite que a mãe manipule cada aspecto de sua vida. Em diversas situações a garota age como se fosse somente uma “bonequinha de luxo” deixando com que a mãe e outras pessoas assumirem as rédeas de sua vida. De verdade eu estava esperando a grande reviravolta da personagem na história, pois em muitos momentos era perceptível que a autora estava preparando uma “grande mudança”. Só que o problema é que quando isso aconteceu, novamente foi de forma apressada e vaga. E sendo bem sincera, eu ao menos não consegui enxergar nenhuma evolução na personagem.

Gostei do Elliot e lamento muito, o fraco desenvolvimento do personagem e a forma com que as histórias que giram em torno dele foram mal aproveitadas. A trajetória dele tem toda uma base comovente e um acontecimento trágico que muda a sua vida para sempre. Porém, o modo como a autora descaracterizou a personalidade do personagem após esse acontecimento vez com a história ficasse meio sem sentido. O que é realmente um pena.

Brittainy C. Cherry é uma das minhas autoras favoritas, mas confesso que senti que em No Ritmo do Amor, ela “perdeu a mão” na hora de colocar suas ideias no papel. A história ficou tão exagerada e carregada de dramas que os personagens chegam a ser irritantes. O que sempre amei nos protagonistas da autora é o quão fortes e determinados eles são, mesmo nos piores momentos. Mas aqui, suas inseguranças deles chegam ao cúmulo do absurdo que só faz com que algumas situações forçadas e “ridículas”.

O que mais gostei em No Ritmo do Amor foi dos personagens secundários. TJ e Ray são aqueles personagens que se fossem pessoas reais eu ia querer guardar em um potinho de tão precisos. Laura a mãe de Elliot também é uma personagem incrível e que apesar de ter ganhado mais destaque no final da história, conseguiu me comover e me encantar com o seu imenso amor e bondade.

Ao final da leitura de No Ritmo do Amor, fiquei “satisfeita” o que encontrei, mas não nego que uma parte de mim ficou bem desapontada. Espero ter mais sorte com os próximos livros da autora.

“Você é a música em um mundo mudo, e meu coração bate porque você está aqui.”

Apesar de pecar em vários aspectos e ter sérios problemas em seu desenvolvimento, não posso negar que a escrita de Brittainy C. Cherry conseguiu me envolver e emocionar em alguns momentos. No Ritmo do Amor pode até não ser o melhor livro da autora, mas sem sombra de dúvidas mesmo com seus exageros entrega o que promete, - o típico romance água com açúcar.

10/12/2018

A Nuvem por Neal Shusterman

| Arquivado em: RESENHAS.





ISBN: 9788555340543
Editora: Seguinte
Ano de Lançamento: 2018
Número de páginas: 496
Classificação: Ótimo
Sinopse: Scythe – Livro 02.
No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade. Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar. Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?

Sempre que me perguntam qual foi o melhor livro que li em 2017, a minha resposta é: O Ceifador, primeiro livro da trilogia Scythe do autor Neal Shusterman. O Ceifador foi uma leitura marcante de várias formas, desde a sua narrativa inteligente e instigante com várias críticas a nossa sociedade. Por conta disso essa blogueira que vos escreve estava ao mesmo tempo ansiosa e receosa com A Nuvem, segundo livro da trilogia. Para minha felicidade embora não tenha me “impactado” tanto como a leitura do primeiro livro, A Nuvem se revelou uma leitura deliciosa e ao mesmo tempo cheia de boas surpresas.

Para quem não quiser correr o risco de spoilers pular quatro parágrafos.

Meses após o último Conclave da Ceifa os acontecimentos daquele dia ainda repercutem entre os Ceifadores. Citra Terranova não é mais uma aprendiz e sim a Honorável Ceifadora Anastássia, enquanto Rowan Damisch trabalha nas sombras com seu manto negro eliminando com a próprias mãos a corrupção que ele viu tão de perto correr os preceitos da Ceifa.

Observando tudo e a todos está a Nimbo Cúmulo, a inteligência artificial que governa o planeta, garantindo que toda a população viva em paz e tendo o necessário para sua sobrevivência. Só que a Nimbo Cúmulo não está feliz com que anda vendo acontecer dentro da Ceifa, porém por conta das leis que ela mesma criou não pode interferir diretamente na organização. Mas se ela, agir por meio de outra pessoa?

Greyson Tolliver é um adolescente solitário que vê a Nimbo Cúmulo como a sua única família. Ao ser recrutado para uma missão especial de forma indireta pela Nimbo, o jovem tem a sua pacata rotina virada de ponta cabeça. Marcado como infrator e fiel aos seus laços com a inteligência que governa o planeta, Greyson mergulha cada vez mais fundo no mar de intrigas e conspirações da Ceifa e com isso, colocando a sua própria vida em risco. Mas os planos de quem a Nimbo Cúmulo está tentando frustrar?

Enquanto o jovem Greyson trabalha nas sombras fazendo o que pode para impedir o pior, o retorno de um velho inimigo fará com que Citra e Rowan unam forças para salvar não apenas a Ceifa mais toda humanidade. Porém, será que a jovem ceifadora e um criminoso foragido vão ser capazes de destruir os terríveis planos que estão em andamento? Tinham os fundadores da Ceifa criado um plano de emergência para quando tudo estivesse ruindo? Em meio a intrigas políticas e jogos de poder, o mundo pacífico que a humanidade conquistou pode estar prestes a entrar em declínio outra vez.
 
Confesso que uma parte de mim esperava mais de A Nuvem. Embora a leitura ao final tenha causado o impacto desejado pelo autor e me deixado bem curiosa para saber o rumo que a história irá tomar no terceiro e último livro, não nego que eu esperava “um pouco mais”. Afinal, apesar A Nuvem sendo um ótimo livro, sua narrativa infelizmente não conseguiu manter o mesmo fôlego de O Ceifador.

Aqui vários elementos que funcionaram brilhantemente no primeiro livro acabaram não funcionando tão bem. Em muitos momentos tive a sensação que a narrativa meio que se “arrastava” fazendo com que o desenvolvimento da história ficasse mais lento. Outro ponto é que senti no caso do Rowan o personagem prometeu muito, mas entregou muito pouco tendo até, ao mesmo em minha opinião uma participação um tanto quanto apática.

Por outro lado foi gratificante ver a evolução da Citra na história. Apesar de suas ações terem a transformando em alvo tanto de admiração como de maquinações políticas, a jovem Ceifadora desempenha seu papel com compaixão sendo fiel aos preceitos mais antigos da Ceifa. O mais interessante nessa evolução da Citra é perceber que mesmo assumindo com maestria o seu novo papel no mundo, a jovem não perdeu a sua essência questionadora e obstinada. Citra continua fazem o que acredita ser o certo, mesmo quando todas as circunstâncias estão contra ela.

Gostei muito da inserção do Greyson na narrativa, pois isso trouxe a narrativa uma perspectiva diferente e interessante. Se em O Ceifador só tínhamos uma visão no mundo controlado pela Nimbo Cúmulo do ponto vista dos ceifadores, em A Nuvem é possível conhecer essa nova realidade pelo ponto de vista de uma “pessoa comum”. Além disso, o Greyson é aquele tipo de personagem bastante enigmático não tanto por sua personalidade e sim por que não fica muito claro, o papel que ele tem ou terá na história.

Em A Nuvem, Neal Shusterman deu um foco mais político a narrativa e com isso tornando a participação da Nimbo Cúmulo bem mais expressiva. Se no primeiro livro ela desempenha um papel mais de narradora, aqui ela ganhou ares de protagonista. Admito que os meus sentimentos em relação a Nimbo são bem conflitantes, porque ao mesmo tempo que vejo muita compaixão e sabedoria nela, vejo algo obscuro e bem assustador.

“Um chefe de Estado arrogante permite todas as formas de ódio desde que alimentem a sua ambição. E a triste verdade é que as pessoas engolem isso. A sociedade se devora e apodrece. A permissividade é o cadáver inchado da liberdade.”

A Nuvem pode não ter me arrebatado tanto como O Ceifador, mas está longe de ter sido uma decepção. Neal Shusterman soube como surpreender nos momentos certos, tornando a leitura um misto de sentimentos que iam da descrença ao choque. Em várias situações eu me vi dizendo: “- *palavrão*! Não posso acreditar que isso está acontecendo!”. Foram momentos que me deixaram de queixo no chão e coração partido. Mal posso esperar para ver o que Neal Shusterman reservou para o final da trilogia. 

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